Serviço Público.

Um excerto do texto de opinião de Áurea Sampaio publicado na edição desta semana da revista Visão:

«[…] há medicamentos para doentes com cancro cujo financiamento está a ser custeado a 100% pelo Estado para os funcionários públicos e recusado para os doentes do SNS. A discriminação, revela o Expresso, estende-se a outras doenças, como as de Crohn e a artrite reumatoide, em que os utentes do SNS não contam com o apoio para acederem a tratamentos inovadores, ao contrário do que acontece com os beneficiários da ADSE […] A perversidade da situação é que se promove a desigualdade entre os portugueses no acesso à Saúde em nome da falta de recursos públicos, quando, com tais políticas, se canalizam esses recursos para os privados. É cada vez mais claro que o Estado está a financiar os hospitais privados através da ADSE […]».

Via Carlos Azevedo.

Luis M. Jorge

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15 thoughts on “Serviço Público.

  1. caramelo diz:

    Muito bem, é serviço público. Mas conviria também saber qual a percentagem de funcionários públicos que trata o cancro em hospitais privados, para sabermos do que estamos a falar quando falamos em desigualdade. Toda a informação é serviço público.

  2. Não referi as ligações do responsável pela pasta da Saúde ao sector privado na área da saúde porque só não vê/sabe quem não quer ver/saber. E, claro, muito obrigado pelo link, Luís.

  3. caramelo diz:

    Não tem muito sentido falar em desigualdade no tratamento. A ADSE funciona como um seguro de saúde: são os funcionários públicos que o pagam, todos os meses lhe é descontado no ordenado, para além do que já descontam em impostos para financiar o SNS. E muitos não chegam a beneficiar dele. Se um funcionário público que ir à privada, seja uma consulta, seja comprar uns óculos, tem de pagar à cabeça e receber passado um mês ou dois meses, numa percentagem, com um limite, e é frequente não ter dinheiro para pagar a despesa de imediato. Não conheço o caso concreto dos medicamentos contra o cancro, mas de facto não conheço pessoalmente nenhum funcionário público que tenha estado internado numa clinica privada para tratar o cancro, porque só uma pequena parte da diária lhe seria devolvida posteriormente. É preciso que se conheça o sistema.

    • Você está hoje num dia de sofismas. 1. A questão não é a de saber quem paga mais, há muita gente que paga mais impostos que os funcionários públicos e nem por isso tem um tratamento especial do Estado se usar o SNS. Se vocÊ vai por esse caminho ainda o apanho a defender que o Zeinal Bava deve ter acesso a clínicas públicas de excepcional qualidade, mesmo que não as use. 2. A questão tem de ser, muito pelo contrário, observada pelo lado da acção do Estado: deve ou não beneficiar um gupo de cidadãos em vez de outros no acesso a tratamentos? Se não deve (e eu julgo que não), parece-me que temos aqui uma injustiça clara. Julgo que isto deve ser óbvio para um observador independente.

    • henedina diz:

      Caramelo a ADSE não acaba porque está a subsidiar os hospitais privados, daria de bom grado o dinheiro para manter o SNS com igualdade para todos os portugueses.

      • caramelo diz:

        henedina, que há desigualdade, há, não é tanta quanto geralmente se pensa. Há até quem pense que toda a gente da familia do funcionário público aproveita da ADSE, desde o filho, a sogra e o canário. Eu tenho aproveitado sobretudo na medicina dentária para o meu filho (eu tenho geneticamente dentes de ferro), uma especialidade em que o SNS está em falta, não sei porquê (O Dr, Paulo Maló está contra, mas tive dificuldade em perceber porquê, coisas técnicas, sei lá, sou um bocado burro: http://www.saudeoral.pt/content.aspx?menuid=12&eid=4867) Eu até concordo consigo que se devia acabar com a ADSE e canalizar os recursos para o SNS.

    • Caramelo, se funciona como um seguro de saúde (e sim, genericamente, funciona), a desigualdade está, logo à partida, no facto de o Estado disponibilizar este seguro de saúde apenas aos funcionários públicos. E para avaliar a desigualdade não entram na equação questões como recorrer pouco ou muito ao serviço ou a maior ou menor qualidade do mesmo, pois a questão é a possibilidade de o utilizar, que está vedada a quem não é funcionário público.

      • caramelo diz:

        Está certo, Carlos, mas qualquer um pode escolher um seguro de saúde e pagar para ele e eu não sei se me será mais vantajoso descontar para a ADSE do que para a Medis (a que aderi recentemente) por exemplo. O recorrer muito ou pouco ao serviço faz parte daquelas contingências, como o que se ganha, o que se pode adiantar para se receber mais tarde uma percentagem, etc. que também devem entrar na equação. É que os baixos salários da função pública (em média) são um problema estrutural que impede muitos de usufuir dos proveitos que vêm na lei e que se dão como assentes. Mas sei perfeitamente que há quem tenha muito menos.

  4. caramelo diz:

    Não me percebeu. O observador, para além de independente deve ser informado. Eu, como sou funcionário público, conheço razoavelmente bem o sistema e tentei explicar como é que funciona. Não consegui,. Mas vai aqui explicado melhor do que eu conseguiria:
    http://opaisdoburro.blogspot.pt/2013/02/sobre-adse-e-sobre-os-mitos-com-que.html
    O Eduardo Pitta, no seu blog, já escreveu também várias vezes sobre a ADSE. Vale a pena ler todos os seus posts sobre o assunto (fazendo busca em ADSE). Um deles, está aqui:
    http://daliteratura.blogspot.pt/2013/01/ainda-adse.html

    A simulação das comparticipações pode ser vista aqui:
    http://www.adse.pt/SimulacaoCompRegimeLive.aspx?idcat=311&IdMasterCat=306&MenuLevel=2
    E não tenho problema nenhum em defender que o Bava deve ter acesso ao SNS (já agora,.o SNS não está dividido em excepcional qualidade, média, ou baixa; apenas se pode dizer que em média, é muito bom). Já o tem. Se um dia tiverem um ataque cardíaco ou acidente, ele ou a rainha de Inglaterra podem ligar para o 112 e o SNS vai buscá-los e operá-los e recuperá-los, se não optarem por uma clínica privada. Cada um paricipa nos custos, com os seus impostos, de acordo com as suas possibilidades. Nem é por eles, eu é que me sentiria desagradado por viver numa sociedade em que desapareça o “universal”, no acesso aos seviços públicos, educação, saúde ou outros, e em que o meu filho fosse por lei separado dos que que têm mais.

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