Grau zero.

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Por fim o Expresso descobriu a “Fátima Pinheiro”!!!… Assim mesmo, com aspas excêntricas, exclamações em barda e um amor incontido pela Nossa Senhora. Vale a pena pousar os olhos nos seus textos de rara perspicácia crítica. Seguem os morceaux choisis.

A propósito de Soares, num tom intimista:

Em sua coluna semanal, Soares disse ontem, entre outras, uma coisa muito grave. E mais: em patamar hegeliano lavou as mãos à Pilatos. Quis entregar o destino deste Governo nas mãos de um “ódio”; e, de passagem, qual Cassandra impune, quis prognosticar uma tragédia. Ele é um dos pais da nossa democracia. Tal como Sócrates o foi da Filosofia. Mas não chega dizer “Conhece-te a ti mesmo!”. O homem da “Alegoria da Caverna” esteve na praça pública até ao fim. E sem se reduzir a falar quando muito bem lhe apetecia, ou a farpadas (des) oportunas. Cada vez que Sócrates discursava era mesmo para uma vida “melhor”. Como Manoel de Oliveira que, nos seus quase 105, cada filme que corre é de se lhe tirar o chapéu. 

A propósito da “Marcha da Vida”, tão injustiçada pelos jornais:

Ontem foi em Lisboa a Marcha pela vida. Da vida desde o princípio. Da vida que a gente sabe muito bem quando começa. O que às vezes se passa é que ela tenha acontecido sem previsões, ou sem que o tenhamos querido. E é preciso fazer contas. Ou foi um feito “sacana” que me violou. Ou porque beijar é bom, e as coisas se desenvolveram. Atire quem quiser a primeira pedra. Eu não chuto para canto, não me iludo. Mas, neste caso, há uma outra pedra, preciosa: algo que acontece, uma novidade está no meu útero, e que não me pertence. Pertence a quem, perguntava eu noutro dia aqui  a Stobbaerts. Ele: ao Mistério da vida. Sim. Não fui livre de nascer, não sou livre de morrer. Não éramos muitos: cerca de 500 os da “Caminhada pela Vida” , na Av. Da Liberdade. Iniciativa promovida pelo “Um de nós”. Mas o que interessa, muitos ou poucos? A vida vale o mesmo. Foi mais um gesto a notificar. A dizer “like”. Fui por “mim”. E a minha vida? É a partir desta pergunta e do que me interessa,  que posso ser o que sou, o que fui, e o que serei. O que ando aqui a fazer? A queimar tempo? A resposta está na minha cara e é para gritar; e precisa do meu cabelo. Há duas coisas que detesto na vida: baratas e os meus cabelos brancos. Mas encontrei um segredo, uma bomba, um milagre e sou feliz. (…)

Em 28 países circula a petição à EU para que Parlamento Europeu reconheça a proteção do embrião humano.  A iniciativa, da sociedade civil, conta com o apoio da Conferencia Episcopal Portuguesa, que hoje nas missas vai promovê-la, aconselhando à assinatura . Eu digo que sim. Porquê? Como já aqui sublinhei – em “Espermatozóide e óvulo encontram-se: ‘as estrelas que esquecemos de contar” – , quem não está na posse de todos os dados, com que legitimidade pode “mexer”, isto é, interferir num processo vital, do qual, em última análise, desconhece os contornos? A dignidade desse “algo” que é “grão de areia” – e um dia uma pessoa, e um dia, se for o caso, pessoa em estado vegetativo – vem desse excesso de ser, desse caráter misterioso que o torna intocável, sagrado. O ontológico precede, como sempre, o ético. Não se toca porque não nos pertence, é um “dado”. Um “dom”.  Aqui, também, os cuidados seguramente sábios e paliativos de toda a Ciência, e Técnica; mas ao serviço da pessoa, e não em função de outras urgências, menos humanas. Que se argumente: a dignidade da pessoa humana vem da autonomia ou é o contrário?

O que seria eu sem a Carlota? As baratas? Mata-as o Xico. E o cabelo branco, esse, não tem preço. Sou vaidosa, marquei o cabeleireiro para aquela hora. Graças a Deus e ao não gostar dos meus cabelos brancos. Nasci assim. O resto? “É mar e tudo o que não sei contar”.

A própósito da China, em registo cultural:

Hoje é o Dia Nacional da China. Os meus Parabéns! Escusam de ler o resto do post. Era mesmo só para dar os Parabéns, dizer umas palavrinhas e dizer “até ontem” (a celebração foi ontem)… Gosto das pessoas. E dos Países. De Espanha nem bom vento, nem bom casamento. Não sei. Sei que da China, que hoje celebra o seu Dia Nacional, não conheço nenhum Provérbio. Sei que o Centro Cultural de Belém foi há semanas inundado, e bem, pela Ópera de Beijing. A nossa pergunta: duas culturas distintas, para um mundo de paz e prosperidade? Uma “letra” dos BRIC e não o pouco que se conhece, dos bric à brac que todos conhecemos? Quem me manda esta filosofia barata? Eu, orgulhosamente. Só. Cinco mil anos de cultura, uma vida, uma história. Portugal “entrou” “lá” quando os nossos navegadores levaram tomate e abacaxi, e deram a conhecer, “cá”, Chá e Porcelana Chinesa. E pela Europa toda.Avançando um “pouquinho”, dá-se em 2005 entre os dois países uma Parceria Estratégica Global.

Sobre Machete e o “quarto poder”  devemos ler por extenso a prosa fecunda que a autora ataviou. Reproduzo apenas o parágrafo em que “Fátima Pinheiro” se queixa dos media que lhe proporcionaram o púlpito de onde nos assombra:

Ele há tanto por “desbravar”, José. Não é para ser diferente daquilo que os Media fazem lá fora ( e até há aqueles de referência…). É para sermos melhores. Eu ainda acredito nisto.Sei lá…lembrei-me agora.

Ah, sim. Os meios de referência.  Quem mais nos pode salvar da mediocridade?

Luis M. Jorge

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56 thoughts on “Grau zero.

  1. fnvv diz:

    a organização das ideias,a sintaxe e as indignações são muito semelhantes às da enorme MTA.

  2. p D s diz:

    a mim parece-me que o tom é mais : MRP !

    (se calhar até pode tar mais proximo das “Sombras” …aos 50…mas não li..pelo que é memo a MRP que me vem á cabeça)

  3. O Expresso está por tudo! É mesmo o grau zero.

  4. p D s diz:

    (e se calhar tb a MRP foi á marcha!??!?! …é que como isto anda já não nada me espanta
    …)

  5. Miguel diz:

    Genial! Melhor que o Abominável homem das neves, o Lord Spade, o Arquitecto Saraiva, ou a Maria (makes me laugh) … (e ainda não fui ver in loco)

  6. caramelo diz:

    Eu ainda só tinha lido uma dessas crónicas da senhora e ficou-me na cabeça esta: “As baratas? Mata-as o Chico”. Não sei porquê, colou-se-me aqui aos neurónios, como pastilha elástica, fossilizou, e agora só com uma lobotomia é que sai. Para mim é um clássico instantâneo imorredoiro.
    Pode-se fazer aqui apreciações sobre a cara das pessoas e o cabelo, Luiis Jorge?

  7. sílvio silva diz:

    Sócrates, o homem da alegoria da caverna…

  8. caramelo diz:

    A senhora, com aquele cabelinho escorrido e casto, à Madame Jonet, e aquele sorriso, parece mesmo a Nossa Senhora depois de fumar umas ervas. Ou alguém lhe está a fazer cócegas lá em baixo. O Chico é maroto. Esqueci-me de dizer que ia blasfemar.

  9. mdsol diz:

    E escreve esta senhora num “orgão de referência”. Crise também é isto!

