A registar

Recuperação do clima económico.

Pode  ser muito ou pouco relevante , mas, por agora, é disto que se trata. O resto é para entreter a multidão de politólogos.

FNV

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17 thoughts on “A registar

  1. henrique pereira dos santos diz:

    Filipe, isto verifica-se há algum tempo, e o banco de Portugal até prevê agora uma queda do PIB menor que a que previa há três meses. Há um monte de indicadores favoráveis (ligeiramente positivos), outros assim, assim e, o pior de todos, o do desemprego, sem sinais de melhoria. Mas o mais importante de todos, o que diz respeito ao desequilíbrio central da nossa economia (o défice externo) há mais de seis meses que é positivo e demonstra uma adaptação notável da nossa economia (com custos elevados, sim, sem a menor dúvida). Mas há quem prefira ver só os que não correm bem até se tornar evidente que há coisas a melhorar (como começa a ser o caso). Um abraço da ponte de santa clara.

    • Bone diz:

      Sim, afinal, porque não comem croissants…?!

    • Sim, é uma maravilha. Você “esquece” que o Banco de Portugal acabou de rever em baixa o crescimento para 2014 de 1,1% para 0,3%. E ainda estamos em Julho. Poupe-nos às suas tretas, Henrique.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Não, não me esqueço. A revisão em baixa deve-se à integração do efeito recessivo do corte de 4,7 mil milhões. E ainda assim, com o efeito recessivo daí decorrente, o PIB cresce (ou melhor, o Banco de Portugal prevê, que com a volatilidade disto estas previsões não andam longe do voodoo) 0,3%. Este efeito recessivo, que é um efeito indesejável, tem no entanto um conjunto de efeitos positivos, é como a contra-indicação de um remédio. São tretas? Talvez. Mas um bocadinho mais fundamentadas que a treta da espiral recessiva que não se consegue identificar em nenhuns dados conhecidos.

  2. João. diz:

    É urgente e necessário recusar estas tentativas de fazer tirar sumo de uma pedra. Recusar estas tentativas de tornar os críticos da situação em distraídos ou mentirosos que não vêem os sinais de recuperação.

    Não há indicadores nenhuns de recuperação o que há e indicadores de estarmos cada vez piores.

    Então, dedicado ao Filipe e ao Henrique:

    • fnvv diz:

      ” Recusar estas tentativas de tornar os críticos da situação em distraídos ou mentirosos que não vêem os sinais de recuperação”

      A quem chamei isso???? É o último panfleto que vc aqui me deixa.
      É exactamente ao contrário: qualquer desvio ao desastre certificado e total e tenho uma matilha às pernas.
      Tenho mais que fazer do que aturar estas merdas.

      • João. diz:

        “Pode ser muito ou pouco relevante , mas, por agora, é disto que se trata. O resto é para entreter a multidão de politólogos.”

        – Qual é o “resto” de que você fala que tirando a recuperaçáo económica é para entreter politólogos?

        Para mim o seu post tenta centrar o debate no clima de recuperação económica, tenta que se aceite esse termo “clima de recuperação económica” como algo que tenha alguma centralidade no concreto, na economia real. O Henrique, inclusive, já nos vem tentar mostrar que há seis meses que estamos em recuperação e que, praticamente, só a má fé rejeita sublinhar este dado. Depois, já num outro post parecido com este você veio ironizar com os que não aguentam boas notícias, embora eu me interesse pela caracterização dos que, dada a situação actual, preferem falar nos sinais de recuperação que ela supostamente mostra.

  3. é milagre diz:

    Haver melhoria residual de alguns indicadores,com esta gente(toda!dentro e fora)é milagre
    de nossa senhora e imenso sacrifício do povo que será agravado no futuro pela pior classe política,desde a abrilada, alapada nos órgãos de soberania.

  4. caramelo diz:

    Filipe, há muito por onde escolher. Também é disto que se trata, por exemplo:

    http://www.publico.pt/economia/noticia/ocde-preve-185-de-desemprego-em-portugal-em-2014-1600346

    Não, Henrique, o indicador mais importante numa economia não é do défice externo, mas quanto cada pessoa tem no bolso para gastar. Isso tudo que está no link convive bem com o aumento do desemprego – e a prova é que as perpectivas (OCDE, FMI, Comissão Europeia), apontam para a subida do desemprego – e a descida no investimento em politicas sociais. Mas enquanto tivermos historiadores que fazem biografias do Estado Novo sem ter lido uma linha dos diários do Cunha Leal, sobretudo sobre o milagre financeiro do Salazar, poucos perceberão isto. É claro que um dia tudo passa, como o último grande glaciar, e cá estará alguém para dizer “Estão a ver? O gelo derreteu, a água inundou as planícies e a relva já cresce verdinha” . Dito de outro modo, isto já começa a parecer-se com a promessa da salvação eterna no além.

    • henrique pereira dos santos diz:

      Não me viu dizer em lado nenhum que o indicador mais importante de uma economia é o défice externo. Isso seria um disparate. O que me houve dizer é que o principal desequilíbrio da nossa economia (aquele que levou à intervenção externa para evitar uma crise de pagamentos do Estado e a queda desamparada da economia) era a necessidade de 15 mil milhões anuais em nova dívida, resultante desse défice externo absurdo. Esse desequilíbrio previa-se que fosse corrigido em quatro anos e foi corrigido em dois (porque o efeito recessivo das medidas tomadas foi maior que o esperado, por várias razões, uma das quais o facto das pessoas se terem assustado e desviarem recursos do consumo para a poupança, resolvendo mais rapidamente o desequilíbrio do défice externo, mas ampliando o efeito recessivo das medidas tomadas). E sem corrigir esse desequilíbrio nada do resto seria possível porque não havia quem nos emprestasse os tais 15 mil milhões anuais com que insuflávamos artificialmente a construção civil, fortemente geradora de emprego directo e indirecto.
      henrique pereira dos santos

  5. caramelo diz:

    “o efeito recessivo das medidas tomadas foi maior que o esperado, por várias razões, uma das quais o facto das pessoas se terem assustado e desviarem recursos do consumo para a poupança”

    HAHAHA Henrique, até me engasguei! O chefe da delegação do FMI ficou um dia destes muito admirado com a recessão, disse que não sabia o que se passava, os técnicos do FMI elaboram relatórios demolidores sobre a austeridade e seus efeitos recessivos, a Lagarde anda a gaguejar, etc. Só posso admirá-lo, não há igual. Vamos então à poupança e pensamos os dois: a taxa de desemprego é grande e cresce, os salários dos privados diminuem, os funcionários públicos (muitos) não têm subsídios de férias, os subsídios de desemprego diminuem, muitos milhares de pessoas que ficaram sem trabalho não têm sequer subsídio, os seus parentes vêm o rendimento diminuído porque têm de os sustentar, cada vez mais pessoas vendem o seu ouro (cujo preço está a descer) e outros objetos pessoais para fazer face a despesas correntes, Os milhares de idosos e não idosos não compram os medicamentos, próteses, óculos, etc, de que precisam, ou pedem fiado, porque preferem meter o dinheiro no banco? Pois não. Estou certo, ou continua a achar que isto são fenómenos marginais? Não acredito que ache, não consigo. Qual é então a percentagem de portugueses que conseguiram aumentar as poupanças?

    • henrique pereira dos santos diz:

      Mas porque me pergunta a mim em vez de perguntar ao INE?: “A taxa de poupança das Famílias aumentou para 12,9% no 1º trimestre de 2013 (11,6% em 2012), variação determinada pela redução de 1,0% do consumo e pelo aumento do rendimento disponível das Famílias (variação de 0,5% no 1º trimestre de 2013). A capacidade de financiamento das Famílias atingiu 7,7% do PIB no 1º trimestre de 2013 (superior em 1,2 pontos percentuais à do trimestre anterior).”
      Se achar a leitura dos originais demasiado indigesta, pode sempre ler jornais (neste caso a notícia ainda é do trimestre anterior à citação que faço acima:
      http://www.jornaldenegocios.pt/especiais/poupanca/detalhe/taxa_de_poupanca_das_familias_cresce_para_maximos_de_14_anos.html
      O extraordinário do seu comentário é que se está nas tintas para os dados concretos que existem, optando pela velha segurança que não permitir que os dados perturbem as suas ideias, mesmo quando os dados entram pelos olhos dentro (sabia, por exemplo, que um desempregado não tinha sequer perda de rendimentos durante dois anos antes das últimas alterações das regras de alteração do subsídio? É quem embora nominalmente recebesse menos, como não pagava impostos, recebia o mesmo). Do mesmo modo sabe perfeitamente que há muito desempregado que tem complementos de rendimento na economia paralela. Ora ao recusar olhar para a realidade como ela é, o que fazemos é mesmo não dar a devida importância aos que realmente estão em situações desesperadas, porque não os disitinguimos das outras situações.

    • Miguel diz:

      Não sejas alarmista, caramelo. A taxa de desemprego disparou, mas a malta prospera com a economia paralela. Como dizia o Pedrinho, é uma oportunidade fantástica para os desempregados e o Santo Graal para o desenvolvimento do país! Repara, o desempregado envolvido na economia paralela é um empreendedor autónomo. Não precisa de emprego para nada, não vá o Estado quebrar do ciclo virtuoso de criação de riqueza que ele criou. Os outros , os incapazes, quero dizer, aqueles que estão em situações desesperadas, têm as sopas da Jonet. Não venhas com os teus comentários derrotistas pôr em risco as sopas para os últimos! Abre os olhos, vê a luz: estamos progressivamente a entrar no melhor dos mundos (à la Henrique Pangloss dos Santos).

    • caramelo diz:

      Henrique, eu tenho a mania de fazer perguntas e não me ficar pelas estatísticas do INE. Jornal que fique somente pela divulgação das estatísticas do INE ou do BC, não me merece grande perda de tempo. É útil,. mas não chega. É a mesma preguiça que leva a que só contabilizem como desempregados os inscritos no instituto de emprego, quando se sabe que muitos sem trabalho, porque não têm direito a subsídio (recibos verdes, etc), nem se dão ao trabalho de se inscrever nos centros de emprego, vão diretamente pesquisar nos sites de emprego ou nos jornais. Até lhe posso dizer que há funcionários de centros de emprego que aconselham as pessoas a não perder tempo e dinheiro em transportes a ir perguntar-lhes que trabalhos há. Não são funcionários desinteressados, são funcionários com bom senso.
      Pergunto: subiu ou não subiu fortemente o desemprego? Por isso e pela redução de salários e prestações sociais, desceu, ou não desceu fortemente, o rendimento disponível das famílias? A propósito, é, ou não verdade, que desceram os subsídios e prestações sociais? É, porque é exigência da troika. E antes das descidas que raio de taxas de poupança acha que tinham os desempregados? É ou não percetível no dia a dia, levantando os olhos das estatísticas do INE, a dificuldade de cada vez mais famílias para satisfazerem as suas necessidades básicas? O que dizem os farmacêuticos’ O que dizem as IPSS? Continuo a perguntar-lhe qual é que acha que será a percentagem de população que conseguiu aumentar as poupanças, porque há muito quem consiga, não tenho dúvidas. Todos conseguem? 100% 80%, 50% 20%?
      Quanto á economia paralel dos desempregados, qual é ela? Quantos a têm? Eu conheço uma muito em voga: vender coisas sem recibo na OLX. Outra, mais rendosa, será plantar cannabis em casa.

      Aqui duas pistas:

      http://www.publico.pt/economia/noticia/quase-toda-a-poupanca-em-portugal-e-feita-por-apenas-20-das-familias-1537175

      http://www.publico.pt/economia/noticia/portugueses-reduziram-a-poupanca-em-novembro-1577155

      Mas como é razoável que não nos fiquemos pela leitura dos jornais para analisarmos a realidade à nossa volta, preferia que comentasse com base na sua percepção das coisas. Sobre isto, acrescento que é demasiado fácil, já agora, olhar em volta nas ruas, e vendo pessoas a caminhar normalmente, a sorrir, a brincar com os filhos, a consumir, nos cafés, nos supermercados, concluir que a vida no país segue normalmente. É a mesma percepção que têm os turistas que visitam a Grécia, por exemplo. Na maior parte dos casos, não estamos perante situações de desespero, que as há e cada vez mais, mas tão somente de perda de capacidade de consumo e qualidade de vida, coisas a que as pessoas, mal ou bem, se habituam. E até muitos desesperados têm dignidade suficiente para que os outros não reparem na sua situação.

  6. migspalexpl diz:

    Ok, admitamos que existe um desaceleramento da degradação económica. Em que planeta é que isto é uma boa notícia? 🙂 A economia CONTINUA a piorar, o ritmo é que abrandou. Se uma economia cai a uma velocidade 10, passar a cair a uma velocidade 8 ou 9 é a continuação de uma má notícia. Uma boa notícia seria uma notícia de crescimento positivo, e de preferência bem alto, para compensar o potencial perdido nestes últimos anos.

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