Pois claro.

Polónia: Arcebispo católico insinua que crianças também são responsáveis por pedofilia

O líder da Igreja Católica na Polónia está sob uma onda de críticas depois de ter sugerido no início deste mês que as crianças são parcialmente responsáveis pelos abusos sexuais sofridos por padres.
O arcebispo Jozef Michalik, líder do Episcopado na Polónia, comentava as revelações sobre padres pedófilos no país. E defendeu em declarações a jornalistas que uma criança oriunda de uma família disfuncional “procura proximidade com outros e pode perder-se, fazendo com que a outra pessoa também se envolva”.

Elas aparecem em calções, a lamber um chupa, querem muito amor muito carinho e nós pimba. Que Deus perdoe aos pirralhos.

Luis M. Jorge

Anúncios

32 thoughts on “Pois claro.

  1. fnvv diz:

    Era uma questão de tempo.
    É vivificante a semelhança deste nojo com as justificações das org pedófilas ( ex na Holanda)

  2. Uma badalhoquice sem nome, em que o mais chocante, obviamente, são os abusos em si mesmos. Mas não nego que também considero desconcertante o silêncio daqueles católicos que têm sempre uma pedra para atirar a tudo aquilo que não vai de encontro à moral tal como defendida pela Igreja; se não estou em erro, a doutrina da Igreja também é contra isto.

      • xico diz:

        Caro Caramelo
        Leu o que eu escrevi? Percebeu que se tratou de uma reacção a um comentário? Onde é que eu disse que o caso não era de polícia? Onde escrevi que não era do código penal? Estávamos a falar do ver o “cisco no olho do vizinho e não ver a trave no nosso.

        Caro Carlos Azevedo
        O que menos esperaria que o meu texto suscitasse seria o adjectivo de farisaico. Limitei-me a responder-lhe. Os pecados dos nossos são sempre muito mais dolorosos e são, concerteza, o que mais nos devem preocupar. Nisso só posso estar de acordo consigo.
        Nunca admitiria que “os meus” viessem para a rua manifestar-se contra os pecados dos outros. O que quis dizer foi que manifestar-se contra a aceitação desses pecados como norma de sociedade é que é diferente. E isto nem sequer significa que eu esteja de acordo com algumas dessas manifestações ou da própria definição do que é ou não “pecado”.

      • caramelo diz:

        Xico, o “farisaico” é meu, não do Carlos. Queria eu salientar que, primeiro, não se trata de silêncio sobre “pecados”, mas de silêncio sobre crimes. As palavras são importantes. Já vezes de mais se ouviu a Igreja a justificar estes casos com uma suposta fraqueza moral dos seus membros, que seria resolvida no seu seio. Ouve-se em confissão, quando muito, e enterra-se o caso. Não passa de espírito de corporação, embrulhado numa retórica desculpabilizante. Aquilo que disse o arcebispo polaco já foi dito por outros de forma muito mais subtil, mas não menos repugnante. Segundo, o facto é que o silêncio da igreja sobre a pedofilia dos seus membros é criminoso e que nada justifica que esconda os seus crimes, ao mesmo tempo que denuncia os dos outros. Esta é uma hipocrisia institucionalizada há muito na Igreja. Já agora, é um silêncio não só sobre a pedofilia, como sobre o aborto, pois não devem ter sido poucos os casos de abortos provocados em crianças abusadas por padres.

    • xico diz:

      Como católico julgo que comparar qualquer manifestação de repúdio pela legalização daquilo que se considera imoral, com um silêncio sobre os pecados dos outros e dos nossos é injusta. Teria razão em fazer este comentário se a legalização da pedofilia fosse proposta e os católicos permanecessem calados. Uma coisa é sabermo-nos todos pecadores (é a primeira fórmula com que iniciamos a celebração litúrgica da eucaristia) outra é manifestarmo-nos ruidosamente contra a aceitação do que consideramos pecado. Seja lá o lado que eu esteja.

      • Não discuto isso, até porque não me referi especificamente à legalização do que quer que seja. Mas não deixa de ser interessante (no sentido de revelador) que tenha ido por aí.
        Eu, mais do que me preocupar em avaliar o grau de limpeza da casa dos outros de acordo com os meus critérios do que é uma casa limpa, preocupo-me com a limpeza da minha. E isto é válido para (quase) tudo na vida.

      • caramelo diz:

        Está a falar “como católico”? Isso que escreveu é o que os católicos costumavam chamar “farisaísmo”. Já agora, o caso relatado é com a policia, não com a Igreja, e é com o código penal, não com o manual da eucaristia.

