Tem toda a razão

É assim mesmo.

O que é interessante é que a subjugação  tradicional ( financeira, física etc) é produto da cultura feminina. Come-se o  que nos põem  à frente. A revolta  deles com a revolta delas vem da erosão da tradição feminina via erosão da família.

FNV

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14 thoughts on “Tem toda a razão

  1. Bone diz:

    O poder de decidir o “tacho” que serve ao patrão na noite em que a virgem pariu… doce servidão. Não é produto da cultura feminina, é produto da cultura, ponto final. As mulheres, como os homens, partilham-na. Não é cultura feminina, é cultura patriarcal assumida como sua pelas mulheres. Sabe-se que o dominado se identifica frequentemente com o dominante e se dessolidariza do seu grupo de pertença. O exemplo clássico é o negro “criado da casa” que não se solidarizava com os outros escravos mas com o “senhor”. Transpondo para a actualidade, quando ouvimos uma mulher dizer, por exemplo, que prefere trabalhar com homens do que com mulheres, ou que as mulheres, as outras, são isto e aquilo… é um criado da casa que estamos a ouvir. A tradição vem-se erodindo, é verdade, mas muito lentamente e bem menos do que possa parecer a um olhar menos atento. Há muita espuma politicamente correcta. O facto de PA não ter vergonha e até parecer algo impante por escrever aquilo que escreveu mostra bem como as coisas mudaram pouco.

  2. Miguel diz:

    É de antologia. Só esta vale todo o post: “Não vou fazer uma demonstração abstracta desta tese porque as demonstrações abstractas, simplificando a realidade e omitindo os detalhes, nas mãos de um argumentador hábil como eu, são um perigo para si – permitem chegar a conclusões falsas parecendo verdadeiras.” E a não saber estrelar um ovo! Por causa da mãe, o super- argumentador nunca foi nem acampar, nem andou em viagem com os compinchas, não, sempre a comer o que a mãe ou a mulher lhe põem à frente. ahahah…

  3. Por exemplo, Bone dixit.

  4. zé serra diz:

    enfim… muito haveria a dizer. mas sugiro que num natal se coma bacalhau e no outro cabrito. isso de comer o que a mamã põe à frente é coisa de miudagem e uma boa racionalização para o déficit do ovo estrelado. uma vida de casal assim tão certinha não sei se dura muito… talvez dure até ao momento em que aparece outra que cozinha melhor ou faz coisas diferentes na cama.
    e depois há aquela coisa da autonomia masculina: homem que não se orienta na cozinha fica a perder.
    tenho dito.
    😉
    abraço

  5. caramelo diz:

    É a velha fraude do dr. Pedro Arroja, que chega a soar a sarcasmo amargo, da sociedade matriarcal, que ele costuma misturar com o culto mariano, etc, etc, uma tara. Sinto sempre uma espécie de choque cultural quando leio o homem. Aquilo é ele e a sua circunstância familiar, social, ou imaginária, que pouco ou nada tem a ver com o que sempre conheci. Sem mais comentários. Bone: “é cultura patriarcal assumida como sua pelas mulheres”. Não é bem assim, Bone.

  6. Patrícia diz:

    As mulheres põem-lhe coisas à frente – a mama, a comida, enfim, elas próprias – e ele não pode recusar, porque isso não seria racional. Provavelmente até seria muito indelicado!

    Já as mulheres são muito pouco “racionais”,..

  7. Bone diz:

    Então como é que é, Caramelo? Bem sei que na santíssima trindade há uma pomba, mas é macho, é o espírito santo.

  8. caramelo diz:

    Eu conto, sentai aqui ao colo. Acontece que a mulher era o feitor da casa. E estava a mulher para a casa de família, como o feitor (e sua mulher) estava para a a quinta. E no namoro, dizia o senhor: eu gosto muito de cabrito assado. E dizia o feitor, sim senhor, mas a minha mulher faz uma sopa de beldroegas que é um sonho, vai ter sopa de beldroegas. E disse o senhor, tomai lá então dez mei reis para plantar beldroegas e para comprar os cabritinhos, a quinta é sua. Sim, senhor doutor, vá à sua vida que tratamos da quinta, como se fosse nossa. E todos os dias atiçava os cães aos miúdos que iam para roubar a fruta e acontecia que tanto se dedicava que tinha mais amor à quinta que o próprio dono, tendo por vezes de o chamar à razão Senhor, tendes de chamar cá homens para arranjar os estábulos. E os filhos do feitor estudaram e disseram aos pais: pai, mãe, não tendes nada de vosso. Filhos, este é o vosso teto, aqui fostes criados, bem tratados. Mas ficou o feitor com o bichinho na cabeça e tornou-se azedo e disse aos filhos: filhos, não queirais ser feitores. E aconteceu que isto se soube e surgiu um grande medo de que as quintas fossem invadidas pelas urtigas e a boa ordem se desfizesse. E assim de facto aconteceu e nova ordem surgiu. Louvado seja o Senhor. Ámen.

