O que eu vi na caixa do Pingo Doce

Anteontem, ao fim da manhã, passei pela mercearia da minha aldeia, também chamada Centro Comercial dos Olivais. Podia dizer que ia deixar uns sapatos a arranjar, o que é verdade e neo-realista, mas também fui comprar vinho ao Pingo Doce. Tinha convidados ao almoço e trouxe um Burmester de 2011, em promoção. Tudo muito pequeno-burguês. Ainda por cima, aquilo estava cheio de escuteiros a recolher alimentos para o Banco Alimentar.
Enquanto esperava para pagar a garrafa de tinto e os pacotes de arroz, magro espectáculo da minha generosidade, pus-me a pensar no que diriam dos jovens que tinha ali à frente os indignados profissionais dos blogues e das aulas magnas. Mário Soares diria que o Papa Francisco, por quem tem a maior admiração e concorda sempre com ele, lhe confidenciou que os miúdos não são bem católicos porque estão a fazer o jogo do Passos, aliás já era assim antes do 25 de Abril, houve uma abertura com a democracia mas estão a voltar ao fascismo, e felizmente os socialistas impediram males maiores no PREC, mas o povo nem sempre é sereno e prepara-se para correr o Passos, o Cavaco e o D. Manuel Clemente à paulada, ninguém deseja que isso aconteça, claro, mas quem te avisa teu amigo é. Pacheco Pereira diria, talvez em latim, que há muito deu pela existência de um contínuo blogues-Governo-escuteiros para promover Passos nos supermercados e que só um sobressalto cívico, a cantar o hino, pode acabar com o protectorado ou com o Passos (não necessariamente por esta ordem). Raquel Varela diria, com toda a quietude de quem escreve no Cinco Dias, que o ópio dos adolescentes, oculto sob a alienação do voluntariado, apenas perpetua a pobreza, o trabalho infantil e a política de baixos salários do capitalismo selvagem.
O que eu vi foi muito diferente. Vi uma dúzia de rapazes e raparigas a dar horas do seu tempo livre para ajudar os outros. Não anunciavam o fim da pobreza, não prometiam um mundo novo, não chamavam as televisões para atacar o Governo em nome do monopólio da virtude. Faziam coisas concreta por pessoas concretas. Ali estava a famosa sociedade civil. Sem sofás, sem trincheiras e sem pedir licença. E vi que o futuro está muito mais nas suas mãos do que em todos os discursos dos indignados.

PP

39 thoughts on “O que eu vi na caixa do Pingo Doce

  1. João. diz:

    Eu queria saber se os escuteiros e o banco alimentar ajudariam os trabalhadores e as suas famílias caso eles lançassem uma greve geral por tempo indeterminado e a fome começasse a alastrar.

  2. caramelo diz:

    Cof cof, Pedro, isso tudo é um bocado deslocado, ninguém critica esses miúdos. E a última frase parece-me um bocado demagógica, embora poética. Primeiro, porque não sabe se os tais indignados (o que quer que seja isso. São os que escrevem em blogues; os que se manifestam na rua?) também não fazem voluntariado; segundo, porque é perfeitamente legitimo indignarmo-nos com estas politicas. A satisfação das necessidades imediatas não subsitui a luta por um mundo melhor. Acredite (se quiser) que quem procura auxilio no banco alimentar ou na Cáritas para comer, agradeceria mais ainda que não tivesse de o fazer.

    • ppicoito diz:

      Acredito e não é isso o que está em causa. O que está em causa é que alguns acreditam que bastam umas tiradas panfletárias para lutar por um mundo melhor. Mas aqueles miúdos fazem mais por um mundo melhor num fim-de-semana do que todas as aulas magnas desde a revolução francesa.

  3. p D s diz:

    PP,

    os escoteiros (ou “escutas”, conforme prefira!) são tanto “católicos” (CNE) como os “indiferenciados” (AEP).

    Acresce a tudo isto, os singelos factos de que:

    1- o “miudos”, participam nas actividades que as chefias definem – tout court!

    2- as actividades dos “miudos” não são sazonais, ocorrendo ao longo de todo o ano, e enquadrados nas mais variadissimas tematicas (os CNE’s mais alinhadas com as actividades das paroquias, os AEP’s mais alinhados com actividades sem credos particulares – mas ambas as “miudagens” sempre em voluntariado!)

