V.6

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Sinichi Sawada. Sawada é autista profundo; exibiu centenas destas pequenas esculturas.

Cronologias desaparecidas. Os exilados: Judeus –> Ezra Pound –>Brodsky.

Para quem gosta de ironias históricas a cronologia é interessante. Os judeus vieram em massa de Espanha em Portugal no princípio do século XVI, e a seguir de outros locais ao sabor das perseguições da época. A “questão judaica” foi resolvida pela república com uma limpeza digna de um povo de comerciantes: acolheu-os, meteu-os no gueto e sangrou-os com impostos. O povo dos escolhidos preferiu pagar a incandescer nos autos-de-fé a que Candide e Pangloss assistiriam com tanto ânimo em Lisboa.

Muito mais tarde, o poeta americano encontraria refúgio num apartamento da praça de São Marcos após a ópera bufa da sua ligação ao nazismo. Brodsky chegou a visitar a viúva de Pound encerrada num palazzo em Dorsoduro (se a memória não me trai), numa época em que, não podendo regressar à Rússia, ele passou largas temporadas no Fondamenta Nuove.

Os exilados de Veneza incluíram homossexuais, poetas, activistas políticos e gente que teve a infelicidade de receber o baptismo com rituais exóticos. Alguns cultivavam a excentricidade — como Frederick Rolfe, reconhecido entre os apreciadores de Corto Maltese pelo apodo de Barão Corvo. Parece que apreciava muito os gondolieri.

Luis M. Jorge

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2 thoughts on “V.6

  1. Adiante. Somos todos autistas, não importa o espectro.

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