Ao contrário dos comentadores (3).

Debaixo da pata afectuosa do Crespo cavaqueia um bertoldinho socialista com o “facilitador” José Luís Arnault. Entre os saracoteios habituais do rito partidário despontam interessantes harmonias. Num pântano da orla suburbana de Lisboa já coaxa nos nenúfares o sapo gordo, rutilante, que saciará o apetite dos nossos analistas.

O “diálogo” inter-partidário chegará a bom porto? Talvez, leitor.

Tanto o PS como o PSD têm motivos para alcançar um acordo. O PSD ganha tempo para governar, ensombra o CDS e partilha a responsabilidade do seu fracasso com o maior partido da oposição.

O PS ganha tempo para conquistar o poder, prepara subtilmente o povoléu ignaro para as concessões que fará aos credores e despeja um ano de trabalho sujo no regaço do PSD.

O CDS, muito enfraquecido pela birra da criatura genial que o dirige, recupera forças e, com alguma sorte, alcança um estatuto de charneira que lhe permite manter os motoristas.

Se o eleitorado alinha? Alinha quase sempre.

Luis M. Jorge

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3 thoughts on “Ao contrário dos comentadores (3).

  1. Vasco diz:

    Muito bom. Gostei da “pata afectuosa do Crespo” (é quase uma antítese à maneira pré-romântica de Bocage—isto é um elogio) mas a minha preferida continua a ser os “campónios assolados pela caspa”.

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