    Aparte disto, toda e qualquer analise socio-politica que tome os “putos dos escoteiros” e os avalie como actores sociais, autonomos e com “vontade propria”, será no minimo talvez um pouco forçada…

    …se a esta analise, se pretender confinar a acção voluntária dos Escoteiros á colaboração com o BA – assumindo-a como um apoio á causa do BA em particular – parece-me que se cai numa analise adulterada e abusiva.

    De resto, as AulasMagnas e das Jonets desta vida, ai nem me meto…os analistas que divaguem á vontade.

    • p D s diz:

      Estou ainda plenamente de acordo que o “(…)futuro está muito mais nas suas mãos do que em todos os discursos dos indignados***.(…)”

      acrescento só que considero que está na mão dos “putos”…mas em geral, e nunca em exclusivo dos Escoteiros!

      *** “discursos indignados” – tambem engloba posts, certo ?

    • ppicoito diz:

      Estes escuteiros são católicos (o que para o caso é rigorosamente indiferente).

      1- Nenhum deles é obrigado a participar. Chama-se a isso voluntariado.
      2- é verdade. E então?
      Porque é que aqueles adolescentes não são actores sociais “autónomos”? Porque são adolescentes? Porque são escuteiros? Porque apoiam o Banco alimentar?
      Não se dá conta de que a sua análise é insuportavelmente paternalista?

      • p D s diz:

        obvio, PP, que cada um deles, individualmente é um ser social em pleno.

        No entanto, englobados nas em actividades definidas, agem não como individuos, mas como grupo…mas disto, o PP , que me chama a mim de “paternalista”, sabe muito mais que eu.
        (ou seja, no mesmo fim-de-semana, vá ao BairroAlto e conte quantos joves, voluntariamente emborcam cerveja…estarão estes a favor da AulaMagna ? )

        Mas simplificando, digo-lhe que eu fui escoteiro, e fiz mil e uma actividades todas voluntarias da chamada “protecção da natureza”…vai dai, isso faz de mim um activista do Partido “Os Verdes” ?

        …é basicamente este tipo de analise simplista que eu referia.

        Mais lhe acrescento que já existia BA, nem se sonhava ainda com a Troika, nem com Aulas Magnas, e já os escoteiros em voluntariado, colaboravam com o BA.
        E daqui, vamos concluir que afinal do escoteiros tb são “futurologos” e já a prever a reunião da aula magna, desataram a apoiar a Jonet ?

        (ou no limite, pretendia o PP afirmar que se o MarioSoares começar a usar calções, e lenço já tá perdoado ?)

    • henrique pereira dos santos diz:

      E quantas pessoas foram beneficiadas por isto: “Por mim, prefiro dedicar a minha energia a perguntar-me o que posso fazer para que diminua este tipo de procura de bens alimentares enquanto a senhora Jonet escoa a oferta”? É que, como diz um dos meus irmãos numa excelente carta publicada hoje no Público, eles têm toda a razão, mas para mudar o mundo é preciso bastante tempo e para ter fome basta ficar umas horas sem comer.

    • ppicoito diz:

      Francamente, não me merece grande comentário. Mas é típico de um intelectual progressista atacar, por cima da trincheira das abstracções, quem realmente faz alguma coisa para combater a pobreza.

  4. gastão diz:

    Enternecedor! E que tal o vinho?

  5. cristiana fernandes diz:

    Não se zangue outra vez comigo, mas eu vejo sempre ( se calhar é a minha “viseira”!) um certo tipo sociológico nesses voluntários do Banco Alimentar Contra a Fome. porque será que não variam ?

    • ppicoito diz:

      Nunca me zanguei consigo. Onde é que foi buscar essa ideia?
      A sua generalização, como todas as generalizações, não passa de um preconceito. Tenho a impressão que não conhece muitos voluntários do Banco Alimentar.. Acertei?

      • Miguel diz:

        if
        {“A sua generalização, como todas as generalizações, não passa de um preconceito.” }
        then go to
        {porque não sabe se os tais indignados (…) também não fazem voluntariado}
        end if

  6. Uma vez mais o Filipe respondeu a resposta certa (isto diz-se?).
    Lindo Filipe (que não conheço, atenção) Nunes Vicente (que continuo a não conhecer, atenção, atenção).

    • fnvv diz:

      Bela Alexandra, G., bela.
      Citei o artigo como exemplo da suspeita e não concordo em nada. Uma bela merda do Paulo Pedroso, de quem já li melhor.
      No meu Pingo Doce o que desapareceu anteontem foi massas.

      • ppicoito diz:

        Miguel, eu não disse que os indignados não fazem voluntariado (fazem?). O que disse é que os indignados querem combater a pobreza com “políticas públicas”, “mudança das estruturas”, discursos na aula Magna e outras abstracções. os escuteiros e o Banco Alimentar fazem alguma coisa concreta para combater a pobreza. É essa a diferença. Não sofisme.

