Eu vi o futuro, e é belo

Há um ano, o Papa era cúmplice da ditadura argentina. Agora, é a última esperança da esquerda para defender os pobrezinhos.
Faz-nos acreditar no género humano, esta coerência, esta seriedade, esta pureza de convicções.
Mal posso esperar pelo ano que vem.

PP

15 thoughts on “Eu vi o futuro, e é belo

  1. p D s diz:

    PP,

    o futuro eu não consegui ainda ver.

    Mas no presente é notorio que as palavras do Papa, que coincidiram com as de MS, lhe causaram uma azia atróz.

    Não deixe que isso se transforme em raiva e insatisfação. Reflita sobre o assunto e penitencie-se como bom cristão… vai ver que passa!

  2. jj.amarante diz:

    Eu vejo aí que toda a gente pode ser redimida, é um dos motivos para abolir a pena de morte.

  3. gastão diz:

    O truque habitual, estilo Helena Matos.

  4. Miguel diz:

    ” para defender os **pobrezinhos** ”

    A linguagem escolhida nunca é inocente. Num tempo em que as dificuldades financeiras, o desemprego, a ausência de perspectivas (e a consequente sentimento de perda de dignidade) assola um conjunto vasto e crescente da população, o Pedro designa-os por “pobrezinhos”, termo de menosprezo e apoucamento, com um significado que reforça sem ambiguidade os aspectos ligados à dignidade fragilizada. Além de limitar o “debate” às questiúnculas que giram exclusivamente em torno do posicionamento político-ideológico de cada um. Não resta nada de inteligente a acrescentar a este estilo de conversa proposto e promovido pelo Pedro, apenas a constatação óbvio de que é muito pouco cristão.

    • ppicoito diz:

      ah, chegámos ao momento delicioso em que os não católicos distribuem medalhas de bom comportamento católico. Que pena, fico de fora. Será que vou para o inferno?

      • Miguel diz:

        Não vai para o inferno, vai apenas de castigo para o canto porque confundiu “cristão” com “católico”. 😉

  5. maria diz:

    e qual é o comentário do PP à exortação apostólica?

  6. Sempre achei que é com papas e bolos que se enganam os tolos, mas estará neste papa a justeza de um justo – não dar por caridade aquilo que é devido por justiça?

    • ppicoito diz:

      Isso é doutrina da Igreja há muito tempo. Essa frase surge exactamente assim no Vaticano II, mas o sentido é muito mais antigo. Por exemplo, S. Gregório Magno, numa obra chamada Regula Pastoralis, diz: “Quando damos aos pobres o que lhes é necessário, não lhes damos o que é nosso; limitamo-nos a devolver-lhes o que lhes pertence. Mais do que praticar caridade, cumprimos um dever de justiça.” O Bento XVI usa quase ispsis verbis esta fórmula na Deus Caritas Est. Não há grande novidade no que diz o papa Francisco, como seria de prever: é a doutrina cristã de sempre com uma retórica talvez mais chamativa. Faz-me uma confusão enorme estes simplismos (papa bom conta papa mau, revolucionário contra conservador, etc.), que às vezes atingen o mesmo papa com meses de intervalo (como sudcedeu com este, primeiro fascista, agora um justo). Simplismos que, regra geral, obscurecem mais do que explicam.

      • xico diz:

        Ora nem mais. O Papa Francisco anda a dizer o mesmo que já tinha dito Bento XVI, o problema é que agora ouvem o que não ouviam antes. Andavam distraídos, não ligavam, não havia tanta pressão mediática.

      • Pois é, a doutrina está lá. E a boa doutrina até o ruim a prega. E quando é o ruim a pregá-la, só temos se seguir o conselho de Santo Agostinho: porque o ruim pregando é vide entre silvas, colhamos o cacho mas guardemos a mão.
        O problema com a sabedoria longeva da igreja em relação à justiça, é praticar a useira e vezeira má política do quietismo messiânico. Não basta doutrinar a justiça, é necessário bradar e contender por ela, não basta dar por caridade o que é devido por justiça, porque um verdadeiro cristão quando dá por caridade o que é devido por justiça nunca o fará sem pudor e esperança: o pudor de não haver justiça, a esperança de que ela possa ser feita.
        Está o cristão disposto a bradar e a contender por justiça? Já, ou vai esperar pelo reino milenar de cristo?

  7. João. diz:

    “Simplismos que, regra geral, obscurecem mais do que explicam.”

    Não conheço nenhuma explicação bem feita que não resulte numa grande simplificação do problema inicial. Até porque explicar é parecido com alisar, como um breve estudo etimológico permite. Explicar = Retirar dobras, Desdobrar, Alisar. Ou seja a explicação interfere sobre o explicado, muda-lhe a forma, no caso passa de complicado, cheio de dobras, para explicado, ‘sem dobras’, ou ‘alisado’ porque não também.

    Então, é verdade que as explicações poderão ser suspeitas mas isso é derivado da explicação enquanto tal e do facto de a palavra nunca ser capaz de preencher o real.

  8. Boa observação. Existe uma determinada parte do espectro político que usa os ditos e as missivas papais como bem lhe é útil, na máxima pura do utilitarismo Milliano na política. Ora se é clerical, ora não se é.

  9. Jorge Nunes diz:

    O problema maior, é os “pobrezinhos” andarem tanto a precisar de defesa.
    Há anos isto era Impensável. Agora é real.
    A esquerda não ligava porque não era preciso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: