Diário de um cínico

É difícil não ver no uso de armas químicas por Assad um desafio à comunidade internacional e, muito em especial, ao Presidente americano, que há um ano as classificou como “a linha vermelha” que não podia ser ultrapassada na guerra civil síria. Assad está a ganhar, ninguém em seu perfeito juízo quer pôr armas ou meios nas mãos dos rebeldes amigos da Al Qaeda e uma intervenção ocidental é mais do que improvável. A Síria não é a Líbia nem o Mali. Depois do Afeganistão e do Iraque, nenhuma opinião pública do mundo desenvolvido suportaria novo atoleiro no Médio Oriente. Obama, Cameron, Hollande sabem isso – e Assad também. Tal como no Egipto, pouco mais podemos fazer do que assistir ao horror.
Essa é talvez a consequência mais perversa do pós-11 de Setembro. Ao contrário do que nos prometeu Bush (e não vale a pena bater mais no ceguinho), o Ocidente está hoje mais fraco. A sua influência na região diminuiu, mesmo em países onde era importante como a Arábia Saudita, financiadora dos generais egípcios, ou a Turquia, apoiante de Morsi e adversária de Assad.
Engana-se quem pensa que isto se passa muito longe. Além da emigração que chega à Europa, a Turquia, com os seus 80 milhões de habitantes e um regime cada vez mais instável, continua às portas da UE. Nada nos diz que não venha a entrar num futuro próximo.

PP

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8 thoughts on “Diário de um cínico

  1. makarana diz:

    Boa noite Pedro
    O problema da siria é o seguinte: não há o tradicional binómio bom-mau.Todos são maus neste caso.Sabemos que a facção xiita de Assad é diabólica e capaz de tudo para ganhar esta guerra,mas os rebeldes sunista fundamentalistas não são melhores que o bando de Assad.Ora,os EUA nos últimos 12 anos têm-se caracterizado por uma luta inabalável contra o fundamentalismo e o terrorismo islâmico.E aqui,percebe-se porque razão os EUA não queres partir para uma invasão da Siria:porque se o fizerem provavelmente,irão alimentar o radicalismo islâmico que enfrentam noutro lado.Os Eua e o Ocidente em geral, estão confrontados com um dilema:se não se envolverem na Siria,muito provavelmente Assad irá ganhar a guerra e vai-se manter no poder,sem que as mortes que causou sejam vingadas.Por outro lado, se o Ocidente ajudar,vai fortalecer o radicalismo islãmico, pois é este que está a enfrentar Assad. O caso da Siria,ao contrário mesmo até do Egipto,sempre teve esta particularidade complexa,face aos outros paises onde ocorreram “revoluções”
    Boa Semana e Cumprimentos

  2. João. diz:

    O que é difícil é acreditar em alguém nesta história toda. Não dou como certo que aqueles ataques existiram nem deixo de colocar a hipótese, caso tenham existido, que tenham sido lançados pelos próprios rebeldes. Ora, isto não quer dizer que Assad não os possa ter lançado, quer dizer que a desinformação é tanta que é difícil saber o que se passa – e depois toda a imprensa portuguesa e ocidental, toda, toma as declarações dos rebeldes como as que merecem mais crédito, o que é dizer que tomam a posição dos EUA.

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