Satisfação

Exceptuando uma pessoa com dificuldades  de expressão,  até agora , nos blogues, ninguém gozou com a estatística de 25% de casos de sofrimento psiquiátrico em Portugal.

O pior é o resto: há muita gente  a precisar de ajuda e não a  pode pagar ( medicação, terapias, deslocações etc).

FNV

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30 thoughts on “Satisfação

  1. Joaquim Carlos Santos diz:

    Ultimamente, tanto eu quanto a minha mulher, ambos desempregados de longa duração, sentimos que estamos a enlouquecer. A sensação é a de quem se deixa ir na corrente, sabendo que nos afogaremos, mas com uma sensação completa e limpa de libertação completa.

    Procuro escrever, raciocinar, pensar como um desalmado para sentir que estou vivo e ainda valho alguma coisa a meus próprios olhos, ironizando à Esquerda e à Direita.

    Sei que não gostas de mim, mas insisto em desabafar diante do teu Muro Lamentável. Faço o mesmo com o meu gato e as pedras e eles entendem-me perfeitamente, na sua eficácia de coisas e quase gente.

    Tu não existes, FNV, lamento recordar-to. És somente uma coisa em forma de texto intermitente que às vezes acontece-me ler e parece que posso comentar, quantas vezes com baixo nível e só para te mostrar que não existo, tal como tu.

    Boa noite.

  2. 25% equivale ao bagulho que se retira do lagar depois do pisar das uvas para obter o líquido que, após a fermentação, será vinho.

    Por exemplo, que estamos no tempo, desde que bem tratado.

  3. João. diz:

    Estivem em Portugal de férias em Setembro e fiquei impressionado, nas livrarias que visitei, com a miséria das secções de psicanálise. Dois ou três livros de Freud e é isso. Não se vê mais nada, nem de Freud nem de outro autor do campo. Habituado às ricas secções de psicnálise aqui no Brasil Portugal pareceu-me, a propósito desta matéria, um país realmente atrasado.

    Em Portugal ainda se sonha regressar ao pensamento escolástico:

    http://novacasaportuguesa.blogspot.com.br/2013/10/noemas-de-filosofia-portuguesa.html

    • Mas afinal qual é o problema da escolástica? Perde em alguma coisa para a psicanálise freudiana ou lacaniana? Se ainda se falasse do Jung, mas mesmo esse, era mais próximo de um pensamento místico do que da “peste” psicanalítica de Freud.

      • João. diz:

        A escolástica não tem problema nenhum. O problema, a meu ver, está nos que querem retornar às verdades escolásticas como se Kant e Hegel nunca tivessem acontecido. Hoje não é possível operar esse retorno sem recurso ao fanatismo que nunca foi amigo da filosofia.

        Por outro lado, liberta a mente deste constrangimento, da denegação de trabalhos como os de Kant e Hegel, só para falar nos mais evidentes, a escolástica pode retornar como um momento da história do pensamento e do conceito e inclusive indirectamente revitalizar alguma coisa da contemporaneidade através do que lá permanece vivo e questionante. Apenas não o consegue fazer directamente sem fanatizar o pensamento.

  4. Olha lá ó espertinho!: em vez de andares a sonhar com o Freud, dirige-te directamente a mim em vez de andares a dizer mal de Portugal e da Escolástica… e depois não venhas chorar a dizer que a sessão de psicanálise te deixou em estado de choque!!!

    • João. diz:

      Porque razão me hei-de dirigir directamente a ti? Eu sei lá onde tu andas. Encontrei o teu livro aqui no Brasil, folheei-o, li um pouco, tirei-lhe a pinta e, pela tua reacção, parece que não me enganei.

      Dizer mal da tua proposta é dizer mal de Portugal, é isso?

  5. Porque eu adoro dar umas tapas em espertinhos como tu. O livro fez-te comichão, foi? E depois a pinta é no teu cu!!! E se queres dizer mal de Portugal, como expressamente fizeste só porque – coitadinho – estás habituado às ricas secções de psicanálise no Brasil, é porque não passas de um ignorante que devia estudar em vez de andar a dizer mal do que quer que seja.

    Entretanto, vê lá se aprendes alguma coisa com Álvaro Ribeiro sobre a Escolástica:

    «A parapsicologia faculta os melhores argumentos de uma apologética baseada na verdade central do Cristianismo que é a doutrina da imortalidade da alma, ou, melhor, da imortalidade do homem. As bem-aventuranças do “Sermão da Montanha” aludem a outro mundo, o da graça que completa a natureza, o da liberdade que completa a lei, mundo novo que só pode ter verdadeiro sentido pela remissão dos efeitos do pecado, e até do próprio pecado. Se a apologética não estiver centrada nesta crença e nos respectivos artigos de fé, a teologia contemporânea será incapaz de compreender, assimilnado e vencendo, as doutrinas de Marx e de Freud no que elas substituem, pelas teses de alienação e superestrutura, como pelas teses de transferência e sublimação, as verdades cristãs da liberdade e da graça (in «Filosofia Escolástica e Dedução Cronológica»).

    De resto, estudar não é folhear nem ler um pouco. É pensar com nobreza e elevação para não termos de gramar psicanalistas BURROS como TU!!!

    • João. diz:

      O problema com a citação de A. Ribeiro aqui em jogo é que uma vez trazido o conceito de graça nada impede que Marx e Freud possam ser tomados por quem quer que seja como dádivas da graça de Deus e isto sem que a negação desta possibilidade, presumida na posição de Álvaro Ribeiro, não seja ao mesmo tempo a presunção de dominar aquilo que por sua mesma definição é misterioso e livre de qualquer constrangimento, inclusive político e ideológico: a graça divina.

