Valioso

A procissão das velas juntou milhares em Fátima

Fátima, ontem ( foto CM).

Gosto disto: crentes, a fazer o que querem, sem incomodar ninguém,  em liberdade.

FNV

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18 thoughts on “Valioso

  1. B.P. diz:

    É esse também, precisamente, o meu sentimento.
    Não dou nada para a coisa, mas tenho um respeito infinito…

  2. Era o que mais faltava que assim não fosse, Filipe. Para a semana, no âmbito da visita da imagem de Nossa Senhora Peregrina à vigararia de Cascais haverá missa campal nos jardins do casino Estoril celebrada pelo D. Manuel Clemente.
    Abraço!

  3. João. diz:

    Duvido que não incomodem a circulação do trânsito, uma conhecida crítica às actividades de conhecidas organizações.

    E em liberdade, porquê?

    Você não faz ideia do que move as pessoas ali, se é a liberdade, se é o desespero, a necessidade a alegria ou um complexo disto tudo.

  4. vortex diz:

    pensava eu na minha ignorância que era o desfile da cgtp
    na ponte sobre o Tejo

  5. caramelo diz:

    Parafraseando ali o camarada B.P., não dou nada pela coisa e tenho um respeito finito. Respeito muito quem vai lá por desespero, não em liberdade. Eu próprio num momento especial já recorri a uma coisa parecida. Conheço tanta gente que lá vai em turismo religioso, como quem faz o caminho de Santiago, ou quem vai porque é chique, que acho mais valioso o estádio da luz cheio. Todos aqui sabemos que Fátima é uma fraude, não é? Vá, somos todos adultos. Nem o Papa acredita. Mas não te preocupes, nem que os bolcheviques tomassem o poder, ninguém proíbe. Não vale a pena acenar com o papão. Houve um tempo em que este era o único grande ajuntamento autorizado em Portugal (a par do futebol) em total liberdade e continuará livre como sempre.

    • fnvv diz:

      Tantas palavras e devios para uma simples legenda a assinalar a crença pacífica e em liberdade.
      Por que não nos contas os teus problemas?

    • João. diz:

      Pessoalmente não considero que seja necessariamente uma fraude, ou seja, pode ter acontecido alguma coisa de genuino, algo de inexplicável, do domínio daquilo que chamamos de milagre embora a superestrutura que socializou o evento possa já ter tido de obedecer à concorrência de outras linhas de força.

      • caramelo diz:

        João, milagres, milagres, não existem. Foi uma operação muito bem montada. Já leu as memórias da pobre Irmã lúcia? Milagre útil, seria surgir um sol radiante a bailar nas cabeças dos nossos governantes e uma voz interior a sussurrar-lhes “tenham juizo”. O que eu aqui gostaria de discutir é o que se entende por “liberdade”, e daqui concluir alguma coisa sobre a valor daquela imagem. De resto, não passa pela cabeça de ninguém contestar o direito das pessoas se deslocarem e reunirem onde quiserem, seja na cova da iria, seja na ponte, desde que não se atropelem ou não atropelem os outros.

      • João. diz:

        Caramelo, não li as memórias nem tão pouco vou aqui defender a materialidade dos eventos tal como relatados, mas insisto que, a meu ver, não há razão para descartar por princípio aquilo que se pode chamar de milagre mesmo que não tenhamos que atender à doutrina católica sobre o tema.

        Qual é o garante contra a ideia de milagre? As leis da natureza? E quem sabe as leis da natureza? A ciência? A ciência concebe leis para lidar com embaraços que encontra no seu labor e vai testando essas leis e verificando a sua consistência mas não tem um domínio apriorístico sobre a totalidade do possível.

      • caramelo diz:

        João, coisas inexplicadas, existem; coisas inexplicáveis, não sei; mas milagres, no sentido tradicional, de intervenção do sobrenatural divino, que é ao que eu me referia, é que não me parece. Admito que haja curas não explicadas da paralisia, mas curar paralíticos com um gesto ou uma oração, definitivamente não. Lá calha e se os cientistas não o explicam, a Igreja acorre a tomar o seu lugar. É assim que se fazem os santos. Já alguém fez um membro amputado crescer com uma oração ao São Tadeu? Não. Este milagre ninguém arrisca sequer, já se sabe porquê. E mortos a sair do sepulcro já a Igreja praticamente remeteu para o domínio do simbólico. Fátima vai pelo mesmo caminho, mais cedo ou mais tarde, mas a culpa não é minha. Esta discussão até se está a desviar do início, mas não faz mal. O Filipe não me liga, a mim, poverino (ele queria que eu lhe contasse não sei que problemas, devo andar com défice espiritual, ou assim, e eu já li que isso é mau para as depressões), mas cá estamos nós.

      • João. diz:

        Eu prefiro adoptar a possibilidade do inexplicável. Até porque o explicável não consegue explicar tudo sobre si mesmo, há no explicável algo de inexplicável: que haja o explicável. Os esclásticos resolveram isto, o regresso ao infinito que esta questão coloca, com a necessidade do conceito de Deus. Mas essa necessidade é histórica, ou seja, pertence ao que o pensamento naquela altura é capaz de conceber. Mas mesmo assim o que acontece é apenas a transferência do problema para a esfera divina – eu passo do inexplicável na natureza ou no pensamento humano para o inexplicável em Deus.

