Um país de gramscianos

A propósito da peça de teatro sobre o julgamento de Cunhal em Almada, na qual participei por interposta descendência, leia-se este artigo de Pacheco Pereira. Não tenho dúvidas de que está em curso, há anos, uma tentativa de reescrever a história do PCP por parte de militantes e “inocentes úteis”, com uma parte soft de divulgação popular (por exemplo, a recente Fotobiografia de Cunhal) e outra hard de revisionismo académico (por exemplo, na obra de Raquel Varela).
A ofensiva não me choca e vejo-a até como um sintoma de normalização democrática. Se Portugal não fosse uma democracia minimamente consolidada e os comunistas não tivessem que ir a votos, nem o PCP sentiria a necessidade de revelar um Cunhal de “rosto humano” nem Raquel Varela tentaria provar que o PCP nunca quis uma ditadura em 75. Choca-me, isso sim, a quase ausência de combate a essa tentativa de hegemonia cultural, salvo honrosas excepções. Eis o contexto da polémica sobre a História de Portugal de Rui Ramos, uma de tais excepções, e a causa da fúria que provocou nas hostes vermelhas.
Mas já tenho muitas dúvidas de que uma autarquia, com dinheiros municipais, possa fazer propaganda partidária – pois é disso que se trata na peça de Almada. Curiosamente, o caso passou sem qualquer reparo público. Nem os talibans do liberalismo, sempre tão atentos à “subsidiodependência”, franziram o sobrolho. Seria muito instrutivo comparar este silêncio à hostilidade contra o falhado – e ainda bem, por várias razões – museu de Salazar em Santa Comba Dão.
O Gramsci é que sabia.

PP

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62 thoughts on “Um país de gramscianos

  1. João. diz:

    O PCP é o único motivo para o qual a história contra-factual ou história alternativa ocupa perfeitamente a posição da história real.

    Parabéns.

    Para quê apresentar provas de que o PCP queria uma ditadura, queria abolir, ilegalizar, os outros partidos, se para este móbil a história não pede mais do que resmas de “supônhamos”?

    • ppicoito diz:

      Aliás, o Cunhal nunca deu uma célebre entrevista em que previa a impossibilidade da democracia parlamentar em Portugal…

      • João. diz:

        Se é tão célebre não deve ser difícil encontrar um link qualquer para ela e apresentar aqui essas tais provas é que, de minha parte, não sei do que fala e muito menos o contexto em que essas palavras, se de facto ditas, foram ditas.

        Em 1975 assim dizia o PCP:

        “IV — O Portugal democrático de amanhã

        1. O PCP lutará firmemente para que no
        Portugal democrático de amanhã sejam reconhecidas e respeitadas
        as mais amplas liberdades, entre as quais a de formação e actividade
        de partidos políticos.

        O PCP foi ao longo de quase meio século de ditadura fascista e continua
        a ser no Portugal democrático de hoje o mais consequente lutador pela
        liberdade.

        Os comunistas conhecem por experiência própria o alto valor da
        liberdade.

        O PCP lutará firmemente para defender as conquistas até hoje
        alcançadas pela revolução democrática portuguesa.

        As campanhas de desinformação e de calúnias contra o
        PCP só à reacção podem servir. Nas condições
        existentes em Portugal, não se poderá construir uma sociedade
        democrática sem o PCP e muito menos contra o PCP. Estar contra o PCP
        é estar contra a classe operária e contra as massas populares.

        A participação activa e responsável do PCP no governo
        do País é uma sólida garantia de que as liberdades serão
        asseguradas e defendidas.”

        http://www.pcp.pt/o-pcp-e-o-momento-pol%C3%ADtico-comunicado-do-comit%C3%A9-central-do-pcp

    • fnvv diz:

      de facto… co’a breca !
      cada PC é um PC e o nosso PCP era diferente de todos os outros , não é?

  2. ppicoito diz:

    Ah, que saudades, as “amplas liberdades”… Orwell puro.
    A entrevista de Cunhal foi dada à jornalista italiana Oriana Fallaci e publicada no jornal Europeo a 6 de Junho de 75. Em Portugal, foi publicada a 27 de Junho no Jornal do Caso República (sucessor do República depois do seu encerramento, por certo em consequência das “amplas liberdades” prometidas pelo PCP).
    Pode encontrar excertos em http://asombra.blogspot.pt/2006/04/entrevista-com-histria-1.html
    Garanto que vale a pena.

    • João. diz:

      Grande manipulação esse seu link com citações truncadas e sem o fluxo da entrevistas. Duvido que você como professor aprovasse isso como um documento válido. O que Cunhal defendia na altura em que deu essa entrevista e que é reiterado no debate com Soares é que o país ainda não estava livre de constrangimentos salazarentos a impedir o curso livre da campanha eleitoral, nomeadamente a norte onde era impossível.

      E depois é curioso que você cite supostas palavras de Cunhal para apresentar o seu pensamento e depois não as aceite quando elas vêm do PCP de cujo Cunhal era o Secretário Geral, ou seja, você acredita e não acredita em Cunhal ao mesmo tempo.

  3. ppicoito diz:

    Manipulação é chamar “supostas” às palavras de Cunhal e ignorar que Cunhal tenha dito o que disse. Em todo o caso, pode consultar a entrevista na edição do Jornal do Caso República de 27 de Junho de 1975 na secção de periódicos da Biblioteca Nacional amanhã de manhã, assim que abrir. Isto, claro, se entretanto não tiver misteriosamente desaparecido, como aconteceu à entrevista no livro de Oriana Fallaci publicado pelo Círculo de Leitores.
    Quanto aos constrangimentos salazarentos, pensei que estávamos a falar a sério. Em 75? No Norte? Só se foi o ataque ao Palácio de Cristal…

    • João. diz:

      Desculpe, uma vez que você apresentou excertos eu não nego que a entrevista tenha existido o que nego é que esses excertos sejam necessariamente fieis ao que estava a ser dito especialmente tendo em conta o que Cunhal diz na mesma altura em muitas outras instâncias – uma delas o debate com Soares.

      Veja uma coisa:

      “Estou a dizer que as eleições não têm nada, ou muito pouco, a ver com a dinâmica revolucionária (…) Se pensa que a Assembleia Constituinte vai transformar-se num Parlamento comete um erro ridículo. Não! A Constituinte não será, de certeza, um órgão legislativo. Isso prometo eu. Será uma Assembleia Constituinte, e já basta (…). Asseguro-lhe que em Portugal não haverá Parlamento (…)”

      http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/cunhal-a-nu

      Você não desconfia nem quer saber o que foi truncado e substituído por reticências entre parentesis (…). A meu ver a um historiador interessa imediatamente essas partes truncadas – mas é a minha opinião.

      Na última frase citada “Asseguro-lhe que em Portugal não haverá Parlamento (…)” nem há ponto final ou seja, nem sequer é um período completo, uma frase, mas antes uma oração de uma frase complexa que desconhecemos.

      Curiosamente não consegui a entrevista completa na net mas consegui vários sites onde se reproduz este complexo de truncagens que passa por resumo. Assim se faz a história…acusando o PCP de fazer o que se faz na sustentação da dita acusação feita: manipulação.

    • Jorge diz:

      Caro Pedro aqui vai o link para o referido exemplar

      http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/jornaldocasorepublica/N08/N08_master/JornaldoCasoRepublica_N08.pdf

      Lembro-me bem de andar a vender este jornal, com os meus 13 anos, à noite em várias zonas da estrada marginal.

      Memórias

  4. ppicoito diz:

    Como digo, nada como ir à edição em papel – se entretanto não tiver desaparecido como a entrevista no livro do Círculo de Leitores. Também estou curioso sobre o que omitem as reticências. Deve ser espantoso, para anular o sentido de uma frase como “asseguro-lhe que não haverá parlamento em Portugal”.

    • João. diz:

      Encontrei isto:

      “É que Cunhal, falando de papo com a jornalista sem lhe passar pela cabeça quem ela era e o poder que tinha, visivelmente mal informado pelos seus acólitos, fez a enormidade de declarar, de forma clara, que o seu partido nunca permitiria em Portugal uma democracia pluralista e parlamentar, e mais, que se houvesse de escolher entre essa democracia e uma “pinochada” da direita, preferia esta última. Cunhal e os acólitos, que traziam sempre na boca as “conquistas democráticas”, tiraram a máscara por iniciativa do secretário geral. De repente, Portugal inteiro ficou sem ilusões acerca do Partido Comunista. Essa entrevista foi um momento de viragem na medida em que tirou as ilusões a quem as tinha e reforçou a aversão pelo comunismo dos já recalcitrantes.”

      http://jacarandas.blogspot.pt/2006/10/na-morte-de-oriana-fallaci.html

      Ora quem lê a totalidade do post percebe que o autor faz-se passar por quem na altura se movimentava no meio jornalístico – fazendo fé nesta sugestão do autor, o que se percebe então é que Cunhal não sabia quem era a pessoa que lhe fez as perguntas o que me faz perguntar se ele sabia que estava a ser entrevistado ou ainda se a entrevista existiu mesmo tal como foi colocada.

      E ainda, segundo Vitor Dias no seu blog, neste caso na caixa de comentários, faz referência a um comunicado do PCP referindo que Cunhal não fez as declarações que lhe são atribuídas.

      http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2013/03/e-o-oscar-da-imbecilidade-vai-para.html

      • João. diz:

        Não me admira nada que tenham falsificado declarações de Álvaro Cunhal – especialmente durante o PREC.

        O que eu noto é que alguns se agarram de unhas e dentes a essa suposta entrevista ignorando não só tudo o resto que Cunhal disse publicamente como ainda o que o PCP determinava nos seus Congressos como orientação política.

        Mas é a história que temos – em que uma entrevista truncada e até já desmentida pelo PCP na altura passa a ser o documento dominante das posições do PCP sobre o regime pós 25 de Abril contra centenas ou milhares de outras em sentido contrário ou diverso às da suposta entrevista.

  5. ppicoito diz:

    Sim, é uma maldade. Como é que alguém pode pôr em causa o amor do PCP à democracia?

    • João. diz:

      Que se lixe.

      Você é maior de idade e portanto é livre de se satisfazer como queira nesta matéria.

      • ppicoito diz:

        Não estou a satisfazer-me, estou a citar o mesmo Vítor Dias que acabou de citar. Não foi ele que leu o comunicado de apoio do PCP à tentativa de golpe militar contra o Gorbachov em 1990?

  6. caramelo diz:

    Pedro, metade do pais limpa-lhe a imagem, a outra metade diaboliza-o ainda com mais vigor. O caso de Almada é diferente. Não tem nada de censurável o município de Almada homenagear o Cunhal. Acredito que aconteça o mesmo em França, com o Marchais e outros históricos do PCF, ou na Itália, com o Gramsci, o Berlinguer, etc, seja nas suas terras natais, seja em bastiões comunistas. Não deixam de ser património histórico.. Pacifico não é, nem nunca se consegue satisfazer todos os contribuintes, paciência. Outra coisa, de outra qualidade, é homenagear um ditador. Comparar a homenagem ao Cunhal em Almada com a homenagem ao Salazar que se pretendia em Santa Comba (um museu assumidamente hagiográfico, não esquecer, não uma festa, o que tornaria, ainda por cima, a homenagem mais permanente e mais cara), é forçado, no mínimo. E já que cita o Pacheco Pereira, conviria imaginar o que diria ele dessa comparação, ele que já se insurgiu contra quem faz equivaler os excessos do PREC com o que se passou no antigo regime.. Não se trata de uma entrevista, nem sequer o apoio a regimes ditatoriais, trata-se da nossa ditadura,, de mais de quarenta anos, coisa um pouco muito mais marcante e palpável.

    • ppicoito diz:

      A posição de Cunhal e de Salazar em relação à democracia é simétrica. Cunhal também apoiou toda a vida uma ditadura, não de 48 anos, mas de 72: a União Soviética. São filhos da memsa época, da mesma Europa iliberal da primeira metade do século XX, do mesmo Portugal desconfiado da democracia. São comparáveis, como o fascismo e o comunismo são comparáveis. O facto de termos uma complac~encia com o comunismo que não temos com o fascismo deve-se à vitória da União Soviética na II Guerra Mundial e ao seu alinhamento circunstancial com as democracias. É só. O Furet explica isso muito bem.

      • caramelo diz:

        Pedro, não estou a comparar sistemas, essa é outra conversa bem interessante, que merecia outro post. O que eu estava a dizer é que é bem diferente homenagear em nossa casa um nosso ditador, alguém que nos afetou diretamente (a nós, não aos russos ou alemães), ou homenagear um dirigente partidário que teve pouca influência nos nossos destinos, embora tivesse apoiado outros pouco recomendáveis.

      • João. diz:

        “O facto de termos uma complac~encia com o comunismo que não temos com o fascismo deve-se à vitória da União Soviética na II Guerra Mundial e ao seu alinhamento circunstancial com as democracias.”

        Não é nada disso. A direita não tem complacência nenhuma com o comunismo e é até mais ambígua quando se fala de fascismo e mais ainda, em Portugal, quando se fala em Salazar.

        O povo já é outra história que até hoje, felizmente, nunca quis promover fascistas e nazis comparando-os com os comunistas. A direita queixa-se dos comunistas não terem caído na mesma obscuridade que os fascistas mas esquece-se que tal não acontece por vontade do povo que continua a confiar, em média, tanto no PCP como no CDS.

  7. João. diz:

    Precisamente. O PCP nunca teve problemas em ser politicamente incorrecto e em ir contra a corrente da opinião dominante portanto a sugestão que o PCP escondia a sua verdadeira opinião sobre a natureza do regime pós 25 de Abril não é nada óbvia.

    Depois é dito isto:

    “Mas poucos dias depois, a entrevista de Oriana Fallaci foi publicada na íntegra num pequeno jornal de província, O Templário. E nos dias que se seguiram, grandes excertos da entrevista eram republicados em jornais regionais.”

    http://jacarandas.blogspot.pt/2006/10/na-morte-de-oriana-fallaci.html

    – Acho estranho que em pleno período revolucionário em Portugal, numa altura em que com certeza seríamos motivo de interesse na Europa, uma entrevista com o líder do Partido Comunista que supostamente estaria pronto para impor uma ditadura e cheio de poder, a ponto de controlar TODA, assim é sugerido, TODA a comunicação social portuguesa de alcance nacional, não tenha encontrado em Espanha, em Itália, França, Inglaterra, etc, um jornal de grande circulação para ser publicada e teve antes de ir para um jornal de uma terriola qualquer da província portuguesa.

    • ppicoito diz:

      Parece que não me fiz entender. O apoio ao golpe contra Gorbachov não é politicamente incorrecto, é antidemocrático. É esse o ponto: o PCP, como todos os os partidos comunistas, tem uma noção meramente instrumental da democracia representativa. A entrevista de Cunhal à Fallaci, que ainda não percebi se nega que tenha existido ou nega que tenha existido como ela a publicou, ilustra o ponto.

      • João. diz:

        Sobre a entrevista a sua leitura da minha posição é correcta – é isso, eu não sei se existiu ou se existindo foi como está transcrita. É que eu não entendo como é que uma entrevista com Cunhal com aquelas supostas revelações não tenha encontrado nenhum jornal de grande circulação para ser publicada. A desculpa de que o PCP controlava todos os jornais nacionais na altura é simplesmente falsa.

        Quanto à democracia representativa – o PCP não só nunca tentou acabar com ela em Portugal como ainda a tem no seu programa e é ainda um acérrimo defensor da Constituição portuguesa que a consagra.

  8. ppicoito diz:

    A entrevista foi publicada no sucessor do República, que era um jornal, na altura, com audiência. Não estava à espera que fosse publicada no Diário de Notícias do Saramago, pois não?
    Quanto ao resto, o PCP e a democracia representativa… o PCP e a democracia representativa… assim de repente, não sei bem que dizer…

    • João. diz:

      Não sei bem o que é o sucessor do República. Eu vejo na wikipedia que o República durou até 1976 e depois reapareceu em 2001 como trimestral mas sem grande sucesso.

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_(jornal)

      O PCP não é contra a democracia representativa apenas não considera que o voto de 4 em 4 anos é o zénite da actividade e poder político de um povo.

      • ppicoito diz:

        Claro que não sabe o que é o sucessor do República. Aliás, o República é capaz de nem ter sido encerrado por pressão do PCP.
        É como a democracia. Lá dizia o camarada Lenine: é tão importante que devia ser racionada

      • João. diz:

        Desculpe mas você não mostra nenhum conhecimento sobre o sucessor do República – até agora apenas simula que sabe do que fala. Eu apresentei alguma coisa, uma entrada na wikipedia que não fala de nenhum sucessor do república.

        Não digo que não haja, digo que não conheço e que você, a ver pela sua resposta, talvez também não.

        De resto é a cantilena habitual – tudo é culpa do PCP. Este aliás foi o discurso básico do PS para conquistar votos à esquerda, dizer que o PCP queria uma ditadura. Você nisto é um soarista radical, toda a direita o é. O PS tem colhido os frutos disto.

  9. fernando antolin diz:

    O evento patrocinado pela Câmara de Almada surpreendeu-vos ? É pena nunca ter sido dada atenção ao que por aqui se passou,pela generalidade dos media, no decorrer da longa governação CDU. Mas há por aí uns blogs, o Infinito’s e o Em Almada ( este já fechado mas penso que ainda acessível ) que vos esclarecem. Só que parece que não interessa. Vale antes ( e também deve valer, claro ) Oeiras e Isaltino, Marco de Canaveses e Ferreira Torres etc etc. De Almada não se fala…

    • ppicoito diz:

      É isso mesmo que estou a tentar dizer. Há uma incrível complacência em relação ao PCP, sobretudo quando o PCP tem poder, que não existe em relaçaõ a nenhuma outra força política, excepto talvez o BE. Somos todos gramscianos.

  10. novosti pergunta diz:

    Alguém poderá informar se os livrinhos O Manifesto do Partido Comunista de um tal Marx e
    O Estado e a Revolução do grande democrata–Lenine–ainda servem para fundamentar a prática política de qualquer comunista?E se não quem os substituiu?

    • ppicoito diz:

      Claro, João. Então estamos assim: ninguém sabe ao certo que o República foi encerrado por pressão do PCP porque ninguém sabe ao certo se o República foi encerrado. A wikipedia não diz e, como todos sabemos, a wikipedia nunca se engana. Mais: niguém sabe ao certo se o Gulag existiu porque descobri no blog do Vítor Dias não se diz nada sobre isso. O Gulag não passa de uma calúnia fascista contra os comunistas. A chegada dos americanos à Lua? Tudo falso. Li num site soviético que os ianques nunca lá puseram os pés. Aliás, é bem provável que a Lua não exista. Se existisse, os comunistas já lá estavam. Etc.

  11. ppicoito diz:

    Não é como eu queira, não é uma questão pessoal. Negar a evidência a bem do partidofaz parte da história comunista, mas nem todos temos que a aceitar.

    • João. diz:

      Qual é a evidência se você não me consegue dizer qual é o jornal sucessor do República – a não ser que o jornal seja “O Sucessor do República” mas confesso que nunca ouvi falar.

      Quanto a gulags quero só lembrá-lo que em Portugal quem os fez, nomeadamente em África, foi a direita do seu amigo Salazar e não o PCP. Em Portugal a ditadura mais longa que existiu foi também de direita – de direita conservadora como você gosta de intitular-se. Quem anda a tentar branquear a ditadura em Portugal são os seus amigos quando escrevem que se parecia com uma monarquia constitucional.

      • ppicoito diz:

        Isto está a ficar um pouco surrealista. O jornal sucessor do República chamou-se Jornal do Caso República. Aí mais acima um outro leitor deixou o link, que muito agradeço, do exemplar digitalizado que nos interessa (o da entrevista). Claro que pode negar que este jornal tenha existido, como pode negar que a entrevista existiu, como pode negar a sua e a minha existência, mas talvez isso não nos leve muito longe.
        O resto do seu comentário é uma manobra de diversão, mas devia ter algum pudor em comparar a repressão salazarista e o Gulag. (Pudor, apenas – já nem falo em bom senso, honestidade intelectual, rigor histórico, etc.)

      • fnvv diz:

        Com o nosso João temos logo de entrada de lhe explicar que essas comparações são revisionistas.

      • João. diz:

        Fosga-se, se eu não conheço uma coisa e peço que me digam o que é e ninguém me diz senão por referências distantes eu começo a pensar que quem me fala também não sabe bem do que fala. Outra coisa é o comentador que trouxe o exemplar. Ele sabe do que fala e apresentou o objecto. Lá se vai a sugestão por meias palavras que o PCP tinha tornado o acesso à entrevista impossível ou muito difícil.

        Quanto ao mais o PCP negou na altura que Cunhal tivesse falado naqueles termos por isso cada um decide por si.

  12. ppicoito diz:

    Ah, e não sou “amigo do Salazar”, por muito que lhe desse jeito.

  13. João. diz:

    Você é um conservador de direita, Salazar era um conservador de direita, portanto se eu tenho que responder por Stalin porque sou comunista o mínimo que você deveria dispor-se era a responder por Salazar – isto para não falar de outros conservadores de direita mais sinistros ainda.

    • ppicoito diz:

      Salazar não era um “conservador de direita”. era um corporavista. O meu conservadorismo é muito diferente.porque acredito, como o Churchill, que ademocracia é o pior dos regimes exceptuando todos os outros. Talvez na sua cabeça pequena e sectária seja tudo a mesma coisa, mas na realidade não é. Por muito que lhe custe, o PCP, que também não acredita na democracia parlamentar, está muito mais próximo de Salazar do que eu.

      • João. diz:

        Claro. Mais um pouco ainda dirá que Salazar era socialista.

        Você não acredita no que o PCP coloca no seu programa. Ok. Mas veja que assim sendo é preciso tirar toda a credibilidade a tudo o que se diz ou escreve de modo que não vejo razões, seguindo a sua lógica de não levar em conta o que o PCP afirma de si mesmo politicamente, para de minha parte acreditar no que você diz de si mesmo.

        Depois acho engraçada essa acusação de sectarismo. Isso quer dizer o quê? Que você, como não é sectário, toma tudo a partir do mesmo valor, que tudo vale o mesmo, é isso? Não é. Se eu sou sectário então você é hipócrita e intelectualmente desonesto – até porque há aí um post seu em que fala do mal que lhe faz ao fígado a ideia de votar à esquerda. Onde é que não-está o seu sectarismo aí?

  14. João. diz:

    “O resto do seu comentário é uma manobra de diversão, mas devia ter algum pudor em comparar a repressão salazarista e o Gulag.”

    Isto é um comentário brilhante especialmente quando acompanhado de acusação de desonestidade intelectual. Onde é que o PCP fez um gulag em Portugal? Onde é que o PCP fez um tarrafal? Foi ou não a direita conservadora que em Portugal instituiu uma ditadura de cerca de 40 anos com direito a campos para prisioneiros políticos (Tarrafal, por exemplo)? Talvez fosse você que devesse ter algum decoro. Onde andou a direita conservadora durante o regime de Salazar? Na oposição não andou. Na prisão também não. Andou a colaborar. Era o seu regime.

  15. ppicoito diz:

    O PCP só não fez um gulag em portugal porque não teve nem tempo, nem meios, nem força, nem oprtunidade para isso. O PCP é intrinsecamernte antidemocrático e por isso tem a permanente necessidade de recordar a sua luta contra a ditadura salazarista, como se tal coisa fizesse dos comunistas democratas. Não faz e nem todos somos suficientemente ingénuos para acreditar que faça.

    • João. diz:

      Grande coisa.

      Eu também posso dizer que você só não sobe a uma torre e começa a disparar indiscriminadamente sobre transeuntes porque não tem meios, nem força, nem coragem – porque se tivesse fazê-lo-ia uma vez que é o que lhe vai no íntimo.

      • ppicoito diz:

        Dizer, pode. A diferença é que eu não defendo um regime responsável por dezenas de milhões de mortos.

    • fnvv diz:

      O João tem uma tese: o PCP é o único partido comunista democrático da História dos partidos comunistas, naturalmente de regime de partido unico.
      Bem, não lhe podemos demonstrar, inequivocamente, o contrário, é verdade, mas podemos aplaudir a arriscada teoria ( arriscadíssima, se defendida em Moscovo ou Pequim, em tempos que já lá vão).

      • João. diz:

        Filipe,

        Você preocupa-se em evitar qualquer veleidade dos comunistas eu preocupo-me em tentar pensar os termos em que a ideia comunista pode ser reactualizada em novas circunstâncias – quer as que oferece o capitalismo quer as que advêm do confronto da ideia comunista com a sua própria história política.

        Ao mesmo tempo vou também, dispensando-me de tomar como verdadeiro tudo o que os inimigos e adversários do PCP dizem do PCP. Vocês gostam tanto de dizer que se pense por si mesmo mas parecem ficar admirados quando alguém pensa diferente de vocês.

  16. João. diz:

    “O meu conservadorismo é muito diferente.porque acredito, como o Churchill, que a democracia é o pior dos regimes exceptuando todos os outros.”

    Isto é magnífico. Como, chamando sectários aos outros, se vem defender a democracia do Churchill.

    É que espero que saibam como se defende a democracia do Churchill?

    Ignorando as centenas de milhões de indianos sob administração inglesa para os quais a democracia estava vedada. Gostaria de saber o que passa na cabeça de uma pessoa que considera Churchill um democrata quando a centenas de milhões de pessoas sob o seu governo foram negados os mais básicos preceitos daquilo mesmo que se diz ser a democracia.

    • ppicoito diz:

      A democracia do Churchill não devia ser assim tão má porque os indianos optaram por ela assim que se tornaram independentes. Pelo contrário, não conheço nenhum país dominado pela antiga União Soviética que tenha optado pelo comunismo depois de 89.

      • zeca marreca diz:

        Transdniestria… Bielorussia… Moldavia… Abkhazia,…

      • João. diz:

        A democracia de Churchill era uma ditadura sobre centenas de milhões de indianos. É fantástico como você menoriza isso, talvez pense como o Churchill – que os indianos eram uma raça inferior a quem uma ditadura inglesa só fazia bem.

      • caramelo diz:

        Bem, eu acho que o João marcou aqui um ponto. Tomar como referência para a democracia, como a entendemos hoje, um politico vitoriano, é sempre arriscado. E lembro-me sempre em relação ao Churchill dos mimos que lhe dedicou o Solljenitsine.

  17. ppicoito diz:

    Comunismo propriamente dito, não apenas ditadura. Eu sei que é fácil confundir as coisas. mas sejamos mais rigorosos…

  18. ppicoito diz:

    Teria sido “marcar pontos” se estivéssemos a jogar ténis. Infleizmente, a coisa é mais complicada. A “democracia tal como a entendemos hoje” é filha da democrcia vitoriana, com todos sos seus defeitos. Aliás, Churchill já não era bem um político “vitoriano”: basta lembrar que foi um dos introdutores do estado social em Inglaterra quando era ministro. Mas o que acho espantoso é que os complaccentes de Cunhal sejam tão críticos de Churchill. Ou talvez não. No fundo, isto prova o ponto central do post: o comunismo alcançou uma tal hegemonia cultural no Ocidente, apesar de politicamente derrotado, que a comparação entre a democracia “vitoriana” e a tirania mais brutal inventada pela perversidade humana permite “marcar pontos” a quem defende a segunda.

    • fnvv diz:

      O Camara Corporativa dedicou-te umas flores…

      • ppicoito diz:

        Já fui lá ver. É a glória… Depois de ser citado pelos abrantes, só mesmo um doutoramento em Paris.

    • João. diz:

      tirania mais brutal inventada pela perversidade humana permite “marcar pontos” a quem defende a segunda.

      – a tirania mais brutal inventada pela preversidade humana é a mãe de muitos regimes liberais ocidentais de hoje: o colonialismo – a sistematização em África, América e Ásia da escravatura e exploração de milhões para o benefício das classes dominantes das metrópoles.

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