    E então, eu contei uma história de uma sociedade dominada por feitores? Isso é o que diz o Professor Arroja.

    Bone, quanto ao que disseste de o poder patriarcal ser aceite pelas mulheres, depende. Muitas coisas inconfessáveis passavam pela cabeça de muitas mulheres.

    Na história do Natal não há nenhum padrão. Eu passava o Natal em casa da avó paterna, porque era bastante maior do que a casa da avó materna e dava para sentar as centenas de primos e tios, só por isso. Comia-se o que se fazia naquela casa habitualmente. De qualquer maneira, como sou gandarês, só se concebia comer bacalhau; o cabrito e o pirú era pratos exóticos.

    • Bone diz:

      Que bela história, caramelo, embora com um final um pouco a trouxe-mouxe, não?

      Quanto ao que eu disse e ao que tu disseste, é claro que “depende”. Benditas ovelhas tresmalhadas que imaginavam, e imaginam, coisas inconfessáveis a lobos e pastores e semeavam, e semeiam, bichinhos nas caracoletas das suas irmãs. E, afinal, parece que a sopa de urtigas também se recomenda e não tem nada que saber, qualquer menino se desenrasca.

      Para a ceia, sim, pode ser bacalhau, querido. Ou então polvo. Cabritinhos é que não, no dia em nasceu o menino não me iam cair bem.

    • Bone diz:

      Que bela história, caramelo. Quanto ao que eu disse e ao que tu disseste, é claro que “depende”. Benditas ovelhas tresmalhadas que imaginavam, e imaginam, coisas inconfessáveis a lobos e pastores e semeavam, e semeiam, bichinhos nas caracoletas das suas irmãs. E, afinal, parece que a sopa de urtigas também se recomenda e não tem nada que saber, qualquer menino se desenrasca.

      Para a ceia, sim, pode ser bacalhau, querido. Ou então polvo. Cabritinhos é que não, no dia em nasceu o menino não me iam cair bem.

  9. xico diz:

    Todo o período de Advento até à consoada é tempo de abstinência de carne, tal como a quaresma. Essa é a tradição de um país católico. Na ceia de Natal está, assim, proibido o consumo de carne de acordo com o catolicismo tradicional do país. Se a mãe do Pedro Arroja lhe dava cabrito na noite de Natal é porque tinha um pai anticlerical e maçon que permitia à esposa liberalidades passíveis de fogueira inquisitorial. Pai católico e tradicionalista que se prezasse não permitiria tais liberdades à legítima. Se o Pedro Arroja come tudo o que lhe pôem à frente faz ele muito bem, que isso é coisa de mui boa e saudável tradição. Por isso homem avisado não bate na mulher que lhe põe o comer à frente…

    • ppicoito diz:

      Grande confusão. Na liturgia latina, desde há muito que a abstinência só é obrigatória nas sextas-feiras da Quaresma. Nas festas, entre as quais o Natal, não há proibição nenhuma de comer carne. O Pedro Arroja diz muitos disparates, mas não é o caso.

      • xico diz:

        Não falei nas festas nem no Natal, nem na actualidade. Falei da véspera em que era recomendada a abstinência de carne. Por isso se come bacalhau e polvo. E não falo de agora em que nada disso conta. Falava do que ficou na tradição resultado dessas regras. Hoje come-se bacalhau não porque seja proibido comer carne, mas porque ficou assim na tradição resultado dessa proibição da véspera de Natal, como preparação para a Festa.

      • xico diz:

        Quanto à obrigatoriedade da abstinência de carne ela é para todas as sextas-feiras do ano e não só as da Quaresma, a não ser que caiam em dia de festa. Canon 1251 do Direito canónico.
        http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf
        O que é que isto significa? Absolutamente nada. Desde a minha infância (na década de 60 do séc. XX era assim em casa de meus pais) que não conheço nenhum católico que o cumpra. Nem padres.

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