O problema da falsificação.

O Daniel Oliveira estava a ir bem até chegar aqui:

Há um Portugal que precisa do dinheiro dos angolanos. E, movido pela necessidade, quer agradar ao seu ditador e aos que roubam ao seu povo. Mas a verdade é que a maioria dos portugueses não vê um cêntimo do dinheiro do BIC ou do BES, do BPI, da GALP ou da ZON, que une o Grupo Empresarial MPLA e o Grupo Empresarial Bloco Central. A minha vida não melhorou com os investimentos angolanos em Portugal, a da maioria dos angolanos não melhorou com os investimentos portugueses em Angola. A elite angolana limita-se a lavar dinheiro em Portugal, a comprar o silêncio cúmplice das nossas elites e entrar na Europa pela porta dos fundos. E a elite portuguesa limita-se a tentar sacar uns trocos do pornográfico saque aos angolanos.

Salvo melhor informação trabalham neste momento 150 mil portugueses em Angola. Muitos expatriados exercem as suas actividades com apoio das sedes em Portugal. Ou seja, a cada um desses empregos correspondem dois ou três em alguns sectores, como a arquitectura ou a publicidade. É isso que acontece na minha empresa, que depende, como muitas outras, do mercado Angolano. Quando escrevo depende afirmo que não existiria sem ele — é tão simples assim.

Suponho que não exagero ao considerar que a emigração para Angola é responsável por ocupar 300 ou 400 mil cidadãos portugueses. E não estou a ter em conta as famílias, que certamente beneficiam dos empregos criados “pelas elites que lavam dinheiro” ou movimentam “trocos pornográficos” entre Lisboa e Luanda. Como a nossa população activa rondava os cinco milhões e meio em 2012, concedo ao Daniel o prazer de avaliar o contributo da “cooperação estratégica” para as estatísticas do trabalho em Portugal.

Quero eu dizer com isto que o Daniel Oliveira deve abandonar os seus princípios, temperar as suas opiniões ou abdicar da sua liberdade? Não. Mas deve evitar falsificações grosseiras, como a de confundir com elites cleptocráticas centenas de milhares de cidadãos que tratam da vida com doses razoáveis de decência e honestidade. A superioridade moral não dá para tudo.

Luis M. Jorge

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20 thoughts on “O problema da falsificação.

  1. murphy diz:

    Excelente post Luís M. Jorge.
    Muito delicada e complexa, a relação Portugal – Angola. Como, aliás, é muito complexa a postura pragmática a ter, quando estão em conflito os interesses económicos legítimos de milhares de famílias e manter “boas relações” com ditaduras (mais ou menos) cleptocráticas…

    Porque será que Daniel Oliveira não escreveu precisamnete isto sobre as relações Portugal – Venezuela?…
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/03/dos-filhos-e-enteados-da-comunicacao.html

    • caramelo diz:

      Murphy, sobre a pergunta no final do seu link, muito separa o Chavez do Eduardo dos Santos, da mesma maneira que muito, embora menos, o separa do Maduro. Mas como você é um cruzado, esta é uma batalha perdida para mim.

      O Eduardo dos Santos é até bastante acarinhado pela nossa imprensa. Qual foi a última reportagem de fundo sobre a cleptocracia, injustiças, pobreza, em Angola nos nossos jornais ou nas televisões ou rádios? O Pedro Rosa Mendes não é exatamente um tipo muito popular nos nossos media… A coisa é relegada para a opinião e com muita cautela. O que eu vejo são artigos sobre artigos e cadernos especiais sobre oportunidades de negócios e qualquer governante anglano que aqui venha é tratado nas palminhas pelos jornalistas. Se quer saber mais alguma coisita, vai a jornais estrangeiros, desde o Guardian ao NY Times, passando pelos finaceiros como o Economist e o WSJ. Até em blogs angolanos sabe mais.

  2. jj.amarante diz:

    O Rui Machete demora um bocado de tempo a descobrir o que deve dizer. Nas acções do BPN disse primeiro que tinha comprado por x e vendido por y, não vendo nenhum problema nisso. Posteriormente lá descobriu que os valores eram indecorosos e corrigiu-os para outros valores.
    No caso das desculpas pediu desculpa do Ministério Público andar investigar angolanos. Quando foi ao parlamento lá explicou que o que tinha querido dizer era pedir desculpa por o segredo de justiça ter sido violado.
    Embora me pareça estranho que vários dirigentes angolanos acumulem fortunas colossais, isso não passa de uma impressão. Já quase que nos habituámos a que o Ministério Público divulgue as investigações que deveriam estar em segredo de justiça, lançando lama por incompetência, por animosidades ou, pior ainda, servindo interesses políticos, económicos ou político-económicos. Esta situação é completamente vergonhosa mas já aconteceu com tantos portugueses que achamos natural também a violação do segredo de justiça relativamente a cidadãos estrangeiros e muita gente tem confundido o direito legítimo das autoridades portuguesas investigarem com a violação da lei portuguesa do segredo de justiça afectando o bom nome de cidadãos doutro país.

