A ministra: uma lição

O Eduardo relembra o ponto essencial, mas a conclusão é fragilizada pela premissa inicial  do argumento. Saltemos sobre  a histeria e o ignoremos o espírito de claque.  Quem levantou a lebre dos swaps foi a ministra, no dia em que começava o congresso do PS, na Feira. Uma esperteza saloia. Quando manuseamos uma granada, se bem me lembro da minha instrução, devemos ter muito cuidado  a partir do momento  em que retiramos  a espoleta.

E não houve cuidado porque essa é marca da falange. Depois, o “não sei de nada” pretendeu pôr um ponto final no assunto. Não pôs. Azar dos Távoras, em vez de MLA ter continuado ajudante de ministro, foi alçada a ministra. Passos não assobia para o lado porque, provavelmente, foi ele quem gizou  a estratégia inicial,  interpretando mal  a máxima de Deng-Xiao-Ping –Não me importa que seja um gato amarelo ou um gato preto, desde que cace ratos –, porque rato   não caça rato.

FNV

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38 thoughts on “A ministra: uma lição

  1. XisPto diz:

    Quase subscrevo tudo, salvo: quem levantou a lebre foi a troika ao impor o levantamento de responsabilidades financeiras (dívida potencial) que o governo PS ignorou. Não é claro que o IGCP tivesse à data competências na matéria, os CA e a tutela sim, evidentemente. A ministra iniciou o afloramento pÚblico e político com a conferência de imprensa no dia do congresso do PS. Claro que se meteu numa guerra cujas regras deve conhecer. Tudo isto não transforma o caso swap no caso da mentira da ministra, substancialmente, penso eu.

  2. jj.amarante diz:

    A versão que eu conhecia do Deng Xiao Ping era “gato branco ou gato preto”. É essa a versão da wikipedia inglesa embora também tenha visto amarelo ou preto em textos portugueses. Parece-me que o “amarelo” introduz aqui um ruído, que eu estou a amplificar, porque o antónimo de preto é branco e não amarelo. Ao tropeçar em amarelo uma pessoa que se perde nos detalhes como eu interroga-se: Amarelo? Mas porquê amarelo? O contraste não é com branco?

  3. caramelo diz:

    Como é que uma pessoa que era praticamente inimputável enquanto alto quadro da função pública (não sabia de nada, não fez nada e o que eventualmente terá feito, que não fez, não influiu em nada) chegou tão rapidamente a ministra? É um novo programa acelerado das novas oportunidades? O que vale é que tem um batalhão de voluntários especialistas em spin, pós graduados em escolástica, melhores do que os acrobatas do cirque du soleil.

    • Jorg diz:

      A inimputabilidade – espero que isto não destape outras ambiguidades… – nestas estórias aparece associada a outros.

      Ou, por exemplo, uma das reformas mais substantivas no 1o. Governo PS – a dita “convergência de sistemas de pensões” julgo que do Ministro Vieira da Silva- ou a da avaliação dos professores de Lurdes Rodrigues foram culpas das direcções gerais ou institutos dos respectivos ministérios, em particular, do recôndito jurista tipo laranjada ou posto lá pelo Portas ou pelos Grandes Escritórios de Advogados – citando o amplo Marinho Pinto- como “nosso homem em Havana”….

      Ou seja, esta treta de invocar “o bloco central de interesses” é manta que se puxa sempre para o mesmo lado, para supostamente “destapar” sempre os mesmos – e sinceramente, opiniões/bitaites como a no post ou a mais hilariante do Sr. Prof. Vasques não serão só espirito de claque, são mote de jacobina ‘cheerleader’ …..

  4. vortex diz:

    ditado
    ‘uns comem os figos aos outros rebenta a boca’

    a granada era ofensiva ….

    • fnvv diz:

      por acaso era defensiva. destinada a provocar mais estragos do que mortes.

      • a grande-roda das fontaínhas diz:

        A minha tropa é muito mais antiga e as ofensivas escaqueiravam e as defensivas matavam…mas isso era no fâchismo.Quanto ao resto a gamela central ainda não alimenta os das bordas.

  5. João. diz:

    Só um comentário em off topic ou mais notícias de um governo daninho.

    O pato bravismo ao mais alto nível institucional:

    http://www.lpn.pt/Homepage/Noticias/Comunicados-de-Imprensa/Announcements.aspx?tabid=2403&code=pt&ItemID=546

    • Lucas Galuxo diz:

      Pato bravo és tu, João. O texto desse link é um conjunto imprestável de mentiras. Essa bravatas palermas de ligas piedosas ditas ambientalistas têm dado uma contribuição importante para o matagal que arde regularmente sem que dele se retire qualquer proveito em que se transformou uma grande parte de floresta nacional. Eucaliptos sim. Mato e pedras não. Pinheiros para secar com a lagarta semeia-os tu.

      • caramelo diz:

        Lucas, calma, não são só os maluquinhos do ambiente que chamam a atenção para os riscos da plantação excessiva de eucaliptos. É verdade que é uma fonte de rendimento mais rápida, mas também constituem um fator maior de risco de incêndio, por exemplo, exigindo mais meios de vigilância e combate ao fogo nessas áreas. Isso já foi muito estudado nos Estados Unidos (Califórnia) e na Austrália, por exemplo. Quem mais se queixa até são os bombeiros. Mas admito que os pequenos proprietários, em tempos como este, não estão para a plantação de sobreiros e carvalhos, nem sequer para esperar que os pinheiros cresçam.

      • fnvv diz:

        Bem, que me lembre, desde aquele livrinho ” O eucalipto ou o homem”, anos 90, que o eucalipto está liberalizado…

      • caramelo diz:

        Olha, por acaso não está, não, Filipe. Eu até te posso dizer que esse texto da LPN está escrito com os pés, até na terminologia, o que muito me entristece, porque a LPN é uma vetusta instituição (é “Reserva Ecológica Nacional” e não “Rede Ecológica Nacional”, etc). A verdade é que de facto já existem regras de ordenamento do território que regulam estas coisas e são vinculativas e suficientemente rigorosas, ao contrário do que diz o comunicado (PDM, REN, etc). Como em tudo, existem excepções para investimentos de caráter estratégico para a economia nacional e tal e coiso. Noutras coisas a LPN têm razão, como os riscos associados aos eucaliptos.

    • João. diz:

      Caro boy laranja, você nega que o governo liberalizou o plantio do eucalipto?

      http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=78654

      • Lucas Galuxo diz:

        Boy laranja é a tua tia. Onde estão os estudos credíveis demonstrando os malefícios do eucalipto? Os estudos, não os romances. E onde estão os dados que comprovam que a floresta de eucalipto é mais susceptível do que as demais, ó Caramelo?

  6. henrique pereira dos santos diz:

    Confesso não perceber qual é o ponto essencial que o Eduardo levanta visto que labora num erro: o de que Almerindo Marques falou verdade. Aí não há dúvidas, a documentação é muito clara e portanto não é verdade que Maria Luís tivesse dado o tal parecer. A única coisa que se poderá considerar uma mentira é a frase: “«Enquanto estive no IGCP não tive qualquer contacto com swaps.». Mas lida no seu contexto percebe-se o que está em causa: ““Gostaria apenas de esclarecer – e não é que tenha particular relevância para esta conversa – que no IGCP as minhas funções nunca passaram por esta matéria mas pelas emissões de dívida. Portanto, enquanto estive no IGCP não tive qualquer contacto com ‘swaps’, nem do IGCP nem de natureza nenhuma”.”
    Ou seja, dizer que não se teve contacto é um exagero e, nesse sentido, uma mentira. Mas toda a gente percebe que o que está em causa na resposta é a responsabilidade por swaps (ver a transcrição da audição) e não o contacto no sentido estrito do termo.
    É grave? Eu acho que não, outros acharão que sim.
    henrique pereira dos santos

    • p D s diz:

      Henrique,

      embora a apreciação casuistica da singela frase: “não tive contacto” : envolvida no contexto exclusiva dessa audição, possa resultar numa “mentirinha formal” mas cuja “substancia” é digamos que inexistente e inocua…

      ou seja, possa levar á conclusão de que foi mais um “problema de expressão” que propriamente uma “mentirinha”…

      parece-me a mim, que de uma analise mais abrangente, e tendo em conta a sequencia dos acontecimentos:
      – MLA diz “não recebemos qualquer informação de SWAPS na passagem dos dossiers”
      – VG, contradiz, e afirma que recebeu embora parca…
      – MLA reafrima que não teve acesso ou conhecimento…
      – Ministerio manda destruir docs das auditorias, porque já tinham 3 anos
      – Lei diz que teriam de ficar em arquivo muito smais anos

      – MLA diz que no IGCP táva noutra, nem lhe passavam SWAPS plas mãos
      – Afinal aparece relatorio, onde ela avalia e dá parecer a um credito,…onde opina sobre o SWAP associado (que diz nuna ter tido contacto..)

      – etc, etc, etc

      Ora, eu olhando para esta sequencia de acontecimentos e mentidos e desmentidos, o que vejo mesmo é : UM PADRÂO! ..e é isso que é grave e preocupante…mais que saber se tinha luvas calçadas quando tocou nos papeis, ou se efectivamente “teve contacto” com os mesmos.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Eu também vejo um padrão, mas é diferente do seu. Maria Luís Albuquerque, tal como Vítor Gaspar, diz o que quer que seja, e aparece uma bateria de gente a pretender que disseram uma coisa diferente do que disseram, umas vezes mudando cirurgicamente uma frase e descontextualizando-a (exemplo: o que diz que Maria Luís disse “não recebemos qualquer informação de SWAPS na passagem dos dossiers” e o que ela efectivamente disse “Quando este Governo entrou em funções, o problema relativo aos swaps contratados por empresas públicas já existia, tendo mesmo motivado a emissão de dois despachos do anterior Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças [Costa Pina], em 30 de Janeiro de 2009 e 9 de Junho de 2011. Apesar disso, na transição de pastas, nada foi referido a respeito desta matéria”. “Na pasta de transição não foi feita qualquer referência ao tema dos derivados. Havia um despacho, o qual não estava também nessa pasta de transição mas que veio ao meu conhecimento depois, que introduz um conjunto de obrigações de reporte, que começaram de imediato a serem cumpridas nos relatórios da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, e que estabelece um procedimento a adoptar para o futuro”. “Ou seja, nesse momento, no dia 9 de Junho de 2011, o despacho do então Sr. Secretário de Estado do Tesouro e Finanças diz que as propostas de reestruturação ou de contratação de produtos derivados que venham a ser apresentadas devem seguir um procedimento, o qual não tinha sido estabelecido anteriormente. Diz que deve ser a Inspecção-geral de Finanças, em articulação com o IGCP e com a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças a fazer a avaliação dos impactos e das questões que são aqui identificadas, que se for necessário se deve contratar a Caixa Geral de Depósitos. Enfim, estabelece-se aqui um procedimento para avaliação de propostas que nunca apareceram”. “Relativamente a esta matéria e para lidar com o problema, não havia nenhum trabalho feito e ele começou do zero, sim. Confirmo isso. Tirando o reporte da informação, que tinha já sido estabelecido na vigência do Governo anterior, tirando o reporte da informação nos relatórios da DGTF, de facto, nada mais estava feito”. “Sr. Presidente, Sr. Deputado, mantenho que não me foi transmitido, que não me foi passado nenhum documento na pasta de transição, mantenho que não foi passada essa informação na reunião com o Sr. ex-Secretário de Estado e posso informar o Sr. Deputado que não estive presente na reunião entre o actual e o anterior Ministro das Finanças e, como tal, sobre essa não posso responder”., ou seja, é perfeitamente claro o que ela quer dizer, mas ainda assim insiste-se à exaustão que ela disse que não sabia nada sobre swaps, o que é objectivamente mentira, basta ler a primeira frase que eu transcrevo, ou saber que afirmar isso seria pura estupidez porque o assunto está explícito no memorando da troica, que evidentemente toda a gente conhecia), outras vezes pondo na boca de Maria Luís (ou Vítor Gaspar) coisas que eles nunca disseram (como essa coisa de dizer que Vítor Gaspar desmentiu Maria Luís, o que não é verdade e Vítor Gaspar não se cansa de dizer durante a sua audição).
        Que um monte de jornalistas e de pessoas politicamente alinhadas aceitem dar cobertura a quem criou o problema como mais uma forma de desorçamentação característica de uma gestão demente da coisa pública, eu posso perceber.
        Que pessoas como o Filipe Nunes Vicente acabem por o fazer apenas porque não tem tempo para ir ler a informação primária, acreditando demasiado no que escrevem os jornais, isso é que me faz confusão.
        henrique pereira dos santos

      • fnvv diz:

        Claro, claro. E também nunca autorizou nada.Foi sempre transparente. Nem havia nenhuma info escrita, afinal havia mas era insuficiente. Claro. Nem lançou a coisa no dia do congresso do PS.Claro. Tudo claro
        É tudo uma cabala e pessoas como eu são tolos preguiçosos ( vá lá…) e os outros são uns ranhosos.
        Como no tempo do Sócrates.Claro.
        Gostava mais quando vc aqui me explicava, condescentemente,com desenhos também, e muita informação, a bondade da estratégia de Gaspar.Azar foi ele ter feito a famosa autcrítica e ter ido embora.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Filipe, também acho que Maria Luís não é muito transparente, mas uma coisa é acusá-la de ser pouco clara (o que subscrevo) outra é acusá-la de mentir. A verdade é que sempre que vou verificar o que dizem que disse, verifico que a coisa não é bem como me contam.
        Por exemplo, diga-me onde ela diz que não havia nenhuma informação escrita, por favor.
        Não discuto essa coisa do congresso porque nunca tinha reparado nisso, compro-o pelo seu valor facial e, concordando ou não, não vejo nada de ilegítimo nessa luta política (mesmo que eu não subscreva o método), ou seja, não ligo nenhuma a isso nem vejo nenhuma relevância para a discussão de saber se ela tem estado a mentir ou não. Acho normal que critique o método, o que não acho legítimo é torcer o que ela diz para legitimar a crítica política ao método.
        Quanto a Gaspar, não só o tempo tem demonstrado que os seus críticos não têm razão (afinal a austeridade não conduz forçosamente a mais austeridade e pode haver crescimento num contexto de austeridade, embora a austeridade não tenha como objectivo promover o crescimento mas resolver desequilíbrios estruturais, tendo inevitavelmente um efeito recessivo) como Gaspar não fez auto-crítica nenhuma, limitou-se a dizer que os efeitos foram diferentes dos estimados (o futuro tem esta coisa de ser difícil de prever) mas em lado nenhum diz que deveria ter seguido outra política.
        E foi embora, tanto quanto percebi, exactamente porque não o deixavam executar a política que achava necessária (e a simples dúvida sobre se é possível executá-la tem tido um efeito fantástico nos juros, como se vê. O problema de Gaspar não eram os críticos de fora, o problema de Gaspar era Portas).
        Não disse que é uma cabala, digo, como aliás o Filipe, que há um enviesamento da imprensa.

      • p D s diz:

        Ok,

        Henrique,
        então dando-lhe o beneficio da duvida – e hipoteticamente aceitando que eu ando a ser influenciado por (nas suas palavras): “um monte de jornalistas e de pessoas politicamente alinhadas aceitem dar cobertura a quem criou o problema como mais uma forma de desorçamentação característica de uma gestão demente da coisa pública” …

        por favor explique o Henrique, em que medida é que estas palavras da senhora no parlamento:
        “Gostaria apenas de esclarecer – e não é que tenha particular relevância para esta conversa – que no IGCP as minhas funções nunca passaram por esta matéria mas pelas emissões de dívida. Portanto, enquanto estive no IGCP não tive qualquer contacto com ‘swaps’, nem do IGCP nem de natureza nenhuma”.

        quando confrontadas com este parecer oficial assinado pela senhora: http://www.dn.pt/DNMultimedia/DOCS+PDFS/2013/ParecerSwapCP.pdf

        que assim á primeira configuram uma Mentira,mas … afinal são outra coisa ?

        ( avaliando só estas palavras da ministra – as ditas no parlamento e as escritas no parecer – sem qualquer ruido ou subversao ou influencia dos jornalistas e afins que refere)

        Se não se trata de uma mentira, como posso eu interpretar estes factos ?

        Esquecimento?…Incompetencia?…Foi sem querer?…ou uma distração sem intenção ?

      • henrique pereira dos santos diz:

        Voltamos ao princípio? Maria Luis disse contacto quando deveria ter dito responsabilidade? Estamos de acordo. Tudo o resto se mantém visto que efectivamente o que o parecer demonstra é que exactamente ela não se pronunciou sobre o swap colateral da operação de financiamento.

      • p D s diz:

        Henrique,

        então se estamos de acordo que disse “contacto” quando deveria ter dito “responsabilidade”…

        …não lhe parece que a senhora, na assumpção desse erro na escolha das palavras, não deveria já ter esclarecido isso ?

        É que ao invés de dizer simplesmente aquilo que o Henrique defende – foi uma trocas de palavras – a senhora temia e insiste aguerridamente que somos nós que entendemos mal.

        Ora, se como o Henrique diz, ele trocou-se nas palavras…então porque não o reconheceu e insiste no “não tive qualquer contacto” ?

        Mais q a importancia da troca circusntancial, ( e sim, voltamos ao inicio) é mesmo o PADRÂO que me deixa de pé atrás…e sem conseguir engulir a “singela falha linguistica”.

    • fnvv diz:

      Delicioso é o silêncio dos bloggers pró-governamentais e dos agenciados.O Henrique ao menos ainda vai tentando.

      • henrique pereira dos santos diz:

        O DN foi o primeiro a dizer que a ministra afinal tinha dado pareceres sobre swaps, fazendo uma coisa inacreditável: publicar em anexo um extracto de um parecer (não o parecer completo) dizendo que o parecer demonstrava a tese do DN. Acontece que não só o extracto não dizia nada sobre swaps (sim sobre a operação de financiamento, como sempre disse Maria Luís), como poucas horas depois o concorrente directo Público vinha com a notícia de que o parecer dizia explicitamente que não havia informação sobre o swap (ou seja, o próprio parecer era explícito dizendo que não se pronunciava sobre um aspecto do financiamento para o qual não tinha informação). Pois bem, nesta notícia, diz o Diário de Notícias que o relatório confirma que houve parecer. Lendo o relatório, a páginas 15 a 17, como diz o diário de notícias (e lendo-o todo é igual) não é nada claro que o relatório diga o que o DN diz que diz. Mas há uma maneira de saber: ler o anexo referido, para saber se o parecer que se refere é o mesmo que já sabemos que não se pronunciou sobre o swap (ou seja, se o relatório diz que se pronuncia é o relatório que está mal feito, como qualquer pessoa com a quarta classe pode verificar consultando a informação primária, e se compreende visto que o objectivo do relatório não era saber se maria Luís se tinha pronunciado sobre swaps, mas se as empresas públicas tinham cumprido a obrigação de reporte) ou se há outro parecer (as fontes primárias estão no Expresso, que o DN não se arrisca a publicá-las). Azar. O que está publicado é apenas o relatório, não o anexo. Ou seja, que o DN diz isso não tenho dúvidas, que o relatório o diga, parece-me uma interpretação errada do que lá está escrito mas é uma interpretação possível, agora que seja verdade, paciência, falta verificar de que parecer fala o relatório.

      • Leitor diz:

        Alguém tem de fazer a hermenêutica e dar a explicação, aos não-iniciados, das palavras dos governantes. Parece-me, mas a minha visão pode estar toldada de perfídea e malícia, de inspiração xuxa, que os interpretes/defensores governamentais estão a cair no campo de Leo Strauss, que inspirou os neocon ou como alguém disse, numa caixa de comentários do Blasfémias, neo-coneiros, na sua versão portuguesa..

    • henrique pereira dos santos diz:

      Camarada, há um parecer que diz explicitamente que não se pronuncia sobre uma coisa qualquer que é parte de um conjunto, alguém diz que quem se pronuncia sobre o conjunto se está a pronunciar sobre a parte que explicitamente se afirma que se desconhece e eu é que tenho de me ocupar de hermenêutica?
      Repare, o Filipe diz que Maria Luis disse que não havia nenhuma informação escrita sobre swaps eu peço que me diga onde ela disse isso. Viu alguma resposta concreta? Não? Eu também não. E tem sido assim, de forma sistemática, nesta discussão.
      Há uma coisa muito interessante no debate político actual e que é bem diferente do tempo de Sócrates.
      No tempo de Sócrates os seus apoiantes funcionavam com uma voz de comando única (Seguro, o seu suposto adversário interno, nunca abriu a boca), enquanto facções da oposição, de que Passos Coelho era o mais óbvio representante, se entretinham a dar credibilidade a esse spin, secundando-o e desgastando Ferreira Leite (era o tempo em que Passos Coelho falava de um TGV nacional e disparates do género, sem que a imprensa se achasse na obrigação de lhe perguntar o que isso era).
      O que se passa hoje é que esse spin disciplinado se mantém (tendo inclusivamente reactivado o câmara corporativa assim que chegou a altura de pôr Seguro em sentido), agora na oposição, mas o spin do lado do Governo, já difícil por uma imprensa hostil e pelas difíceis condições económicas, não tem qualquer capacidade de funcionar em bloco e muito menos de contrariar a imprensa hostil.
      Desta forma não há debate, há mera cacofonia em que quem disser qualquer diferente do mainstream é porque tem um interesse qualquer na situação.
      Por isso é facílimo pegar num assunto sério (a desorçamentação com recurso às empresas públicas, financiada através de operações financeiras especulativas, filha do bloco central e da demência da gestão financeira desde 2009) e mudar-lhe o ângulo de discussão, passando da responsabilidade política pelos factos que os contribuintes irão pagar com língua de palmo, para uma quezília permanente sobre semântica com base nas declarações de quem se dispôs a resolver o assunto.
      A mim chateia-me, como contribuinte.
      Por três razões: 1) porque estou a pagar; 2) porque cria um ruído que prejudica o verdadeiro escrutínio dos governantes (destes, dos anteriores e dos futuros); 3) e porque objectivamente se passa a ideia de que são todos iguais e é irrelevante ter uma política financeira como a de Sócrates ou a da troica (o governo não tem nenhuma política, aplica a política da troica, felizmente, digo eu, infelizmente, dirão outros), abrindo com isso caminho a um outro Sócrates qualquer que queira ganhar eleições lixando com dívida quem vier depois.

      • Jorg diz:

        Excelente a nota sobre o ‘spin’ e as seus estados quânticos com assínalavel quebra de simetria para a ‘sinistra’ – o que para mim, explica também muito sobre a ‘duração’ e ‘rentabilização’ desta polémica.

      • fnvv diz:

        É…. ou estás comigo ou contra mim.
        Se essa sua observação é mais uma redução de tudo à luta xuxas x potes, tenho sincera pena.

      • Leitor diz:

        Continuamos no domínio da semântica, o que é saber, o que é ocultar.
        Vamos ao Strauss: “[The sophist] is concerned with wisdom, not for its own sake, not because he hates the lie in the soul more than anything else, but for the sake of the honor or the prestige that attends wisdom.”

      • fnvv diz:

        Deixe lá os sofistas em paz, são injustamente apreciados.

      • Jorg diz:

        Não é redução nenhuma, e não incluo o FNV – nem mesmo as dos seus colegas do blogue, mesmo podendo estar em desacordo com eles…. É só o que lá está,,,

  7. Leitor diz:

    A imprensa está perdida, o Público, mais um antro de maus costumes, também segue a interpretação errada, pela bitola HPS, http://www.publico.pt/economia/noticia/dgtf-considera-que-ministra-aprovou-swap-da-estradas-de-portugal-1606360.

    • fnvv diz:

      ou seja, a resposta ao que o Henrique se queixa: andaram a mexer no seu dinheiro enquanto contribuinte.
      Esperemos que o Henrique não perca a cabeça se se cruzar na rua com a ministra.

    • henrique pereira dos santos diz:

      Outra vez? Já respondi a essa notícia várias vezes. Vão ler o documentos e deixem as notícias de jornal, verão como o mundo é muito mais simples.

    • henrique pereira dos santos diz:

      Filipe, só agora reparei no seu comentário. Pode estar descansada, a Sr.ª Ministra, se se cruzar comigo: eu não confundo quem toma decisões com quem emite pareceres. O mim preocupa-me quem toma decisões, e sei bem quem tomou as que são relevantes para o que me estão a custar os swaps (sobre isso, curiosamente, não há duas opiniões).

  8. caramelo diz:

    Henrique, eu não percebo de swaps, já estou velho para isso, só aprendi entretanto uns rudimentos que vou esquecer depressa e sei que há muito boa gente, de todos os lados, que diz que eram operações comuns e mais ou menos consensuais, uma espécie de risco controlado que podia dar uma batelada de dinheiro, acho eu. Seja lá o que for, parece que correu mal. Eu vou pagar por isso como toda a gente simples e comum, mas toda esta história já tinha passado se não fosse a arrogância e teimosia da ministra, o não assumir, o de fazer os outros tolos. Quanto às subtilezas do contacto versus responsabilidade, vamos lá a ver. Andamos anos a ouvir culpar o sistema, a mão invisível nos ministérios, os burocratas que emperram e boicotam o trabalho dos ministros, que os levam ao engano, etc. Normalmente são os sindicalistas e outros sortidos da mesma mãe. É assim, ou não é? E agora isto? Isola-se e chuta-se toda a responsabilidade para o topo? Nem uma coisa nem outra. Julgo que não tem noção que é prática destrinçar a responsabilidade técnica da responsabilidade politica. Quando não há matéria criminal, os técnicos castigam-se com responsabilidade disciplinar e os políticos com as eleições. E aos técnicos que vão a ministro exige-se que falem claro e assumam o que fizeram perante o país. Ou ela está interessada em manter a fogueirinha? Não tarda, são os seus próprios colegas que têm de a apagar.

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