O verdadeiro resgate

Se o INE tivesse anunciado que continuamos em recessão técnica,  a reacção dos media-embedded   e da oposição seria exactamente igual à que foi. Ou seja, realidades diferentes teriam  a mesma leitura: o governo falhou.

O tacticismo, a vingança e o orgulho parecem não compreender que os pequenos sinais de recuperação se devem sobretudo à capacidade dos cidadãos. O desvalorizar sistemático do esforço das gentes corresponde a sequestrá-las  em nome do jogo político. O resgate pedido pode ser impagável.

FNV

16 thoughts on “O verdadeiro resgate

  1. joshua diz:

    «O tacticismo, a vingança e o orgulho parecem não compreender que os pequenos sinais de recuperação se devem sobretudo à capacidade dos cidadãos.»

    Os cidadãos não entram no jogo político, Filipe.

  2. caramelo diz:

    Malandros, não respeitam o esforço e capacidade de sacrifício dos cidadãos. Desde que foi lançada a Grande Campanha, a Amélia abdicou do RSI, o Alfredo abdicou de um emprego e o seu filho abdicou de um curso superior e os sabotadores da moral do povo não dão tréguas. Esperemos pelas próximas eleições para saber se a oposição conseguiu satisfazer os seus propósitos.

    • fnvv diz:

      falo de esforço e de esperança, tu falas de … eleições. Nada a fazer.
      E Foram eleições que puseram lá estes , não foram?

      • Miguel diz:

        Eu não quero interpretar mal. O esforço de uma catrefada de desempregados resultou num pirro aumento do PIB e assim se transmutou em esperança. É isso?

        Por outro lado, estou de acordo. O governo não falhou ainda. O objectivo é acabar com os serviços públicos e distribuir as benesses pelos amigos a preços de ocasião. Até agora tendo vindo a cumprir esses objecitvos de forma consistente,

      • caramelo, Dr. Doom diz:

        Dr. Esperança, só me fez impressão essa do esforço e capacidade das gentes. É o esforço e capacidade, mas é a… o coiso da mãe Joana, se dás licença. Não somos voluntários e para paternalismos chega o dr. Poiares. De resto, está tudo bem, com esse pequeno pormenor de o próprio governo prever uma contração de 1,8 do PIB na totalidade do ano. Quero eu dizer, se fazes favor, no fim do ano está o pais mais pobre. Mas eu não sou gajo para contrariar os boletins do INE, gente esforçada que reúne números e até dou de barato que as exportações aumentem 100% para o ano que vem e tal e o PIB aumente outro tanto. Só me preocupa a vida do tal tipo que acordou do coma quando for para casa. Se alguma vez correrá os cem metros ou a maratona. Ou seja, interessa-me a distribuição de tanta riqueza, para onde vai, o que se faz com ela, qual o resultado do esforço desta gente boa para o seu dia a dia no futuro e dos seus filhos.

      • fnvv diz:

        Pois eu faço o que posso no dia a dia para ajudar as pessoas e na escrita desejo o melhor para os meus compatriotas.
        Se isso incomoda alguém, temos pena.

      • caramelo diz:

        A intenção é boa, meu bom homem, mas não tomares os teus compatriotas por parvos é capaz de os ajudar na auto-estima.

      • fnvv diz:

        bem, vou deixar-vos em paz, falta-me pachorra para tanta acédia, mesmo a indirecta.

    • Miguel diz:

      Talvez o desacordo resida alhures, fnv. Talvez pensemos que todo o mal que está a ser feito às pessoas não vai servir para nada, e estejamos horrorizados por nos apercebermos que nenhum do esforço vai servir a não ser para aumentar a pobreza e o sofrimento. A dívida portuguesa, grega, espanhola e irlandesa não vão ser pagas. Todo este esforço é inútil porque, a não ser que dissolvamos a UE e tudo o resto, com sofrimento ainda maior, a única solução (que seria expedita, já agora) é europeia (eurobonds, etc). Tudo o resto são palavras piedosas. A melhor ajuda é procurar em conjunto compreender o que se passa; não é insistir em ilusões.

      • fnvv diz:

        “nos apercebermos que nenhum do esforço vai servir a não ser para aumentar a pobreza e o sofrimento”.
        OK, vou guardar esta profecia.

      • Miguel diz:

        Não é profecia, é conjectura. E é uma conjectura tão consensual — pela Europa e EUA fora — quanto se consegue encontrar em sociedades pluralista –, com excepção dos sectores da finança e do poder que aqueles têm vindo a cooptar. Mais precisamente. “Nenhum do esforço” tem um significado preciso: aumento de impostos que incidem sobre as classes média e baixa, cortes nos serviços públicos, privatizações de serviços essenciais (correios, por exemplo), acédia governamental face ao aumento do desemprego, etc. Não estou a falar do trabalho e esforço individuais dos cidadãos. Só que uma sociedade não se constrói a partir dos esforços de indivíduos isolados, atomizados.

  3. XisPto diz:

    O discurso político tem sempre essa característica, mas agora a parada está alta e isso parece agravar o fenómeno. Abandonasse formulas económica desacreditada (espiral recessiva) martela-se mais a descrição do sofrimento presente. O futuro tem de ser sempre pior para a profecia se realizar.

  4. manuel.m diz:

    You probably meant embedded. A mere lapsus linguae or a fehlleistung as the old master described ?

  5. João. diz:

    Embedded.

    Ou como de um lado acusam a imprensa de ser contra o governo e de outro têm encontros com a imprensa para lhes fazer perguntas sobre o que pensam do governo.

    Em Portugal os jornalistas dão conferências de imprensa ao governo.

    “A primeira vez que estive com Vítor Gaspar foi dias antes de ele apresentar o seu primeiro Orçamento do Estado completo, o de 2012. A reunião, fechada, não uma conferência de imprensa, durou 45 minutos sem grande história quase até ao fim, já que os factos eram aqueles: Portugal tinha sido chutado dos mercados de dívida e forçado a recorrer à disciplina externa.

    (…)

    Não adiantou uma medida que fosse do Orçamento. Limitou-se a descrever “os buracos colossais” e, quase no fim, perguntou o que achávamos do que aí vinha. Espantou-me o convite descarado para uma espécie de sessão de male bonding sem imperiais e futebol, em que Sócrates seria o bombo da festa e o Governo, ainda engomado, a governanta, a precetora que nos iria corrigir.

    Perguntar a jornalistas o que acham é como oferecer margaridas a um enxame de abelhas. Baixei a cabeça como os alunos cábulas e esperei que outros avançassem. Porque o fiz? Por desconfiança. Tudo aquilo me pareceu incómodo. Gaspar não dissera nada sobre o Orçamento para 2012, por que raio queria vincular-nos ao nada? Os outros seguiram em frente, passaram um cheque em branco ao ministro que veio do frio. Pediram rigor, exigiram dureza, mesmo sem saber do que estavam a falar. Ajoelharam-se no altar da austeridade e pediram outra reguada.”

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3531892&seccao=Andr%E9%20Macedo

  6. Bone diz:

    É, parece que 870 milionários portugueses não estão em recessão, bem pelo contrário.

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