  3. Bone diz:

    O que eu acho piada é que Daniel Oliveira e tantos outros parecem achar que Portugal, nas suas relações com Angola, sacrifica por necessidade princípios éticos que se habituou a respeitar, como uma pobre rapariga honrada que se prostitui mas com nojo, apenas por fome, coitadita, mas que é moralmente superior os seus algozes. Gosta de dar-se uns ares de superioridade moral, mas a verdade é que Portugal é um país corrupto e que as nossas elites políticas e económicas se sentem como peixe na água em Angola. Angola é um regime autoritário, desigual e corrupto, mas, a este nível, quando oiço relatos do que por lá se passa, o que me surpreende é como é parecido com Portugal. Terão aprendido connosco?

    • caramelo diz:

      Bone, é capaz de ser um poucochinho exagerada, essa comparação. Não somos uma pobre rapariga honrada, mas não somos tão putas. Não sei quais são os relatos que.te chegam de Angola, mas aquilo está a um outro nível, desde a base até às cúpulas. Quase não dás um passo na rua, sem pagar a gasosa, e isso passa pelo trânsito, a saúde, educação, etc. Alia-se a ganância dos governantes com a desigualdade extrema e a pobreza da base, e dá um país corrompido. Já que estou com a mão na massa, atenção à pobreza, muito cuidadinho; não são aqui de muita utilidade as prédicas sobre ética e responsabilidade individual. De resto, não há país nenhum do mundo que não tenha um certo grau de corrupção, uns mais e outros menos, mas Angola é outro assunto. Já agora, vários governantes de paises euriopeus com pedigree já fizeram os seus negociozitos com regimes ditatoriais africanos, que talvez até fizessem os nossos parecer rapariguinhas virgens.

      • Bone diz:

        Sim, caramelo, é uma caricatura um pouco grotesca. Mas falando a sério defendo que o que nos separa de Angola é mesmo isso, uma diferença de grau, em que a desigualdade, a miséria e a pouca sofisticação da estrutura jurídico-política angolana favorecem a cleptocracia. E que a nossa elite política e económica (nem sei porque é que ainda me dou ao trabalho de distinguir) fala a mesma língua da elite angolana e bebe do mesmo cântaro, embora os nossos gostem de se pôr na pose de pobres criadores de empregos que tudo suportam em nome da economia portuguesa, o que são resquícios de colonialismo sem sombra de dúvida. Não adoptamos essa pose com a China, por exemplo. Quanto à pequena corrupção, dou um também pequeno exemplo: não há muito tempo, em Portugal, pagar luvas (até arranjamos uma palavra simpática e tudo) ao examinador para obter a carta de condução era encarado com naturalidade por toda a gente, fazia parte do pacote; em Angola paga-se ao polícia para circular de automóvel na via pública; qual é a diferença? Eu não vejo nenhuma que não esteja relacionada com a pobreza de que falas. Por este andar, lá chegaremos.

      • caramelo diz:

        Bone, o que separa todos os países é só o grau. Não há países habitados por anjos. Vai à Suécia e encontras quem te dê a carta pagando um preço, e o mesmo na politica e administração pública. Passando um certo nível, passa-se para outro patamar e estamos felizmente longe do patamar de Angola. A diferença é entre estados que funcionam e outros que não, e o nosso funciona e não conheço nenhum estado corrupto ou sociedade corrupta que funcione. Isto dito assim pode não soar bem, já é difícil quem dê crédito a isto, mas é verdade. Por enquanto. Já se vai notando a erosão. Não são as pessoas, não é o desleixo ou corrupção, é o próprio estado que o vai degradando lentamente, da forma mais legal possível (diz-se por aí que a constituição não é lei, é só um programa politico, portanto…)

    • chukcha diz:

      Caramelo, é uma questão de grau, mas não me parece é que essa diferença seja tão grande como você quer fazer parecer. Claro que é possível e mesmo provável que um tipo normal viver uma vida inteira em Portugal sem ter que pagar luvas. O SNS atende toda a gente dentro das possibilidades, as escolas aceitam os putos, por zona de residência, os funcionários de guichet das finanças e restantes burocratas até são simpáticos e facilitam, no que lhes é possível, a vida ao pessoal (excluindo, claro está o tom intimidatório do “prikaz” que a administração central faz questão de enviar com ameaças de execução fiscal se o cidadão não reparar imediatamente os erros da própria administração). Até a própria polícia, de quando em vez, recusa simpáticas ofertas para fechar os olhos, vejam bem. Como diria o Gaspar “temos os burocratas rasos melhores do mundo”, que nada ficam a dever ao mais puritano protestantismo Nórdico.

