Quem sabe, sabe

O lip service  gauche-LGBT do costume,  disfarçado de programa de humor, mas o mais giro, e profissional, foi a ferroada  final a António Costa: não só teve o desplante de ter faltado  à liturgia como parece ser um obstáculo à entronização.

FNV

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26 thoughts on “Quem sabe, sabe

  1. Não podia estar mais de acordo com o “post”.

  2. andpinto diz:

    Sempre que converso com um simpatizante de António Costa, não demoro a descobrir que não habita em Lisboa, ou não lhe frequenta as zonas nobras.

    • fnvv diz:

      também tenho essa mesmíssima impressão, embora a vitória em Lisboa corrija o tiro: é menos apreciado nas …zonas centrais.

      • henrique pereira dos santos diz:

        A vitória de Costa em Lisboa é inquestionável. Mas convém não pensar (como pensou Alegre com o seu milhão de votos na primeira candidatura) que a votação tem uma leitura linear: a abstenção foi sensivelmente maior que o normal e é sempre mais fácil ganhar quando o adversário tem quase falta de comparência. Penso que Costa percebeu bem a votação e por isso não se mete no vespeiro do partido e do país e espera que a presidência da república lhe caia no colo. Não estou convencido de que Costa seja assim tão bem amado como parece. É um bocado como o papo-seco: toda a gente come sem dar por isso mas mal tem alternativa muda de pão.

      • fnvv diz:

        hummm…não me parece, Henrique. O AC é mais como o bolo de Ançã. Aguardemos.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Se se deixar andar para Presidente, tem razão (o Filipe). Se se meter no vespeiro do partido, tenho dúvidas. É que nessa altura não basta, mesmo sendo bolo de ançã.

  3. andpinto diz:

    A vitória esmagadora em Lisboa deve-se, em primeiro lugar, à ausência de um adversário minimamente viável. As zonas de centrais de Lisboa, como se sabe, são muito pouco habitadas e estão a saque do lobby turístico. O grande plano para revitalizar a Baixa resume-se a 26 hotéis já aprovados e os inúmeros restaurantes “de conceito” anexos. Vai tudo correr bem.

  4. jms diz:

    O mesmo “lip service gauche-LGBT”, para usar a sua expressão, que, em 2009, esteve ao serviço do “filósofo” de Paris, ridicularizando Manuela Ferreira Leite, tratada simplesmente como “a velha”… Por isso não deixa de ser cómico ver ensaiar-se agora a “narrativa” de que o PEC IV é que teria sido a melhor solução para o país. E constatar que quem o diz agora são os mesmos que em 2009 acusavam “a velha” de ser “pessimista, de só querer “cortar, cortar, cortar”, de não querer o TGV, o novo aeroporto, a terceira travessia do Tejo, e todos os outros projectos de “modernização” do país, como os “Magalhães” (para os quais agora não há dinheiro) e escolas a gastar 20.000 euros em candeeiros do Siza (e que agora não têm dinheiro para pagar aquecimento), etc., etc.

  5. caramelo diz:

    de luxe? Também compras a versão de que andaram a espalhar candeeiros do Siza e mármore de carrara pelas escolas do país? O que me chateia é terem ficado os candeeiros do Siza (numa escola), como símbolo do que se fez, que foi tanto e, na maioria dos casos, tão bom. Por acaso, até sei que houve erros de projeto ou obras mal feitas em várias escolas. A Brotero, em Coimbra, por exemplo. Mas sabes tão bem como eu o horror que tem pelo menos uma parte da nossa direita às modernices e às obras. O desprezo pelo Magalhães, então, é sintomático. Não é provocação, é aborrecimento sincero. às tantas, um gajo farta-se e nem tem nada a ver com o Sócrates, ao contrário do que possas pensar.

    • fnvv diz:

      Eu só compro ouro de lei. Na clínica tenho muitos professores e professoras.Candeeiros de quem? Não menino, sistemas de aquecimento de luxe, gabinetes para directores do tamanho da suite do princípe Faisal etc.
      Acorda, pá, não te deixes levar pela agit prop.