      • Miguel diz:

        Pedro, uns farão voluntariado e outros não, aliás o voluntariado não é a única modalidade para a acção social solidária. Muita gente faz contributos financeiros para diversas instituições de apoio (se todos fossem ser voluntários, era um caos logístico…), não fazendo necessariamente eles próprios o voluntariado. A acção dos escuteiros e do Banco Alimentar também não são uma abstracçao: são um trabalho muito útil. Dito isto, este trabalho meritório dos bancos alimentares, não é, estritamente falando, um trabalho que “combata a pobreza” no sentido de tirar directamente ou indirectamente (alterando os dados do problema) as pessoas do desemprego, do emprego precário, ou ordenados paupérrimos. É o pronto-socorro de primeira-hora, a ambulância que leva as pessoas ao hospital, e lhe administra os primeiros-socorros.

        O combate à pobreza com políticas públicas não é uma abstracção. É uma das modalidades possiveis para os tratamentos que são necessários a seguir aos primeiros-socorros, na medida em que sirvam para a criação de novos empregos, para eliminação da precaridade e aumento de salários, numa alteração da fiscalidade no sentido de uma maior progressividade para uma redistribuição mais justa e um bom financiamento dos serviços públicos .

        Depois há também voluntariado que pode ser uma forma de combate à pobreza: por exemplo, na área da formação e requalificação profissional, porque isto sim pode alterar o capital profissional, chamemos assim, de quem está na situação de pobreza.

        A mim parece-me que todas estas linhas de acção são complementares, com efeitos efectivos em escalas de tempo distintas.

      • Olhe que novidade.
        E o Pingo Doce sempre teve desses episódios (o de Celas, pelo menos, que frequentei não amiúde, mas com a regularidade, vejamos, obrigatória para quem como eu tinha horários de merda).
        Yet, belo Filipe🙂

  7. XisPto diz:

    “A senhora Jonet dedica-se essencialmente à gestão de uma estrutura logística sem fins lucrativos de reciclagem das ineficiências da produção e da distribuição alimentar”
    .
    Mais um argumento para a criação do Serviço Nacional de Alimentação, logisticamente eficiente e caloricamente esclarecido. Coitados dos neoliberais, ainda vão ficar sem o seu sistema fetiche, capaz de asegurar a alimentação da espécie baseado no mercado e sem grande intervençãoo do estado.

  8. João. diz:

    Para o governismo a diferença entre um carenciado e um parasita define-se pelo Banco Alimentar. Um desempregado, o mesmo, vamos chamar-lhe Zé Maria, é para a mesma gente, os governistas, um carenciado ou um parasita que não quer trabalhar, dependendo se é preciso elogiar os escuteiros ou criticar “os direitos adquiridos”.

    • ppicoito diz:

      Mas qual governismo? Quem é que aqui está a defender o governo? deixe lá o seu mundo de tricheiras a preto e branco, e talvez possamos conversar.

  9. jo diz:

    Alguém me pode explicar o que estão a fazer os voluntários na recolha de alimentos?
    O dador entra no supermecado, paga um quilo de arroz e entrega ao BA. Não seria mais simples entregar o dinheiro diretamente ao BA?
    Neste caso a organização poderia comprar mais arroz com o mesmo dinheiro. Bastaria comprar no mercado grossista.
    Claro que neste caso o supermercado não teria lucro, mas não é esse o objetivo. Também não se andava a convencer as pessoas de que estão a fazer um voluntariado útil, quando na verdade nem são precisas nestas tarefas (não quer dizer que não pudessem fazer outras coisas.
    Enfim voluntariado por voluntariado, antes aqui que a embrulhar prendas.

    • henrique pereira dos santos diz:

      Mas porque é que não organiza uma coisa assim? Se acha que é melhor, faça, deixe quem faz de outra maneira em paz.

      • jo diz:

        Se é essa a forma que tem de responder a uma pergunta, desconfio que nem tem capacidade para organizar uma ida ao WC.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Não percebi, mas a minha capacidade de organizar o que quer que seja está em discussão? Há quem faça as coisas de uma maneira. O camarada acha melhor doutra? Faça. Qual é a relação disso com a minha capacidade de organizar idas à casa de banho. É um facto que se eu soubesse fazer melhor que a Isabel Jonet provavelmente faria, mas não sei. Como dizia o letreiro à porta do mecânico: aqui não se aceitam conselhos de quem diz que sabe fazer melhor, aqui agradecem-se conselhos de quem já fez melhor.

    • Carlos Duarte diz:

      É uma questão psicológica e de eficácia: ao dar às pessoas a capacidade de escolha no donativo (e sendo este em géneros) é criada uma sensação de segurança em quem dá que o seu donativo não será utilizado para outros fins.

      O dinheiro é fungível por natureza e dá azo (muitas vezes infelizmente justificado) que não será utilizado para o fim a que se destina.

      Logo, dar dinheiro poderia parecer mais eficiente, mas na realidade iria resultar num abaixamento (que adivinharia muito significativo) das dádivas.

      Mais, ao usar escuteiros, reforça-se ainda mais a respeitabilidade social da dádiva (os escuteiros têm uma imagem positiva na sociedade) e acrescenta-se – com algum peso, diria – uma espécie de “responsabilidade” a quem entra no supermercado: recebeu uma saca (nunca se perguntou porque entregam sacas próprias?), de um escuteiro (criança ou jovem), logo o acto de sair sem dar nada passa automaticamente a acarretar um sentimento de culpa activa (“roubei” ou desperdicei a saca que me deram; desapontei o escuteiro / criança).

  10. caramelo diz:

    O Pedro, como muitos outros, já participou em campanhas, em abaixo assinados, talvez até em desfiles, vulgo manifes para a esquerdalhada, e, se o fez, pelo menos sussurou ou cantou qualquer coisa, a grândola ou o avé maria, e terá até arriscado um pequeno impropério. Seja o que for, devo concluir que deu por perdido o tempo que gastou nesses atos de rebeldia tresloucada? Ou foi porque acreditou de facto que alteraria alguma coisa em benefício da sua causa e assim mudaria um pouco o mundo? Não há um Pedro dador e um Pedro indignado, que se encontram e fundem ao fim do dia numas pantufas, mas uma só pessoa que arranja tempo para as duas coisas. Nunca irei perceber essa dicotomia.. Esses jovens escuteiros, quando tiverem idade para isso, se não o fizeram já, também se indignarão com alguma coisa, se forem normais. Neste caso, se, para além de recolherem pacotes de arroz no supermercado, tiverem também distribuido os alimentos ou a roupa pelos necessitados, poderão ver os olhares destes e só com muita insensibilidade não se indignarão. Nem que seja com o Sócrates, os bolcheviques e a esquerda em geral ou o aquecimento global, qualquer coisa. E já lhes explicaram porque é que cada vez mais pessoas fingem não os ver a estender o saco? E sobre politica, podem ser incomodados, ou corre-se o risco de se indignarem e quererem alterar a harmonia natural das coisas, ficando parecidos com os outros, os da tal subespécie dos “indignados”?

    • ppicoito diz:

      Não há uma harmonia natural das coisas e espero que estes jovens se tornem indignados, inconformistas, rebeldes, mas antes de mais nada contra quem enche a boca com os pobres apenas para fazer pela vidinha. A vidinha pode ser o ressentimento (Pacheco Pereira), ou a irritação porque isto não está nas mãos nos nossos (Soares), ou uma utopia albanesa que nos tornaria a todos mais pobres e menos livres (Raquel Varela). Espero que aqueles jovens se indignem com um poder que mente, mas também com as mentiras dos que apenas querem trocar um poder mentiroso por outro. Espero que se indignem com as perversões da democracia representativa e do capitalismo, mas também com os que esperam que a violência contra um Governo eleito impeça uma política votada pela maioria. Espero, sim, e tenho a certeza que hão-de pensar pela sua cabeça um dia. Porque são realistas e sabem que para mudar o mundo têm que começar por dar um pouco de si próprios. Foi isso que ali fizeram. Tenho muito mais respeito por aqueles adolescentes do que por todos os “antifascistas” que se esquecem do que é a democracia quando a democracia não lhes convém.
      E já que me interpelou directamente, sempre lhe digo que tenho a minha quota-parte de rebeldia e intervenção política e fiquei vacinado. Participei nas manifs contra as propinas até perceber que éramos meros peões da JCP e da malta do Bloco. Nunca mais participei em nada depois da invasão da Reitoria na Nova, que foi totalmente forçada por meia dúzia de tipos e tipas (posso dar nomes) contra a vontade da maioria que lá estava. Eu estava lá. Mas quando lá cheguei, com 18 verdes aninhos, tinha quatro ou cinco anos de dar explicações e aulas de alfabetização em bairros de lata de Lisboa. Aprendi muito com esse trabalho. Aprendi que há uma grande distância, não apenas física e social, entre os pobres reais e os políticos da vidinha que pretendem falar em seu nome. Aprendi que meu voluntariado era uma gota de água num oceano de miséria humana, mas que mais ninguém o podia fazer por mim. E que era uma obrigação minha, não da sociedade ou do “Estado”, para com aqueles miúdos, não para com “os pbres”. Aprendi que não se combate a pobreza com retórica panfletária, mas com um esforço concreto, permanente, invisível, miudinho, muitas vezes aparentemente inútil por mudar as coisas aos poucos. E aprendi que isto não era abstracto. Ali estavam pessoas concretas que esperavam todas as semanas por uma aula, um jogo de futebol, um passeio de algumas horas fora do bairro terrível a que se limitava o seu mundo de todos os dias. Valeu a pena? Ah, se valeu… Mais do que todas as horas em que lutei pela eleição de Manuela Ferreira Leite ou de Cavaco, por vezes ao lado de Pacheco Pereira e enquanto o soares eleogiava o Sócrates (que era “fixe”). Não me arrependo de um único dos segundos que passei na Curraleira, no Bairro Chinês e na Musgueira. Mas das horas que perdi na política partidária, arrependi-me. E muito.

      • fnvv diz:

        Godspeed, my man.

      • caramelo diz:

        Pedro, parabéns, mas eu não pedia tanto. Para além das coisas que sei de si porque são do domínio público, perfeitamente pacificas, supus outras coisas que são da simples natureza humana: o protestar e o lutar por direitos. Mas, e então, devemos criar um cadastro nacional de indignados, incluindo curriculum? Já que fala nela, eu não faço ideia do que faz a Raquel Varela no dia a dia, se dá arroz aos pobrezinhos ou se lhes dá chutos, se visita os bairros pobres ou se vai ao fim do dia para a piscina do Ritz. Teria ela que ser acompanhada por um atestado que provasse que se indigna com as coisas que o Pedro acha certas, aquelas com que espera que os jovens se indignem? Eu nem tenho que saber nada disso. Apenas parto do princípio de que não é justo criar-se uma categoria de “indignados” versus os bons cidadãos, porque sei perfeitamente como é que essa classificação funciona, qual a tipologia que lhe está associada. Faz-me até lembrar vagamente a frenologia do Lombroso.

  11. ppicoito diz:

    Não sou eu que faço frenologia, é a Raquel Varela (leia o link até ao fim), é o Mário Soares quando diz que a Igreja portuguesa tem que dizer o que ele diz ou é fascista (por oposição ao Papa, que é um gajo porreiro – por enquanto), é o Pacheco Pereira que se senta na aula Magna ao lado de quem aposta no derrube do Governo por todos os meios, incluindo a paulada, e se pergunta porque é que os verdadeiros sociais-democratas não estão lá, como se alguém lhe tivesse dado o direito de distinguir entre os bons e os maus. Quanto a frenologia, acho que estamos conversados.

    • caramelo diz:

      Está a confundir. O Soares e os outros fazem aquilo que se fez sempre em politica e no debate político. Dizem o que é justo e o que não é, o que deve ser feito e o que não deve, quem está certo e quem não está.
      Mas sobre isso de se querer mudar o mundo, um aparte, uma coisa curiosa e acho que sintomática dos tempos que vivemos. Disse o Martim Avilez (acho que foi este) no último Expresso que o Rui Tavares, ou o partido que quer formar, não tem ideologia, nem quer mudar o mundo, apenas procura consensos. O Rui Tavares deve ter ficado muito orgulhoso com o elogio.

  12. cc diz:

    O que eu vi no fds passado num Pingo Doce foi miúdos com a farda dos escuteiros, tinham 6, 7 anos (juro que não tinham mais) a correr sofregamente para dar os sacos às pessoas, não pareciam ter a mínima consciência do que estavam a fazer, creio que nem podem ser apelidados de voluntários. Contudo, é difícil recusar um saco de uma criança daquela idade. Independentemente do resto, pareceu-me mal que crianças tão pequenas pudessem ser utilizadas assim pois não acredito que lhes seja explicado o que a campanha significa. Pode não ter sido generalizado o procedimento mas garanto que ali foi assim.
    ~CC~

    • ppicoito diz:

      as crianças dessa idade compreendem muito mais do que julga. Vejo pelas minhas. Talvez seja discutível se deviam ou não envolver-se na campanha, mas garanto-lhe que são sensíveis à pobreza.

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