Nada é a preto e branco. Nem mesmo na América

The February 26 shooting death of Trayvon Martin, 17, at the hands of George Zimmerman, 28, a neighborhood watch captain who said he acted in self-defense, has riveted the nation, largely because of race. Trayvon Martin was black. George Zimmerman is white and hispanic.

A mania americana de ver a raça em tudo, trocando a luta de classes da velha Europa por uma luta de cores pós-colonial, explica-se pelo passado, mas não ajuda a perceber o presente.

Por exemplo. Nas notícias sobre a morte de Trayvon Martin e a absolvição de George Zimmerman, há duas coisas que eu, pobre europeu, não entendo .

A primeira: desde quando é que os hispânicos da América passararam a ser “brancos”? Desde que começaram aos tiros aos negros?

A segunda: ninguém pergunta, sobretudo aos jurados que absolveram Zimmerman, se é legal um cidadão fazer de polícia privado, pôr uma pistola à cinta e seguir pelas ruas quem lhe parece “suspeito”?

PP

Anúncios

10 thoughts on “Nada é a preto e branco. Nem mesmo na América

  1. AMCD diz:

    A primeira vez que ouvi tal frase, a de que “Nada é a preto e branco”, foi num filme de Hollywood, de duvidosa qualidade (enfim, para não dizer que o filme era uma merda, como quase todos os filmes californianos). O vilão acabava por dizer que o mundo era cinzento para justificar a sua conduta corrupta e criminosa, face a um investigador que queria ver a verdade “preto no branco”.

    Pois eu digo, cinzento coisíssima nenhuma: o mundo é a cores, felizmente.

    Quanto ao resto, as questões que coloca, em particular a segunda, são da maior pertinência, no ver deste comum mortal.

    Quanto à primeira questão apetece responder que no início não eram tiros, eram espadeiradas e chicotadas.

    (Nós e os bons dos hispânicos, infelizmente, estamos entre os pioneiros dessa prática da tráfico de escravos de África para a América – com o auxílio de muitos negros outros que capturavam conterrâneos doutras tribos em conivência com os “brancos”, que os encomendavam – embora a escravatura exista há milénios e não conheça cores.)

    Nada é a preto e branco, como diz. É a cores.

  2. caramelo diz:

    Não é “passado”, é presente. O passado na América foi ontem. Mas a eleição do Obama apaziguou os conflitos raciais e a frustação e raiva da população negra., por isso não me surpreende que não haja riots como os de Los Angeles, nos 80. Mas posso estar a falar cedo demais.
    O Zimmerman não é white, é “white hispanic”, quase branco quase preto, como diz o Caetano.

    • ppicoito diz:

      Si, quase preto, quase branco e talvez quase hispânico. Mas deu jeito que fosse “branco” para justificar a retórica do conflito racial.

  3. “niguém pergunta, sobretudo aos jurados que absolveram Zimmerman, se é legal um cidadão fazer de polícia privado, pôr uma pistola à cinta e seguir pelas ruas quem lhe parece ”suspeito”?”

    Ninguém pergunta porque é definido pela lei do estado da Florida que tal é permitido: é permitido o porte de arma livremente. Para além disto a doutrina “stand your ground” permite a alguém que perante uma ameaça a si ou à sua propriedade iniciar violência, mesmo que tenha possibilidade de recuar em segurança. Isto dito, a questão não se pôs neste caso porque aparentemente, no momento da morte, não haveria segundo o acusado (e única testemunha) hipotese de recuar. Ou seja, de acordo com a lei, a sentença foi correcta.

    • ppicoito diz:

      Não, porque não havia nenhuma ameaça à propriedade ou a segurança de Zimmerman quando este começou a seguir Trayvon Martin: é o próprio Zimmerman que o diz no relato que faz à polícia (leia-se o texto linkado). Ou seja, o ponto essencial é precisamente que Zimmerman provocou Martin ao exercer uma espécie de vigilância privada sobre alguém que arbitrariamente definiu como suspeito. E, sim, o facto de Martin ser negro talvez tenha ajudado à “suspeita”.

    • Bernardo Hourmat diz:

      Será melhor dizer, de acordo com a interpretação dos jurados e do juiz, sobre a lei. Julgo que o texto concreto da lei dá uma margem considerável de interpretação.

      Curiosamente, num outro caso na Florida, uma mulher (negra) foi condenada a 20 anos de prisão por ter disparado a sua arma para o ar na tentativa de dissuadir uma ameaça física por parte do marido. Nesse caso, a doutrina de “stand your ground” não foi levada em conta.

      • caramelo diz:

        Essa sentença na Florida é um completo absurdo, e não preciso de saber mais factos do que esses. Aliás, há aspetos da justiça americana aterradores. Mas, lá está, não sei se devo criticar, porque, já se sabe, cada país tem a sua especificidade cultural… não é?

  4. pvnam diz:

    Os ‘globalization-lovers’/(anti-sobrevivência de Identidades Autóctones) são uns nazis do piorio:
    – veja-se o que os ‘globalization-lovers’/(anti-sobrevivência de Identidades Autóctones) fizeram aos nativos norte-americanos: houve Identidades Autóctones que sofreram um Holocausto Massivo;
    – veja-se o que os ‘globalization-lovers’/(anti-sobrevivência de Identidades Autóctones) estão a fazer no Brasil aos nativos da Amazónia;
    – etc.
    Mais, para os ‘globalization-lovers’ made-in-USA as causas suficientes para desencadear uma guerra são quase infinitas!…
    .
    .
    Nazismo não é o ser ‘alto e louro’… mas sim a busca de pretextos com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros!…
    Os NAZIS ‘globalization-lovers’/(anti-sobrevivência de Identidades Autóctones) andam numa busca incessante de pretextos… para negar o Direito à sobrevivência das Identidades Autóctones.
    Os SEPARATISTAS-50-50 não têm um discurso de negação de Direito à sobrevivência… os separatistas-50-50 apenas reivindicam o Direito à Sobrevivência da sua Identidade: leia-se, os ‘globalization-lovers’ que fiquem na sua… desde que respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa.
    {nota: Uma NAÇÃO é uma comunidade duma mesma matriz racial onde existe partilha laços de sangue, com um património etno-cultural comum. Uma PÁTRIA é a realização de uma Nação num espaço}
    .
    .
    .
    P.S.
    Um caos organizado por alguns – a superclasse (alta finança – capital global) pretende ‘cozinhar’ as condições que são do seu interesse:
    – privatização de bens estratégicos: energia… água…
    – caos financeiro…
    – implosão de identidades autóctones…
    – forças militares e militarizadas mercenárias…
    resumindo: estão a ser criadas as condições para uma Nova Ordem a seguir ao caos – uma Ordem Mercenária: um Neofeudalismo.
    {uma nota: anda por aí muito político/(marioneta) cujo trabalhinho é ‘cozinhar’ as condições que são do interesse da superclasse}

  5. PP diz:

    Nos census americanos a categoria Hispânico inclui tanto a população da América Latina como a descendente da emigração espanhola, italiana e portuguesa. Assim é possível ser white ou non-white hispanic. Historicamente as populações católicas também nem sempre foram consideradas brancas: Irlandeses e Polacos eram também, formal e informalmente, categorias à parte.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: