Estupefacto.

Com a quantidade de imbecis que dois anos depois, com mais dívida e a juros mais altos, desemprego, miséria  e ratings internacionais em implosão, cada vez mais longe dos “mercados” continua a sustentar que “estamos  no bom caminho”, que “é preciso insistir no rumo”, e que “não há alternativas”. A iliteracia lusitana será uma canga para várias gerações.

Luis M. Jorge

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17 thoughts on “Estupefacto.

  1. E esses imbecis, normalmente, são mais papistas do que o Papa. Mesmo quando o Governo ou a Troika reconhecem erros, são capazes de continuar a insistir na bondade desses erros.

  2. henrique pereira dos santos diz:

    “O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída: de facto, cada um pensa estar tão bem provido dele, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em todas as outras coisas não têm de forma nenhuma o costume de desejarem [ter] mais do que o que têm. E nisto, não é verosímil que todos se enganem; mas antes, isso testemunha que o poder de bem julgar, e de distinguir o verdadeiro do falso que é aquilo a que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; da mesma forma que a diversidade das nossas opiniões não provém do facto de uns serem mais razoáveis do que outros, mas unicamente do facto de nós conduzirmos os nossos pensamentos por vias diversas, e de não considerarmos as mesmas coisas.”
    Vejamos então o que este imbecil (dos outros não sei) vê de diferente no que está a dizer.
    1) Com certeza que há mais dívida, visto que enquanto não houver um saldo primário positivo, a dívida não pode descer a não ser vendendo activos, que não têm sido suficientes para contrariar os défices altos que mantemos. Mas, o que é muito relevante, a dívida não cresce ao mesmo ritmo que crescia antes desses dois anos. Acresce que quanto maior é o stock da dívida, mais juros que pagamos, naturalmente;
    2) Não é verdade que estejamos com juros mais altos que antes desses dois anos. Como diria Machete, é uma incorrecção factual;
    3) Sim o desemprego está mais alto. Aliás, dois dias depois da assinatura do memorando, foram então publicados dados do desemprego absolutamente supreendentes, pela negativa, desactualizando as previsões do memorando. Isto é, o desemprego estava já numa escalada, como seria inevitável numa economia que tinha 30% da sua actividade ligada à construção civil, assente em dívida. Ou se defende que o caminho que vinha a ser seguido, de manter artificialmente emprego com construção civil não só era bom, como possível porque haveria sempre alguém a emprestar-nos dinheiro, ou, por mais que nos custe este desemprego, compreendemos que seria sempre inevitável um nível de desemprego elevado para reestruturar a economia;
    4) A miséria é uma coisa que me parece ser séria demais para ser tratada com esta leviandade;
    5) Os ratings estão em implosão não é porque o caminho é errado, mas porque a dupla Paulo Portas/ Tribunal Constitucional criaram nas pessoas ideia de que o caminho não vai ser seguido. Em especial há uma responsabilidade de Paulo Portas, e consequentemente do Governo, na criação da convicção de que a saída de Gaspar não foi uma mera substituição de um ministro (questão menor) mas verdadeiramente a vitória dos que não querem cumprir os compromissos a que Portugal está obrigado, quer pela troica, quer, muito mais importante, pelas circunstâncias. Ou o Governo arrepia caminho demonstrando que vai mesmo cumprir o memorando, ou a coisa azeda de facto;
    6) Outra incorrecção factual é dizer que estamos cada vez mais longe dos mercados. Aliás o facto dos mercados estarem totalmente fechados é que nos levou a pedir assistência;
    7) Há alternativas sim senhor. São é muito piores;
    8) Mais importante que isto tudo é isto: “…os primeiros 7 meses do ano, … saldo positivo da Balança Corrente, de € 561 milhões (até Junho registava-se um défice de € 142 milhões) … os défices da Balança Corrente nos 3 anos anteriores foram de € 18.269 milhões em 2010 (ano de ouro do período socrático), de € 11.983 milhões em 2011 e de € 2.557 milhões em 2012.”;
    9) Por esta razão, que é a questão fundamental, poderá verificar uma evolução semelhante das necessidades de financiamento da economia, que antes estavam em 10% do PIB e hoje, pelo contrário, a economia demonstra capacidade de financiamento positiva (baixinha, mas positiva);
    Como digo, dos outros imbecis, não sei, mas este imbecil tem estas razões para dizer que estávamos de facto no bom caminho, mas estou muito preocupado com os sinais absurdos que o Governo tem vindo a dar de pretender ter uma postura mais socrática, achando que os mercados não percebem o que se está a passar.
    henrique pereira dos santos

    • Não sei o que pretende com estes lençóis de texto, mas cá vai:

      1. Está a ser demagógico quando fala dos juros: não é a quantidade, é a taxa.
      2. É verdade sim. Informe-se.
      3. Ah, é um “desemprego virtuoso”. Não sei porque é que, sendo tão bom, não o previram antes.
      4. Quem aqui trata a miséria com leviandade é você ao recusar-se a falar nela e ao negar que existe, como já o apanmhei várias vezes a tentar fazer.
      5. A distribuição de culpas é lá consigo. Para mim este ainda é o Governo de Passos Coelho.
      6. Com ameaças de descida de rating é evidente que estamos mais longe dos mercados, não lhe parece? E não me diga que lhe escapou a data de retorno anunciada por Vitor Gaspar, que se cumpriu esta semana.
      7. Pois. É a sua religiãozinha.
      8 e 9. Parece que os empresários exportam. Extraordinário.

      E poupe-me a mais um lençol, antes que eu comece a desconfiar que é composto na Sant’Ana à Lapa.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Nota prévia: argumentar racionalmente e com informação;
        1) Eu sei que é da taxa que fala, disso trata o ponto 2, mas o facto de pagarmos uma quantidade maior de juros aumenta os nossos problemas com a dívida;
        2) Já me informei: http://www.bloomberg.com/quote/GSPT10YR:IND/chart
        3) Desemprego virtuoso? Que disparate. Inevitável não quer dizer virtuoso;
        6) Que há dois anos? Não, não me parece, tanto assim que há dois anos não conseguimos que nos emprestassem dinheiro e na segunda feria passada pagámos quase seis mil milhões de euros sem sobressaltos (dizer que é um dia crucial não é o mesmo que dizer que é o dia do regresso aos mercados, mas isso é lateral);
        henrique pereira dos santos

      • Homem, eu que me considero pessoa racional e de bom senso, como você preconiza abundantemente, tenho este vício de levar a sério as promessas do Governo. É uma mania minha. Coisas “laterais” como as previsões do desemprego, a descida dos juros (estavam há pouco a sete por cento, aquele limite insuportável do Teixeira dos Santos e tal), e outras lateralidades como o índice de desigualdades ou o “desígnio da produtividade” (já reparou que descemos uma dezena e tal de lugares em dois anos? Não, pois não?), enfim, essas coisas sem importância interessam-me, e gosto de tomar as declarações dos nossos líderes pelo seu valor facial. Se você gosta de quem lhe mente à descarada é lá consigo.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Carregando no link do comentário anterior, parece que o gráfico abre por definição nos últimos seis meses. Para a discussão que interessa é carregar no separador 3Y para comparar os dois ano e agora. Mas se carregar nos 5Y a visão de custos de financiamento sistematicamente altos ajuda a perceber onde nos metemos.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Luís, se conseguir explicar como se retiram 15 mil milhões de euros a uma economia, o montante anual que estava a ser emprestado a Portugal e que deixou de ter quem estivesse interessado em emprestar, sem efeitos recessivos (queda do pib, desemprego, quedas nos índices que citou e etc.) ganharia com certeza um nobel da economia se isso existisse (há um prémio na economia com esse nome mas não é um nobel).
        henrique pereira dos santos
        PS E ganharia dois se conseguisse explicar como manter esse nível de endividamento anual quando os investidores deixaram de acreditar que alguma vez pagasse a dívida

  3. Carlos diz:

    Não sei se são piores esses imbecis ou os da oposição que, por inacção ou por serem um desastre na acção, conseguem que o PSD, o principal responsável pelo estado da nação, surja nas sondagens com cerca de 30% dos votos. Com toda a certeza, não deve ser uma estratégia brilhante.
    Don’t get me wrong: Eu bem quero livrar-me do Passos, mas se isto estabiliza um bocado em termos económicos, por via das exportações e alguma retoma no consumo, já estou a ver o Passos fazer a 2.a legislatura. E, nesse caso, a vitória não será de Passos Coelho, mas sim uma estrondosa derrota de todos os outros, CDS incluído. E aí terei de emigrar.

  4. Leitor diz:

    Acho que a ladainha contra o Tribunal Constitucional, a força de bloqueio, vai recomeçar http://www.publico.pt/economia/noticia/tribunal-constitucional-chumba-algumas-alteracoes-ao-codigo-do-trabalho-1607137.
    Mal posso esperar pela análise jurídica de Teresa Leal Coelho, a assistente do Professor Reboredo…

  5. Leitor diz:

    Já que falamos em mercados e juros transcrevo uma notícia da Bloomberg não está on-line (só está disponível, para “escroques” como eu, que se sentam à frente de um terminal Bloomberg…):

    Portugal Counts on Pensions to Push Yields Below 7%: Euro Credit
    2013-09-24 08:25:22.842 GMT

    (For more on the debt crisis, see TOP CRIS. To be sent this column daily, click here.)

    By Anabela Reis
    Sept. 24 (Bloomberg) — Portugal is relying on pensioners to help stem a rise in borrowing costs less than a year before the country’s rescue program ends.
    The 11 billion-euro ($14.9 billion) Social Security Financial Stabilization Fund, which keeps enough money to cover at least two years of payments to retirees, is increasing the proportion of domestic debt that it holds to as much as 90 percent. Since the plan was proposed in May as part of Portugal’s aid package, the nation’s 10-year bond yields jumped almost 2 percentage points to more than 7 percent.
    “It won’t absorb all of the funding needs, but it will ease pressure on bond prices in the secondary market,” Michael Leister, a senior rates strategist at Commerzbank AG in London, said by telephone on Sept. 17. “It’s important that a new potential investor is emerging.”
    Portugal and Ireland are aiming to regain full access to debt markets as they exit the bailouts agreed with international creditors following the 2010 eruption of the European debt crisis in Greece. Bond prices show their fortunes are diverging.
    Ten-year Portuguese securities yield 3.28 percentage points more than Irish debt, compared with a spread of 1.77 percentage points on May 21.

    Credit Rating

    Moody’s Investors Service, Standard & Poor’s and Fitch Ratings all rate Portugal as non-investment grade, or junk, effectively keeping out money managers unable to purchase low- rated securities because of constraints on their funds. Ireland is only rated junk at Moody’s.
    S&P placed Portugal on watch negative on Sept. 18, saying that potential shortfalls in meeting program targets increase concerns about the trajectory of government debt and the likelihood Portugal would require a second support program.
    “It’s going to be hard to sell bonds, with the country’s credit rating below investment grade,” said Diogo Teixeira, chief executive officer of Optimize Investment Partners, a Lisbon-based firm managing 69 million euros in assets. “It will be critical, not so much now, but at the time of the market return, because we won’t be able to do it with these yields.”
    The cost of borrowing for 10 years climbed since dropping to a three-year low of 5.19 percent in May when IGCP, the national debt agency, last sold bonds of that duration. The rate was 7.16 percent at 8:48 a.m. London time.

    Tougher Prospects

    “With interest rates above 7 percent, as we have today, the prospects are more difficult,” Prime Minister Pedro Passos Coelho told supporters on Sept. 21 at a party rally before municipal elections. “We can’t fall behind.”
    Yields breached 8 percent on July 3 as a rift emerged in the government over budget policy.
    A day earlier, on July 2, the Finance and Social Security Ministries said in the official government gazette that the Social Security Financial Stabilization Fund was officially authorized to increase its holdings of government bonds.
    Prior to that, the ratio was 55 percent of the total, while
    25 percent was made up of government securities from other members of the Organization for Economic Cooperation and Development, according to the document. This means the fund will have about 4 billion euros to invest in Portuguese debt.

    Market Influence

    Alexandre Barata, a spokesman for the Ministry of Social Security in Lisbon, declined to comment on Sept. 19 on details of the fund’s current portfolio, or on when or how the fund planned to invest “so as not to influence the market.”
    The IGCP debt agency said two months ago it planned to resume “regular issuance” of bonds “only if market conditions are conducive.” Financing needs for 2013 are “fully covered”
    and in the second quarter the debt agency started to raise money for 2014. Portugal will have to raise 8 billion euros next year.
    The Portuguese government said in July the decision to boost the social security fund’s holdings of domestic credit took place as public debt from other nations in the OECD had “particularly depressed” interest-rate levels. The investment policy of the fund will be reviewed at the end of 2015, it said.
    “There’s no doubt it’s a player that can contribute to mitigating low-demand levels,” Andre Pinheiro in Lisbon, who helps oversee 100 million euros of assets at Orey Financial SA, said by e-mail on Sept. 18.
    But “is it the solution for Portugal’s problems?,” said Leister at Commerzbank. “Probably not.”

    For Related News and Information:
    Portugal Social Security Fund to Help With Debt Sustainability NSN MSX1LQ0D9L35 Portugal Yield Twice Ireland’s Damp Bond Sale Plans: Euro Credit NSN MT07KS1A74E9 Portugal’s Borrowing Costs Rise to 10-Month High at Auction NSN MTBKNW6JIJVY Top economic stories: TECO Top bond stories: TOP BON Top Portugal stories: TOP PT

    –With assistance from Henrique Almeida in Lisbon. Editors:
    Rodney Jefferson, Tim Quinson

  6. caramelo diz:

    “A miséria é uma coisa que me parece ser séria demais para ser tratada com esta leviandade;”

    Meninos, à mesa não se fala de religião, politica, das amantes do avô, dos gases da tia e de miséria, comportem-se.

    Mas o que eu quero mesmo é este emprego.:

    http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2013/09/26/o-melhor-emprego-do-mundo-510685.asp

  7. João. diz:

    O governismo queixa-se que o Tribunal Constitucional não atende às circunstâncias do momento. O governismo não diz que se o TC se atendesse as consequências não eram circunstanciais mas permanentes e estruturantes., ergo, a argumentação governista nesta matéria é uma fraude intelectual.

  8. Leitor diz:

    Afinal não é só o Luis Jorge que Portugal não está no bom caminho. Os amigos, claramente xuxas, da Economist Intelligence Unit (EIU) acham o seguinte:

    “According to data
    released on September 23rd by IGCP, the national debt management
    agency, outstanding public debt continued to increase in August,
    reaching EUR207.4bn (US$280bn), from EUR188bn a year earlier.
    Central bank data, based on slightly different definitions,
    showed the stock of public debt at 130.9% of GDP in June 2013.
    With the central government finances continuing to weaken,
    concerns remain over how policymakers, in the absence of
    sustainable GDP growth, will be able to bring down, or even
    stabilise, Portugal’s substantial public debt ratio.
    Privatisation revenue alone is unlikely to be sufficient to
    reverse the rising trend.”.

    O parágrafo que se segue é bom para o pessoal do discurso viver acima das possibilidades, com recurso ao endividamento:

    “Data from the Bank of Portugal (the central bank) show that the
    stock of public debt in Portugal rose to 130.9% of GDP in June,
    from 123.7% at the end of 2012. This data, which applies the
    Maastricht treaty’s rules, differs from IGCP’s calculations given
    that, among other things, the latter only includes direct state
    debt (and does not account for government-related entities). The
    Bank of Portugal also indicated that non-financial public sector
    indebtedness reached 167.8% of GDP in June, while private
    corporate sector indebtedness rose to 185.4% of GDP. The
    household debt ratio stood at 98.9% of GDP, and was the only one
    to have declined slightly since the end of 2012. Total
    indebtedness in Portugal thus amounted to 452.1% of GDP (or
    EUR741bn), more than 434% a year earlier. In absolute value, the
    total figure has also been increasing, from EUR721bn and EUR737bn
    at the end of 2011 and 2012, respectively.”

    Vê-se quem anda a apertar o cinto, reduzindo dívida. Uma pista não é a EDP do dr. Mexia…

    Para terminar as prespectivas futuras da Segurança Social, dos metereologistas da EIU, não são boas abertas:

    “Despite the larger surplus over the January-August period, the
    longer-term trend on the social security accounts has been a
    marked decline in the surplus, raising concern about the
    medium-term sustainability of the pension system. The government
    has enacted reforms that significantly limit the amount to be
    paid on current and future pensions, and taxation has been
    introduced on current pensions higher than an annual EUR4,014.”

    Assim termino o lençol, com o devido copyright à EIU.

    Peço desculpa pela falta de originalidade do comentário…

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