Agoge e rhetra

De entre os muitos textos que se publicaram sob o signo do “sim, mas”, escolhi este. Gosto do blogue e achei o  texto equilibrado. Discordo e explico:

Temos de ter uma compreensão  ontológica das coisas. O nível actual de  protesto e revolta em Portugal é baixíssimo relativamente à dureza das imposições governamentais. Estas algazarras na AR são um preço muito barato a pagar pela reputação da casa ( usando uma expressão em voga), Mais, são uma encenação, em segurança, de algo muito pior que poderia  acontecer e, nesse sentido, são um espectáculo e um escape.

A reacção e a explicação foram uma vergonha, sim. Começa porque partiram do segundo magistrado da nação,  que exibiu um nível de raciocínio infraescolarizado. E  continua porque o coro de indignados ( não o autor do texto citado) exibiu uma raiva primária contra Avoila e Nogueira ( contra este dando seguimento ao que se passou na greve dos professores).

Ou seja, querem omeletes sem partir ovos. Querem um ajustamento brutal sem ondas. Já sei que me vão dizer que nas galerias da AR estavam agitadores profissionais. Pois estavam. Representantes de pessoas e de ideias. Como o são Ulrich ou  António Borges.

FNV

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4 thoughts on “Agoge e rhetra

  1. floribundus diz:

    os representantes do agit-prop serão sempre ‘minoria activas’.
    a agravante recai nos contribuintes, porque são estes que lhes pagam os salários e mais dia menos dia vão de ramo de oliveira em procissão de suplicantes.

    nunca se fará uma relação do ‘gamanço’ do patronato, nem dos prejuízos das greves.

    de quando em vez aparecem estes espectáculos indecorosos, dignos de comiseração, porque os participantes perderam a força.
    não é commedia dell’arte, nem opera bufa, tão pouco kalos kagatos: é apenas ‘faz de conta’

  2. Assino por baixo… do post.

  3. A. Lobo diz:

    Floribundos, culpa minha, certamente, mas não entendi o seu comentário mas, ao contrário, entendo que a Presidente da Assembleia da República tenha dito o que disse face aos mandados pelo PC e pelo BE para o Parlamento fazer a gritaria que ouvimos.
    Carrascos foram os comunistas quando mandaram milhões de patriotas para a morte e para as prisões na Sibéria ou por eles internados em hospitais psiquiátricos ou fuzilados; carrascos foram os comunistas que fuzilavam, internavam ou prendiam na Hungria, na Polónia, na Checoslováquia etc.etc.; carrascos foram os comunistas que construíram o muro de Berlim.
    Para mim entre nazis e comunistas não há diferença absolutamente nenhuma, a história é bem concludente.
    A comunada começa de novo a levantar a cabeça, preparemo-nos para lhes “partir os dentes” se tal for necessário.

  4. caramelo diz:

    Qual é a noticia? Onde é que o homem mordeu o cão? Em qualquer país com povo menos disciplinado, o que não significa menos civilizado, são relativamente comuns estas manifestações nas galerias de parlamentos, chamemos-lhes arruaças, porque as coisas são o que são. O Tony Blair que diga o que lhe aconteceu na Câmara dos Comuns. Aliás, bastará assistir a uma sessão diária ao calhas no parlamento inglês para se verificar como é diferente o próprio debate: as interrupções, os apartes, a violência verbal são instituições, não anomalias. Por lá consegue distinguir-se entre as maneiras à mesa e o debate politico, não aqui, neste pais de tias lavadas a pó de arroz. Quando a coisa aquece demasiado, o speaker manda evacuar a galeria, quando é o público, ou interromper a sessão, quando a arruaça se faz na bancada dos parlamentares. Não passa pela cabeça do speaker citar o Orwell e ameaçar alterar as regras de acesso às galerias. Não por ser anti-democrático, mas por receio de chacota. O que aconteceu aqui, abstraindo agora da Chefe Assunção, foi essa coisa simples de um grupo gritar pela demissão do governo e a consequência regimental de serem conduzidos para fora, o que foi feito ordeiramente quanto baste, sem recurso a bastonadas. A única anomalia foi a histeria da presidente e a invocação da Beauvoir, que felizmente para ela tem cortado o acesso ao canal parlamento.
    Propostas para o regimento da assembleia da república: admitam-se velhinhos reformados, se acompanhados por netos, o que os inibirá de fazer figuras tristes. Se forem grupos organizados, que partilhem no máximo a abertura no xadrez, nada de afinidades ideológicas ou clubisticas. Jovens, sentados direitos, admitindo-se que transportem cartazes com os dizeres Olá querida mãe, estou no parlamento a assistir ao debate entre os senhores deputados. Ao longo dos corredores, afixar-se-ão cartazes com a Simone de Beauvoir com um dedo nos lábios, a ordenar silêncio. O marido, ficará impedido de entrar, naturalmente.

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