António Borges (1949-2013)

Morreu um dos bons. A direita vai usá-lo como flor na lapela e a esquerda vai atacá-lo para atacar a direita. E, no entanto, Borges foi muito mais do que o economista “brilhante”, “inteligentíssimo”, “frontal”, ou “liberal”, “insensível”, “austeritário” de que todos falarão durante um dia. Em tempos de pigmeus umbiguistas, à direita e à esquerda, foi um homem sinceramente preocupado com o futuro do país. Isso basta-me para lamentar a sua morte.

PP

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5 thoughts on “António Borges (1949-2013)

  1. “Em tempos de pigmeus umbiguistas, à direita e à esquerda”, ter direito ao “sinceramente preocupado com o futuro do país” passaria, necessaria e obrigatoriamente, por ter prescindido de parte considerável dos ganhos obscenos que acumulou, mas enfim, toda a lírica de um “ser poeta é ser mais alto” quererá significar outro “astro que flameja” e nunca me foi a mim em perspectiva dado ver, no meu parco e oco 1,69 movido a ordenado mínimo.

  2. caramelo diz:

    Como não o conheci pessoalmente, muito menos fui confidente dele, não faço ideia se estava ou não sinceramente preocupado com o estado do país ou se era bom homem. Quanto às suas qualidades profissionais, acredito que fosse inteligentissimo, até porque a Goldman Sachs estava cheia de técnicos brilhantes e ele até era vice-presidente deles. Não sei que diga mais, sem resvalar ainda mais perigosamente para o cinismo.

  3. henedina diz:

    Chamar fdp a alguém é um insulto sexista porque a senhora não tem culpa que o filho seja “fdp” :).
    E, dito isto, acho que mostra falta de sensibilidade faze-lo agora. Porque não o fez quando era vivo e, de preferencia, vivo e sem aquela desnutrição típica de doença grave,
    Agora confesso que o inicio do seu post “Morreu um dos bons…” Bem não lhe vou dizer o que pensei…segunda a noite chego tão cansada a casa que fico ininputável.

  4. henedina diz:

    Conheci-o pessoalmente foi meu professor num curso da OM sobre gestão de serviços de saúde. Discutimos o SNS, a ADSE, a privada e disse-me que me achava muito inteligente e que isso seria muito bem visto na privada e mal visto no SNS, tenho que lhe dar razão.Achei-o convencido mas inteligente e não foi para lhe retribuir o elogio. É um portugues que se destacou, infelizmente nos ultimos anos tb pelos piores motivos.

  5. Vasco Silveira diz:

    Caro Pedro, é um bonito elogio.

    Foi meu professor(1982/83) no 5º ano de economia da Universidade Católica. Já era na altura professor no Insead, estando lá bastante mais tempo do que cá, o que perturbou a rapaziada mais preocupada com as médias que tentou que as cadeiras ( 2-semestrais)não contassem para a a média dado que só contávamos com o professor de 4 em 4 semanas. Não o conseguiram, mas não deixaram de vingar na vida, na academia, nas autoridades diversas, no estado, no governo…
    Nos 5 anos de curso , em cerca de 50 cadeiras, 30 a 35 professores, foi o único que encontrou tempo para efectuar uma sessão de aconselhamento quanto ao futuro académico e profissional dos alunos finalistas.
    E o que dizer das suas apaixonantes aulas; da quantidade de “papers” actualíssimos que nos disponibilizava, da vivacidade sempre presente e que tanto se destacava naquele tempo.
    Ficámos mais pobres, mas foi um privilégio enquanto o tivemos connosco.

    Um abraço

    Vasco Silveira

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