José Sócrates na Escócia

Continuam a sonhar com um  povo estúpido. Quem  aterrar no planeta  e ler a entrevista  ao Expresso, e os teleorgasmos dos seus amigos, deve julgar que Sócrates esteve exilado durante a campanha para as legislativas  ganhas pelo PSD ( à custa de mentiras, como se viu logo depois).
Sócrates  “leu quatro livros de Freud”  e está na  mesma. Alguém lhe recomende  Uma perturbação da memória na Acrópole – Carta aberta a Romain Rolland (1936).

As coisas são tal qual nos contaram? Freud diz que se estivesse na Escócia  e visse o Monstro do Lago Ness acharia que sim.

FNV

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34 thoughts on “José Sócrates na Escócia

  1. vortex diz:

    de freud, o judeu cocainómano, li ‘Über Coca’.
    do sôzé nunca li nada. é o boxexas ii.
    prefiro o monstro da Escócia ao MONSTRO do estado português

    • fnvv diz:

      Judeu cocainómano? Bem cocainómano foi um dos boatos porcos que puseram a circular sobre José Sócrates ( ouvi-o presencialmente da boca de um político do PSD)

      • vortex diz:

        escrevi sobre isso num livro que não publicarei mas ficará no meu espólio.
        encontrei na net carta à namorada:
        « Eu devo estar viajando sob efeito de coca a fim de controlar a minha terrível impaciência.”[viii] »

  2. caramelo diz:

    Não percebi bem, Filipe, tens de descodificar o criptograma. E o facto de ele ter dito que leu quatro livros do Freud não merece esse escarnecimento. Eu gostei da entrevista do Sócrates. Não só porque o tipo está intelectualmente uns furos acima do outro, como por me parecerem plausíveis as suas explicações. Muitos dos ataques que lhe foram feitos respeitam à sua vida privada, portanto, apontam-lhe para o carácter, mais do que para o famoso “despesismo”. E de facto, a campanha mediática e na rede nesse aspecto foi uma coisa sem precedentes. O resto, é o resto. Ainda me lembro bem dos elogios e beijinhos da Merkel ao Sócrates…

    • fnvv diz:

      Não escarneci nada, é escusado o choradinho ( se quissese escarnecer tinha à escolha o deslumbramento com autores que já devia ter lido há muito tempo). Sobre campanhas ver minha resposta infra ao Vortex.
      Percebe-se muito bem, não está encriptado: a realidade é que depois tantos méritos foi a eleições e perdeu ( o “favor popular”, como ele diz), não foram as campanhas negras que o prenderam numa masmorra.

      • andré diz:

        Concordo com o Filipe. As ”campanhas negras” não impediram as vitórias do homem em 2005 e 2009 e contribuíram pouco, penso, para a sua derrota em 2011. Já não percebo por que é que o Filipe parece achar que a dita derrota de 2011 prova os defeitos da figura (é isso?). Pode-se perder e ganhar-se razão com o tempo, como acho que o Filipe sempre defendeu que aconteceu com a Ferreira Leite em 2009, quando fez campanha contra o TGV. O Sócrates em 2011 não queria o resgate e a austeridade reforçada que ele traria e diz hoje que o tempo lhe deu razão. Tirando os excitados do costume – a tralha socrática e anti-socrática, sempre com espuma na boca -, não é nada fácil saber se isso é verdade, mas é essa a discussão que importa ter. A decisão de Passos chumbar o PEC IV foi mais importante do que tudo o que fez no governo, onde a sua margem de manobra é e será sempre limitada. Como tanto ele como Seguro, por razões diferentes, não gostam, hoje, de falar no assunto, acho bem que pelo menos o filósofo de Paris não deixe cair o tema no esquecimento. Só acho que precisava de entrevistadores mais aguerridos, mas isso é outra história.

        Abraço,

        André

      • fnvv diz:

        Não prova nada, André, apenas sublinhei a recordação que o homem tem da Acrópole: não foi por causa do Teixeira dos Santos nem das campanhas negras que ele não teve o favor popular ( expressão nojenta) em 2011.
        Aliás na altura a minha leitura coincidia com a dele, mas diziam, muitos pavões ex governantes e vira-casacas ex assessores, que era por eu ser ferreira-leitista.Não, era apenas porque sabi que este PSD mentia com todos os dentes na campanha..