      • Miguel diz:

        Sim, Xico, a comparação é injusta. Qualquer pessoa decente perante a legalização do aborto e os casos de pedofilia encobertos pela hierarquia, começa por combater o segundo problema. É uma questão de prioridade moral.

      • xico diz:

        Caro Miguel,
        Tem toda a razão. E eu escrevi o contrário?

  3. ppicoito diz:

    Só agora li este conjunto de comentários, mas acho muito curiosa a dicotomia: primeiro acaba-se com a pedoflia e depois combate-se o aborto. E que tal fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Dão licença? Ou “qualquer pessoa decente” tem de aceitar o aborto (já que, ao que parece, estamos todos de acordo em combater a pedofilia, uma novidade bem-vinda)?

    • Miguel diz:

      Nunca soube de nenhuma iniciativa contra o branqueamento dos casos de pedofilia pela hierarquia da parte dos movimentos contra a legalização do aborto. E se alguma iniciativa existiu, não teve a mesma amplitude (muitíssimo longe disso) da luta contra a legalização do aborto. Por fim, pessoas decentes podem ter opiniões diferentes quanto à lei que enquadra a prática do aborto; já me parece impossível estarem em desacordo quanto ao caso da pedofilia.

      • ppicoito diz:

        Também nunca dei por grande contestação da sua parte ao que aconteceu na Casa Pia: não deduzo daí que seja a favor da pedofilia. Ah, e conheço gente que é a favor da legalização do aborto e da pedofilia. Não muitos, mas interessantes.

      • Pedro, a questão não se relaciona com respostas pessoais mas institucionais. O Arcebisto da Polónia não é o comentador de um blogue. Responsabiliza o colectivo, e representa-o. Quando um arcebispo diz aquilo é toda a Igreja polaca que se alinha com o seu testemunho.

      • Miguel diz:

        O Luis já respondeu por mim.

  4. Bone diz:

    Enfim, para a claque pró-vida todos os caminhos vão dar a Roma.

  5. ppicoito diz:

    Amén, irmã.

  6. ppicoito diz:

    Camaradas Luís e Filipe, não necessariamente. O homem foi imprudente e pouco sensato. Acontece, até a arcebispos, mas isso não vincula ninguém (a mim não, de certeza). Outra coisa, e grave, seria uma declaração da Conferência Episcopal polaca no mesmo sentido. E outra, ainda mais grave, foi a complacência com os casos de pedofilia na Igreja por bispos não menos imprudentes (acontece etc.) em nome de uma mal entendida compreensão pelos prevaricadores. Já o disse muitas vezes. Mas não é isso que está em causa nos comentários anteriores, pois não? O que está em causa é o suposto silêncio dos movimentos pró-vida. Dos quais fiz parte quando foi tempo disso, recordo.

    • Não o silêncio dos movimentos pró-vida. O silêncio (e até a simpatia como neste caso) das altas hierarquias da Igreja. A igreja não combateu “ao mesmo tempo” como sugeres o aborto e a pedofilia. Combateu o aborto e escondeu a pedofilia.

      • ppicoito diz:

        Sim, foi um erro, não uma simpatia, mas a dimensão pública do aborto foi sempre maior. O paralelo com o proceso Casa Pia, que só começou quando a opinião pública mudou de atitude em relação à pedofilia, embora os abusos tivessem anos e anos, é elucidativo. Também na Igreja houve quem entendesse (erradamente) que a pedofilia não devia ir a tribunal. Tal como o Estado português. E depois há aqueles que achavam que sexo consensual entre adultos e adolescentes fazia parte da utopia, como os netos do Oscar Wilde e os Verdes alemães. Fizeram mal, a Igreja, o Estado, os netos e os Gruns? Fizeram, mas só a Igreja pagou indemnizações às vítimas. Vale a pena contar a história toda.

      • Bem, por partes:

        1. A dimensão pública do aborto foi maior porque entre outras razões a Igreja quis que fosse. A coisa não apareceu do nada. Não vale invocá-la como se tivesse uma origem exterior do tipo “espírito dos tempos”.

        2. A questão do “sexo consensual entre adultos e adolescentes” está ao lado destas contas, porque a idade do consentimento, se não me esqueci dos alfarrábios de direito, ronda os 14 anos, embora haja penalizações até aos 16 em certas circunstâncias. O que é muito diferente de sentar no colinho meninos de coro com nove ou dez anos, if you know what I mean.

        3. Meter aqui os verdes, eu sei, dá imenso jeito — a esquerda e tal. Só que os verdes alemães não tinham a seu cargo milhares de meninos em colégios internos e orfanatos, não andaram a ocultar provas de crimes durante em certos casos cinquenta anos, etc. Ou seja, é outra dimensão.

        E a dimensão interessa. A dimensão é importante exactamente porque nos revela os aspectos institucionais da coisa, as cumplicidades, os “erros” como lhe chamas.

        A Igreja pagou indemnizações? É natural. A Igreja, como sabemos, é muito boazinha. Mas a história toda deve incluir que as indemnizações foram ditadas, ou pressionadas pelos casos a decorrer em tribunal.

  7. ppicoito diz:

    De acordo (com tudo), mas já estás longe do ponto. Que era este: a Igreja não poderia condenar o aborto porque é culpada de pedofilia. Esta condição imposta aos católicos é simplesmente chocante e surpreende-me que não o vejas. A pedofilia na Igreja envergonha-me pessoalmente, mas não dá a ninguém o direito de me exigir silêncio sobre o aborto. Ainda por cima, em nome de uma “decência” distribuída por quem diz que a decência não tem donos.

    • Hmmm. Estás a confundir pelo menos o meu ponto (os outros não sei). A igreja pode condenar tudo o que quiser. Mas aos olhos da opinião pública (que eu represento, claro) fica sublinhado que se preocupa mais em condenar comportamentos exteriores, do que em olhar para alguns crimes que alimentou ou permitiu à sua hierarquia. Este é o ponto, tal como resulta desta história do arcebispo polaco.

    • Miguel diz:

      Eu não disse isso. Apenas acho estranho que seja hiperactivos no caso do aborto e hipoactivos no caso do encobrimento da pedofilia pela hierarquia. Não compreendo.

      Não devia precisar de acrescentar que esta observação não implica nenhuma exigência de silêncio (seriamente: exigir silêncio quereria na sua imaginação significa o quê em concreto? nada, evidentemente porque uma crítica não é uma exigência de seja o que for) a ninguém, muito menos em nome da decência.

  8. Não se exige (eu não exijo, pelo menos) aos católicos silêncio no debate sobre o aborto por causa de uma qualquer responsabilidade pela prática de actos de pedofilia por parte dos sacerdotes (porque a culpa — e, consequentemente, a responsabilidade — é de quem pratica os actos, e não dos católicos em geral), mas sim que levantem a voz contra a pedofilia no seio da Igreja. De modo geral, não é o que se vê.

  9. caramelo diz:

    Pedro, a ser assim como diz, então qualquer acusação de hipocrisia ou double standards passa por ser visto como tentativa de silenciamento. Mas, já agora, qual foi o movimento pró-vida, ou, melhor, quantos (e eles são muitos) é que denunciaram a pedfilia no seio da igreja e o seu encobrimento prolongado? Eu vi imagens de estarrecer em muitos deles, acusações de genocidio, etc., mas não me lembro da mesma intensidade, nem perto, quanto á pedofilia na Igreja. Posso estar enganado.

    • ppicoito diz:

