Debilidade intelectual ou moral?

Uma organização que não se rege por regras corre o risco de se autodestuir”,  afirma Miguel Pinto Luz, presidente do PSD/Lisboa.

Ou seja, as regras do PSD são vitais,  mas  as do país, que o Tribunal Constitucional  insiste em fazer cumprir, não contam para nada.

FNV

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38 thoughts on “Debilidade intelectual ou moral?

  1. Tiago Cabral diz:

    Albarda-se o burro à vontade do dono.

  2. Na essência, é moral; a intelectual resulta do nível da argumentação.

  3. diz:

    moral.

    defender o clube, o partido, o quintal, antes de tudo e contra tudo.

  4. XisPto diz:

    Não tenho nenhuma simpatia pelos carreiristas do psd mas há algo de “forçado” na comparação implícita que tende a considerar criticável senão antidemocrático a crítica à constituição ou às decisões do TC. Afinal, na constituição já constou a irreversibilidade das nacionalizações o SNS gratuito e outras disposições datadas do PREC, para não falar da simbólica mas persistentte transição para o socialismo, e foi na sequência de críticas que foi revista… No fundo as coisas são mais complicadas do que simples considerações morais. Considero que o TC tem decidido basicamente respeitando a constituição, o que não invalida que as suas decisões contribuam para o colapso financeiro. Este é que é um “dilema” que não sei classificar…

    • fnvv diz:

      nánáná…não é por aí.
      Claro que sse pode e deve criticar a CRP, outra coisa é querer indexá-la ao Dow Jones.
      Por outro lado, é débil ou amoral quem pensa isso mas já julga as regras do partido como vindas de Deus.O PSD também tem uma longa história de dissidências, não tem?

      • XisPto diz:

        Pois terá, confesso que não sigo em pormenor essa telenovela. No tempo em que as ideologias ainda tinham peso, houve dissidências desse tipo como a do Sousa Franco. O Sá Carneiro também se batia por ideias. Depois, parece um saco de gatos a que só o poder satisfaz e acalma, mas não usam expulsões, como na boa tradição da esquerda da esquerda. O JPP já disse quase tudo sobre isso. O problema é que na mesma rede de argumentos sucede desvalorizar-se a ideia de “estado de emergência financeira, em que realmente vivemos e que muito provavelmente vai terminar num colapso financeiro… constitucional.

      • fnvv diz:

        E quando isso acontecer, se o povo quiser, mudam-se as regras.

      • manuel.m diz:

        “I have my principles ! But if you don’t like them, I have other principles ! ”
        Marx
        (Groucho,obviously)

  5. caramelo diz:

    Se a sociedade for fragmentada em pequenos grupos de interesses, cada um com as suas regras internas, relacionando-se entre si através de livre contrato, torna-se mais próspera. A isso também se chama liberdade, coisa a que infelizmente não estamos habituados. A existência de uma constituição nacional, acima dos indivíduos, é que é mau, chama-se socialismo. Os juízes devem servir somente para mediar os conflitos contratuais entre indivíduos livres e para punir indivíduos que racham a cabeça a outros indivíduos (isto sou eu a fazer de insurgente, é um passatempo).

    XisPto, qualquer decisão de qualquer tribunal contribui para o colapso financeiro do pais. Os custos começam quando o primeiro funcionário a entrar no edifício acende um interruptor e no fim do mês ele próprio é uma despesa. O Estado de Direito tem custos. Compete à Assembleia da República decidir se o TC se deve manter, ou não. Reunam a comissão de finanças. Enquanto não são assinadas novas ordens em contrário de cima, os juízes, que remédio, lá continuam no seu labor ingrato e caro. E que as decisões dos tribunais (todos) são criticáveis, é claro. Mas o problema que o Filipe levanta, é ouitro, é o da duplicidade de critérios.

    • XisPto diz:

      Completamente de acordo quanto à duplicidade de critérios, mas não transformemos a CRP num texto sagrado e os magistrados do TC em ayatollahs. Recordo que sociedades com regras de extrema rigidez estão pior colocadas para integrar a novidade e evoluir, como os chineses sob o confucionismo, não viram utilidade em tantas descobertas que mais tarde outras sociedades aproveitaram.

      • Miguel diz:

        e sou eu que não tenho sentido de humor, ó fnv … eheheh

      • João. diz:

        “mas não transformemos a CRP num texto sagrado e os magistrados do TC em ayatollahs.”