      Mas se rasparmos esta superficial camada, o panorama não nos torna assim muito diferentes de Angola, apenas mais sofisticados como afirma a Bone. As intervenções hospitalares aparecem miraculosamente nas listas do SNS após 2 ou 3 consultas bem remuneradas no consultório particular, o chefe de finanças perde uns papeis ou emite umas certidões esfumando certas e determinadas dívidas, alguns processos judiciais, geralmente económicos, tem a estranha mania, talvez pelo seu peso, de se colocar no fim da pilha, o presidente de câmara apanhado com 3 anos de salário em notas na mesinha de cabeceira da amante é reeleito com maioria absoluta. E isto para não falar das revisões do PDM e dos construtores de Braga que fariam qualquer autarca do Zimbabwe corar de vergonha, ou dos gestores de grandes projectos públicos e privados e respectivas subcontratações em que se sabe à partida quem vai apresentar a proposta mais baixa e quanto é que vão custar os imprevistos, coisa que na liberal América daria direito a uma década de cadeia.

      Quanto ao nível superior, os Chineses e Angolanos, ao chegarem a Portugal, não contratam o Miguel Gonçalves para bater punho e desbravar caminho. Vão directamente ao tipo que decide a venda, determina as condições, avalia as propostas, escolhe o vencedor e fecha o negócio. E ainda o contratam no fim, ão vá o diabo tece-las…

      • chukcha diz:

        Concluindo, acredito que é precisamente o nível de desigualdade que nos distingue dos Angolanos, condicionando a estrutura da corrupção. Ao nível mais popular enquanto que por cá estamos todos tramados e impera a tolerância (até os taxistas do aeroporto são actualmente honestos e os picas perdoam as confusões aos pacóvios, quando vêm à cidade) e a branda cunha materializada numa troca de favores (arranjar uma consulta paga-se, eventualmente, com uma palavrinha para um emprego para o primo ou o encaixe do puto numa turma porreira), por lá a base é financeira. E isto, apesar de não ser fácil enquadrar nos esquemas mentais a que estamos habituados, em última análise acaba por ser uma forma de distribuição de riqueza – pouco me repugna (em tese) que um funcionário que recebe $300 saque uns cobres a um expatriado que ganha 20 vezes mais.

      • Bone diz:

        Exacto, chukcha, sem tirar nem pôr. Sei que custa admitir, caramelo, afinal é o nosso país, mas é o primeiro passo para a cura. Vá lá, repete comigo: “Portugal é um país corrupto”

      • caramelo diz:

        Bone, chukcha, vocês, felizmente, não sabem o que é viver em Angola ou no Zimbabwe e nem imaginam como essas comparações são disparatadas e, se calhar por isso mesmo, nem sequer reconhecem o esforço, dedicação e a competência que é necessária para terem tanto do que o Estado vos dá e nem conseguem dar valor à normalidade social, que felizmente, ainda se vai aguentando por cá (por enquanto). Mas seja como quiserem. Aproveitem, que não saber é bom.

      • Bone diz:

        Caramelo, porquê tanto paternalismo? É fofinho mas despropositado, pois não equiparei em momento algum a nossa democracia ao violento e autoritário regime angolano nem nunca o faria. O que equiparei foi a atitude dos portugueses e angolanos face à corrupção, pois penso que a nossa, vá, “tolerância” em relação à corrupção nos aproxima mais de Angola do que da Suécia, o exemplo que citaste. E não estou sozinha, a Transparência Internacional aponta Portugal como um dos países mais corruptos da Europa, apenas acompanhado salvo erro pela Grécia, Itália e alguns países da Europa de Leste. Valorizo a democracia e o estado social, mas já estou um bocadinho cansada de ter que agradecer todos os dias já não vivermos sob o fascismo. A democracia tem 40 anos e continuamos a olhar para trás, presos ao passado e a ter que agradecer diariamente o que os pais da democracia fizeram por nós, pobres e mal agradecidos? O discurso do “podia ser pior, ao menos temos liberdade de expressão e podemos comprar tvs e ir ao médico” é o melhor amigo dos inimigos da democracia. Penso que a melhor homenagem que prestámos a todos os que lutaram e lutam por aquilo a que chamas a normalidade social é olharmos não para trás mas para a frente e exigirmos mais e melhor democracia. E a corrupção é inimiga da democracia pois corrói os seus alicerces. Se não fôssemos tão permissivos a esse nível talvez a crise não nos tivesse atingido de forma tão brutal e os alicerces do regime não tremessem como tremem agora. Não teríamos, por exemplo, como PM um ex-administrador da Tecnoforma, o que seria por si só uma bênção. A corrupção é como um insecto xilófago que corrói uma obra de arte por dentro e só nos apercebemos de que a obra está destruída quando precisamos de pegar nela para a mudar de sítio. Não estivemos atentos, pensamos que bastava sacudir o pó de vez em quando para manter as aparências e o caruncho espalhou-se.