      • andré diz:

        Mentia às vezes, outras vezes não, Filipe. Lembro-me de ouvir, por exemplo, o Passos, antes das eleições, dizer que chumbara o PEC IV não porque fosse muito longe, mas porque não ia suficientemente longe (qualquer coisa assim, cito de memória). Sem querer ser ingénuo, acho que foi sincero. Não queria tomar o poder pelo poder, acreditava que era preciso ir mais longe na austeridade e para tal era preciso a cobertura do resgate – como houve gente de direita bem intencionada que acreditou e acredita, sem oportunismos de ir ao “pote”. Mesmo que se venha a provar que estavam errados (como acho que estão), não acho uma ideia absurda e indefensável. Estamos todos fartos de ler coisas e pensar no assunto, mas ainda ninguém conseguiu aparecer com soluções evidentes para o problema.

        Abraço,

        André

      • fnvv diz:

        http://expresso.sapo.pt/a-1-de-abril-passos-coelho-disse-que-nao-iria-cortar-subsidios-video=f658956
        Bem , a colecção é longa….se isto era mais austeridade vou ali e já venho, André…

      • andré diz:

        Leias as minhas duas primeiras frases, Filipe: às vezes mentia, outras vezes não.

        Abraço,

        A.

      • fnvv diz:

        mais as primeiras do que as segundas…
        abraço

  3. caramelo diz:

    Não percebi bem, Filipe, tens de descodificar o criptograma. E o facto de ele ter dito que leu quatro livros do Freud não merece esse escarnecimento. Eu gostei da entrevista do Sócrates. Não só porque o tipo está intelectualmente uns furos acima do outro, como por me parecerem plausíveis as suas explicações. Muitos dos ataques que lhe foram feitos respeitam à sua vida privada, portanto, apontam-lhe para o carácter, mais do que para o famoso “despesismo”. E de facto, a campanha mediática e na rede nesse aspecto foi uma coisa sem precedentes. O resto, é o resto. De facto, ainda me lembro bem dos elogios e beijinhos da Merkel ao Sócrates…como é que chegámos a isto?

    • « o tipo está intelectualmente uns furos acima do outro, como por me parecerem plausíveis as suas explicações. »

      A segunda parte não discuto: se confiarmos nele, as explicações convencem-nos; caso contrário, não. Eu não confio. logo, não me convenceu. Contudo, achar que aquele mar de citações metidas a martelo demonstra que «o tipo está intelectualmente uns furos acima do outro» (qual outro, o Coelho?), só mesmo para rir (não de si, caramelo, mas do seu comentário).

      • Miguel diz:

        Eu não assisti/li à/a entrevista. Mas isto é uma questão factual (importante). O Sócrates acertou nas citações que fez? É que me consta que o outro disse que tinha lido a famosa obra do Jean-Sol Partre, “La phenoménologie de l’être”.

      • Miguel, eu também não assisti, e até acho que foi uma indelicadeza ele e a Clara não me terem convidado. Brinco, claro. Falando a sério, clarifico que eu não disse que ele não acertou nas citações, mas sim que elas foram metidas a martelo. Por analogia com o novo-riquismo, pareceu-me coisa de novo intelectual. E não são as citações, certamente, que me dizem que ele está intelectualmente uns furos acima do outro (que suponho tratar-se do Passos Coelho).

      • Miguel diz:

        É natural essa coisa de ser um “novo intelectual”, pois se o homem recomeçou a estudar há dois anos. A dfiferença no calibre afere-se verificando se, ao menos, acerta nas citações e se estas surgem a propósito, Já o outro … Mas isto é só para reinar, há entrevistados muito mais estimulantes do que este.

      • caramelo diz:

        Carlos, e não só o acho mais culto, como mais inteligente e mais bem preparado para governar do que o Coelho, esse mesmo. Faz o pleno. Não comecei a achar isto por causa da entrevista ou das citações. Isso das citações, todos gostam, novos e velhos intelectuais, Pelo menos, ao contrário de outros, percebi o que o homem disse. Mas ainda que aquilo fosse novo riquismo intelectual, e ele quisesse impressionar o pagode, até nisso, por isso mesmo, ficaria uns furos acima do Coelho, um tipo que é aquilo a que os ingleses chamam bland. O Sócrates é claramente um sedutor (é a direita que acha…) e eu sou um bocado romântico. O Passos seduz quem está já seduzido por uma ideia, ou melhor, uma coisa: a austeridade. Não há uma ideia de pais, de estado, nada. O seu ministro da saúde é universalmente reconhecido como muito bom, não por tratar melhor da saúde dos cidadãos, mas porque corta com critério. O seu colega da educação já é piorzito, porque corta sem critério. Isto é tudo um bocado melancólico; dá vontade de recitar baixinho o pobre do António Nobre debaixo dos cobertores.
        O Sócrates tem fama de richelieu de província, mas seria preciso um calculismo notável aliado a um sentido de risco um bocado aventureiro (tirava-lhe o chapéu), ir para Paris fazer um mestrado, ler quatro livros do Freud e sabe-se lá mais o quê, escrever uma tese, para poder chegar cá e impressionar o povo. O homem vai lançar o seu livro em Outubro e ainda por cima teve o mau gosto de escolher o Lula para o apresentar. Portanto, está a pedi-las. Os nossos velhos intelectuais já assinalaram a vermelho livros inteiros de citações, com aquela ironia fininha como chuva molha tolos e declinações intermináveis sobre a palavra tortura, que vão deixar o mercado de barriguinha cheia e sem vontade para ler o livro ou discuti-lo com um mínimo de seriedade.
        Sobre confiar ou não confiar no homem, eu apenas disse que era plausível o que ele disse e cingi-me à parte privada. A vida em Paris, a fortuna, a casa da mãe (as paneleirices e a cocaina são apendices que dão jeito), etc. É verdade? Não faço ideia, nem o conheço, e por isso apenas disse que as suas explicações eram plausíveis. Como é que estão as investigações do CM, essa folha da contra-cultura jornalistica? Viu a forma insidiosa como o CM se referiu ao assunto em título? A “fortuna” do Sócrates? Dava uma tese. No resto, se eu achasse, como muitos, que foi o Sócrates que afundou o país, obviamente considerava as justificações do Passos como corretas. O famoso “não há dinheiro, qual é a parte que não percebem? Foi tudo com as PPP, particularmente aquela estrada do Marão e os candeeiros do Siza.”. Mas é que acho mesmo que teria sido possível com a aprovação do PEC IV estarmos melhor do que estamos agora e isso, no fim do dia, é que me interessa.

      • fnvv diz:

        Pois é, citações a martelo só são gozo se da MTA ou daquela senhora do Expresso que o Luís aqui trouxe. Com o Socas é perseguição dos velhos elitistas.
        Enfim, cada qual usa o double que quer, isto aqui somos todos liberais.

      • caramelo diz:

        A MTA e a senhora do espresso? A sério? Diz então tu o que achas sobre a diferença entre o Sócrates e a MTA e a senhora, se é que existe alguma. Ou o Passos, já agora. Usando um único standard.

      • fnvv diz:

        Estávamos a falar de citações a martelo, não a comparar pessoas.

      • Miguel diz:

        Bolas, fnv, tu é que meteste esta a martelo: o Sócrates como a Maria (makes me laugh) ou a Fatinha? O Sócrates está culturalmente para as nossas amigas como, no outro sentido, para sei lá o Umberto Eco (para escolher o cúmulo do homem cultivado, excluindo as ciências para não baralhar).

      • caramelo diz:

        A Maria aqui metida no meio, só mesmo a martelo pneumático. Eu até acho que nunca falei nas citações da Maria, fiz umas apreciações mais globais. Mas tu achas mesmo que as citações do socras foram metidas a martelo? Eu não acho.

      • fnvv diz:

        citações, descobertas ( a Arendt etc). percebeste muito bem.
        O assunto nem é relevante, por isso referi na minha pequena nota blogosférica outros ossos.

      • caramelo diz:

        Sim, também acho que isso não é muito importante.

      • fnvv diz:

        e mais: no Mar Salgado estão lá vários posts meus cheios de comentários de patrulheiros a chamar-me…socretino .

      • Jorg diz:

        Para os “um bocado românticos, que aquiescem aos reconhecimentos da direita como sedutores”

        [Um saquinho de gomas coloridas em forma de ursinho, aka Gummi Bäarchen a quem adivinhar quem escreveu o texto citado abaixo…]

        A entrevista (2).
        Na minha meninice devorei os romances de Harold Robbins: nessas narrativas corajosas, em palavras duras, os protagonistas ficavam multimilionários e conduziam bólides nas 24 Horas Le Mans. Mal sabia o dr. Pais do Amaral que anos depois cumpriria as aspirações de uma criança intoxicada por má literatura.

        O que me agradava sobremaneira nas aventuras dos canalhas mais ricos do mundo era a exibição das suas acrobacias eróticas: esses homens, leitor, tinham falos, e esses falos, leitor, só conheciam dois estados — ou estavam erectos ou, hélas, entumescidos. Pontualmente também os encontrávamos rijos, túrgidos, e até mesmo, se a memória não me falha, tumefactos — mas nunca, nunca por amor de deus se achavam moles, tenros, frouxos, indolentes ou descaídos.

        Recordo um capítulo em particular, no qual o protagonista fodia uma groupie platinada com mamas grandes e botas à cowgirl no jacuzzi de uma penthouse com vista para o rio Hudson — se não foi isto, perdoem a liberdade poética. Pouco antes do orgasmo a mulher gritava com arrebatamento:

        — Ben, tu és o maior!

        E ele responde, entre duas bombadinhas:

        — Obrigado, Mandy.

        E ela retorque, triunfante:

        — Eu não sou a Mandy, sou a Sandy. Mas podes chamar-me o que quiseres, desde que continues a foder.

        Ao assistir à entrevista de José Sócrates na semana passada compreendi finalmente a natureza da relação entre os portugueses e o primeiro-ministro: ele pode dizer o que quiser, desde que continue a fodê-los.

      • fnvv diz:

        cof cof…isso serve também para o outro…

      • caramelo diz:

        Tens toda a razão, jorg! Já viste a potência do Sócrates e o prazer que o tipo dá a tantos portugueses? Tu andas a passar a lingua pela virilha e não há maneira de ires ao ponto. Assim, fazes adormecer a sandy.

  4. Ra-Ta-Ta diz:

    vejam. foi a nossa penúltima desgraça.

  5. Rui Alexandre diz:

    “Franjas de algodão”, por falar em livros e carácter (Machado de Assis, A Igreja do Diabo)

  6. Jorg diz:

    A entrevista conduzida por aquela perene ex-futura grande escritora, dona de Letras estilo de Lusa Yourcenar pincelada com aquele “pugresso” que se perscruta nas pingadelas de Pollock.
    O patrocinio da fundacao do Costume, uma especie de manta para tapar diafanamente tantas tralhas de feira da ladra – onde se encontram pecas de categoria a mistura com, como neste caso e demasiadas vezes, sacos de trampa. aka. “merde d´artiste”.
    A “promocao” do “Espesso” do Costinha e do Nicolau do Clube do Bacalhau, com trailers a lancar ´Cliffhangers´ para deixar maltas a salivar.
    O obséquio a Lula, também saliente pela profusao de ´mensaloes´e de recomendacoes de “advisory” a multinacionais Suicas do Sangue.
    A “boca aberta” perante a boa vida de “estudos” em Paris.
    Uma “tese” com “admoestacao” a comportamentos dos “amaricanos”.
    Insultos de caserna a Schauble, e a “direita lusa.

    Este “fresco” de “narrativa”ilustra muito mais do que do borra-botas que o Postico engenheiro domingueiro sempre foi e persiste em confirmar. É um formato de comedia que espelha muito do “geist” da populaca de certas natas lusas. Mas nao é, o formato, das de Woody Allen, que muito nos aquecem o coracao. E como a de Tarantino, “Reservoir Dogs”, populada de maltas em alucinada hilariacao a discutir, com grande profundidade, as essencias do “Like A Virgin” de Madonna

  7. cristiana fernandes diz:

    Malgré tout, o homem continua com a melhor figura de entre os políticos portugueses …e sinceramente, acho que melhorou um pouco no discurso…

  8. vortex diz:

    na net:
    In “An Anatomy of Addiction,” medical historian Howard Markel details the cocaine addictions of Sigmund Freud and William Halsted,

    • fnvv diz:

      Caro,
      Que Freud usou cocaína, é público e escrito. O que contestei foi “cocainómano”, porque, como deve saber, esse diagnóstico não é compatível com o uso recreacional de uma substância psicoactiva por um período curto e sem recidiva. Aliás, o Sigmundo ficou um adversário da droga ( morreu-lhe um amigo e colega)

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