    • jms diz:

      Não sei se quando se refere ao horror que tem “uma parte da nossa direita às modernices e às obras” me está incluir (uma vez que fui eu quem trouxe o assunto à baila). Se assim é, devo dizer que o rótulo de “pertencer a uma certa direita” me incomoda tanto ou tão pouco como o rótulo de “pertencer a uma certa esquerda”. Não me deixo condicionar por rótulos, nem deixo também que me coloquem de um lado ou do outro da barricada. Tenho a liberdade pensar sem ter de estar ideologicamente entrincheirado. Confesso que nem estava para responder ao seu comentário, mas como diz, “às tantas um gajo farta-se” de, por causa se uma opinião, ser logo rotulado.
      O que me horroriza não é a modernização do país (seja através de obras ou através do acesso a tecnologia, mas que não confundo com “modernices” serôdias) ou a melhoria de condições de vida das pessoas. O que me horroriza é a falta de escrúpulo, seja à esquerda, seja à direita, na gestão dos recursos públicos que, para o muito que há por fazer, serão sempre escassos. Os exemplos que referi – alguns um pouco caricaturais, reconheço – são, a meu ver, sinais dessa falta de escrúpulo. Mas deixe-me que lhe diga que, ainda assim, me impressiona que numa escola se tenha gasto 20000 euros em candeeiros, mesmo que seja uma situação caricatural, quando há, por exemplo, tribunais onde os sinistrados em acidentes de trabalho são levados em braços para a sala de audiências, porque não há acessos adaptados para deficientes (e este é só um exemplo, também caricatural). É certo que com as obras nas escolas se fez muito coisa boa (aqui mesmo ao pé de minha casa, um conjunto de barracões a que chamavam escola foi transformado numa verdadeira escola). Não me custa reconhecer isso, mas não deixo de criticar os excessos da “festa” (para usar o termo da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues). E ainda bem que se fez muita coisa boa. Mau seria se assim não fosse. Afinal de contas, se não estou em erro, a “festa” custou 1000 milhões de euros. Até o Jardim, na Madeira, fez muita coisa (obra) boa. O que importa questionar em qualquer caso, parece-me, é se era necessário ter gasto tanto para fazer (só) o necessário e não o supérfluo…
      Quanto ao Sócrates, aborrece-me ter, por engano, votado nele em 2005. Mas já me penitenciei disso. Nas últimas autárquicas, por exemplo, votei um pouco mais à esquerda…

      • fnvv diz:

        “Até o Jardim, na Madeira, fez muita coisa (obra) boa”.
        Ó Caramelo vais ter de digerir isto. Acompanha com castanhas da tua ex-Lousã.

      • caramelo diz:

        Filipe, achas que me custa a engolir essa do Jardim? Escorrega que nem gelatina. O problema do Jardim não está nas suas boas obras, está nas más, nas inúteis e nas de fachada, nas assimetrias regionais (aprendi bastante sobre isso, quando lá estive) e nas ilegalidades e no montante dos desvios e é ai que a comparação deve ser feita. Se a fonte é o IGF e o TC, e tem sido (por quem nem sequer sabe ler os relatórios), compare-se então com o que dizem essas entidades sobre a Madeira.

        Não sei se o jmn quis dizer que não é de esquerda, nem de direita, antes pelo contrário, e que é apenas um cidadão interessado e preocupado. Eu sou de esquerda e nunca me senti barricado por isso. Quer o jmn explicar em que é que isto condiciona a minha liberdade? Eu não tenho problema nenhum em reconhecer erros e obviamente melhor seria não terem gasto dinheiro num candeeiro do Siza e gastá-lo antes a fazer uma rampa para deficientes no tal tribunal. Apenas salientei o que julgo ser mais importante e se calhar é essa parte que nos diferencia. Não vale a pena o jmn aborrecer-se, porque só comento o que leio, não faço suposições. Nunca li o jmn, mas há de facto uma certa direita que prefere salientar o tão glosado candeeiro, achando-o representativo do que se passou, ou ridicularizar o Magalhães, como uma modernice, e há quem prefira salientar as melhores condições para os miúdos e lamentar que muitas obras tenham sido abandonadas e que o projeto Magalhães tenha sido abandonado, entre tantas outras coisas. Não sei a opinião do jmn sobre isso, mas a mesma direita também acha que são normais turmas de trinta e tal miúdos. Estas discussões não são só nossas. Perdi o link, mas acompanhei há tempos uma discussão sobre as diferenças entre o ensino na Suécia e na Finlândia. O primeiro perdeu posições no ranking porque dá maior enfase à organização e controlo de custos, fazendo um tratamento mais macro, o segundo dá especial atenção personalizada ao aluno. Uma certa direita por aqui acha isto um disparate. Custa dinheiro, mas não é o dinheiro que move a direita neste caso, é mesmo a ideologia, uma particular visão da educação.
        Claro que houve erros de projecto e de obra e desvios orçamentais, mas acontece que nem o IGT e o TC apontam os desvios que foram propalados, pelo Ministro Crato e centrais de comunicação, que as interpretações da lei divergem e que houve contraditório (eu sei bem o que isso é, porque tmbém trabalho em contratação pública), que foram avançadas explicações para os desvios da orçamentação original e que até agora não se descobriu matéria crime. Esta é a matéria não ideológica, é a matéria de facto e de lei, a que é sindicalizável pelas inspeções e pelos tribunais e sobre a qual até podemos chegar a acordo, sendo de esquerda ou de direita ou centro.

