Exactamente

Henrique Raposo:

O caso não é um pormenor, porque ataca de frente uma das grandes hipocrisias dos  católicos penteadinhos que se julgam donos da fé e da Igreja: de manhã, incitam  as jovens a assumir a gravidez, reafirmando (e bem) uma posição contrária à  banalização do aborto; à tarde, recusam baptizar as crianças das raparigas que  recusaram o aborto, pois consideram ilegítimos bebés nascidos fora do casamento.  A hipocrisia é tremenda. Uma rapariga solteira e pobre resiste ao aborto, tem a  coragem para assumir a gravidez, mas depois é desprezada pelos penteadinhos da  paróquia. Os padres recusam baptizar a criança e o rebanho penteadinho olha de  lado para a “galdéria” e para o “bastardo”. Tendo esta cena  farisaica como pano de fundo, o exemplo de Francisco volta a  encurtar a distância entre a Igreja e o verdadeiro espírito crístico. Jesus  Cristo nunca abandonaria uma mulher com um filho nos braços. Não lhe recusaria a  salvação nem a pertença ao rebanho”. 

(http://expresso.sapo.pt/o-aborto-e-a-coragem-de-francisco-i=f829631#ixzz2eP57Cl00)

FNV

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11 thoughts on “Exactamente

  1. Que me lembre é a primeira vez que concordo com alguma coisa vinda da cabeça do HR.
    Já estou a kompensan.

  2. Muito me surpreende, Filipe, que necessitemos, neste ano da desgraça de 2013, do call center da ICAR e do Henrique Raposo, esse prodígio da retórica, célebre por gostar de ler o jornal na esplanada sem o chilrear dos rebentos alheios, para que alguma luz se faça sobre as cabeças estéreis.

  3. xico diz:

    Qualquer padre que recuse o baptismo pedido por um dos pais, independentemente do seu estado civil, está a violar o código canónico e deve ser denunciado ao bispo da diocese. Que eu tenha conhecimento sei de muitos baptizados de filhos de mães solteiras ou não casadas pela igreja, sem qualquer impedimento. Já de há mais de oitenta anos que conheço factos desses, pelo que o HR quis escrever sobre um não assunto. E que tenha conhecimento sempre foi assim. Embora saiba também que há padres que pressionam para o casamento dos pais, como contrapartida. Mas não é a regra. O que sei, e bem, é a recusa quando não pedida pelos pais mas por um dos avós. Aí têm razão. Devem ser os pais a pedir o batismo e não os avós.

  4. Não conheço casos desses que o Henrique refere, penso aliás que serão residuais. Tenho um sobrinho que foi criado pelo meu pai e foi baptizadissimo sem qualquer prblema. Eu próprio, fui padrinho de uma sobrinha, quando (ainda) apenas era casado pelo civil e “impedido” de tomar os sacramentos (o que naturalemente é contra os canones).
    Os padres são genericamente muito tolerantes, cada caso é visto como tal. Por outro lado, sei de exigencias quase anedoticas feitas a sacerdotes, por pessoas que nem são crentes, que por razões futeis pretendem rituais de pompa e circunstância. Um sacramento é um ritual que tem de ser encarado com muita seriedade e participado com profunda consciência.

    • henedina diz:

      Soube a pouco que uma mulher divorciada a viver em união de facto pode comungar mas se casar já não pode.

    • Eu infelizmente conheço, e ainda há pouco tempo assisti a um caso de vários padres que se recusavam a baptizar uma criança porque os seus pais não eram casados pela igreja. Maior falta de caridade cristã ( e de piedade) não há.

  5. Jorg diz:

    Sem desfazer na nobreza do gesto do novo Papa, o ‘monstro’ acenado por HR é um pouco desdentado e o pano de fundo da ‘cena farisaica’ assim já muito desbotado e coçado.

    É como achar plausivel a contemporaneidade de uma critica ao Universo de Julio Dinis, pensando que ainda existe nos dias de hoje um campo florido populado de Reitores, Pastorinhas, Morgadinhas e Casas Mouriscas a ser desconstruido por narrativas de “Twin Peaks”…. Valha-nos William de Baskerville e Umberto Eco!

    Dito isto, não quer dizer que deixaram de existir ‘cristãos’ que do Pai Nosso só conhecem o verso “venha a nós o V. Reino” – mas isso é perene, até fora do âmbito católico.

  6. caramelo diz:

    Deus sabe que é um bocado embaraçoso para mim dizer isto, mas o Raposo até nisto perdeu uma boa ocasião para estar calado. E como não sou platónico, não consigo separar as ideias daquele balão de onde elas saem. Paciência, parece que é mesmo pessoal. Teoricamente, de acordo com o Código de Direito Canónico, o batismo de uma criança pode ser recusado, sim (868 §1, ver em http://www.veritatis.com.br/direito-canonico/dir-sacramental/1147-instrucoes-do-codigo-canonico-sobre-o-batismo), mas não me consta que isso seja agora prática em Portugal. O padre lá pergunta se os pais e padrinhos são católicos, se vão à missa, renhónhó, e faz-se a festa. Houve um tempo em que era prática comum os padres recusarem sacramentos a pecadores, ou filhos de pecadores, ou tão só a quem não podia pagar a côngrua, e isso criava situações terríveis de segregação. Também é verdade que isso não preocupava muito os penteadinhos que frequentavam e continuam a mesma paróquia. Mas a prática relaxou muito entretanto, valha a verdade. Estou a falar de Portugal, não do Brasil, Irlanda, etc.

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