Shocking

Enquanto por cá se perdem quadros do século XVI em nome do direito de propriedade (sobretudo dos mais ricos),  os ingleses teimam em limitar a saída para o estrangeiro do seu património (mesmo o mais obscuro). Diz o Telegraph que  o Ministro da Cultura proibiu temporariamente a venda de um anel de Jane Austen à cantora americana Kelly Clarkson. E fez o mesmo ao arquivo do Major James Wolfe (James who?), ao Bentley de corrida de Henry Birkin ( Henry who?) e a uma colecção de mapas, fotografias, desenhos e documentos sobre a exploração da Austrália no século XIX (Austrwhat?) . Agora o Governo de Sua Majestade tem até Dezembro, no máximo, para reunir o dinheiro que cubra as ofertas recebidas em leilão.

São todos uns socialistas, estes bárbaros da Magna Carta. Os que não nos querem mandar para o Tarrafal, claro.

PP

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18 thoughts on “Shocking

  1. A.Lobo diz:

    Agora o Governo (de sua Majestade) tem até Dezembro, no máximo, para reunir o dinheiro que cubra as ofertas recebidas em leilão, escreve Pedro Picoito.
    Mas então que ficamos? Os portugueses possuem o dinheiro necessário a evitar a saída do tal quadro? Se sim, muito bem compre-se. Se não tem nada há a fazer. Será que os fundamentalistas querem afugentar os colecionadores?
    Cá por mim tomaria as minhas precauções se fosse colecionador. Nacionalizações, outra vez? Tenham juízo.

  2. ppicoito diz:

    Dinheiro para evitar a saída do quadro? Mas ainda não percebeu que o quadro já foi embora?

    • A.Lobo diz:

      Os restantes comentários chamam-no à razão.
      A credibilidade científica do Pedro Picoito com este tipo de respostas fica, desnecessariamente, em causa.

      • ppicoito diz:

        Qual credibilidade científica? Que eu saiba, não apresentei nenhum argumento de autoridade científica.

  3. henrique pereira dos santos diz:

    Pedro Picoito, gosto de o ler, mas acho que esta sua resposta pretende tapar o sol com a peneira: em Inglaterra o governo compra ou deixa sair. E isso é que é lógico. O que existe é um mecanismo, temporário, para permitir ao Governo entretanto arranjar o dinheiro. Se isso existisse em Portugal o problema de serem estes ou aqueles o beneficiados pela decisão discricionária não existia: vendo a quem quiser, onde quer que esteja, e o Governo, se achar que quer que o património fique no país, paga-me (não sei se o mesmo, presumo que sim). Razoável, claro e linear, não tem nenhuma relação com a prepotência do Estado dizer que não sai e ponto final, fazendo um privado concreto arcar com os custos do bem comum, em vez de serem os comuns a pagarem os bens comuns.
    henrique pereira dos santos

    • ppicoito diz:

      Não digo nada de muito diferente. Apresentei a solução inglesa porque me parece a que melhor defende tanto o direito de propriedade como o interesse público. Não defendo que o Estado mantenha indefinidamente a proibição de venda para o estrangeiro de um objecto classificado se não o tenciona comprar. Agora, a solução de Viegas é que é discricionária: os anteriores proprietários não podiam vender, o Pais do Amaral já pode.Porquê? Porque o Governo mudou. É isto um estado de direito?

      • A. Lobo diz:

        O Pedro anda muito nervoso o que abala a sua credibilidade intelectual, já não digo científica. Vejamos:
        Foi Viegas que proibiu a venda aos anteriores detentores do quadro? Não foi, ao que parece. Ora, se não foi, não há discricionariedade mas antes inovação (para melhor) processual o que na administração pública é raro.
        Viegas mais não fez do que aplicar a lei do bom senso e de “importar” os sãos princípios da nossa Velha Aliada.

  4. […] às mentes esclarecidas, empenhadas em salvar o património, que o façam com os seus próprios recursos. Caso lhe tenha […]

  5. gandavo diz:

    A ironia sobre os socialistas da Magna Carta é descabida. Não é o governo que reune o dinheiro! A lei é bem clara: 3 meses para qualquer instituição britânica ou indivíduo se chegar à frente. Pode ser o Queen’s Park Rangers ou Sir Elton John

    • ppicoito diz:

      Sim, desde que o objecto fique em território nacional. É esse o ponto: até pode ser o Queen´s Elton John a comprá-lo. E, se não aparecer nenhum comprador privado, o Estado dipõe de mais algum tempo do que os tais três meses para reunir o dinheiro. Só se tudo isto falhar é que a exportação é autorizada.

      • gandavo diz:

        Errado. Apenas e só se aparecer no prazo dos primeiros 3 meses algum interessado e, a pedido deste, for requerido mais tempo para reunir a verba será prorrogado o prazo por outros 3 meses. E só. Não há dinheiro público envolvido.

    • ppicoito diz:

      Não é verdade. Enquanto espera pelos compradores privados, o Estado inglês também se mexe, geralmente através de museus. Não está na lei, mas tem sido esta a prática. Primeiro, espera-se pelos privados, depois avançam as isnstituições públicas e só se o preço for exorbitante é que a obra sai, levantada a suspensão temporária. Um exemplo de final feliz é a compra recente de um Manet quase a sair do país pelo Ashmolean Museum de Oxford

  6. Carlos C. diz:

    Pouco percebo do mercado de Arte, mas se a qualificação da Arte nunca pode evitar uma componente ideológica (e, em minha modesta opinião, o residual ideológico é incontornável), o escândalo Crivelli tão pouco. Devo acrescentar que só há pouco tempo consegui examinar uma imagem do quadro do Amaral o qual embora tenha uma certa qualidade me pareceu semelhante a tantos outros daquele período (séc. XV) , originais ou imitações impecáveis, que se podem adquirir em qualquer antiquário italiano. Duvido que o Amaral perceba alguma coisa de pintura, mas de negociatas percebe certamente, pelo que não me repugnaria que em casos como deste o Estado tivesse pura e simplesmente confiscado o dito quadro. Quanto a “peritos”, desconfio que o velho Calouste percebia mais de arte a dormir do que todos os técnicos da SEC acordados com o Viegas à frente. A propósito, ainda vos lembrais das polémicas que causou a transferência das colecções do Calouste para Portugal?

    • caramelo diz:

      “Quanto a “peritos”, desconfio que o velho Calouste percebia mais de arte a dormir do que todos os técnicos da SEC acordados com o Viegas à frente.”

      Essa é uma opinião sustentada em nada. Apeteceu-lhe. Os “técnicos do SEC” tiram os mesmos cursos e as mesmas especializações que os seus colegas do privado, incluindo aqueles que aconselharam o Gulbenkian nas suas aquisições (não deixava por isso de ter bom gosto e ser conhecedor). Mas pode visitar os museus nacionais e apontar erros. Não conheço muitos peritos do Estado, conheço alguns, até por razões familiares. Por exemplo, pode vir visitar o Machado de Castro e depois falar com a Dr^Adilia Alarcão, já reformada do museu, e dizer-lhe isso mesmo. É uma senhora afável , que o ouvirá com atenção, se não abusar da sua paciência 😉

      • Carlos C. diz:

        Foi menos do que uma opinião. Foi penas uma desconfiança que as suas palavras de conhecedor do meio muito esclareceram.

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