      • fnvv diz:

        “até agora não se descobriu matéria crime”
        Bem, entre o bem feito e crime há, concordarás, uma míriade de possibilidades, no?
        está aqui
        http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2012/2s/audit-dgtc-rel009-2012.pdf

        um dos relatórios sem narrativas nem centrais de comunicações. A parte que gosto mais é a mudança: durante dois anos, UE e OE, depois, banca e que paguem os outros. As derrapagens tiveram sempre uma explicação razoável. Claro, usando da tua bitola, se fosse num governo liberal era corrupção à custa do erário público.

      • caramelo diz:

        Filipe, eu próprio referi o relatório do TC. E o da IGF é este:
        http://www.parque-escolar.pt/docs/site/pt/programa/relatorio-igf.pdf

        As derrapagens podem ter, ou não, uma explicação razoável. Foram apresentadas explicações; é analisar, pelo menos, a sua plausibilidade. Mais uma vez te digo que sei que existiram erros não justificáveis; a questão aqui é a sua dimensão. E utilizaria o mesmo critério se fosse um governo liberal ou de direita. Não ponho nesse mesmo saco, casos como os dos célebres fundos do FSE, com a formação, ou os subsídios para a agricultura, no governo Cavaco, que atingiram outras proporções e outra natureza, mesmo ficando só pelo puro aspeto financeiro, a começar pela pura inutilidade de muitas das ações financiadas, um imenso vazadouro. Mais do que isso não digo, porque sou um bocado avesso a fazer acusações de corrupção e crimes em geral, seja à esquerda, seja à direita, seja no que for, embora saiba que a sua existência é da natureza das coisas, e tenha ou não conhecimento direto de casos. Que a corrupção está bem distribuída à esquerda e à direita, não tenho dúvidas.

      • fnvv diz:

        Claro. E sou, porque fui professor 15 anos, um incondicional adepto da melhoria das condições materiais, mas também das …culturais.

    • andpinto diz:

      Essa malta da direita que tem horror a obras, menos o Ferreira do Amaral e o Cavaco Silva?

      • fnvv diz:

        Tiro de Winchester .470

      • caramelo diz:

        Filipe e esse tiro acertou onde? Tanta munição tão cara desperdiçada, minha nossa senhora. Eu não falava da direita do cavaco e do ferreira do amaral.

      • fnvv diz:

        ah pois, só da outra direita mais ao centro logo ali acima do café Central e antes do quiosque, enfim, disfarçada de pinheiro, quer dizer, inventei-a agora, né?

      • caramelo diz:

        Ora, fazes-te de desentendido. Falava eu na direita pia e casta, com saudades do estrado elevado nas salas de aula, a direita do corta-fitas, que tem no poeta Correia de Oliveira o seu grande expoente literário e cultural. Tem agora no Cavaco o seu chefe possivel, mas esse não tem o toque certo do ouro, é outra liga, e de vez em quando atiram-lhe à cara o despesismo e as modernices dos últimos trinta anos. Essa é só a matriz. Mais ultramontana, menos ultramontana, toda a direita bebe desse licorzinho, até a versão cosmopolita do Viegas, de forma um pouquinho mais seráfica. Todos se queixam há cem anos de serem sufocados pela predominância culrural da esquerda, coitados. Depois há a direita do centrão e dos negócios, o Loureiro, o Ferreira do Amaral, o Cavaco lui meme, que é outra loiça.

      • fnvv diz:

        Estás um especialista em direitas. Quero uma com creme e mas sem açúcar.

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