Erros, 2.

Dizia eu que uma estratégia de esquerda contra a fúria liberal portuguesa será, provavelmente, complexa e matizada.

Enfraquecida por Sócrates, abandonada pela Europa, assolada por facções, corpo estranho entre um povo que reconhece na miséria o seu estado natural, a esquerda tem sedimentado dois caminhos  para o poder mas nenhum para o país.

O PC reforçou o núcleo de valores identitários para alargar o apelo popular, muito auxiliado pela devastação social imposta em São Bento. Mas “trabalho, honestidade e competência” com pirlimpimpins de segmentação classista não persuadem mais que um sexto do eleitorado — curto para forçar a coligação.

Quanto ao PS, escolheu fazer de morto entre as cinzas do PEC IV até tirar partido dos ciclos eleitorais. O paleio redondo de Tó Zé Seguro não é imbecil em termos relativos, apenas absolutos. Serve para o elevar ao Governo, mas não serve para governar Portugal. O espectro assarapantado de François Hollande assoma nas frinchas das invectivas vácuas pelo “emprego e o crescimento”. Todos sabemos como acabou.

O que fazer desta merda? Logo penso em qualquer coisa.

Luis M. Jorge

12 thoughts on “Erros, 2.

  1. fnvv diz:

    “a esquerda tem sedimentado dois caminhos para o poder mas nenhum para o país”.
    Muito bom.O resto também.
    vamos fundar um partido? Tu ficas presidente e eu o primeiro dissidente?

  2. henedina diz:

    “Logo penso em qualquer coisa”.
    Cheguei a casa, resolvi a eliminatória (2 últimos do Ronaldo).
    Agora vim aqui, pensa qq coisa e resolve isto. Como a vida difícil pensada assim fica fácil.

  3. XisPto diz:

    Lúcida, cristalina e dorida, como em “Forget it, Jake. It’s Chinatown.”

  4. henrique pereira dos santos diz:

    Bom post. Uma versão sofisticada do “não há alternativa”, o que é sempre um bom princípio para uma alternativa.

  5. Luís Marques diz:

    Ponha o cérebro a funcionar e descubra que afinal é um ultra neo liberal, como não é tonto a Pátria beneficiará horrores.

  6. Daniel diz:

    Deixe lá Luís. Não pense muito nisso. Se um novo partido não resulta então resta à esquerda (leia-se PS e PC) esperar pelos ciclos eleitorais pela sua vez de engordarem à custa dos parvos. Já se viu que de fora não dá, pois nem mesmo um Grillo, um Syriza, um Hollande e mesmo um Obama não reavivam aqui a coisa no recato. Pode ser que venha aí um novo Sócrates que pegue na esquerda e a leve ao colo, embora, se calhar, ter dois Sócrates quase de seguida possa ser altamente nefasto para o país. Olhe, vá rezando entretanto!🙂

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