Metamorfose

Em Castelo Branco não houve gente para  a manif Que se Lixe a Troika, por causa do medo. Em Coimbra não houve medo, em Faro ( 50 pessoas) algum medo, em Lisboa ( 15.000) nenhum medo.

É o que eu digo: a forma como acarinhamos qualquer imbecilidade se  dirigida ao actual governo e sua política, mesmo as que são puro  cálculo político, está  transformar-nos em imbecis.

FNV

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20 thoughts on “Metamorfose

  1. Miguel diz:

    O que é mais grave não são os cálculos políticos de x ou de y, que são inevitáveis e podem ser mais ou menos interessantes. Nem sequer as eventuais represálias, que a existirem (não faço ideia) apenas reforçariam a urgência da participação cívica. O mais grave é que, dada a gravidade da situação e do que está em jogo, a aparente fraqueza dos protestos revela um nível de apatia preocupante .

    • fnvv diz:

      eventuais represálias em Castelo Branco? Um microclima, portanto, e em Faro também . Já em Coimbra e Lisboa o tempo estava melhor.
      Hão-de ir longe a combater a apatia assim.
      Por outro lado, continaum no século XIX e XX. Os protestos de rua organizados pelo Bloco não são um indicador de nada.

      • Miguel diz:

        Os tempos não estão para purismos. Não protestar contra o governo porque quem se deu ao trabalho foi o BE é luxo para tempo de vacas gordas.

        Possivelmente não há represálias em Castelo Branco (é um cantão dominado pelo PS?) Mas o meu ponto era que caso houvessem, o efeito não deveria ser dissuasivo… como é que um zé ninguém se pode defender senão juntando-se a um colectivo?.. A lógica devia ser essa.

      • fnvv diz:

        Não, a lógica não é essa.O tempo das arruadas só em pré-guerra civil ou, ao menos, organizadas por quem sabe ( PCP, CGTP).
        Um dia destes desenvolvo.

  2. josé serra diz:

    «Mas, «nem mesmo a camada intelectual da cidade respondeu», lamentou».
    ouvi dizer que nem os artesãos dos famosos bordados de castelo branco 😉

  3. xico diz:

    As pessoas não estão indignadas? Estão. Mas talvez tenham percebido que a solução não vem de onde veio o problema.

  4. andpinto diz:

    É preciso de resistir à tentação de interpretar o comportamento colectivo, como faz o xico. Pouco antes da revolução francesa, o povo chamava o “Bem-Amado” a Luís XV e cuspia sobre o regicida falhado Damiens. Esse mesmo povo que iria dali a nada massacrar a família real e toda a nobreza francesa. A política no nosso país encontra-se suprimida na sua substância, sendo o seu exercício meramente formal, por inteira culpa dos partidos de esquerda; planeta Estaline à parte. São Bento é actualmente um farsa política representada entre mármores democráticos. Mais do que resignação ou adesão às teses do governo, não existe nenhum cavalo do outro lado do executivo que as massas possam cavalgar. Se houvesse, tão fraco e impreparado saco de políticos teria uma existência mais titubeante. O Bloco de Esquerda esvaziou-se em quezílias internas, e o período pós-Sócrates do PS ficará para a História como o das facas longas à coca de melhores dias, ficando partido nas mãos de uma alcachofra dotada de fala. Esperar levantamentos populares por geração espontânea, seja qual for a situação do povo, sem um qualquer foco aglutinador da insatisfação, que a transforme em consequência política, revela alguma ingenuidade e pouca leitura de História.

    • xico diz:

      Caro andpinto,
      Em que é que o seu raciocínio é diferente do meu, para além do tamanho? Eu disse o mesmo com menos palavras. E não foi o povo quem massacrou a família real e a nobreza francesas. Foi a classe endinheirada da burguesia. Tal como cá em 1910.

      • André diz:

        O xico não percebeu que as pessoas não percebem. E não percebeu o meu raciocínio. E boa sorte com essas leituras históricas no ministério da verdade.