      • caramelo diz:

        Bone, nem eu estava a comparar Angola e Portugal sob o ponto de vista da ditadura. Estavamos a falar só de corrupção. Nem eu alguma vez neguei que em Portugal existe corrupção. Mas a grande maioria dos portugueses consegue ter acesso a serviços de saúde, educação, saneamento, segurança e um longo etc, sem pagar luvas, durante toda a vida, e, mais importante, nem sequer concebe que isso se possa fazer. Em Angola, pelo contrário, isso é uma prática normal, quotidiana, é suposto que assim seja. Estás a ver a diferença? Estou a ser paternalista? Paciência. Repara que uma coisa é estabelecer índices de corrupção na Europa e outras democracias ocidentais, outra coisa é fazer o mesmo exercício a nível mundial. A Transparência Mundial de forma nenhuma nos aproxima de Angola. Por isso é que continuo sem perceber essa comparação. Temos aqui um companheiro de comentários um bocado patusco que todo o santo dia, faça chuva ou faça sol, nos vem recordar que o estado português é um monstro de podridão. Parece um homem que eu via no Rossio sempre que ia a Lisboa. Dou o desconto. Mas a verdade é que ouvir de qualquer outra pessoa que somos um país corrupto, e fazer esse tipo de comparações, objectivamente disparatadas, me chateia um bocado. Porque, enfim, é um bocado disparatado e grotescto, não é, Bone? (ups, here I go again 😉

      • Bone diz:

        Ok, caramelo, talvez carregue um pouco nas cores, mas discordo que seja totalmente despropositada a comparação. É claro que em Angola é muito pior, mas o caldo de cultura será assim tão diferente? As nossas diferenças: dizes que há corrupção em Portugal como se se tratasse de pequenas ilhas isoladas num oceano de legalidade e eu vejo mais arquipélagos emaranhados entre si que tornam a viagem complicada, sobretudo para os pequenos batéis. E vistos de perfil hás-de convir que parecemos um tanto ou quanto indecorosos:
        http://www.elconfidencial.com/mundo/2013-10-10/de-paraiso-de-la-transparencia-al-tercer-pais-mas-corrupto-de-europa_39481/

  4. Daniel Oliveira diz:

    Estas dependências de que falas nada têm a ver com a parceria estratégica, que apenas se relaciona, qo que imagino, com os grandes investimentos em que o Estado angolano e empresas que lhe são próximas têm intervenção. Ainda assim, mesmo que o fim dessa parceria estratégica acabasse, duvido que fossem 300 ou 400 mil portugueses afectados. Duvido, não. Tenho a certeza absoluta que assim não seria.

    • Duas coisas:

      1. Os investimentos entre Portugal e Angola integram um ecosistema em que participam muitas empresas. O facto de algumas serem grandes e outras pequenas não significa que não sejam interdependentes. A Teixeira Duarte, por exemplo, integra várias operações em que não avança sozinha, mas com muita gente a tratar do planeamento, operações, arquitectura, marketing, etc. Dizer que isto só atinge meia dúzia de milionários é uma ficção.

      2. Fiz as contas com base na experiência dos quatro sectores que por razões pessoais ou profisionais conheço bem ou razoavelmente: Publicidade, arquitectura, vinhos e imobiliário. Em qualquer destes casos um fecho de Angola ao nosso país significaria níveis de desemprego muito superiores ao número das pessoas que efectivamente lá estão. Na publicidade, por exemplo, é a triplicar. MAs mesmo que assim não fosse: estão lá cento e cinquenta mil. Por alto, seria um acrescimo de quase um quinto dos desempregados actuais.

  5. Luís, se bem percebi o que escreveste, a tua discordância em relação ao texto do Daniel Oliveira relaciona-se unicamente com o facto de ele ignorar no seu texto que muitos milhares de trabalhadores portugueses, que não se confundem com as elites portuguesas referidas no seu texto, dependem de Angola para continuarem no activo. Em nenhum caso pões em causa as declarações que ele efectua sobre o regime angolano (não digo que as subscreves; digo apenas que o objectivo do teu post é o que referi inicialmente). É isso, não é?

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