Há mais coisas, Horácios

ib-hamlet
Estava aqui a pensar como trazer-vos a petição “Um de Nós” e a famosa marcha silenciada do 5 de Outubro, mas o Luís antecipou-se com o historial da (para mim até agora incógnita) Fátima Pinheiro. Sim, também fui um dos mil – soa épico, mas é verdade – que desceram a Avenida da Liberdade e dos quais ninguém fala. Em minha defesa, só posso jurar que não tenho nada contra baratas, não pinto cabelos brancos e não albergo visões conspirativas do silêncio. Sei que o activismo cansa. Sei que a eficácia de mobilizações periódicas sem um objectivo definido é escassa. Sei (ou acredito) que não haverá nenhuma alteração à lei do aborto tão cedo, talvez durante uma geração.
Dito isto, há mais coisas no céu e na terra do que sonha a vossa vã filosofia, ó comentadores do post. A petição “Um de Nós” poopõe-se reunir milhão e meio de assinaturas, em todos os países da União Europeia, para que o Parlamento Europeu legisle sobre o uso de embriões em experiências científicas. Até agora, já recolheu cerca de um milhão e cem mil, pelo que será a segunda petição popular a chegar a Estrasburgo (a primeira foi sobre o direito à água). O Papa e várias Conferências Episcopais dos países-membros, entre as quais a portuguesa, apoiaram-na de forma pública. O tema é da maior actualidade política. Quando tão acrisoladamente se lamenta a demissão cívica dos europeus, eis que uma iniciativa da sociedade civil mostra que alguns ainda pensam e agem à escala do Velho Continente.
Mas os vossos comentários, e foram meia centena, não descem a tais minudências. É mais fácil falar de baratas e do cabelo da senhora, não é, Horácios?

PP

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17 thoughts on “Há mais coisas, Horácios

  1. fnvv diz:

    Atenção que o Luís trouxe a senhora inteira ( sintaxe, lógica, cultura) . Não vale reduzi-la à marcha.
    Horácio

  2. Não tresleias os posts, Pedro. E poupa-nos ao teu paternalismo. Mesmo disfarçado

  3. Miguel diz:

    Nós os comentadores estávamos a comentar a ” qualidade” da argumentação e não especificamente a bondade das causas que a senhora invocou.

  4. Miguel diz:

    perdão, onde no meu comentário acima se lê “comentadores” devia estar “Horácios”. Obrigado e desculpe (ou vice-versa).

  5. caramelo diz:

    Eu não comentei a marcha, só as baratas e o Chico e o cabelo. Fiquei distraído. Até os temas mais sérios devem ser apresentados de forma credível, articulada e inteligente, senão não é humanamente possível pensar em mais nada para além de “mas de onde saiu esta agora?” Ou “baratas? Quais baratas?” Já o post do Pedro esclarecendo sobre a marcha não me suscita nenhum pensamento sobre insetos e penteados. Por exemplo, se aparecer um tipo do bloco a fazer uma crónica sobre o.. sei lá, aquecimento global, e disser As baratas? Mata-as a Cátia Vanessa, e com uma fotografia com piolhos a saltarem-lhe da cabeça, estraga tudo. A causa já tem um milhão e tantos, e foi logo o grande semanário português de referência (cof) escolher esta particular apoiante para o comentar? Azar.
    Caramelo, Horácio e meio.

    • ppicoito diz:

      Talvez, mas era escusado trazer a Cátia para a conversa.

      • caramelo diz:

        Isso… eu agora ia aqui dizer uma coisa sobre o Chico e a Cátia, mas não queria abusar da vossa paciência.

    • Miguel diz:

      Até porque a nossa competitividade económica na arena global depende da especialização e aproveitamento das vantagens competitivas. E os artigos da Fátima são concorrência desleal ao Ricardo Araújo Pereira que é um profissional sério e escreve num outro orgão de referência.

  6. Compreendo que, sendo conservador e de direita, o gesto elegante de ignorar as Horácias desta vida se destine a punir em exclusivo os viris Horácios do dolce far niente por todos os males do mundo. Permita-me, contudo, que reclame para mim e demais Horácias alguma da responsabilidade nesse desvario colectivo de esquerda ausente das grandes marchas históricas.

  7. manuel.m diz:

    Sobre certas questões é um dever de cidadania tomar posição, seja a favor ou contra, pois o avestruzismo não é moralmente aceitavel. Foi o que fez participando naquela que chama de marcha dos mil, e por isso aqui fica o meu muito irrelevante cumprimento.
    Lembre-se sempre do que disse Gandhi : “Even if you are a minority of one, the truth is the truth.”

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