      • O problema aqui é que tu nem sequer consegues interpretar o que Álvaro Ribeiro escreveu; e depois pressupor que Marx possa ser tomado como uma dádiva de Deus é uma loucura de bradar aos céus; Karl Marx era um satanista como bem mostrou Deirdre Manifold em ‘Karl Marx: True or False Prophet ‘(Galway, 1985), assim como também o revelou Richard Wurmbrand, em ‘Marx and Satan’ (http://www.scribd.com/doc/31067286/Marx-and-Satan-Richard-Wurmbrand)

        E já agora, o comunismo com todos os seus monstruosos crimes, também é uma dádiva de Deus? Ora vê lá aqui (http://liceu-aristotelico.blogspot.pt/2012/06/as-atrocidades-do-comunismo.html).

        O teu problema é o ateísmo que, como dizia Álvaro Ribeiro, é uma forma de analfabetismo. E é precisamente porque não sabes o que é a Escolástica que dizes os maiores disparates sobre a Graça divina. E quem diz a Escolástica diz também a filosofia clássica onde deparamos com o verdadeiro estudo da alma, a começar por Aristóteles.

        E olha que para tua informação eu jamais desprezei o Freud, e o Álvaro Ribeiro também não.

        Toca a estudar menino e não te metas com quem te dá uma lição de olhos fechados. Vai, vai…

    • E já agora aproveito para mostrar a confusão mental que perpassa na “resposta” que o chico-esperto deu à “Nova Casa Portuguesa”.

      Em primeiro lugar, nunca ninguém falou num regresso ou num retorno à Escolástica como se Kant e Hegel nunca tivessem existido. Quem afirma isto, está claramente de má-fé. E é precisamente no meu livro – Noemas de Filosofia Portuguesa – que mais atenção se presta à influência da terminologia escolástica – a de Pedro Hispano, Pedro da Fonseca e Francisco Suarez – na terminologia que fora construída pela filosofia alemã no século XVIII. No livro abordo, pois, as implicações filosóficas do “a apriori” e do “a posteriori”, assim como as consequências do pessimismo e do voluntarismo de Schopenhauer, Nietzsche e Heiddegger na cultura ocidental.

      E perante isto, vem o chico-esperto dizer que o fanatismo nunca foi amigo da filosofia! E quem é aqui o fanático e o inimigo da filosofia: aquele que estuda a complexidade da questão em causa ou aquele que, sem se dar ao trabalho de estudar o que critica de um modo cego e estapafúrdio, diz simplesmente mal em nome de uma contemporaneidade reduzida a Kant, a Hegel e a Heidegger?

      Nisto, é perfeitamente compreensível que uma pessoa possa discordar do pensamento alheio quando inteirada do assunto em questão; agora, pôr-se em biscos de pés quando não sabe do que fala, só merece tapa.

      Depois, acusar os outros de fanatizar o pensamento em tais condições, só mostra que quem o faz está precisamente a personificar aquilo de que acusa os outros.

      E até te digo mais ó chico-esperto: se tu estudasses o mínimo dos mínimos para não seres um idiota, saberias que o que o teu querido Kant entendia por “comunidade humana” e “paz perpétua” é o que o governo global da ONU está agora a construir em termos jurídicos, políticos e económicos. Aprende com o Olavo de Carvalho:

      «A igualdade das culturas perante a suprema Razão kantiana é hoje um dogma imposto a todas as nações pelos pedagogos politicamente correctos da ONU. É incomensurável a bibliografia destinada a persuadir o mundo de que, por exemplo, os rituais astecas de sacrifícios humanos eram um costume tão decente quanto a caridade franciscana» («A Filosofia e seu Inverso»).

      E mais te pode ensinar o Olavo: «No caso da filosofia escolástica, toda ela inspirada por aberturas para a eternidade que nenhum condicionamento histórico-social jamais poderia explicar, isso deveria ser perceptível à primeira vista.

      Só os medíocres são filhos do seu tempo. Os sábios, os heróis e os Santos inspirados são pais dele; são canais por onde a luz da transcendência rompe as limitações do tempo e abre possibilidades que a mente colectiva, por si, jamais poderia conceber. Se a opinião corrente não enxerga isso, é porque o acesso de milhões de incapazes às altas esferas das profissões universitárias obriga hoje a conceber a História “sub specie mediocritatis”» (ibidem).

      E aí tens a razão por que o meu livro tem um subtítulo que não deixa margem para dúvidas: “Um estudo revelador de como a universidade é o maior inimigo da cultura lusíada” (http://filosofiaportuguesa.blogspot.pt/)

      Em suma: vai estudar malandro e deixa de ser hipócrita. Acorda e deixa de ser miserável sem grandeza.

  6. Deixei-te uma pequena provocação no CF,..

  7. João. diz:

    Aprende com o Olavo de Carvalho:

    – vamos lá ver o que é que se aprende com o Olavo de Carvalho.

    Ele diz:

    “No caso da filosofia escolástica, toda ela inspirada por aberturas para a eternidade que nenhum condicionamento histórico-social jamais poderia explicar, isso deveria ser perceptível à primeira vista.”

    Muito bem. Vamos pressupor que isto quer mesmo dizer alguma coisa conceptualmente e não é só paleio para disfarçar a falta de conceito.

    Qual é o conceito mediante o qual Olavo pode defender o que diz?

    É evidente.

    Que o advento de Jesus, tal como a Igreja e o pensamento dos mestres católicos o afirma, ou seja, que foi histórico e substancial, que inclusive mudou o passado redimindo o pecado original ou oferecendo um caminho para tanto, que esse advento é afinal irrelevante – uma vez que as aberturas para a eternidade do pensamento escolástico não presumem nenhum condicionamento histórico.

    Ou Jesus e a comunidade cristã condicionaram a história e o pensamento escolástico reflecte esse condicionamento ou Jesus e a comunidade cristã não condicionaram a história e então aí, sim, poder-se-á em teoria defender que o pensamento escolástico não presume nenhum condicionamento histórico.

    Ou seja, estar com Olavo é separar o pensamento escolástico do advento histórico de Cristo o que, por sua vez, é negar directamente os próprios pressupostos de todo labor escolástico sobre a Trindade. Aliás uma das grandes heranças filosóficas do pensamento escolástico é o da relação do conceito com o tempo. O pensamento escolástico não resolve este problema – lança-o.

    Claro que quem quiser satisfazer-se com a solução de Tomas de Aquino sobre esta questão, que o faça.

    Mas Tomás de Aquino, a sua solução, não chega para dizer que o pensamento escolástico não presume nenhum condicionamento histórico – porque ou o presume, aquele condicionamento específico ao advento cristão tal como o entende a religião cristã, ou terá de admitir que Cristo foi irrelevante.

    • És mesmo nabo e francamente desonesto em matéria filosófica. E provavelmente na vida. Deixa-te de cacoetes mentais e estuda o Olavo em vez de teceres parvoíces sobre o que não conheces.

      De resto, o Olavo tem ao longo da sua obra manifestado uma atenção particularmente notória no que respeita ao Mistério da Encarnação e, portanto, à relação enigmática do universal com o ser vivente e singular: «… Aristóteles viria a se tornar, dentre os filósofos gregos, o mestre predilecto dos pensadores cristãos: porque seu pensamento prenuncia, no enigma do “universal no singular vivente”, o mistério da Encarnação…» (Aristóteles em Nova Perspectiva»).

      E depois é um facto de que os escolásticos, de uma forma geral, olharam para a História do ponto de vista escatológico e não do ponto de vista de um qualquer condicionamento histórico-social… tu confundes o domínio do contingente e da história enquanto meras manifestações no tempo com aquilo a que chamas o “advento histórico de Cristo”. O teu Cristo não desce da Eternidade nem tem qualquer indício de sobrenaturalidade… Mas a Encarnação de Cristo é precisamente a manifestação divina de que o mundo em que vivemos já está subsumido na Eternidade, e que nenhum condicionalismo histórico-social jamais poderia explicar. Trata-se de um Mistério e não de uma questão meramente histórica como tu queres dar a entender. O Olavo tem toda a razão porque é inteligente e tu és um idiota que fala do que não sabe.

      E até Hegel deixara bem claro que a história só vale enquanto fenomenologia ou manifestação da “ideia” ou do “espírito” no tempo. Que a história não é nem “ideia”, nem o pensamento da “ideia”, mas apenas fenomenologia da “ideia” ou saber da manifestação da “ideia”. Logo a história só poderá ter sentido para Hegel à luz do Espírito e, por conseguinte, à luz da Eternidade.

      Tu não passas de um charlatão, de um vigarista e de um ignorante em matéria filosófica. Tu vês na obra alheia aquilo que só existe na tua cabecinha bem-pensante e desonesta. Não tens conceito, em suma.

      • João. diz:

        “Mas a Encarnação de Cristo é precisamente a manifestação divina de que o mundo em que vivemos já está subsumido na Eternidade, e que nenhum condicionalismo histórico-social jamais poderia explicar. Trata-se de um Mistério e não de uma questão meramente histórica como tu queres dar a entender. O Olavo tem toda a razão porque é inteligente e tu és um idiota que fala do que não sabe.”

        O teu recorrente uso do adjectivo “idiota” já ultrapassou muito o que se espera num debate. Claramente acordei-te do teu sono dogmático e ficaste mal disposto. Mas não te preocupes podes simplesmente voltar a adormecer..

        Mantenho os meus pontos porque tu não os refutaste, nem de perto nem de longe. Não fizeste mais do que, basicamente, apresentar pontos do Credo. Isto não é filosofia, é religião. É bom não confundir os níveis. Quando se elabora o pensamento a partir de dogmas da religião, quando o pensamento é apenas a explicação desses dogmas isso não é filosofia – é catequese ou na melhor das hipóteses teologia. Nada contra uma ou outra. Tem cada o seu lugar.

        Só não é filosofia.

  8. João. diz:

    “E até Hegel deixara bem claro que a história só vale enquanto fenomenologia ou manifestação da “ideia” ou do “espírito” no tempo. Que a história não é nem “ideia”, nem o pensamento da “ideia”, mas apenas fenomenologia da “ideia” ou saber da manifestação da “ideia”. Logo a história só poderá ter sentido para Hegel à luz do Espírito e, por conseguinte, à luz da Eternidade.”

    “à luz da eternidade” não quer dizer nada.

    O teu Hegel é fraquinho e desinteressante. É um Hegel para crianças.

    A história não é só uma espécie de tábua rasa onde o espírito imprime uma actividade sua que ocorreria quem sabe na estratosfera. Nada disso. A história, o tempo, as formas do espírito que lá se revelam reflectem-se de volta na actividade do espírito.

    Um grande exemplo disto podes tirá-lo da Ciência da Lógia no tratamento do infinito verdadeiro por contraposição ao infinito espúrio. Verificarás que para Hegel o espírito só acede ao conceito de infinito verdadeiro pressupondo o erro do infinito espúrio e é, desde logo, o conceito desse erro. Então foi preciso que o espírito concebesse o infinito espúrio para que, dos problemas que este coloca, o espírito pudesse extrair o infinito verdadeiro.

    Isto é que é um movimento absoluto – em que o erro passa a ser um momento fundamental do conceito, do saber.

    Hegel é um filósofo da imanência.

    • Pois, mas aí é que te enganas: isto não é um debate. Entraste aqui armado em chico-esperto a minorar a Escolástica com base num livro que tu nem sequer leste nem quiseste compreender. E como provavelmente não esperavas que te dessem troco, queres agora ver se transformas toda esta questão num debate académico para ver se sais incólume.

      E já depois de mostrar que tu não passas de um idiota chapado, um vigarista e um charlatão, vens agora dizer que manténs os teus pontos (vê lá se aprendes a escrever e dizes pontos de vista) e que não foste refutado. Pois não, foste é escumbalhado porque os idiotas não se refutam, desmoralizam-se quando ostentam a sua ignorância sobre o que julgam ser a obra e o pensamento alheio. Não acertaste uma, e é até confrangedor ver como não enxergas a tua pequenez e miséria mental.

      O sono dogmático!? Não me faças rir! Ainda andas no Kant e no David Hume? Isso já foi mais que ultrapassado; e já agora aprende isto de uma vez por todas: não há dogmatismo mais irredutível do que o criticismo kantino ou, se quiseres, não há decerto dogmatismo mais irremediável do que o das provisórias «verdades» científicas.

      O Credo, a catequese e a filosofia… é bom não confundir os níveis, diz o idiota; vê lá se não queres uma tesoura para recortar a filosofia da religião… e já agora onde é que tu aprendes essas coisas? Cá para mim cheira-me que é na universidade, só pode ser!

      Mas vamos ao Hegel: se a Eternidade te soa a estratosfera, põe o “Espírito Absoluto”. De resto, Hegel não é um filósofo da imanência na medida em que esta se desenvolveu mais particularmente com os epígonos de Kant, ou com quem, aprofundando o criticismo kantino, como Lachelier, rejeitou a existência do “númeno”, ou da coisa em si, material ou espiritual, para atribuir ao sujeito a criação total do objecto. Por outras palavras, o pensamento é então a única realidade em que a imanência total e rigorosa passa a ser o fundamento e a primeira verdade da qual tudo depende. E daí que a aplicação deste método tenha marcado em França o começo do idealismo praticamente adoptado por Hamelin e Brunschvig, entre outros.

      Ora, Hegel procurou restabelecer a filosofia na medida em que o kantismo, na sua tentativa para demonstrar que só é cognoscível a realidade dos fenómenos que a ciência moderna se dedica a conhecer, a tornou inviável. Mas a verdade é que Hegel, ainda assim, permaneceu no kantismo e, de certo modo, o preservou, não obstante ter querido superar as antinomias da «razão pura». Agora, dizer que Hegel é, apesar disso tudo, o filósofo da imanência, equivale a ignorar que Hegel deixou bem patente que “o reino do pensamento puro é a exposição de Deus, tal como ele é na sua eterna essência, antes da criação da natureza e de um espírito finito” («Ciência da Lógica»). Querer, pois, reduzir, pura e simplesmente, a lógica de Hegel ao domínio da imanência é daquelas idiotices que sempre se aprendem nas universidades, mas que, no fundo, não valem puto

      Vai estudar vigarista!!!

  9. João. diz:

    Isto vai ser o meu último comentário aqui, depois do que se quiseres podes ficar com a última palavra. Tu está demais na defensiva, metade do que tu escreves são impropérios e portanto, a meu ver, nada há de minha parte para aprender contigo.

    Em todo o caso, há uma coisa em que tens razão. A tua reclamação de que não li o teu livro.

    Porém devo lembrar que eu não afirmei que o li, eu comecei por apresentar o programa do livro tal como está exposto no “Nova Casa Portuguesa” e depois, explicitamente, disse que o folheei e li algumas passagens. Mas o que eu disse do programa do teu livro até agora não foi claramente refutado (podê-lo-as fazer a seguir se quiseres): que tu defendes que a matriz do pensamento verdadeiramente português é a escolástica e que na medida em que o pensamento português assimilou a modernidade e até a pós modernidade ele se desviou da sua verdadeira matriz, sendo que, portanto, e este foi o meu ponto, o que eu critiquei, caberá um retorno a essa matriz. Eu defendo que esse retorno já não é viável ou só é viável esquecendo por exemplo Kant e Hegel.

    Quanto ao teu último comentário.

    Tu dizes:

    “Agora, dizer que Hegel é, apesar disso tudo, o filósofo da imanência, equivale a ignorar que Hegel deixou bem patente que “o reino do pensamento puro é a exposição de Deus, tal como ele é na sua eterna essência, antes da criação da natureza e de um espírito finito” («Ciência da Lógica»).”

    E depois completas dizendo:

    “Querer, pois, reduzir, pura e simplesmente, a lógica de Hegel ao domínio da imanência é daquelas idiotices que sempre se aprendem nas universidades, mas que, no fundo, não valem puto”

    – Eu pergunto simplesmente isto: Deus antes da criação da natureza e do espírito finito é transcendente a quê? O que é que Deus transcende se, propõe Hegel, neste domínio só há Deus?

    Depois quanto ao kantismo de Hegel quero só citar a recusa hegeliana da coisa-em-si e sugerir como, a partir desta recusa, não há kantianismo possível em Hegel porque a coisa-em-si é fundamental não apenas para a razão teórica mas ainda para a razão prática. Na verdade a coisa-em-si kantiana ainda é uma concessão à metafísica clássica, ou seja, ele diz de facto que é incognoscível mas atribui-lhe a densidade em relação com a qual se institui no seu pensamento a necessidade do sujeito transcendental. Hegel rejeita esta susbtancialização – desde logo no início da lógica com o impasse do conceito de ser, puro ser que aliás é o que despoleta todo o movimento da exposição da ciência da lógica, não necessitando para tal de qualquer motor transcendente.

    Cito, em relação à coisa-em-si kantiana, Hegel, “Ciência da Lógica”, trad. A.V.Miller, 1969, pag. 593.

    Também passível de encontrar-se aqui:

    http://www.marxists.org/reference/archive/hegel/works/hl/hlnotion.htm#HL3_577 (§ 1310)

    “When Kant, in connection with logic comes to discuss the old and famous question: what is truth? he first of all presents to the reader as a triviality the explanation of the term as the agreement of cognition with its object a definition of great, indeed of supreme, value. If we remember this definition in connection with the fundamental assertion of transcendental idealism, that reason as cognitive is incapable of apprehending things-in-themselves, that reality lies absolutely outside the Notion, then it is at once evident that a reason such as this which is unable to put itself in agreement with its object, the things-in-themselves, and things-in-themselves that are not in agreement with the Notion of reason, the Notion that is not in agreement with reality, and a reality that does not agree with the Notion, are untrue conceptions. If Kant had considered the Idea of an intuitive understanding in the light of the above definition of truth, he would have treated that Idea which expresses the required agreement, not as a figment of thought but rather as the truth.”

    • João. diz:

      Post Scriptum:

      Só para terminar.

      “o reino do pensamento puro é a exposição de Deus, tal como ele é na sua eterna essência, antes da criação da natureza e de um espírito finito.”

      Ora Deus antes da criação é Deus de o quê? Não é da criação. Se é Deus de alguma coisa é Deus de si mesmo. Portanto é evidente para quem não pensa com as unhas dos pés que na medida em que Hegel equivale Deus à Noção do que se trata na Ciência da Lógica é da noção da noção. Tal como antes da criação Deus, se é Deus, é Deus de Deus. Deus de si mesmo, na Ciência da Lógica a noção é a noção da noção, a noção de si mesma. O desenvolvimento da exposição portanto é todo ele imanente começando com a categoria mais fundamental do pensar que é o Ser, puro Ser.

      Being.

      “Being, pure being, without any further determination. In its indeterminate immediacy it is equal only to itself. It is also not unequal relatively to an other; it has no diversity within itself nor any with a reference outwards. It would not be held fast in its purity if it contained any determination or content which could be distinguished in it or by which it could be distinguished from an other. It is pure indeterminateness and emptiness. There is nothing to be intuited in it, if one can speak here of intuiting; or, it is only this pure intuiting itself. Just as little is anything to be thought in it, or it is equally only this empty thinking. Being, the indeterminate immediate, is in fact nothing, and neither more nor less than nothing.”

      Nothing.

      Nothing, pure nothing: it is simply equality with itself, complete emptiness, absence of all determination and content — undifferentiatedness in itself. In so far as intuiting or thinking can be mentioned here, it counts as a distinction whether something or nothing is intuited or thought. To intuit or think nothing has, therefore, a meaning; both are distinguished and thus nothing is (exists) in our intuiting or thinking; or rather it is empty intuition and thought itself, and the same empty intuition or thought as pure being. Nothing is, therefore, the same determination, or rather absence of determination, and thus altogether the same as, pure being.

      Becoming.

      Pure Being and pure nothing are, therefore, the same. What is the truth is neither being nor nothing, but that being — does not pass over but has passed over — into nothing, and nothing into being. But it is equally true that they are not undistinguished from each other, that, on the contrary, they are not the same, that they are absolutely distinct, and yet that they are unseparated and inseparable and that each immediately vanishes in its opposite. Their truth is therefore, this movement of the immediate vanishing of the one into the other: becoming, a movement in which both are distinguished, but by a difference which has equally immediately resolved itself.

      Hegel, “Science of Logic”, trad. AV Miller, 1969, pag. 82, 83

      ou

      http://www.marxists.org/reference/archive/hegel/works/hl/hlbeing.htm#HL1_82

      Como se depreende facilmente Hegel é aqui desde logo incompatível com a metafísica escolástica onde o puro Ser é um puro positivo, é pleno, sem negatividade. Por isso Deus, como puro Ser, teve de criar por amor e não por lhe faltar qualquer coisa, por mor de alguma negatividade intrínseca – resultando disto também um conceito de amor que é incomunicável à inteligência do homem uma vez que este porta negatividade e será por natureza incapaz de compreender o amor divino e no caso o próprio advento de Cristo.

      O último refúgio é portanto o Mistério. Mas eu observo que o Mistério de que se valem alguns serve para muita coisa, é um não-saber que ao mesmo tempo não cessa de querer regular desde as relações do homem com o divino até as relações dos homens entre si.

      Ou seja, tirando os espíritos maiores, alguns dos quais ameaçados de heresia, a não faltam os que andam com o “Mistério” na ponta da língua ou da pena usando-o como arma de arremesso ou como um degrau para impor não apenas uma ideia de Deus mas, a propósito dessa ideia, tentar impor todo um catecismo, uma moral

      e uma política: o obscurantismo.

      • Santa paciência! Já te deste conta de que não compreendes nada do que lês? E depois só dizes baboseiras, como se o Hegel estivesse a “argumentar” contra si próprio.

        Quando cito o Hegel: “o reino do pensamento puro é a exposição de Deus, tal como ele é na sua eterna essência, antes da criação da natureza e de um espírito finito” («Ciência da Lógica»), é para dizer que a questão não se põe em termos de imanência nem de transcendência (em termos dualistas, em suma).

        O Hegel é um pensador que pensa por tríades, seu Burro. Daí que, para Hegel, a “Ciência da Lógica” constitua um todo com a “Ciência da Natureza” e a “Ciência do Espírito”.

        A primeira trata da ciência dos conceitos puros e da Ideia abstracta (logo “puramente formal”); a segunda trata do ser determinado como realidade exterior; a terceira trata do espírito como realidade da Ideia.

        Em suma: «o lógico é a essência eternamente simples em si mesma; a natureza é esta essência enquanto exteriorizada; o espírito é o retorno a si da mesma essência a partir da sua exteriorização» (in “Propedêutica Filosófica”).

        Logo, pôr a questão em termos de imanência ou de transcendência em Hegel, é pura burrice. Aliás, até em termos religiosos diz-nos Hegel que «a relação substancial do homem com Deus parece ser na sua verdade um além, mas o amor de Deus pelos homens e do homem por Deus ab-roga a separação do aquém quanto ao que se representa como um além, e é a vida eterna».

  10. Impropérios uma ova! E depois continuas, na maior cara-de-pau, a cagar sentenças sobre um livro que não leste. Escuta, Deb: eu jamais disse que a matriz do pensamento verdadeiramente português é a Escolástica; e depois admiras-te que te chame idiota e desonesto por continuares a bater na mesma tecla.

    Depois, não deves interpretar o pensamento de um autor mediante o que vês escrito por comentadores, analistas, o diabo. Deves ir ao próprio autor, o que é um preceito elementar!

    Entretanto, remeto novamente uma sinopse da minha autoria (é só uma sinopse e não o livro), assim como o prólogo dos “Noemas”: http://filosofiaportuguesa.blogspot.pt/

    De resto, atenta no seguinte: o facto de eu valorizar Aristóteles e a Tradição portuguesa, percorrendo Pedro Hispano e o racionalismo da neo-escolástica conimbricense, entre outros assuntos, não significa, de modo nenhum, um regresso à Escolástica e muito menos esquecer Kant, Hegel ou o que quer que seja. Antes pelo contrário. Quanto ao que tu defendes, deves, antes de mais, publicar um livro para tentares ganhar autoridade no assunto e depois falamos. Até lá, ninguém quererá saber do que tu defendes!

    Quanto à tua pergunta, ela é tão pueril e despropositada que não vale a pena dizer mais nada.

    Por fim, quero que saibas que o facto de ter dado umas tapas bem merecidas não te impede de no futuro, quando estiveres mais maduro e liberto de ti próprio, entrares em contacto comigo para aí, sim, desfrutarmos da verdadeira arte de filosofar; tens aqui um e-mail na parte superior esquerda do meu blog: http://liceu-aristotelico.blogspot.pt/

    Felicidades!

  11. João. diz:

    “Logo, pôr a questão em termos de imanência ou de transcendência em Hegel, é pura burrice.”

    “Hence the important thing for the student of science is to make himself undergo the strenuous toil of conceptual reflection, of thinking in the form of the notion. This demands concentrated attention on the notion as such, on simple and ultimate determinations like being-in-itself, being-for-itself, self-identity, and so on; for these are elemental, pure, self-determined functions of a kind we might call souls, were it not that their conceptual nature denotes something higher than that term contains. The interruption by conceptual thought of the habit of always thinking in figurative ideas (Vorstellungen) is as annoying and troublesome to this way of thinking as to that process of formal intelligence which in its reasoning rambles about with no real thoughts to reason with. The former, the habit, may be called materialised thinking, a fortuitous mental state, one that is absorbed in what is material, and hence finds it very distasteful at once to lift its self clear of this matter and be with itself alone. The latter, the process of raisonnement, is, on the other hand, detachment from all content, and conceited superiority to it. What is wanted here is the effort and struggle to give up this kind of freedom, and instead of being a merely arbitrary principle directing the content anyhow, this freedom should sink into and pervade the content, should let it be directed and controlled by its own proper nature, i.e. by the self as its own self, and should observe this process taking place. We must abstain from interrupting the immanent rhythm of the movement of conceptual thought; we must refrain from arbitrarily interfering with it, and introducing ideas and reflections that have been obtained elsewhere. Restraint of this sort is itself an essential condition of attending to and getting at the real nature of the notion.”

    “We must abstain from interrupting the immanent rhythm of the movement of conceptual thought; we must refrain from arbitrarily interfering with it, and introducing ideas and reflections that have been obtained elsewhere. Restraint of this sort is itself an essential condition of attending to and getting at the real nature of the notion.”

    “WE MUST ABSTAIN FROM INTERRUPTING THE IMMANENT RHYTHM OF THE MOVEMENT OF CONCEPTUAL THOUGHT (…)”

    Hegel, G.W.F., “Phenomenology of Mind”, trad. J.B. Baillie, 1967, pag. 116, 117

    • Lá porque “lês” Hegel em inglês e lanças trechos à toa sem olhar para a “concepção” geral de Hegel, isso não faz dele um filósofo da “imanência”. E não é porque pões em letras maiúsculas um trecho traduzido em inglês que Hegel passa a ser o que, impensadamente, julgas que ele seja. Afirmar uma tal coisa já não é burrice, é estupidez pura e simples.

      E até mesmo em relação a esse trecho que puseste em maiúsculas, mostra lá o original em alemão; e já agora qual é o termo que em alemão “equivale” a “Mind” (“Phenomenology of Mind”) e, se para o efeito, significa a mesma coisa?