        – é você, os governistas e a malta do governo que o fazem. Os demais apenas tratam a Constituição como aquilo que é: a Constituição.

      • caramelo diz:

        XisPto, nunca vi ninguém conseguir condensar assim tão bem, em cinco linhas, mais de dois mil anos de história, desde o Confúcio até ao juiz Sousa Ribeiro, passando pelo Maomé, o Fernão Mendes Pinto e o Galileu.. Descobriu o confusionismo. Os do blasfémias são mais básicos, põem uma fotografia de um ayatollah e vivó velho.

      • XisPto diz:

        Caramelo, também tenho os meus passatempos, mas creia que nem eu, nem vc, se me permite, adoramos Hayek.

      • caramelo diz:

        O Hayek? Pôças, antes o Meneses.

      • XisPto diz:

        João: não me deturpe, já escrevi lá cima que acho que as decisões do TC respeitam a constituição, ponto. Quanto ao texto sagrado, é só uma metáfora, podia ser a dos tipos da ilha da Páscoa que continuaram a esculpir estátuas enquanto consumiam todos os recursos e se extinguiam como sociedade…

      • fnvv diz:

        Mas não há uma solução política? Claro que me lembro bem ( não gostam que eu recorde, azar…)do Manuel Alegre a brandir a CRP contra existência de TV privada e a anunciar o apocalipse.

      • caramelo diz:

        Por falar no Hayek, tenho de ir ao insurgente ver como param lá as modas acerca daquilo do shutdown na américa. Deve andar por lá uma grande excitação com o minarquismo, com o estado a mirrar e tal. Ou não. Os mercados estão um bocado assustados, né? Fica confuso. Há um tempo atrás, ir lá discutir estas coisas era como tentar convencer alguém de uma seita religiosa que o mundo não começou às seis da tarde do dia 30 de Agosto de troca o passo, uma tarefa inútil. Hoje, deve ser mais divertido.

      • fnvv diz:

        os chineses estão sossegados ( têm 80% da dívida americana, né?)

      • XisPto diz:

        Caramelo, os insurgentes lamentam que a n/ CRP preveja o regime de duodécimos. Se isso não sucedesse, como nos states, os cortes na despesa eram feitos no… orçamento, veja bem como os americanos são estúpidos. Já os nossos deputados são espertos, violaram em todos os orçamentos do regime democrático a disposição constitucional que “aponta” (não digo “comanda” como o Jerónimo) para o equilíbrio orçamental, mas não são responsáveis pela bancarrota.

      • fnvv diz:

        ninguém é, ou melhor são sempre os outros, os maus, os capitalistas, a Merckel etc

      • caramelo diz:

        XisPto, os duodécimos evitam a paralisação do estado e asseguram a sobrevivência de muitas familias e isso, por definição, é bom. Nem com todas as piruetas dos insurgentes se prova o contrário e olhe que eles esforçam-se bastante. A economia americana, o mercado, também se ressente com isso e por isso motivos para festejar são abaixo de zero. Não são “os americanos” que são estúpidos, são os seus legisladores. “os americanos” têm-se queixado bastante.
        Em contra partida, os americanos têm no seu sistema uma coisa boa: a possibilidade de negociação do teto da dívida pública. Isto é, se existir por lá sanidade mental, nunca vão à bancarrota. Não são mais virtuosos, coisa que se exige aos nossos, são mais espertos, basta que aproveitem e não surjam uns tarados a boicotar. Isto faz com que toda a gente lhes empresta carradas de dinheiro barato. Por exemplo, a nível estadual, a Califórnia faz com que Portugal pareça gerido como se fosse a tesouraria do convento das carmelitas, e no entanto, aquilo continua a funcionar. Não é um problema de Portugal versus América, é um problema de UE versus America, um problema de sistemas e perceção de sistemas. Pode até a economia da UE ser mais pujante, criar mais emprego e riqueza, vai dar ao mesmo. Qual é a atitude das agências de rating e dos bonzos do FMI em relação ao que se passa na América? Pois…

      • caramelo diz:

        Já agora, lá, como cá, também não falta quem ache que os funcionários públicos são uns malandros, têm demasiados benefícios, que o estado é um monstro, etc. Mas alguém imagina um grupo de men in black do FMI a entrar na Casa Branca como se estivessem em sua casa, a exigir cortes as pensões aos funcionários públicos deles? É ficção científica da boa, para o Philip K. Dick. Até o mais hayekiano corria com eles a dar-lhes com a constituição na cachimónia. Não havia cá história de “as coisas são como são”. É uma questão de amor próprio.

      • fnvv diz:

        olha, sem propósito: 24ª mulher morta ontem. Uma questão de visibilidade do fenómeno…

      • caramelo diz:

        Filipe, vem a propósito, tudo bem. Espero que pelo menos o Estado nunca deixe de apoiar as casas de acolhimento de mulheres maltratadas.

      • fnvv diz:

        Sim, sem dúvida, e espero que não se passe do tapar o sol com a peneira para a “culpa é da crise”.

      • Filipe, isso já sucede (culpar a crise pela violência doméstica). Em certos casos, eu posso compreender que alguém roube porque está desempregado, sem dinheiro e precisa de meter comida na boca dos filhos; que parta a cara à mulher e/ou aos filhos por causa disso, não.

  6. Carlos C. diz:

    Se as regras da Constituição fossem simples como as do Código da Estrada (vg, passou a velocidade máxima, é multado e ponto final) tudo seria muito mais fácil. Mas, pela sua própria natureza a Constituição tem inúmeras normas de interpretação muito complexa e não está isenta de contradições. Para tanto, basta “tentar” ler as frequentes declarações de voto dos juizes do TC. Com um pouco de ironia poder-se-ia dizer que na nossa Constituição se pode encontrar tudo e o seu contrário. Claro que é para ser respeitada, mas a questão mais subtil é saber se no trabalho de interpretação é legítimo defender a Constituição da própria Constituição, como muitos dos meus amigos juristas da “esquerda profunda” defendem. Se algum dia o texto for alterado por uma maioria de partidos, significará que a contabilidade custo/ benefício começou a dar resultados diferentes. Enquanto o texto não muda, aguentem.

  7. XisPto diz:

    Caramelo, já estamos muito longe da “debilidade intelectual/moral”, mas quando o “pensamento único dominante” se intromete novas vias na conversa se abrem. Não me parece que estejamos verdadeiramente em oposição sobre o essencial e o meu ponto é que vejo o shutdown americano como uma evidência de que a questão orçamental federal nos USA não é varrida para baixo do tapete no que contrasta vergonhosamente com a n/ prática, apesar da CRP… A questão dos duodécimos é, evidentemente secundária, e confesso a m/ ignorância sobre se não existirá mesmo ao nível dos estados. Totalmente de acordo sobre a diferença entre o modelo monetário/orçamental incompleto da UE versus o modelo USA, e é essa a armadilha em que fomos apanhados. Quanto às agências de rating e o mercado financeiro internacional, não o acompanho, é mesmo o que é, quer se goste quer não, portanto aqui não vale a pena argumentos e moralidade sobre a justeza disto ou daquilo. Era assim quando nos endividamos e assim continuará, exterior às soberanias nacionais, e é isso o que lamentam muitos, que consomem narrativas de diabolização dos mercados, olhe que quanto à natureza do mercado, o Marx e o Hayek não estão assim tão distantes, salvo que um queria acabar com ele…

  8. caramelo diz:

    As coisas não são como são, não. Quer ver como não são o que são, sem sequer entrar em coisas mais complicadas como a regulação do mercado financeiro e das agências de rating e entrar só na auto-regulação dos estados e instituções que deles dependem? Os governos terem juízo, Bruxelas ter juízo, deviam ter começado por ter juízo quando “desenharam” o euro e nas atribuições do BCE. o FMI (que é pago por todos nós) ter juízo, mais compreensão de como o mundo funciona, para evitar becos sem saida (isto é, mais competência), etc. um só exemplo: os investidores privados assustam-se como as crianças. Se um politico populista ou um técnico anónimo num relatório disser que existe risco de um estado não pagar dívida, ou tratar povos e governos como irresponsáveis gastadores, os juros sobem em flecha ou fecha a torneira.
    A Grécia está num estado miserável e à beira da desagregação. O que fazem as instituições europeias? Os amigos do Sócrates tentaram convencê-lo a que não bebesse a cicuta; estes empurram a cicuta aos gregos pela garganta abaixo, como se fosse um purgante para lhe limpar a sujidade das entranhas. Ainda ninguém lhes explicou uma coisa que não sabem porque são burros: não estão exatamente a ser severos com os gregos, estão é a dar cabo do condomínio todo.
    Quanto às agências de rating, bem, no dia em que a standard and poors tenha a ousadia de descer o rating do estado americano (ou da general motors…) para lixo, entram os federais por ali adentro e até os móveis levam presos. Mas não lhes toca a eles. É que existem de facto suspeitas, mais do que públicas, que eles gostam de fazer jeitinhos. Portanto, isso do “é o que é”, é relativo.

