Monthly Archives: Setembro 2013

Novo dicionário português – governês

Peta –  incorrecção factual

Grande peta –  intrigalhada

Despedir- requalificar

Requalificar- brincar

Cortar reformas- proteger reformas

Promessa- vento

Não tive contacto- contágio

Amnésia – rectidão

Irrevogável – neologismo

Coesão – vernáculo

Constituição – raticida

Génio discreto – alegoria

Crise – oportunidade

Piegas – relvas

Empreendedor – indivíduo que compra acções não cotadas

Opinador – futuro ministro

Futuro ministro – maleável

FNV

Contratempo ( XVIII)

“A nossa tarefa com os portugueses não se esgota nas eleições autárquicas”.

Temo bem que não. Às vezes  acordo e penso se tudo isto não foi apenas uma incorrecção factual, uma requalificação, uma irrevogabilidade.

FNV

Instagram

Luis Jorge just shared an Instagram photo with you:

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“Museu Nacional de arte antiga.”

Para onde emigrar.

Este pequeno teste identifica a nação europeia mais alinhada com os valores em que você se reconhece. Parece a brincar mas foi inspirado no European Values Study, uma pesquisa do departamento de sociologia da Universidade de Tilburg. Calhou-me a Noruega, o que revela um certo desprendimento do espírito cientifico pelas minhas análises do belo sexo.

Suécia, amigos. Suécia.

Luis M. Jorge

Confirmado

Conseguiram ver alguma repetição do penalty do Otamendi?

Depois de alguma semanas, confirmo: a Benfica TV é muito menos fanática do que a FcPorto TV. 

FNV

Contratempo ( XVII)

– Soraia Machete,  disseste que tinhas dormido em casa da tua mãe e afinal tens aqui uma sms no telemóvel a dizer ” Estás com as calcinhas que usaste  ontem à noite?”

– Ruben Luso,  queriducho,  isso é apenas  uma incorrecção factual….

FNV

Filosofia política num hotel em Pequim

“A Constituição tem de ter em conta as condições do mercado”.

Era capaz de jurar que  estamos dominados por cripto-maoístas e vivemos  um novo Grande Salto ( “não é pior comer menos”).

FNV

 

 

jihad al-nikah, a jihad do sexo

No céu prometem-lhes  virgens, mas na terra oferecem-lhes experiência.

Esta Primavera Árabe, ou lá como os sábios lhe chamaram, tem coisas engraçadas.

FNV

Ditadores

AAGAARD'S AFRICAN ADVENTURES

Só está disponível  no kindle.

FNV

Só para adultos

Muitos dos  que espumavam , e ainda espumam, com os casos da governação socrática, passam por cima disto.  Se políticos de aviário, nada  a objectar.

Repulsivo é constatar  que bloggers e colunistas, presumivelmente livres, fazem o mesmo.

Fico sempre indeciso  na escala – da canalhice obediente – entre estes e os vira-casacas. Talvez porque não haja diferença.

FNV

Um país de gramscianos

A propósito da peça de teatro sobre o julgamento de Cunhal em Almada, na qual participei por interposta descendência, leia-se este artigo de Pacheco Pereira. Não tenho dúvidas de que está em curso, há anos, uma tentativa de reescrever a história do PCP por parte de militantes e “inocentes úteis”, com uma parte soft de divulgação popular (por exemplo, a recente Fotobiografia de Cunhal) e outra hard de revisionismo académico (por exemplo, na obra de Raquel Varela).
A ofensiva não me choca e vejo-a até como um sintoma de normalização democrática. Se Portugal não fosse uma democracia minimamente consolidada e os comunistas não tivessem que ir a votos, nem o PCP sentiria a necessidade de revelar um Cunhal de “rosto humano” nem Raquel Varela tentaria provar que o PCP nunca quis uma ditadura em 75. Choca-me, isso sim, a quase ausência de combate a essa tentativa de hegemonia cultural, salvo honrosas excepções. Eis o contexto da polémica sobre a História de Portugal de Rui Ramos, uma de tais excepções, e a causa da fúria que provocou nas hostes vermelhas.
Mas já tenho muitas dúvidas de que uma autarquia, com dinheiros municipais, possa fazer propaganda partidária – pois é disso que se trata na peça de Almada. Curiosamente, o caso passou sem qualquer reparo público. Nem os talibans do liberalismo, sempre tão atentos à “subsidiodependência”, franziram o sobrolho. Seria muito instrutivo comparar este silêncio à hostilidade contra o falhado – e ainda bem, por várias razões – museu de Salazar em Santa Comba Dão.
O Gramsci é que sabia.

PP

Confissões de um ex-laranjinha lisboeta

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A três dias das eleições em Lisboa, ainda não sei se irei votar. Toda a vida pus a cruzinha no PSD, até com Santana Lopes – e sabe Deus o que sofri em tão aziaga circunstância -, mas o casamento acabou nas últimas legislativas. Nunca votaria em Passos Coelho, excepto sob ameaça de arma ou influência de substâncias tóxicas. Para voltar a merecer a minha confiança, o PSD do Relvas, do saque fiscal e do Crivelligate teria de mudar muito. Talvez um dia.
Entretanto, não podendo votar à esquerda por razões médicas (faz-me mal ao figado), a única alternativa é o voto em branco, apesar dos óbvios argumentos contra: a minha preguiça e a discriminação ao actual Presidente da Câmara.
Diga-se, em abono da verdade, que o PSD se tem esforçado por facilitar as coisas aos indecisos, afastando a mais remota hipótese de vitória na capital. António Costa dá cabo do trânsito na Avenida da Liberdade e nos Olivais, o Terreiro do Paço é uma apagada e vil tristeza, a Baixa desertifica-se e o resto suburbaniza-se. E o que faz a tropa laranja? Fica KO antes do combate, deitando de pára-quedas uma campanha de quinze dias porque, até lá, o candidato teve de esperar pela decisão dos tribunais. O que talvez explique os cartazes com nome de telenovela (“Sentir Lisboa”) e referências subliminares às entradas a pés juntos de um central do fêquêpê na Luz (“Em Lisboa com os dois pés”).
Quando quiserem o meu voto, avisem.

PP

Contratempo ( XV)

Um juiz comentador  televisivo condenado por calote, um polícia que terá assaltado uma casa.

Ao contrário dos muezzins dos costumes, aprecio este equlíbrio. Se continuar, talvez vejamos um bispo falar da violência no santo matrimónio, um advogado zizekiano vender o BMW e ir para as empresas ajudar os contratados a prazo, uma ministra confessar que se enganou ao fazer-nos  todos de parvos.

FNV

Não é a Síria

O meu conversor de árabe é  uma sucessão de trapalhadas, mas lá encontrei a versão em inglês do artigo de Nayla Tueni, velha conhecida das andanças da antena  islâmica. É interessante verificar que os acontecimentos confirmaram na íntegra  as previsões de Laborie Iglesias.

Tal como aconteceu  nas  guerras da Coreia e do Vietname, os territórios que nomeiam os conflitos são um trompe l’oeil. A diferença formal  para o conflito sírio é que há mais do que dois blocos. A diferença estrutural reside no facto de que já não se trata só de combinar aspectos tácticos com o proselitismo político. Damasco é o  volante do motor, e com muito mais do que apenas gás sarin, que tem de continuar em ponto morto.

FNV

O desastre

Temos, portanto, que a época passada foi um acaso, um azar, uma coincidência?

Exprimem-se tão bem como raciocinam.

FNV

A ministra: uma lição

O Eduardo relembra o ponto essencial, mas a conclusão é fragilizada pela premissa inicial  do argumento. Saltemos sobre  a histeria e o ignoremos o espírito de claque.  Quem levantou a lebre dos swaps foi a ministra, no dia em que começava o congresso do PS, na Feira. Uma esperteza saloia. Quando manuseamos uma granada, se bem me lembro da minha instrução, devemos ter muito cuidado  a partir do momento  em que retiramos  a espoleta.

E não houve cuidado porque essa é marca da falange. Depois, o “não sei de nada” pretendeu pôr um ponto final no assunto. Não pôs. Azar dos Távoras, em vez de MLA ter continuado ajudante de ministro, foi alçada a ministra. Passos não assobia para o lado porque, provavelmente, foi ele quem gizou  a estratégia inicial,  interpretando mal  a máxima de Deng-Xiao-Ping –Não me importa que seja um gato amarelo ou um gato preto, desde que cace ratos –, porque rato   não caça rato.

FNV

Contrato de risco: definição de competências

Eu autorizei a morte do Fernandinho Beira-Rio, sim, em termos gerais.

Não autorizei  que ele fosse esperado à porta do seu  barraco  da favela da Refer, pelas 21.30h, por três encapuzados, e abatido com uma  Glock G-25 automática, dois tiros no peito e outro na testa.

