Olhemos então para o futuro.

Esta semana, no The Economist:

Portugal’s borrowing costs have surged, and the latest central-bank forecasts suggest that the economy will barely recover in 2014 after three years of deep recession. Instead of the promised turnaround, the bank now expects only 0.3% growth next year. The main culprit is bigger-than-expected cuts in public spending that were necessary to keep the bail-out on track. This forecast is hardly likely to strengthen confidence in Portugal, Greece or across the wider euro zone that austerity is working. Nor will it support the fond hopes in Brussels that Portugal was safely pulling away from Greece and would follow Ireland by getting out of its bail-out programme. Just now, neither country looks anywhere near ready for graduation.

E já agora, um pequeno apontamento sobre a América no Financial Times:

Wall Street returns to era of big profits. In dollar terms the biggest Wall Street banks are enjoying themselves more than at any time since 2007. After years of struggle, pre-crisis levels of profits are back.

Tendo em conta a estima que me merecem os nossos leitores da Crinabel vou resumir a coisa como se fossem muito estúpidos: a austeridade na Europa está a falhar. Nos Estados Unidos, pelo contrário, apesar das invectivas a Krugman e dos sérios avisos de dezenas de sábios lusitanos em blogues e matinés da Júlia (a dívida, a dívida!, lembram-se?) tudo parece estar a correr bem.

Não agradeça, estamos cá para servir.

Luis M. Jorge

Anúncios

13 thoughts on “Olhemos então para o futuro.

  1. João. diz:

    Hoje em dia não se sabe se está a correr bem ou se estamos em mais uma fase de acumulação brutal por uma elite financeira para depois deixar os outros na fossa.

    De resto Cavaco ao dizer que prevê que no futuro o PS, o PSD e o CDS vão ter que se unir, a meu ver ele quer dizer que vem aí um segundo resgate.

  2. Tenho actualizações ao segundo pelo ecrã do ipad.
    Quanto à reformulação: sim, constipamo-nos. Neste momento, como se diz na notícia, dizem que estão muito fraquinhos pelo “excesso de regulamentação”, coitados.
    Mas a questão não é essa: é de avaliação da conjuntura. A deles está boa, a nossa está má.
    Ou seja, é bom que os bancos ganhem dinheiro, excepto nas sociedades comunistas ou quando todos os outros perdem, claro.

  3. É tudo verdade, caro Luís. Mas na vida, na política, na economia, ou no resto, ter razão de pouco ou nada importa.

  4. António diz:

    Isso é a esquerdalha que manda nos media a criar ilusões. Não nos podemos esquecer, disse o sábio que nos governa, que andamos a viver à custa dos laboriosos povos do norte da Europa.

  5. caramelo diz:

    “andamos a viver à custa dos laboriosos povos do norte da Europa.”

    Isto é uma coisa em que tenho pensado amiiúde. Por um lado, é verdade que não deve haver atividade mais prazeirosa no mundo do que esmifrar a um holandês, um sueco. um alemão, o dinheiro que ganharam no trabalho duro, na forja e a perfurar petróleo no gelo. Se tiverem óculos redondos de aros finos, o esmiframento é maravilhoso. Há lá coisa mais bonita do que, por exemplo, vender a um alemão duas sardinhas assadas e uma garrafa de vinho da Lagoa por trinta euros? Ou transportá-los de táxi do aeroporto até ao rossio, atalhando pelo Bombarral? Ah, coisa linda e revigorante. Quem me dera ter nem que fosse um riquexó. Mas tenho a impressão que nisto da divida andamos nós a sustentá-los. Acho que todos os dias aquela gente se reúne à frente de umas garrafas de aguardente de morsa e dizem uns para os outros: então, em quanto é que papámos hoje os anões só em juros? Lutero e Calvino disseram: por cada euro gasto em sardinha e pimento em Portimão, ides buscar três euros de juro no mercado da divida soberana.

    • Têm muita prática: a liga hanseática começou no Século XII. Depois os nossos judeus foram para lá em 1496 levando com eles os rudimentos do direito comercial. Juntou-se a fome à vontade de comer. Os que ficaram receberam o tratamento cerimonioso que o bom povo de Lisboa, com a padralhada à mistura, reservava aos hereges. A nossa direita nasceu por essa altura, movimentando-se contra o “facilitismo”, a “esquerda” em geral e a impiedade da Europa. No fundo, Nuno Crato e Pedro Passos Coelho são herdeiros daqueles frades que sopraram nas fogueirinhas do largo de São Domingos. O tetraneto do Barão de Alvito, que podia resolver alguma merda, emigrou para Londres e trabalha num banco de investimento, ignorando a choldra.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: