Monthly Archives: Novembro 2013

Até segunda

Tenho de ir semear a  violência e apanhar  a azeitona.

FNV

Pacheco Pereira, agora mesmo:

“Mário Soares diz muita asneira. Mas Mário Soares está do lado certo, e o primeiro-ministro não está”.

Tão básico.

Luis M. Jorge

Dito pelo Mário Soares tem outro aplomb:

“A verdade é que os portugueses foram

empurrados para se tornar
consumistas e habituaram-se  a

VIVER ACIMA DAS  SUAS POSSIBILIDADES”.

(aqui)

Foi-me recordado pelo David Dinis.

FNV

Vítor Espadinha reloaded

A terrível violência à grega ( para desespero  de Pacheco Pereira)  que aí vem.  Às 21.30h já estava tudo  a comer a sopa de feijocas. 

Notem , no entanto, que foram pisados imensos degraus, já visitados no hospital pelo dr. Mário Soares que abandonou de sopetão o Congresso dos Pensionistas.

Isto é que eram tempos sem mariquices.

FNV

Sim, está cheché.

Ontem Mário Soares anunciava os riscos de um surto de violência, hoje celebra o comício durante uma manifestação da polícia. Aos oitenta e nove anos, o homem faz mais estragos que o Tamerlão nos tempos da traulitada na Pérsia. Bem podem o José Manuel Fernandes e a canalha do costume afagar as vesículas.

Luis M. Jorge

O Homem que Era Quinta-Feira

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A propósito do Meeting de Lisboa: Sejam Realistas, Peçam o Impossível, a decorrer este fim-de-semana, os meus amigos do movimento católico Comunhão e Libertação pediram-me um artigo sobre O Homem que Era Quinta-Feira, o mais famoso romance de Chesterton. Aqui fica, esperando que dê a alguém a vontade de o ler (ou reler).

G.K. Chesterton publica O Homem que Era Quinta-Feira em 1908, curiosamente o mesmo ano de Ortodoxia, outro dos seus grandes livros. O inglês não era então um desconhecido. Escrevera já crónicas, contos, poesia, um romance (The Napoleon of Notting Hill) e sobretudo Heretics, volume de crítica a Kipling, H.G. Wells, Oscar Wilde, George Bernard Shaw e outros contemporâneos ilustres. A popular série policial do Padre Brown, que inicia em 1911, confirma-o como um mestre da ironia e do paradoxo. Nas décadas seguintes, viria a tornar-se um dos mais influentes autores do mundo anglófono e a sua obra marcaria Tolkien, C. S. Lewis e Jorge Luís Borges, entre muitos outros.
Mais de um século depois, O Homem que Era Quinta-Feira parece ter ganho nova actualidade com o 11 de Setembro e a “guerra ao terror”. Mas engana-se quem o leia apenas como uma história de espiões. A acção decorre em Londres e tem por protagonista Gabriel Syme, poeta e agente secreto da Scotland Yard que consegue infiltrar-se no Supremo Conselho Anarquista graças à imprudência de Lucian Gregory, o poeta da revolta. O Conselho dirige “uma conspiração intelectual que ameaça a própria existência da civilização”. Presidido pelo terrível Domingo, todos os seus membros têm o nome de um dia da semana. Syme é Quinta-Feira. A aventura que se segue é uma revelação. Ou a Revelação. Syme descobre que nenhum dos anarquistas é o que parece, que Domingo não é o que parece e que o mundo não é o que parece. Por fim, depois da mais delirante sucessão de acontecimentos, encontra resposta para a pergunta que o tinha levado a comprometer a vida na “batalha do Armagedão”: porquê? Porquê o mal? Porquê o mistério? Porquê a realidade, tão espantosa que “talvez nem os arcanjos compreendam o tucano”?
O Homem que Era Quinta-Feira é, pois, um thrilller metafísico. Os polícias são filósofos: não perseguem apenas criminosos, mas a verdade. A sua aventura é a busca de sentido. A defesa da lei e da ordem é a defesa do universo contra o absurdo. Quem é Domingo, que diz de si próprio “conhecereis a verdade sobre a última árvore e a mais alta nuvem antes de me conhecerdes, compreendereis o mar e eu serei ainda um enigma, sabereis o que são as estrelas e não sabereis o que eu sou”? Deus? A natureza? A Humanidade? E se Gregory é “o verdadeiro anarquista”, pois todos os outros – incluindo Domingo – não o são, significa isso que não podemos distinguir o bem e o mal? E as referências constantes ao sonho, desde o bairro de Saffron Park, para o qual somos convidados a olhar “na sua “atractiva irrealidade”, até ao jardim da última página onde Syme “acorda de uma visão”, caminhando ao lado de Gregory e “na posse de uma impossível boa nova que fazia de tudo o resto uma trivialidade, mas uma adorável trivialidade”? E o intrigante subtítulo: Um Pesadelo? Um pesadelo para quem? Para Syme? Para nós?
A solução do enigma seria dada, em parte, pelo próprio Chesterton na Illustrated London News, um dia antes de morrer. A 13 de Junho de 1936, horas antes da “boa nova” definitiva, Chesterton confessava ter querido “descrever o mundo de dúvida e desespero dos pessimistas, mas com um raio de esperança no sentido incerto da dúvida que até os pessimistas sentem de modo vagamente certo”. O pesadelo é o nihilismo do seu tempo, essa visão de um mundo sem sentido do herege moderno.
A este pesadelo, só a fé na realidade, a que chama “patriotismo cósmico” na Ortodoxia, pode responder. Contudo, não é uma fé que o homem se dê a si próprio. “Desde o princípio do mundo todos os homens me acossaram como um lobo – reis e sábios, poetas e legisladores, todas as igrejas e todos os filósofos. Mas nunca me apanharam e os céus hão-de cair quando eu voltar a casa”, proclama Domingo. “O mistério de Domingo e o mistério do mundo”, em que vemos as costas das coisas e pensamos que o rosto não passa de uma máscara, ou vemos o rosto por instantes e pensamos que as costas são apenas uma piada, segundo Syme, só à luz de uma fé revelada ganha sentido. Quando os membros do Conselho chegam ao baile de máscaras final e vestem os trajes designados, sentem “uma curiosa liberdade e naturalidade de movimentos”. Estas roupas fantásticas “não escondem, revelam”, e a narrativa da Criação do Génesis explica a verdade de cada dia da semana, ou seja, a verdade cada homem na história.
Mas a fé sobrenatural não poupa os crentes ao sofrimento. É um salto tão heróico no desconhecido como a luta de qualquer revolucionário contra injustiça. Após a festa, Gregory comparece diante dos “filhos de Deus” e amaldiçoa-os “porque estais a salvo e nunca descestes dos vossos tronos de pedra”. Syme diz que é uma “mentira” e uma “blasfémia”. Ele esteve só no “terrível Concílio dos dias”, desceu “até ao inferno” e experimentou “a glória e a solidão do anarquista”. A dor humana ganha razão de ser no combate, nunca definitivamente vencido, por um bem maior. Um combate na incerteza porque nasce de um mistério: a encarnação. Fazendo-se homem, Deus participa no seu mistério das criaturas O Homem que Era Quinta-Feira termina no mesmo jardim de Saffron Park em que começara. Syme vê ao longe o cabelo ruivo da irmã de Gregory, “um motivo musical recorrente em todas as suas loucas aventuras”. Mas, antes, Domingo ascende aos céus e o seu rosto cobre o firmamento. Então, Syme ouve “uma voz distante repetir um lugar-comum que já ouvira algures: Podeis beber do cálice que eu hei-de beber?” Na cruz, a experiência do mal e o desejo do bem unem-se na pessoa de Cristo. O Criador é a resposta ao mistério da criação.

PP

O enredo adensa-se

“Na referida entrevista do Fernando Moreira de Sá, este refere que também havia jornalistas envolvidos na história, inclusive refere alguns como o Francisco Almeida Leite.

Estranhamente, todos batem no dito Moreira de Sá, no Pacheco Pereira, etc., mas nos verdadeiros profissionais que lá são referidos como o Luís Paixão Martins e Rodrigo Moita de Deus, ninguém bate!

Na realidade, as empresas controladas por estas personagens (Nextpower, Boston, Nortcast, Fonte II, Think 2.0., LPM Comunicação, Inforfi, Mediatica II), receberam milhões em ajustes directos! Por que razão os jornalistas não os investigam?! Haverá algum fundo de verdade naquilo que Moreira de Sá diz? Fica aqui a provocação a uma das jornalistas que mais preza pela sua independência”.

( comentário aqui)

FNV

Ronaldo 4, IKEA 2

Somos mesmo o país dos salvadores da pátria.
(Mas convenhamos – se o homem jogar sempre assim, até eu ponho a bandeirinha à janela…)

PP

Entretanto.

A Suíça leva a referendo a limitação de salários para os executivos depois de ter banido, em Março, os golden parachutes. Uma tragédia que poderia ser evitada se tivessem ouvido o professor César das Neves iluminar, com filantropia cristã, o país mais desigual da União Europeia.

Luis M. Jorge

Potpourri ainda mais confuso

É necessário notar ao dr Soares  que passou  um ano e a violência à grega, que Pacheco Pereira entende ser o desejo dos estúpidos,  ainda não chegou.

Por outro lado, boas notícias. António Capucho já é “das esquerdas” ( respira-se melhor no centro-direita) e  D.Januário Torgal Ferreira também ( aborto, adopção gay, legalização das drogas leves e descatolização  das cerimónias públicas agradecem).

Bem, o que importa é que caibam todos na trincheira. Hoje contra Passos, ontem contra Sócrates ( a memória é curta, não é?) , amanhã contra  Seguro.

FNV

Mais uma impressionante contribuição para o lacanismo kojeviano

“Isto levanta algumas questões, por exemplo, como se determina o motivo pelo qual faltaram à consulta se não estiveram na dita para explicar a sua ausência?”

Sim, como?  É preciso ir à consulta para explicar a ausência  à consulta.

Por exemplo: Olhe sr dr., não estou aqui para lhe explicar que  estou aqui porque não tenho dinheiro  para estar aqui se estivesse aqui.

Nada como um inteligentíssimo  pós-lacaniano cripto-kojeviano  para nos explicar que o desejo é falta.

FNV

Procrastinar

Variações. No Depressão Colectiva.

FNV

Recordando O’Neill ( IV)

Compreendi que com as mulheres não se pode viver sempre, amando-as todos os dias. Duas vezes por semana. Só assim dá certo“.

FNV

É tudo filosófico

Ainda ontem o vi ao volante de um belo e imponente  Classe E prateado.

Sim, já sei, isto de ser socialista  e antineoliberal não é incompatível com um classe E. Ou com um iate. É tudo filosófico.

FNV

Trinaldo

É só golos.  E com o Rui Patrício na baliza,  Trinaldo vai ter de marcar ainda mais.

FNV

Erros, 2.

Dizia eu que uma estratégia de esquerda contra a fúria liberal portuguesa será, provavelmente, complexa e matizada.

Enfraquecida por Sócrates, abandonada pela Europa, assolada por facções, corpo estranho entre um povo que reconhece na miséria o seu estado natural, a esquerda tem sedimentado dois caminhos  para o poder mas nenhum para o país.

O PC reforçou o núcleo de valores identitários para alargar o apelo popular, muito auxiliado pela devastação social imposta em São Bento. Mas “trabalho, honestidade e competência” com pirlimpimpins de segmentação classista não persuadem mais que um sexto do eleitorado — curto para forçar a coligação.

Quanto ao PS, escolheu fazer de morto entre as cinzas do PEC IV até tirar partido dos ciclos eleitorais. O paleio redondo de Tó Zé Seguro não é imbecil em termos relativos, apenas absolutos. Serve para o elevar ao Governo, mas não serve para governar Portugal. O espectro assarapantado de François Hollande assoma nas frinchas das invectivas vácuas pelo “emprego e o crescimento”. Todos sabemos como acabou.

O que fazer desta merda? Logo penso em qualquer coisa.

Luis M. Jorge

Mais uma impressionante contribuição para semiótica

“Depois, sejamos rigorosos. A Irlanda não recusou um programa cautelar. A Irlanda apenas conclui que, por agora, prefere não optar por essa via.”

(João Cotrim  Figueiredo, via MTA)

Sejamos rigorosos. Não recusei casar contigo, Etelvina. Apenas conclui que, por agora,  prefiro optar pela Bruna Renata.

FNV

Recordando O’Neill (III)

Ele não merece mas vota no PS.

FNV

Arraial, arraial, por El Rei de Portugal

Os bens de D. Duarte, que estavam  penhorados “por causa da queixa de Ordem da Ala  devido a  uma coisa de bordados e medalhas” ( ou coisa parecida, o  escuteiro-modelismo não é o meu forte), consistiam em apenas 80.000 euros.

E pensar que o Rei de um país com tantos séculos vive mais modestamente do que manadas de arrivistas, ex-ministros convertidos ao  empresariado e boys avulsos. Viva El Rei.

FNV

Comédia

Este Vítor Malheiros é o mesmo que há um ano assegurava  que Cavaco não aparecia em público porque estava a demenciar  e isso andava a ser escondido.  Nunca mais pegou no diganóstico nem pediu desculpa pela negligência médica soviet style.  Agora exibe  a lógica dos afinadores de bidés: se um projecto é criticado é porque é necessário. Sem dúvida, mal posso esperar pelo projecto de um Partido Salazarista-Renovado Português ou pela Frente Popular para a Defesa do Jaquinzinho.

Acho muito bem que se crie mais um partido à esquerda,  pois é público que o ego desta gente não cabe em dois ( ou três, se contarmos  o Garcia Pereira Unipessoal LDA).

FNV

César das Neves, o Verdadeiro

JCN disse alto o que muita direita tradicional pensa, incluindo a que na TV se porta admiravelmente.  O Portugal da arte xávega, dos ordenados baixos, das contas certas. Houve uma crise, o número de multimilionários aumentou, a clique empresarial do Estado ( das grandes sociedades de advogados aos gestores  do Bloco Central) navega à bolina? No problema. Os de baixo aguentam.

Esta é a direita tradicional,  temente  a Deus ( Opus ou não),  que se deita às dez da noite ( quando não está na TV), que vê conspirações dos sionistas nas denúncias de pedofilia e prefere  fechar lojas de cogumelos a enfrentar um país entregue ao narcotráfico.  A outra é a arraçada, com complexos de esquerda. Conheço a cantiga, ouço-a há muito.

FNV

Depois de amanhã

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Regresso a uma velha paixão – os moçárabes de Lisboa. Programa completo aqui:
Folheto A4_WEB

PP

Um currículo impressionante

Só não o reconhece quem for um invejoso  resssabiado.

E é assim que se  combate o desemprego: com empreendedorismo e desprezo pelo simbólico (o que custa um assessor no meio dos milhões que faltam ao orçamento do ministério?).

FNV

Gatinhos surdos e cegos

Mouraz Lopes acha que a proposta de Joana Marques Vidal é inútil e inclassificável, porque já está na lei a obrigação de denúncia  de magistrados  que violem o segredo de justiça.

Tenho a melhor das impressões do dr Mouraz Lopes, que tive o prazer de conhecer ( até lhe ofereci um dos meus livros) , e não mudei de ideias. Acontece que concluo,  portanto, que  as denúncias não existiram até agora porque  nenhum magistrado  violou o segredo de justiça.

FNV

Pois inclui e do além

João César Monteiro: Eu quero que os canibais homenageantes  se fodam. Percebeu? Que se fodam:

“agora com um ministro, rodeado por numeroso séquito hemicílico, a ler uma carta do César a um organismo estatal e sabe-se lá mais o quê de igual jaez e esperta solicitude”.

( aqui no original)

Isto por uns croquetes culturais , até com o Maduro a ler, o séquito esquece-se  do governo fascista e anti-cultura   e até se fode bem, como diria o João.

 

FNV

Normal

No 5Dias elencam-se as invectivas a Cunhal : traidor, delator,contra-revolucionário etc.

Normal. Há por  aí uma jolda carraceira-revolucionária, inconformada com o povo pachorrento, que faz do apedrejamento verbal um modo de vida . Nem Cunhal escapa.

FNV

Recordando O’Neill ( II)

Com o colchão Lusoespuma você dá duas que parecem  uma.

FNV

Recordando O’Neill (I)

Antes quero morrer em situação de miséria, numa escada de um prédio em Nova Iorque, do que morrer num hospital psiquiátrico na União Soviética.

FNV

 

Breve relação do infortúnio

Era uma  vez um país  que o herdou do salazarismo e este por sua vez resgatara-o à anarquia: o  Estado-Rei  ( de Lisboa). Os dinheiros europeus funcionaram à  calabresa : por cada estrada necessária, 25% para empreiteiros, advogados e partidos.

Depois as pessoas quiseram mais e a bebedeira da dívida bateu forte. Decantámos eleiçoes, mais obras, mais dívida, O sistema  foi napolitano: por cada autoestrada para os enterrados   nas serranias, 25 % para ex-comunistas convertidos, ex-vendedores de pano a metro, etc. As grandes sociedades de advogados ( até as que eram pequenas antes de os seus sócios passarem por S.Bento)  adoravam o Estado, os governos e o parlamento: era preciso passar tudo a papel  em letra miúda.

Andávamos nós como a Marlene no arame  quando o estrangeiro se desequilibrou.  Um grupo de profissionais  da alcatifa e da carne assada  aproveitou  o tombo do  neofilósofo  e prometeu o  leite e o mel. Mal se apanharam  na coelheira , entregaram o país  aos credores.

Aqui chegados, a histeria , como sempre, fez-se lei. Arraial, Arraial, que matam o Estado Social!/ Arraial , Arraial, que outros fizeram o mal! O que fazer?

Não sei, mas a um partido novo prefiro Ruy Belo:

 Quando o último pássaro morrer
na última oliveira a ocidente
opõe o peito ao que acontecer
e levanta a cabeça dignamente.

FNV