FNV

Sem grandes merdas, é isto.

Tomás Vasques:

Esta história dos contratos swap, celebrados pelas empresas públicas com os bancos, tem muito que se lhe diga e ainda a procissão vai no adro. Mas, há duas ilações evidentes e de leitura imediatas: primeira, a maior parte destes contratos foi celebrada quando os socialistas eram governo. Mas, pelos vistos, quem os assinava, na maior parte dos casos, era gente do PSD, o que dá razão a quem fala no “bloco central de interesses”. Já caíram 3 membros do actual governo e ainda falta cair quem parece tratar os swaps por tu – a ministra das Finanças; segunda, o dinheiro que o governo já entregou aos bancos para pôr termo a alguns destes contratos é, de longe, superior aos 700 milhões que vai cortar aos pensionistas com este novo saque da “convergência dos regimes”, o que significa que parte das pensões dos reformados vai pagar uma parte destes regabofes financeiros. Este caso – o dos contratos swap – é um dos exemplos que mostram bem a origem do empobrecimento da maioria dos portugueses.

Ler também Ana Sá Lopes: “A ministra mentiu vergonhosamente”. O advérbio é hiperbólico, por atribuir a faculdade do embaraço a quem nunca manifestou sintomas dessa incomodativa moléstia.

Luis M. Jorge

Contratempo ( XIV)

Não leio  livros  e quero ser feliz. Exacto.

Os velhos atenienses  acahavam a natureza tão generosa com as mulheres, geradoras dos futuros cidadãos,  que as resguardavam de leituras complicadas ( e da estucha da politeia). A Miss Bum Bum  2013  só esquece um detalhe: a natureza generosa é a prazo.

FNV

Diário de um cínico

A Casa Branca tem-se multiplicado em spin para nos fazer crer que o acordo sobre o arsenal químico de Assad é uma vitória. Afinal, a Síria admitiu ter armas químicas e será forçada a destruí-las… Obama salva a face e evita a guerra – as duas variáveis que tinha em cima da mesa.
Antes assim. Tenho dúvidas de que a guerra resolvesse alguma coisa e não tenho dúvidas de que uma América fraca torna o mundo perigoso. Mas sempre que Kerry diz não excluir a hipótese de um ataque, mais me convenço que esse ataque nunca passará de uma hipótese. O que também representa uma forma de fraqueza.
Significa isto que Obama errou ao traçar a célebre “linha vermelha”?
Não. Há “linhas vermelhas” que nenhum tirano deveria cruzar impunemente. Obama errou ao fazer uma ameaça que não tinha força para cumprir. E ao invocar razões de consciência para a manter, quando já era óbvio que não tinha força para a cumprir. O primeiro erro vem nos livros. O segundo vem nos livros que os ingénuos não lêem.
O Médio Oriente está mais inseguro, Assad está de pedra e cal, a Rússia e o Irão tomaram nota e o mundo há-de esquecer em breve os gaseados de Damasco. De nada lhes servirá o abate de meia dúzia de mísseis que os inspectores da ONU terão de procurar num palheiro em fogo, durante longos meses, com a prestimosa ajuda dos incendiários.

PP

Contratempo ( XIII)

Pires de Lima é um perigoso subversivo: foi para um  governo depois de ser um rico empresário.

FNV

Outro assalto da esquerda à liberdade.

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A evolução das temperaturas ao longo de onze mil anos. Explicações aqui.

Luis M. Jorge

Eleições, seriedade e alheiras

O agora pregador  dominical, símbolo máximo da lisura,  prometeu  150.000, não foi?

Este asceta da vespa, muito técnico, nada político, promete 110.000.

FNV

Arranjem-lhe um guarda-costas

Ele vai precisar.

A luta partidária permite dizer meias-verdades. Se ele quisesse podia simplesmente explicar que também não foi apenas porque o país se modernizou. Se ele quisesse falar claro, diria que foi porque não produzimos nada desde a entrada na Europa.

Aqui há tempos, no D&Q, a propósito de uma entrevista a Sampaio da Nóvoa, passados os cocktails, chegámos  ao osso quando o nosso  caro comentador Caramelo repetiu  que o país de súbito enriqueceu ( anos 80? 90?). Quando lhe perguntei como ( a vender/produzir  o quê?), enbatucou.

FNV

Da arte da crítica

Juan Gris - Le Livre et la pipe
A crítica literária é um género por direito próprio, embora quase sempre destratado por quem não o frequenta. Só os que lêem recensões com a regularidade de um vício sabem o que ganham. É o meu caso: com algumas excepções, limito as minhas leituras à poesia, ao ensaio e a essa mistura de poesia e ensaio que é a boa crítica. Acaba por tornar-se uma mania como outra qualquer – e não garanto que seja inofensiva. Os consumidores de ficção costumam ser mais sociáveis do que os eremitas do poema e do pensamento: a concentração da palavra traz um vago perigo de desumanidade.
Talvez por isso a melhor tradição de crítica venha dos súbditos de Sua Majestade, mestres do understatement. Mais fruto do jornalismo do que da academia, Fleet Street destilou no mais alto grau a alquimia de erudição e humor, cumplicidade e distanciamento, ética e ironia que dá esta arte exigente. Porque há uma ética da crítica. Criticar sem ler é uma fraude. Elogiar por cálculo ou paternalismo é uma baixeza. Condenar por vingança ou despeito é uma vulgaridade.
Em suma, o que é uma grande crítica? Isto.

PP

Pais sargentos

E cursos universitários. No Depressão Colectiva.

FNV

Recordar é viver ( VIII)

“Há pouco mais de cinco anos, em vésperas do congresso do PSD que consagraria brevemente Manuela Ferreira Leite, o dr. Ângelo Correia jurou que Pedro Passos Coelho era uma pessoa com “bom carácter”, que “tem escolhas”, “tem opções” e não faz “o oposto do que diz”

A quantidade de vira-casacas que cabem neste parágrafo é igual à de pulgas num rafeiro. Há os tripletes , os dobletes e há os discretos, por exemplo, entre a Fundação Manuel dos Santos e o Expresso. E há os calados que nem ratos. Lembro-me desses: quando JPP teve a bela ideia de me nomear, chamaram-me  depois ferreira-leitista ressabiado ( eu que nem quis conhecer a mulher quanto mais trabalhar para ela, mas enfim) . Hoje tocam no metro.

FNV

Quem?

Temos aprendido muito sobre a natureza humana nestes anos.

Sabemos que é possível retirar todos os meses dez por cento de seiscentos euros a um reformado sem que isso perturbe a paz social.

Sabemos que se podem condenar trinta mil professores de uma só vez ao desemprego e financiar escolas privadas com recursos colectivos perante o torpor de quem paga impostos.

Sabemos que é viável reduzir mais de metade do ordenado a um funcionário público invocando critérios vagos, talvez razões políticas, e ainda assim merecer a cortesia dos líderes de opinião.

Sabemos que resulta trocar palavras como “despedir” e “espoliar” por eufemismos como “requalificar” ou “racionalizar”, sem clamor nem resistência das elites.

Sabemos que alguns dos nossos melhores, aqueles que nas universidades, nas colunas de jornais defenderam a democracia e a justiça, aceitam ser flores da lapela de quem nos expôs a toda esta casta de indignidades.

Oiço os comentadores e maravilho-me com a organização serena das suas intervenções: os imperativos de Estado, o deve e o haver dos orçamentos, as puras mentiras ou meias verdades que hoje contaminam toda a linguagem do poder.

E só consigo pensar que estão doentes; que a ausência total de empatia, a obstinação com que esventram milhões de vidas (quantos desempregados, quantos pensionistas?) deve ter propriedades psicóticas, atravessando décadas de maldade e ressentimento.

Não imagino de que buraco insalubre veio esta gente.

Luis M. Jorge

Jornalismo de referência:

“Permitir”, perceberam? Permitir.

É como cá: o governo vai permitir que 80.000 funcionários públicos se dediquem à pesca.

FNV

Enlatados

The U.S. fell for the ol' Khrushchev shoe slam every time. (UN)

Como tudo, hoje, a opinião enlata-se. Tornou-se bem dizer que Obama foi derrotado  na crise síria e entregou a influência à Rússia. O principal argumento é o  da ameaça não cumprida. Pois bem, o senhor da foto  fartou-se de traçar linhas vermelhas por causa de Berlim Ocidental. Nunca cumpriu.  Acontece que  durante  a crise cubana  ameçou e foi levado a sério. Muito a sério.

Deixar os russos falar equivale  a deixá-los  entrar no Great Game ( não  o original, que se desenrolou mais para este) e nos jogos ganha-se perde-se. Seja como for, no que toca à persuasão real  basta consultar o mapa das bases americanas na região.

FNV