  10. Não digam mal das pessoas que as pessoas ficam chateadas. Metam os olhos no injusto linchamento público de Valter Hugo Mãe.

  11. Carlos diz:

    Vou de manhã ao «Meditação na Pastelaria» e fico a saber que o eurodeputado Nuno Melo organiza um festival em Bruxelas com «O Melhor de Portugal», com grandes artistas da praça como o grupo «Mamano & Bailarinas». Chego ao D&Q e o Luis descobre uma senhora que escreve num jornal de referência, abordando temas complexos como a IVG com pérolas com esta profundidade:«Há duas coisas que detesto na vida: baratas e os meus cabelos brancos. Mas encontrei um segredo, uma bomba, um milagre e sou feliz».
    Logo à noite há uma entrevista ao PM e estou com um certo receio…

  12. Assim, de repente, a D. Fátima Pinheiro parece-me exemplar único. Recomendo que se preserve.

  13. Ana Cristina Leonardo diz:

    Quem é esta senhora? Isso é que eu gostava que alguém me esclarecesse.

  14. Antonio Almeida diz:

    Há anos que não compro o Expresso. Deus me guarde nestes raros momentos de sanidade.

  15. Pedro diz:

    Francamente acho que isto ultrapassa todos os limites, Luís. Já não bastava ter inventado a “MTA” agora inventa outra personagem ainda mais absurda e dá-se ao trabalho de criar páginas fantasma para denegrir um jornal sério e de referência como é o Expresso? Este tipo de graçolas não ajuda em nada a que os mercados tenham confiança em nós. Apesar da gravidade das suas acções fiquei curioso com a foto. Há um filtro Jonet para Photoshop?

  16. josé serra diz:

    a escrita da senhora tem o seu quê de humor, tão necessário nos tempos correntes. e testou a nossa atenção com aquela armadilha da «alegoria da caverna» ser socrática. no mais, é do calibre do pasquim que lhe dá relevo. deixei de o ler há coisa de 10 anos e não estou arrependido.

  17. Sempre de olho nas donas de casa, Luís. Bem, cuidado com o Chico.

      • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

        Caro Luís, esta grande senhora é licenciada em Filosofia pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Lisboa, amiga dos seus sucessivos capelães, ainda mais amiga da jornalista Aura Miguel (a especialista em Papas, da Rádio Renascença) e pratica de maneira entranhada o adágio do Evangelho: «felizes os pobres de espírito, pois será deles o Reino dos Céus»…

      • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

        Caro Luís, graças ao Miguel creio ter compreendido o circuito da FP (Fátima Pinheiro, não tresleia p.f.): “Espesso” por cortesia de João Carlos Espada e “Púbico” por fineza de Jorge Wemans (cunhado daquele).
        O vosso Pedro Picoito que se acautele,
        Fernando (Horácio-Curiácio) Ferreira

      • O Espada manda? Ó diabo.

  18. A pedido de várias famílias, o blogue de Fátima Pinheiro: http://100mim.wordpress.com.

  19. Miguel diz:

    http://100mim.wordpress.com/2011/12/30/o-coelho-de-2012-passas-ou-nao-passas/

    Ora aqui está a resposta: as Passas, o Coelho, a Caverna e o Platão … (entre outros, isto não é bom para a saúde; e reparem: outro orgão de referência)

  20. Vós sois uma cambada de esquerdalhos apostados em destruir o país….é o que é ! Se não fosse o Soares e a esquerda trauliteira a fazer greves o país hoje estava muito melhor. Vocês só sabem debochar quem, com altos valores morais e cristãos, tenta elevar o nível cultural do país. Um dia destes vou desancar-vos no meu blog da Palavra do Senhor. Depois de ter zurzido a Fernanda CÂncio e o Sócrates e o Soares e as bestas dos estivadores e do Vasco Lourenço…acho que agora vos vou zurzir também…

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