    • XisPto diz:

      Caramelo, não estamos a falar do mesmo. O mercado financeiro internacional é o que é, extranacional, emprestam dinheiro a quem entendem, nas condições que entendem e que o devedor esteja disposto a aceitar. Aqui não há fretes políticos nem diplomacia evse não se pagam dívidas acaba o crédito. Esta realidade irrompeu pelo nosso dia a dia e é preferível aceitá-la como é e agir em conformidade. Ao contrário, a construção institucional da UEe do euro é uma realidade multinacional e reflecte a realidade histórica da Europa. Os que lamentam o caracter incompleto do euro/orçamento, como a teoria explica e os USA comprovam, por vezes são os mesmos que criticam a perda de soberania… Fomos longe, vamos por a casa em ordem para novos avanços, esperemos que não exista uma regressão dramática. Como vc disse lá acima, temos o sol da Califórnia, mas não temos os fluxos financeiros federais, mas não vamos impor isso aos alemães sem um alinhamento prévio davdisciplina orçamental. Quanto à crítica às agências de rating talvez tenha razão, mas essa é a discussão mais destituída de sentido a que já assisti. Se os tipos que têm dinheiro para emprestar acreditam nas suas análises sou eu, devedor, que os vou convencer de que as suas classificações estão erradas?

      • caramelo diz:

        XisPto, estamos a falar do mesmo, porque eu estava a responder-lhe. Antes de mais, há séculos que existe mercado financeiro internacional. Os Fuger criaram um império financeiro a financiar estados. O que não impede que o mundo tenha dado muitas votas desde então, que tenha havido estados bem sucedidos e outros menos bem sucedidos, porque existem outras coisas mais para além dos financiadores, desde e meteorologia à… politica, o governo. Eu quando falei em “juízo” devia ter concretizado. Ter juízo é o governo não tomar decisões que conduzam à recessão, seja em matéria fiscal, seja outras, porque em recessão não se pagam dívidas. Esta sim, é daquelas coisas que “são o que são”. Outra forma de ter juízo é a mutualização da dívida, acordada entre os estados da união. Por aí fora. Há muitas formas de pagar divida, umas mas fáceis, outras mais difíceis, e outras impossíveis, mais rapidamente, ou mais lentamente, e nem tudo isto depende dos bancos.. Se um investidor se sentir confiante, empresta mais e mais barato. Depende das garantias oferecidas, e a confiança é aqui fundamental. isto é o básico do crédito e aprende-se a um balcão. Mas também me diz que até isto, a politica, seja as decisões de cada estado, seja das instituições supranacionais, “é o que é”, e eu fico sem perceber nada. Como assim? Não é o que é, é o que fazem, que isto não é religião, é politica. O XisPto, tenha ou não o poder de chegar ao pé do Passos ou da Merkel e dar a sua opinião, ainda tem pelo menos uma opinião de como as coisas devem ser feitas, ou não? Pelo menos isso. E a coisa mais deprimente e fatalista que já li, sinceramente. E porque é que a discussão sobre as agências de rating não tem sentido? Não posso eu, mesmo sendo um pobre caramelo anónimo, dizer o que penso disso e até defender a sua regulação e mesmo uma investigação às suas atividades? Se isso depender da minha capacidade de ir a Frankfurt ou às bahamas convencer investidores, bem posso ficar caladinho. Eu já nem falo do exercício da democracia, é que assim, já nem sequer posso mandar bitaites sobre as táticas do Jorge jesus. Não é que me apeteça, mas é bom ter essa faculdade à mão.

    • XisPto diz:

      Depois continuamos. Sugiro, para não ficar a imagem dos dois jarretas dos marretas, uma diversão à custa dos insurgentes que tanto o divertem… e o nosso amável anfitrião também apreciará quando um economista tropeça num psi:

      http://oinsurgente.org/2013/10/04/da-liberdade-de-escolha/#comments

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