  5. Não discordando do que o Filipe diz (mas precisando que não é fenómeno recente: com o Governo de Sócrates aconteceu o mesmo), o que verdadeiramente me surpreende é que tenham cancelado a manifestação. Um dos organizadores fala do medo alheio e blá-blá-blá, mas, pelos vistos, só dá o peito as balas, para usar a expressão dele, se estiver dissolvido no meio da multidão. É uma coisa que sempre me irritou (e já lidei com muita gente assim): os fracos que se julgam fortes e apontam o dedo aos outros, outros esses que, em muitos casos, são mais fortes do que eles.

    • fnvv diz:

      Penso que é mais simples, Carlos:as pessoas não querem ir. Em Faro 50????? Como é possível???

      • Sim, não pus/ponho isso em causa. Mais: os motivos das pessoas que não foram só lhes dizem respeito a elas (eu não fui à do Porto e não sinto necessidade de me justificar a ninguém, era o que mais faltava). Eu peguei noutra perspectiva da notícia: o que me irrita é o moralismo do fulano da organização, que aponta o dedo a quem não quis ir, tendo ele e os outros organizadores cancelado a manifestação. Se a convocaram, considerando-a justa, levavam-na até ao fim, nem que fossem apenas eles.

  6. Crystal Gayle diz:

    Um esclarecimento: as manifestações “que se lixe a troika” não são organizadas por nenhum partido político, nomeadamente pelo bloco como foi aqui referido.

  7. Carlos diz:

    Este movimento também foi protestar no dia em que o Governo estava reunido em Conselho de Ministros para fechar o OE2014. Notícia do Público: “Quase uma dezena de cidadãos exigem a demissão do Governo». Ora, bastava os ministros saírem do seu Conselho para haver mais apoiantes do orçamento do que anti-orçamento na dita «manifestação».

  8. caramelo diz:

    Há quem já tenha completado a metamorfose. O senhor Cardeal Policarpo Emérito, num encontro chamado “Caridade é a fé em ação”, diz «Não encontrei ninguém das oposições – todas elas – que apresentasse soluções. E se falhasse este mecanismo da economia liberal [apoio financeiro no âmbito do pedido de resgate], Portugal só teria dinheiro para mês e meio», e continua, com quela boquinha torcida, «Parece que ninguém sabe que Portugal está numa crise e dá a ideia que todos reagem como se o estado pudesse satisfazer as suas reivindicações». Enfim, o Emérito Policarpo, capelão de clube liberal, aborrece-se porque toda a gente está na pedinchice.
    Há alguma coisa de harmonioso no facto de alguém que abrilhanta um encontro chamado “caridade é a fé em acção” não ter uma palavra para lembrar ao governo as suas responsabilidades para com os mais pobres. O governo também tem apelado à responsabilidade da sociedade civil e se formos todos amiguinhos uns dos outros, como o governo manda, sempre poderemos ajudar os mais pobres a complementar o aumentozinho de 1% que vão ter nas suas pensões mínimas, como foi anunciado pelo ministro da lambreta. O Presidente da Cáritas, que percebe bem os limites da caridade numa sociedade em crise, apresentou ali soluções, resvalando para a jacobinice quando disse, por outras palavras, para não assustar demasiado suas eminências cardinalícias presentes, “os ricos que paguem a crise”.

    http://www.tvi24.iol.pt/503/internacional/d-jose-policarpo-policarpo-austeridade-troika-ajuda-externa-tvi24/1503643-4073.html

  9. rosa diz:

    Se calhar é pedir demais ,mas gostava que alguém m’ explicasse porque diz que está o povo apático.
    Eu não vejo ninguém apático á minha volta…o povo é paciente-pudera já é velho! Estes senhores (que agora mandam nisto) vão-se embora qualquer!O povo fica…e tem mais que fazer do que ir a manifestações todos os sabados!

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