Da série “O som e a fúria”

Os professores do básico e secundário que não pertencem aos quadros do Estado vão ter de fazer uma prova de avaliação de competências para poder dar aulas. Há quem veja nesta prova a desconfinaça que o Ministério da Educação e Ciência tem na qualidade do ensino das instituições universitárias e politécnicas que formam estes professores. Também pensa isso?
Não. O empregador tem direito de exigir e as universidades têm de se sujeitar a isso. É isso ou voltar ao tempo de Salazar e Caetano, em que era tudo igual. E aí sim, não havia razão para fazer estes exames porque o Governo dizia: “Isto é assim, são estas disciplinas, desta maneira, tudo igual.”

Virgílio Meira Soares, presidente demissionário da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior e ex-reitor da Universidade de Lisboa, em entrevista ao Público de hoje.

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7 thoughts on “Da série “O som e a fúria”

  1. manuel.m diz:

    Hoje mesmo houve uma greve dos professores em Inglaterra o que não é pouca coisa se atentarmos na resistencia da classe em tomar medidas tão radicais. Mas Michael Gove o Min. da Educação conseguiu a proeza de unidar todos contra a politica do Governo,entre as quais está precisamente a avaliação.Acontece que o debate tem sido aceso sobre em como se avaliam os professores, (facilitava se se soubesse o quê avaliar),mas até agora não foi possivel chegar a nenhuma conclusão. Parece porém que VM Soares sabe e se assim for por favor mande a solução para:
    ministers@education.gsi.gov.uk
    (o povo britânico agradece)

    • ppicoito diz:

      Digamos que o Meira Soares, pela sua experiência, tem algumas luzes na matéria. Claro que só podemos avaliar se sabemos o que avaliar, mas noto que este atgumento é muitas vezes usado para não se fazer avaliação nenhuma. E o Gove é um grande ministro e está a fazer um excelente trabalho. A prova é a fúria do establishment (sobretudo sindicatos).

      • manuel.m diz:

        Acho que merece reflexão a sua ideia que o sucesso de um ministro deve ser medida pela furia que as medidas que decreta causam. Penso que seria de considerar tornar obrigatório existirem nos gabinetes ministeriais uns “furionómetros” que medissem com rigor, (como se medem as audiencias da tv,provavelmente), a produção dos respectivos ocupantes.
        Para já teríamos como certo que P.Coelho teria lugar no Olimpo dos politicos, o que seria motivo de orgulho pátrio.
        Quanto às “luzes” que diz VM Soares possuir, pela certeza e autoridade com que fala,penso que serão verdadeiros farois. Já quanto a Gove, garanto-lhe eu, elas são mais do tipo pirilampos em noite de breu.
        Quanto à educação muito gostaria de falar do ensino e dos seus problemas na terra de Shakespeare e em como um professor no Minho ficaria surpreendido ao saber que enfrenta os mesmos problemas que um colega que ensina no Yorkshire.
        Mas, (com alivio de PPicoito), um comentário é o que é e terei de ficar por aqui, mas não sem que deixe como food for tought esta frase de Virginia Woolf :

        “Ensinar é alimentar uma chama e não encher um vasilhame”

        Cheers !
        manuel.m

  2. Jorg diz:

    “Whishful thinking” – na prática, e.g. em Matemática, qualquer geometra com medalha outurgada num Politécnico de Vão de Escada, passou a frente de um licenciado de Coimbra – que no meu tempo era lixada em termos de notas e médias finais. No verão do ano passado, alguém de familia contou que já era corrente professores qualificados para a escola primária estarem a leccionar disciplinas no antigo preparatório (5o/6o ano) e que mesmo ‘esses’, do quadro, poderiam ser “promovidos”, e.g. em ciências naturais a leccionar Física/Química até ao 9o. ano.
    É a cultura do “bacalhau basta”, desde que se ‘salvaguarde’ quem se alapou. O “exame” vai estar ao serviço desta lógica, mesmo que se assuma “boas ou melhores intenções” do ministro.
    A “avaliação de competências para poder dar aulas” não é um ‘charter’, é uma prática, exigente, que deve ser exercida a partir da escola, pelos seus gestores conhecedores das suas especificidades e responsabilizados por elas, e com poderes de decisão “accordingly”. Vá perguntar a um director de escola o que é que isto acrescenta a sua “decision making”?

    • ppicoito diz:

      As duas coisas não são incompatíveis: um director de escola, se tivesse essa hipótese, levaria o exame em conta quando contratasse alguém. Accordingly. E porque é que o exame há-de estar ao serviço da lógica dos “alapados”? Isso, sim, é wishful thinking: o exame ainda não existe. Aliás, se é taõ contestado pelos “alapados”, como é que está ao seu serviço?

  3. ppicoito diz:

    Manuel M., não é preciso uma especial autoridade para reconhecer as luzes de Meira Soares. O dr. Mário Soares, por exemplo, acha-o muito corajoso e lúcido porque pediu a demissão da CNAES em protesto contra o governo. Devia prestar mais atenção ao que se passa cá na terrinha.

    • manuel.m diz:

      Aqui fica o mea culpa pela minha má redacção : O que pretendia dizer é que VM Soares falava com a certeza e autoridade de quem defende a avaliação sabendo obviamente como leva-la por diante,em contraste com o que se passa no RU, onde a questão é contenciosa precisamente por não haver acordo em como proceder.
      Quanto a prestar mais atenção ao que se passa na “terrinha”,acredite que faço mais do que seria aconselhavel para a minha tranquilidade de espirito, para desespero da minha mais gentil metade, que diz que eu ando ultimamente impossivel de aturar.

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