        O que permanece então idêntico a si mesmo nesta transição do regresso ao infinito para o conceito de Deus é o “inexplicável” que passa a ser o tema operativo, o que sobra, o resto, a partir do que o pensamento pode renovar-se através de novos problemas. A igreja a meu ver precisou da inquisição para manter o inexplicável dentro do conceito de Deus por si constituído, a inquisição serviu muito para isto, para não deixar que o inexplicável se libertasse do conceito de Deus e fosse retomado a partir de si mesmo, a partir da sua insistência.

        (Alguém poder-me-á lembrar também, uma vez que sou comunista, que o KGB, a vigilância e repressão interna na URSS, serviu também para tentar manter a luta dos trabalhadores dentro da “luta dos trabalhadores” ou seja para manter o real dentro da ordem simbólica vigente. Algo que é impossivel uma vez que se trata de planos diferentes. A queda da URSS é isso aí também, o resultado de uma necessidade conceptual concreta (ou seja, verificável apenas retrospectivamente) sendo ridícula a tentativa dos republicanos atribuírem a queda da URSS ao idiota do Reagan.

        Um operador simbólico, digamos assim, à falta de melhor termo, (um slogan, por exemplo, uma palavra de ordem, nunca pode tomar o lugar de uma substância real mas a de um organizador de acção, é um nomeador, uma senha para reunir os que lá encontram algo importante de si mesmos e o qual só subsiste nesta medida, na medida em que é adoptado pela militância e julgado importante preservar. Sem esta militância o nome e a sua acção desaparece ou adormece, embora a sua substancialização, repito, não seja uma boa alternativa uma vez que leva ao obscurantismo e, portanto, a degeneração do evento.)

        Então o milagre de um lado pode ser uma forma de controlar o inexplicável, uma forma de o explicar mas, em todo o caso, preservo ainda assim não só a possibilidade do inexplicável como tal como ainda a possibilidade da sua manifestação no real. De que forma, não sei. É inexplicável, não é :)?

      • caramelo diz:

        Sim, percebo-o, João. Eu tenho um problema com a transferência para o divino, que é uma descrença radical na existência de Deus: não vejo sentido na sua existência, pois não vejo sentido na própria criação divina do homem e do universo. Não sou ateu porque quero. Porque criaria Deus o homem e o universo? A reposta clássica é: porque nos ama (eu faço um filho porque o amo?), uma distorção de lógica impossivel de endireitar e que é resolvido com o jogo de espelhos da escolástica. Aliás, a religião começou por ser uma contingência histórica, para se tornar um jogo infantil extremanente elaborado, e a escolástica é um prodígio a concilar fé e razão, fundado na linguagem. Prefiro o Confissões ao Summa Teológica. Respeito (e de certo modo, comove-me) quem consegue fazer a transferência dando primazia à fé, subordinando-lhe a razão, como o velho reacionário do Agostinho de Hippona. Não respeito este actual sincretismo entre ciência e fé, nas novas correntes criacionistas, e ainda a manipulação, o obscurantismo forçado, como é o caso de Fátima, um fenómeno poilitico de massas, não de consciência, e por isso, não livre.
        É inexplicável a nossa presença aqui e prevejo que assim continue. Acredito que, já que cá estamos, devemos ser bons uns para os outros e procurar livremente a felicidade, inclusive com a religião.

    • B.P. diz:

      Ó caramelo, expliquei-me mal? Respeito finito porquê, por aquilo ser uma fraude, por aquela gente ir lá em desespero, não em liberdade?
      Não discuto os pressupostos, discuto a conclusão e reitero o meu infinito (muito grande) respeito ante o sofrimento dos meus semelhantes, alheios à fraude matricial, hoje por hoje irrelevante.
      Não quero saber dos pastores, mas do rebanho, e esta palavra parece apropriada para designar uma massa humana que, além do sofrimento, não se distingue pelas luzes do seu espírito. São pelo geral humildes e pobres, de corpo, de espírito, de condições de vida, e por tudo muito sofredores. E é o sofrimento que os leva lá. Daí o meu respeito, porque mereciam mais e não o têm…

      • caramelo diz:

        B.P. respeito finito, porque não incluo os diletantes, os turistas das caminhadas, as tias e os tios que levam o seu fradinho jesuita a tiracolo, etc. Qual desespero, qual sofrimento? É por isso que não é infinito. De resto, eu próprio já andei a comprar mezinhas naturopatas para curar um cancro de um familiar. Que me deu esperança, deu (pôe-se o cérebro em stand by e tenta-se tudo), o que não impede de considerar aldrabão quem me vendeu.a cura. No caso de Fátima, já são longos anos a vender o milagre.

  6. Bone diz:

    Paranormal por paranormal, prefiro a teoria do encontro extraterrestre, tão bem documentada por Fina D’Armada. O que não é nada normal é gastarem 21 toneladas de velas, poluem o ambiente e o primeiro-ministro não gosta nada disso. Prevejo aumento do IVA sobre velas votivas.

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