      Os movimentos pró-vida, que não são assim tantos, não condenaram explicitamente a pedofilia na Igreja por várias razões, todas óbvias. Primeiro, porque quando surgiram, nomeadamente em Portugal, o tema não tinha o relevo noticioso que ganhou nos últimos anos. Segundo, porque não vale a pena condenar o que é evidentemente condenável, mesmo que alguém sugira que o silêncio mediático é cumplicidade – os movimentos pró-vida também não condenaram explicitamente a violência doméstica, o anti-semitismo ou os salários em atraso e é muito pouco provável que sejam a favor. Terceiro, porque nasceram ad hoc, totalmente ad hoc, com um objectivo específico e pouco consensual, um objectivo que niguém, nem mesmo os partidos de direita, fizeram seu, que mais ninguém defende e que de algum modo se esgota si próprio: a luta contra a banalização do aborto. Não vejo nenhuma razão para que essas mesmas pessoas tenham de pronunciar-se especificamente contra a pedofilia na Igreja, a não ser, claro, o facto de muitos serem católicos. Ou seja, a conversa piedosa de que só os padres e os bispos concretos podem ser responsabilizados pela pedofilia, e que não se pode generalizar a todos os católicos, etc., afinal não é bem assim: há pessoas que têm de se pronunciar explicitamenmte contra a pedofilia só porque são católicos. Quarto, porque houve uma resposta instritucional (como diz o Luís) da Igreja a um problema que, concordo, era também institucional. João Paulo II pronunciou-se várias vezes e Bento XVI também, por exemplo na famosa carta aos bispos irlandeses em que é muito claro sobre o tema.
      Pela minha parte, passe a imodéstia (e vale a pena concretizar porque a acusação que foi feita aos movimentos pró-vida, dos quais fiz parte, foi muito concreta), participei num programa de televisão sobre isto (Sociedade Civil, RTP 2), talvez pela subida fama ganha no Prós e Contras e no Expresso da Meia Noite, participei com outros convidados em dois programas na Rádio Renascença em que toquei o assunto (um quando rebentou o escândalo, outro quando Bento XVI renunciou ao pontificado) e dediquei-lhe pelo menos dois dos meus comentários quinzenais na RR. No Cachimbo, escrevi muitos posts sobre isto, mais do que desejaria, e também sobre o processo Casa Pia, idem. Só aqui no Declínio me tenho dedicado à poesia.
      Está escrito, é só irem conferir. Mas, já que estamos em maré de acusações concretas, não me lembro de algum dos ilustres comentadores ter condenado explicitamente, com o nome que aqui usam ou outro pelo qual os possamos identificar, a pedofilia institucionalizada na Casa Pia. Repito que não deduzo daí a sua concordância, a sua cumplicidade ou que fiquem impedidos de criticar o Governo por isso. Mas esta doutrina é pessoal e intransmissível, ao que parece. Tal como, suponho, a culpa da pedofilia (excepto para os católicos, claro, nada de ceder à hipocrisia).

  10. «Ou seja, a conversa piedosa de que só os padres e os bispos concretos podem ser responsabilizados pela pedofilia, e que não se pode generalizar a todos os católicos, etc., afinal não é bem assim: há pessoas que têm de se pronunciar explicitamenmte contra a pedofilia só porque são católicos.»

    Se se referia ao meu comentário, e digo isto porque nenhum outro comentador abordou algo parecido com isto, trocou tudo. Eu disse simplesmente que não acho que a pedofilia no seio da Igreja deva dar origem ao silenciamento dos católicos na questão do aborto, mas sim ao levantamento da voz na questão da pedofilia. Quando falei em responsabilidade, não foi conversa piedosa: foi a constatação de que as únicas pessoas responsáveis pela prática dos actos são as que os praticam e as que as encobrem — falo de responsabilidade e de culpa com relevância juridica. Levantar a voz contra o que se passa numa instituição da qual fazem parte é uma questão de natureza não jurídica.

  11. caramelo diz:

    Pedro, eu não me referia a si, porque já o li sobre o assunto, nem especificamente aos movimentos exclusivamente portugueses, que são had hoc e amadores, penso eu. Por todo o mundo existem esses movimentos, uns mais ligados à hieraquia da Igreja, outros menos, muitos deles com imensos recursos financeiros, nomeadamente nos Estados Unidos, e com uma estrutura permanente. E supunha eu, desculpe, que todos os católicos devem mesmo condenar a pedofilia na Igreja, porque, afinal, que eu saiba, a Igreja são os católicos. Apenas estariam a condenar um crime que acontece no seu seio. E insisto que nem sequer no tema que têm debatido, o do aborto, levantaram a hipótese dos possíveis abortos provocados por abusos de criança por membros da Igreja. Não se trata aí de mulheres adultas a abortar, em hospitais e com regras, mas de crianças, em condições que se sabe.

    Quanto à Casa Pia, já muito se escreveu, já muitos condenaram e supor que eu ou outro aqui não disseram nada na altura, é supor demasiado, e se algum membro da hierarquia do estado alguma vez disse algo de semelhante ao que foi dito pelo arcepispo polaco, deveria ter sido sumariamente despedido. Mas não me lembro de nenhum governante dizer coisa parecida, ou relativizar sequer o assunto com a fraqueza dos pedófilos. Se o fizer, estamos aqui todos para o condenar sem reservas. Mas as dimensões são diferentes e é precisamente a dimensão deste fenómeno que torna o caso tão escabroso. É preciso não esquecer que nos paises católicos, e mesmo em muitos não católicos, foi a Igreja que durante muitos anos tomou a seu cargo a tarefa de acolher as crianças órfãs ou abandonadas (pelo menos a Igreja orgulha-se disso). As condições em que isso é (ou era) feito, é outra história.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: