Afinal, há vida inteligente no PS

Vale a pena ler a crónica de Francisco Assis no Público de hoje. Quando o PS parece divido entre o amorfismo de Seguro, o revanchismo de Sócrates e o panfletarismo de Soares, eis finalmente uma voz de bom senso por aqueles lados. Subscrevo Assis de uma ponta à outra, da belíssima citação de Magris sobre Norberto Bobbio e os “valores frios da democracia – o exercício do voto, as formais garantias jurídicas, a observância das leis e das regras, os princípios lógicos (…) que permitem aos homens, a todos os indivíduos de carne e osso, cultivarem pessoal e livremente os seus valores e sentimentos quentes, as paixões e predilecções de todos os géneros“, à conclusão certeira: “Se bem sabemos como pode ser desumano o capitalismo sem regras, também temos a obrigação de não esquecer como se revelaram aviltantes da dignidade humana todas as formas de organização política que, em nome de uma suposta democracia material, começaram por anular os princípios mais básicos no plano formal. É por isso mesmo que há pequenos passos, aparentemente inócuos, que nunca devem ser dados.”
Vocês sabem do que é que ele está a falar.

PP

4 thoughts on “Afinal, há vida inteligente no PS

  1. XisPto diz:

    Exacto. Já o artigo anterior fazia considerações sobre a Aula Magna muito significativas. Assis, Amado, Teixeira dos Santos hoje sobre a necessidade de ter feito há 12 anos o que se faz agora…

  2. henedina diz:

    Afinal há vida em Marte. Vida inteligente nos partidos é que é mais difícil tirando, talvez, o António Costa.

  3. João. diz:

    “Se bem sabemos como pode ser desumano o capitalismo sem regras, também temos a obrigação de não esquecer como se revelaram aviltantes da dignidade humana todas as formas de organização política que, em nome de uma suposta democracia material, começaram por anular os princípios mais básicos no plano formal. É por isso mesmo que há pequenos passos, aparentemente inócuos, que nunca devem ser dados.”

    – o capitalismo sem regras não existe nem nunca existirá, portanto o erro de Assis é logo à partida o de pensar que se pode ter um capitalismo sem regras que seria o desumano por oposição a um com regras que seria humano. O capitalismo sem regras tem regras. A desregulamentação não é a ausência de regras mas a sua transformação. Só deixam de haver regras, no sentido político e económico, se se extinguir a polícia e todos os mecanismos de coerção e repressão legais, ou seja, os que são exercidos pelo Estado a coberto de suas leis. Mostrem-me um capitalismo sem polícia, sem tribunais, sem Estado, sem governo, sem forças armadas a então talvez possamos falar de capitalismo sem regras – antes disso, “sem regras” quer dizer “com regras”.

    • XisPto diz:

      Percebe-se bem o que FA quer dizer embora de forma alusiva. Qualquer sistema tem regras e uma economia capitalista também, por definição. FA refere-se evidentemente ao nível regulatório do estado na economia e não tinha na cabeça os instrumentos constrangedores do estado que o João lista. Todos os estados os possuem, independentemente do sistema económico e/ou do nível de regulação. FA é um social-democrata com uma sensibilidade particular à desvalorização das regras formais de um estado de direito, e já sofreu na pele as consequências da “democracia directa” popular, acho que é isso que nos recorda.

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