Diário de um cínico

Até agora, Assad está a vencer politicamente a guerra de nervos que tem sido a crise síria. Obama perdeu a janela de oportunidade inicial e, quanto mais nos afastamos das imagens dos gaseados de Damasco, mais incerto é o apoio dos seus aliados, do Congresso e da opinião pública a um ataque punitivo. Seja qual for o tempo e o modo. E mesmo que o desenlace seja a parcial destruição do arsenal químico de Assad.
Além de que a sucessão de (não) acontecimentos mostrou, pela primeira vez desde a Primavera Árabe, a divisão das potências ocidentais. Alguém percebeu, finalmente, que os “rebeldes” que se opõem às ditaduras no Médio Oriente podem ser um remédio tão mau como a doença.
A humilhante derrota de Cameron nos Comuns não é apenas uma questão doméstica. A recusa inglesa em secundar a política externa de Obama isola e enfraquece a América, como a Rússia, com evidente júbilo, se tem esforçado por mostrar.

PP

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3 thoughts on “Diário de um cínico

  1. Jorg diz:

    O que fica á vista de todos é as debilidades – e vacuidades.. – de Obama, e da sua actual presidência em termos de politica externa. Não sei se teriamos esta sucessão de paleio muito hiperbólico, depois a derivar para o eliptico, com Ms. Clinton com Secretária de Estado… Como do outro lado do Atlântico se topou, e não nas Festas do Chá do “Religion Belt”, aqueles janotas ‘are unable to make up their minds, therefore they simply move to gather crowds”- parece que se ficam por uma especie de Cheerleader gaulesa…. Cameron, curiosamente, até ganhou alguns pontos – conduziu o processo enxuto, e respeitou a decisão do Parlamento, sem andar com conversa fiada a renegar o que disse. A Russia tem-se esforçado, não mostrar, mas gozar com o ‘lame duck’ que não consegue passar para o “walk the talk”…

  2. João. diz:

    LONDON — After two years of civil war, support for the regime of
    Syrian President Bashar Assad was said to have sharply increased.
    NATO has been studying data that told of a sharp rise in support for
    Assad. The data, compiled by Western-sponsored activists and organizations,
    showed that a majority of Syrians were alarmed by the Al Qaida takeover of
    the Sunni revolt and preferred to return to Assad, Middle East Newsline reported.

    (…)

    “The people are sick of the war and hate the jihadists more than Assad,”
    a Western source familiar with the data said. “Assad is winning the war
    mostly because the people are cooperating with him against the rebels.”
    The data, relayed to NATO over the last month, asserted that 70 percent
    of Syrians support the Assad regime. Another 20 percent were deemed neutral and the remaining 10 percent expressed support for the rebels.”

    http://www.worldtribune.com/2013/05/31/nato-data-assad-winning-the-war-for-syrians-hearts-and-minds/

  3. João. diz:

    É possível que os EUA de um lado façam este acordo com a URSS e de outro, por baixo da mesa, instruam os seus aliados árabes a continuar o apoio à oposição e até a canalizar apoio por intermédio desses aliados. A guerra não vai acabar tão cedo. A Síria vai ser destruída lentamente, pela pura e simples duração da guerra. Podemos ter um caso de duração da guerra civil angolana.

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