Contratempo ( XXV)

O furacão que nos assola tem o mérito de desnudar os feitios  e os modos. Hoplitas dos valores e da honra aterram no lodo, como a árvore  que é arrancada pela ventania e depositada no telhado de um desgraçado. Boa altura para recordar  o incrível Restif de La Bretonne ( autor de um interessante projecto sobre a prostituição) e a sua história de campónios pervertidos.

Ursula  e Edmond, os irmãos camponeses,  chegados à cidade, encontram Gaudet, o diabo ( projecção de Restif). A degradação moral é lenta,  mas segura, sob o ensinamento de Gaudet: É preciso gozar todas as doçuras da virtude,  unidas a todas as vantagens do vício.

Esta regra do terrível Gaudet é actual. De que outra forma entender os campónios pervertidos que  se lamentam todo os dias da podridão que lhes rói os ossos?

FNV

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2 thoughts on “Contratempo ( XXV)

  1. vortex diz:

    de Restif conheço ‘les nuits de Paris’ por causa dum estudo sobre o séc XVIII.
    a condição humana deixa todos ao nível do lixo, mas alguns conseguem tomar banho e vestir roupa lavada

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