É deplorável.

Ver o Papa Francisco apelar à violência sem uma consulta prévia aos sentimentos delicados da direita portuguesa. Não, não se faz isto a um público-alvo dois dias após a tranquibérnia na Aula Magna. Este homem, caros leitores, é o Vasco Lourenço da Santa Sé:

Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível erradicar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão. Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e económico é injusto na sua raiz. Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça. Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte. (…)

Mais cedo ou mais tarde, a desigualdade social gera uma violência que as corridas armamentistas não resolvem nem poderão resolver jamais. Servem apenas para tentar enganar aqueles que reclamam maior segurança, como se hoje não se soubesse que as armas e a repressão violenta, mais do que dar solução, criam novos e piores conflitos. Alguns comprazem-se simplesmente em culpar, dos próprios males, os pobres e os países pobres, com generalizações indevidas, e pretendem encontrar a solução numa “educação” que os tranquilize e transforme em seres domesticados e inofensivos. Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos veem crescer este cancro social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes.

(Via).

Luis M. Jorge

5 thoughts on “É deplorável.

  1. Pois é, “os mansos herdarão a terra”, mas parece que já foi privatizada.

  2. joshua diz:

    A minha parte favorita deste discurso do meu Papa Francisco é esta: «Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos vêem crescer este cancro social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes.”»

    É que o problema não é a orientação ideológica presente ou as escolhas dolorosas que a Europa sub o cutelo globalista faz, mas sobretudo as sementes da corrupção passada e ainda estrebuchante. Nesse ponto, o Papa Francisco aponta o dedo à acção e decisão de governos corruptos e incompetentes que nos governaram até ao presente e mesmo em Presidentes da República que passearam, suspiraram e conspiraram, enriqueceram e até parecem a reserva de moralidade e decência que não são.

    • caramelo diz:

      Eu já tinha dito que o papa só estava a avisar que o povo um dia entra na aula magna e escaqueira aquilo tudo. A Maria Teixeira Alves revelou ontem que o Sócrates e mais dois recos foram comer a um restaurante finório do Guincho. Vi eu uma fotografia dos tipos a caminhar para esmoer as lagostas. O papa não tem descanso com esta gente.

  3. caramelo diz:

    Só têm de convencer Sua Santidade a falar ao povo antes de beber o vinho da missa. É uma carraspana todos os dias, coitado, que ele até tem bom fundo.

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