Diário de um cínico

Recentemente, o Governo americano enviou ao Egipto duas delegações de alto nível: uma chefiada pelo senador John McCain e outra pelo Secretário de Estado John Kerry. Mais do que isto, só uma viagem oficial do Presidente. São sinais de que a América está preocupada com a Primavera egípcia, e não sem razão. As coisas estão a correr muito mal e a estabilidade do país é decisiva para todo o Médio Oriente. A última coisa de que Obama precisa é de outra Síria nas margens do Nilo.

Entretanto, Obama já deixou claro que apoia o golpe de Estado. Fiéis à velha doutrina, os americanos escolheram o general Sissi como o seu “son of a bitch” no Cairo. Agora, devem pedir a contrapartida dos milhões que continuam a mandar para lá. Primeiro, exigindo a libertação imediata de Morsi. É muito mais perigoso para a transição democrática que Morsi esteja preso do que em liberdade. Segundo, exigindo que a Irmandade Islâmica faça parte do próximo Governo.  Já toda a gente percebeu que a democracia  egípcia só tem futuro se a Irmandade Islâmica a aceitar as regras do jogo. O que só acontecerá se a democracia aceitar a Irmandade Islâmica. É um equlíbrio difícil, mas é o único possível. Ou isso ou o caos.

PP

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6 thoughts on “Diário de um cínico

  1. xico diz:

    Já que falamos de cinismo, pergunto-me se no meio deste equilíbrio/desequilíbrio não estará o recente aviso/alarme para um ataque terrorista iminente feito pelos EUA? É que foi sempre a táctica usada: assusta-se primeiro e depois aparece-se como salvador!
    E, por estarmos em plena época silly, como é que aquilo pode correr bem com um general sissi!!!!

  2. Marina Tadeu diz:

    Se apostasse, que aposto, punha os feijões no Caos. A chave, made in USA, atirada ao Nilo pelos militares?

  3. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Pedro, conforme já lhe referi, a essência do problema não é o denominado Próximo Oriente, mas antes todo o Vale do Nilo até ao chamado Corno de África: o que está em causa é o controlo da água em toda a região, como ficou ilustrado pelas reacções dos estados ribeirinhos (Egipto, Sudão) à construção em curso da mega-barragem no troço superior do Nilo Azul pela Etiópia.
    Quanto ao Egipto, reitero o que já afirmei: 1/3 do povo árabe a viver num estreito oásis sobrepovoado, 1 Exército mameluco que constitui um estado dentro do Estado, a que se soma 1 Tunísia cristã copta no seu interior.
    Acrescento apenas isto:

    http://www.sudantribune.com/spip.php?article47536

    • ppicoito diz:

      Não nego que esse seja um dos aspectos da questão, mas não me parece que se possa resumir a isso.

      • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

        Caro Pedro, sem água não há vida nem petróleo, como o ex-Primeiro-Ministro turco Bulent Ecevit disse nos hoje longíquos idos de ’70 ao então Rei Fahd da Arábia Saudita (para embaraço deste, acrescentam as fontes).

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