      Mais: há uma profunda influência da dialéctica de Fichte na lógica de Hegel. A doutrina de Fichte, fundada na análise da vontade, na relação da potência com a resistência, do “eu” com o “não-eu”, adopta a “tripartição” em tese, antítese e síntese para poder explicar a variação do real. E é por isso que esta “nova dialéctica” relaciona o ser e o não-ser com o tempo. Ora, Hegel, aceitando esta “tripartição” de Fichte, acabou por transformar em tríade a sucessão temporal a ponto de “conceber” o esquema dinâmico que lhe permitiu elaborar a sua “Enciclopédia das Ciências Filosóficas”.

      Aliás, não é por acaso que a filosofia portuguesa se distingue da filosofia alemã no seguinte: enquanto a primeira põe a tónica na “Teoria da Verdade”, a segunda procura o seu fundamento numa “Teoria do Ser”. E daí este trecho devidamente pensado por Álvaro Ribeiro:

      «Entre o anti-substancialismo dos neo-criticistas franceses, e a aceitação da tríade adoptada por Fichte, Schelling e Hegel para a descrição do movimento intelectivo, perdura a secreta oposição à tradição aristotélica. Atribuíram os Alemães três momentos ao progresso do conceito, chamando-lhe tese, antítese e síntese, o que altera a terminologia escolástica da dialéctica, segundo a qual tese significa juízo afirmativo sobre a substância e antítese significa juízo negativo sobre a substância. Na admirável exegese de Henrique Bergson, tese significa ordem e antítese significa desordem. Quanto à misteriosa operação de síntese, nunca os negadores da substância puderam representá-la em termos aceitáveis de inteligibilidade lógica».

      • João. diz:

        “Lá porque “lês” Hegel em inglês e lanças trechos à toa sem olhar para a “concepção” geral de Hegel, isso não faz dele um filósofo da “imanência”.

        “The absolute method, on the contrary, does not behave like external reflection but takes the determinate element from its own subject matter, since it is itself that subject matter’s immanent principle and soul. This is what Plato demanded of cognition, that it should consider things in and for themselves, that is, should consider them partly in their universality, but also that it should not stray away from them catching at circumstances, examples and comparisons, but should keep before it solely the things themselves and bring before consciousness what is immanent in them.”

        “(…)BUT SHOULD KEEP BEFORE IT THE THINGS THEMSELVES AND BRING BEFORE CONSCIOUSNESS WHAT IS IMMANENT IN THEM.”

        Hegel, “Science of Logic”, trans. AV Miller, 1969 (Volume Two: Subjective Logic
        The Doctrine of the Notion, Section 3, Chapter 3 “The Absolute Idea”),pag 830.

        também aqui:

        http://www.marxists.org/reference/archive/hegel/works/hl/hlabsolu.htm#HL3_824

  12. Pressupor a filosofia de Hegel como a filosofia da “imanência absoluta” é apenas o plano inclinado para o marxismo. O teu link não deixa margem para dúvidas (no âmbito do qual também podemos encontrar um Lenine a dobrar o Hegel em quatro: http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1914/cons-logic/ch03.htm#LCW38_219b

    Em suma: um Lenin apostado num embrionário “materialismo histórico” de Hegel. Logo, não é de espantar que já tivesses dito que “o conceito de graça nada impede que Marx e Freud possam ser tomados por quem quer que seja como dádivas da graça de Deus…”. Isto é a inversão de tudo o que há de mais espiritual em matéria filosófica e religiosa, sobretudo no que a Marx respeita. Richard Wurmbrand já demonstrou que o socialismo marxista tem um fundo essencialmente satanista e, como tal, representa uma rebelião contra Deus ( http://www.scribd.com/doc/31067286/Marx-and-Satan-Richard-Wurmbrand).

    Logo, por mais citações que faças – em inglês – para rotulares o Hegel como um “filósofo da imanência” quando a sua filosofia é, antes e acima de tudo, uma FILOSOFIA do ESPÍRITO (GEIST e não “Mind”), é de uma desonestidade “intelectual” que já só poderia vir de um marxista.

    Ora, deixando o marxismo para os inimigos da Humanidade, convém reconhecer que para Hegel “tudo é e não é ao mesmo tempo” em contraste com o PRINCÍPIO de NÃO-CONTRADIÇÃO em Aristóteles, segundo o qual “nada há que possa ser e não ser ao mesmo tempo”. Posto isto, Hegel funda a sua dialéctica no PRINCÍPIO de CONTRADIÇÃO, a partir do qual desenvolve o seu conceito particular de “Geist” (Espírito), que, por seu turno, se MANIFESTA numa riqueza infinita de formas, de aparências, de manifestações e, portanto, de oposições e contradições que culminam numa síntese superadora dos contrários, sejam eles a IMANÊNCIA e a TRANSCENDÊNCIA, a NATUREZA e a GRAÇA, o ESPIRITUALISMO e o MATERIALISMO, etc.

    Consequentemente, o que há de “imanente” em Hegel tem como ponto de partida uma “biografia dos conceitos” que procura superar as antinomias que Kant reconhecera no pensamento transcendental, assim como estabelecer que quem reconhece a identificação do ser com o não-ser – sendo, por conseguinte, ALGO distinto relativamente ao fenómeno e à aparência, à natureza e à sociedade às quais é superior e as “domina” – é o Espírito.

    Ora, o marxismo enquanto materialismo dialéctico representa a inversão da Filosofia do ESPÍRITO de Hegel, começando por tudo reduzir à “imanência” para assim proceder à rebelião contra o Espírito, que não nega, mas quer profanar e satanizar. Daí estas barbaridades saídas de um dos maiores inimigos da Humanidade:

    Marx: “We make war against all prevailing ideas of religion, of the state, of country, of patriotism. The idea of God is the keynote of a perverted civilization. It must be destroyed.”

    The Communist Manifesto: “The Communists disdain to conceal their views and aims. They openly declare that their aims can be attained only by the forcible overthrow of all the existing” social conditions. Let the ruling class tremble at a Communist revolution” (in R. Wurmbrand, “Marx and Satan”).

    E daí, seu MARXISTA IDIOTA, que procures minorar a Escolástica que já Marx explicitamente deplorara, uma vez que para ele “os filósofos nada têm feito senão interpretar o mundo; mas o que importa é transformá-lo”. Ou seja: o que importa, para ele, é destruir o mundo, fazê-lo em cacos como historicamente está mais que provado e demonstrado, invertendo e diabolizando tudo, incluindo a FILOSOFIA do ESPÍRITO de Hegel.

    E para veres que sem a filosofia pregressa ao idealismo alemão (que Marx deplorava como “A Miséria da Filosofia” por inversão satânica à “Filosofia da Miséria” de Proudhon”), ficam aqui dois trechos demonstrativos de que nunca houve uma verdadeira ruptura entre o racionalismo medieval e o racionalismo moderno:

    De Pinharanda Gomes: «Quem primeiro concitou as atenções para as incidências conimbricenses no pensamento cartesiano foi E. Gilson, designamente nos “Études sur le Rôle de la Pensée Médiévale dans la Formation du Système Cartésien” (Paris, 1930) onde, de resto indica também outros autores influenciados – Leibniz, Malebranche e Wolf. Descartes poderá ter bebido as influências do inatismo augustiniano no pensamento psicológico dos “Conimbres”, aos quais se deve o conceito diferencial de “substantia”, conceito esse que lhe evitou cometer o sofisma de panteísmo como sucedeu a Espinosa. Afirmando que “substância” não convém a Deus e às criaturas do mesmo modo, ele evitou o panteísmo e seguiu a teoria conimbricense….» (in “Os Conimbricenses”).

    De Álvaro Ribeiro: «O racionalismo medieval, ensinado nas universidades europeias pelos compêndios dos escolásticos portgueses, aperfeiçoa-se no racionalismo moderno, principalmente depois da difusão da obra de Descartes. Interpretamos toda a filosofia moderna como a demonstração de que o racionalismo medieval é insuficiente para elaborar um sistema filosófico. Kant, que estudou o ideal de razão pura nas obras do Conimbricenses, completou essa demonstração» («Filosofia Escolástica e Dedução Cronológica»).

    • João. diz:

      Que parte de isto:

      “The absolute method, on the contrary, does not behave like external reflection but takes the determinate element from its own subject matter, since it is itself that subject matter’s immanent principle and soul.”

      é que não entendes?

      Que parte da recusa do valor conceptual da reflexão exterior (“external reflection” na tradução inglesa), ou seja, não extraída da própria necessidade intrínseca do conceito, é que tu não entendes?

      “Richard Wurmbrand já demonstrou que o socialismo marxista tem um fundo essencialmente satanista e, como tal, representa uma rebelião contra Deus”

      É isto, por exemplo, esta chamada de Satanás à crítica do pensamento de Marx, que quer dizer, em Hegel, reflexão exterior ao conceito, já que do interior do pensamento de Marx não há como extrair um pacto com o diabo mas apenas e só da cabeça de quem faz essa referência.

      E o que isso, essa citação de Wurmbrand significa, é que a refutação do pensamento marxista, em última análise, não pertence ao domínio do pensamento filosófico mas ao domínio do exorcismo.

      Não consta que o labor do conceito filosófico, em Hegel, e em qualquer outro lado, excepto nesta caverna para onde queres levar o teu leitor, inclua o exorcismo.

      Por fim e mais importante ainda:

      Não sou eu que minoro a escolástica – és tu. És tu que a queres como um morto vivo, um zombie filosófico, como um fardo que teríamos de carregar e repetir até à exautão – tipo cantilena – recusando praticamente todo o trabalho posterior do pensamento crítico e fenomenológico.

      Tu defendes o corpo morto da escolástica eu defendo a sua alma, ou seja, o acto filosófico, o acto do filosofar que a animou e que nem acabou naquele tempo nem tão pouco, e mais importante, nos problemas que levantou, nos objectos a que se dedicou e nas propostas em que culminou.

      • João. diz:

        E ainda Kant não veio completar a escolástica, tapar alguns buracos, não a veio aperfeiçoar, Kant, tal como já Aquino tinha feito em relação a Aristóteles, veio reconceber a metafísica escolástica, no caso, à luz do sujeito transcendental e lançar o pensamento para problemas que a escolástica não poderia levantar.

        O que acontece então é que dado Kant há alguma coisa da escolástica a que se deixa de aceder directamente para que se possa aceder a outros conceitos.

        Quem quiser ficar aferrado na metafísica escolástica terá de esquecer o trabalho crítico de Kant.

        Poderá ser possível contudo recolocar a metafísica escolástica através de uma refutação do interesse e força conceptual de Kant, de Hegel, enfim, da crítica e da fenomenologia, através de conceitos da própria metafísica clássica – mas isso até agora não foi feito.

        O que se fez, Heidegger por exemplo, foi recuperar um Aristóteles não-escolástico.

        Os textos de Heidegger sobre os capítulos 1 a 3 do Livro Theta da Metafísica são uma pequena maravilha já que permite vislumbrar um Aristóteles para além da apreensão tomista que fez dele um precursor da teologia católica.

        Aquino faz um grande trabalho, não há dúvida, mas Aristóteles não se consuma no Doutor Angélico e daí que recomende a quem queira vislumbrar Aristóteles não contido nas categorias medievais o livrinho de Heidegger:

        http://livraria.folha.com.br/livros/filosofia/metafisica-aristoteles-1-3-essencia-realidade-forca-martin-1109264.html

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