Demite-te, Crato.

Falhou em toda a linha o plano de José Manuel Fernandes, Helena Matos, Maria de Fátima Bonifácio e Nuno Crato para revolucionar o ensino em Portugal. Os relatórios PISA da OCDE reabilitaram os “defensores do eduquês”, cobrindo de ridículo a fronda liberal portuguesa. Não era esta gente que exigia “mais responsabilidade”? Então venha ela.

Eis o comentário de Constança Cunha e Sá.

Luis M. Jorge

16 thoughts on “Demite-te, Crato.

  1. João. diz:

    Crato??

    Acho que você anda distraído, enfim já está como o outro que não lê jornais. Informe-se homem! Ai, ai, estes bloggers de hoje.

    (Via C. Corporativa)

  2. Miguel diz:

    Falhou o quê? Então iam lá deixar essa cambada de ranhosos elevar-se e chegar às Luzes. O tanas! O Guizot, o fundador da Sciences Po (não me lembro do nome dele e estou com ronha para ir procurar), e o bando da Ivy League uns cem anos depois, esses ainda disseram que se as elites não queriam ser desalojadas pelo alargamento da instrução ao povo tinham de começar a ter, e a aplicar a elas próprias, o espírito meritocrático. Mas esses eram franceses e americanos, ou seja jacobinos. Por cá o plano é mesmo voltar a pôr os ranhosos no lugar deles, para que não tenham veleidades em viver acima das suas possibilidades. Ora não querem lá ver, primeiro eduquem-se e depois pensem em frequentar boas escolas.

  3. XisPto diz:

    Como? Pode-se discordar do homem (e o exame suscita muitas dúvidas) mas, por favor, não se invoque o PISA. Uma leitura desapaixonada aponta para que as políticas de rigor e exigência, o que inclui no mínimo MLR, estão na origem da melhoria, precisamente o contrário do que alguns pretendem. Uma dúvida metodológica, vc consegue ouvir CC&S até ao fim ou a sugestão é só para chatear?

    • A MLR não era aquela do eduquês? E você, ouviu?

      • XisPto diz:

        Sim, ouvi e sobrevivi. Se MLR era do “eduquês” ou não é uma perspectiva excessivamente de comentador de “primeira linha”, como diz o JPP, eu diria excessivamente “futebolística” que pouco acrescenta. Recordo que MLR introduziu medidas de exigência (avaliação, aulas de substituição, o exame agora contestado, etc) que enfureceram os defensores do status quo, medidas que Crato subscreve, e, tanto quanto julgo entender, desenvolve. De tudo o que li sobre os resultados do PISA 2012 não consigo extrair a conclusão que CC&S exibe na pergunta de efeito fácil: se estava tudo bem, porque fez Crato alterações? Mas, compreendo que isso seja usado na retórica política…

    • João. diz:

      Uma leitura desapaixonada aponta para o desastre que é este PM e este governo na área da educação uma vez que lançaram a desordem e a desconfiança na capacidade dos professores e escolas quando, dados os resultados divulgados pelo PISA, as coisas estavam a melhorar.

      Isto indica também que o trabalho dos sindicatos de professores não tem impedido o progresso como são constantemente acusados. Se há a distribuir mérito por estes resultados esse mérito vai para todos os agentes do sistema.

      • XisPto diz:

        Opps, mas como é que as coisas podiam estar a melhorar como resultado de uma política de MLR que foi diabolizada pelos defensores do satus quo, como vc mesmo linkou? João, não se meta a inovar, as coisas vão sempre para pior enquanto não se mudar de política. É simples!

    • Miguel diz:

      O que ela pretendeu fazer com essa frase foi uma redução ao absurdo: se ele, ao ser confrontado com os resultados de PISA 2012, pretendeu que a progressão dos alunos portugueses resulta da sua influência no sistema educativo, então por que razão volta a alterar os programas (de Matemática, por exemplo)? Que tinham sido alterados apenas em 2007.

      Aliás uma das coisas que me deixa perplexo são as recorrentes alterações aos programas, como se todas as décadas se fizessem descobertas surpreendentes a propósito do que se quer ensinar aos miúdos e de como se quer ensinar. Cada vez que vem um novo governo deita fora o trabalho do anterior de modo que nem existe uma linha de orientação coerente para o sistema educativo a longo prazo, nem existe coerência nas próprias reformas, consideradas individualmente, dos programas. Há décadas havia um óptimo programa de matemática para o fim do liceu que se pode encontrar nos (velhinhos) manuais do Sebastião e Silva. Incluia uma introdução ao cálculo diferencial, integral, creio que às séries, aos espaços vectoriais, trigonometria, números complexos e até uma introdução elementar às noções de grupo e à axiomática dos números naturais. Não é preciso reinventar a roda todos os dez anos. Com pequenos retoques e actualizações na susbtância e na forma era um excelente programa de matemática ainda hoje. Existem óptimos livrinhos sobre a história e a estrutura da matemática desde o velhinho Jesus Caraça até a coisas estrangeiras mais recentes que eles podiam mandar traduzir e pôr à disposição do povo. Mandar traduzir e pôr à disposição, seu vermelho, seu comunista? O mercado é que se encarrega disso. Pois é, é o eduquês promovido pelo sem vergonha pelo Crato e restantes cães de guarda: o mercado encarrega-se de trazer os Morangos com Açucar e essas merdas ao povo. O trabalho consistia em fazer chegar este programa a um número muito mais alargado de alunos– essencialmente a toda a população. Isto é uma heresia para estes revolucionários ao contrário, cães de guarda do elitismo do pilim, do carcanhol, que tomaram conta do ministério e só o vão largar quando entregarem isto tudo numa travessa de prata à oligarquia dos bifes só para quem pode e das escolas de elite para aqueles que já chegam ensinados. A reprodução do pilim tem razões que o interesse geral e o bom senso desconhecem.

  4. João. diz:

    “João, não se meta a inovar, as coisas vão sempre para pior enquanto não se mudar de política. É simples!”

    Isto é porque no seu conceito não existe mudança para pior. No meu existe.

    • João. diz:

      Quanto à MLR, olhe posso dizer minha mãe, que é professora, agora reformada, eleitora preferencial do CDS/PSD fez greve pela primeira vez na vida dela a propósito daquela idiotice do método de avaliação proposto pela ministra.

      Essa de que eram os comunistas da Fenprof a destabilizar a ministra e o Sócrates não cola com a disposição dos professores de todos os quadrantes políticos em relação à ministra naquela altura.

      • XisPto diz:

        Pois tem razão em reivindicar vitória no destino político dos reformadores no governo Sócrates, MLR e Correia de Campos bem o atestam. Mas se isso serviu os interesses colectivos é outra questão… Eu entendo que não. Foram anos desse facilitismo que nos levaram onde estamos.
        Mas o que prova a posição da mãe? Eu até compreendo que uma prof agora reformada tenha à altura ficado chocada com a ideia de ser avaliada no seu desempenho profissional, agora que a geração seguinte entenda isso como um retrocesso civilizacional é que tenho dificuldade em entender. Infelizmente as coisas não funcionam como na utopia “de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades”.

      • João. diz:

        A posição da mãe prova apenas que a luta contra o método de avaliação proposto não era dos comunistas nem sequer apenas dos sindicalizados. Claro que você pode continuar em negação a dizer o contrário – não fica muito longe do que diz o ministro actual mesmo em face de grandes adesões dos professores às greves e aos protestos.

      • João. diz:

        “Eu até compreendo que uma prof agora reformada tenha à altura ficado chocada com a ideia de ser avaliada no seu desempenho profissional”

        A minha mãe, e muitos outros professores que estavam já em fim de carreira e nos escalões finais, já não era afectada especialmente por essa lei que visava em grande medida agir sobre a progressão na carreira.

        Depois o seu comentário mostra como você não chegou a entender o que estava em causa para muitos professores. O problema não era ser avaliada mas ter de avaliar colegas gerando não só uma maior carga burocrática para os professores que devem ter o seu tempo de trabalho mais concentrado nos alunos como ainda, e isto é muito importante, envenenando as relações de naturalidade que devem existir entre colegas de profissão na mesma escola.

        Não esquecendo ainda que propunha também que os pais fossem também um factor de avaliação [externa].

        Como é que seria isto? O pai do luisinho que tem má nota a matemática haveria de querer dar negativa à professora enquanto a mãe do zezinho que tem boa nota já acha que a prof é boa – e no meio disto os professores a ter de levar com estas carradas de subjectividade na avaliação do seu desempenho.

        E tinha ainda a componente do resultado dos alunos com as complicações que isto traz uma vez que se sabe bem que a condição sócio-económica afecta por si mesma, independentemente da capacidade do professor, o desempenho do aluno.

        Em conclusão e infelizmente você faz parte daquela enxurrada que veio muito ao de cima com o actual governo, mas que já afiava as garras com qualquer contestação ao grande líder Sócrates, e que só consegue lançar a desconfiança sobre a vontade de trabalhar dos outros – tendo nós que presumir que o mesmo não se aplica ao sr que haverá todos de ser exemplo brilhantes para todos.

  5. caramelo diz:

    Os artistas ali do post fartaram-se de desancar nos ministros da era pré-Crato. Tudo para trás era eduquês, o rigor não existia, etc, uma balda completa, macacos analfabetos a saltar em cima das mesas, etc. Ora, os resultados do Pisa não parecem confirmar isso. Pronto, tá dito, perfeito, não vejo problema no poste, ao contrário do XisPto.
    Este ministro não “desenvolve” nada, apenas porque introduz mais testes. Vamos imaginar isto: o Ronaldo joga futebol e para isso, entre outras coisas, tem de correr. Imagine-se que aparecia um tipo no Real Madrid a dizer: eu consigo correr mais do que o Ronaldo, e vai para o campo e atravessa-o em cinco segundos. Está a desenvolver o quê? Pelo contrário, onze gajos a correr que nem doidos na equipa, iam atirá-la para a segunda divisão. Este, da educação, só apanhou a ideia dos testes, para alunos e professores (para além da liberdade de escolha, uma coisa em forma de assim). Mas falta-lhe tudo o resto, que é saber aquilo que distingue um genial sábio poliglota de um simples professor: o saber ensinar. A avaliação e um professor deve ter em conta a pedagogia, o lidar com situações complexas na sala de aula, o usar novas técnicas e até a tecnologia quando é necessário, etc. Aquilo que usualmente se chama eduquês, que é uma coisa, farto-me de dizer, que quando tenta colocar a cabecinha de fora por aqui leva logo uma cachaporrada. Sobre estas avaliações aos professores, portanto, eu até admito que se faça este tipo de avaliação de conhecimentos em sítios, tipo o Sudão de Cima, onde aparecem uns caramelos a ensinar, vindo sabe-se lá de onde, e é preciso descobrir se ele afinal sabe o que está a ensinar. Não percebo bem o que quer o Crato com isto. Mas, lá está, é um sinal de rigor e exigência, claro, e perseverança, disciplina, capacidade, severidade, austeridade e outras coisas acabadas em ade, como imbecilidade e parvoice completa.

    • Miguel diz:

      Bem pensada essa do Real Madrid. Aquelas conversas dos tipos são “ades” desde o princípio até ao fim. A começar pela dicotomia da tabuada e da calculadora. Fosga-se, um tipo para não sofrer de iliteracia funcional tem de saber usar ambas de trás para a frente. Usa-se uma calculadora quando são precisos várias casas decimais num cálculo; faz-se de cabeça quando se quer fazer estimativas rápidas nas costas de um envelope. Só que ninguém ensina sistematicamente os putos do liceu a fazer estimativas (aliás é raro até nas universidades). Mas é assim que se aprende a pensar sobre seja o que for: física, matemática, economia, tudo. Falam da educação para a economia, para o mercado de trabalho e o diabo a sete. Mas são incapazes de fazer esta simples constatação, o que para mim é sinal de que não refelctiram a sério nem acreditam naquilo que pregam. A conversa deles é palha para encher os plateaus de televisão. São meros cães de guarda, e propagandistas no mau sentido do termo.

      E o que é que se lembram a seguir para melhorar o sistema de ensino: pôr os putos e os profs a fazerem exames. Mas que raio de empresas e de empreendedorismo é que essas lumiárias têm mente? Empresas que andam a recrutar especialistas do exame, profissionais do teste, papagaios do “par coeur” ? Eu não digo que em certos momentos da vida escolar não seja essencial ter exames. Sim, são necessários em certos momentos bem definidos. Mas a exigência não se esgota aí. Ser exigente não é apenas garantir que os alunos sabem papaguear as definiçÕes correctamente (e mesmo aí … é só na data do exame, e esquecem tudo passados dois dias). Ter um ensino exigente é ensinar a saber pensar pela própria cabeça, de forma aproximada ou rigorosa (conforme os momentos e as questões em jogo), de forma crítica e com um propósito. Concretamente, ser capaz de pensar sobre problemas simples e encontrar respostas plausíveis. Exemplos: 1) se todas as pessoas no planeta saltarem para dentro do mar ao mesmo tempo, o nível do oceano vai subir catastroficamente ou não, quanto sobe? 2) qual é o custo anual com a iluminação pública” na cidade *escolher uma grande cidade*? 3) quantos meteoritos grandes atingem a Terra por ano? São perguntas heterógeneas, umas mais abertas do que outras, obrigam os alunos a precisá-las criteriosamente, e a procurar diferentes maneiras de estimar uma resposta aproximada. E o processo de avaliação não passa por saber se a resposta está certa ou errada, ponto; mas se é razoável e plausível à luz dos nossos conheicmentos ou, se pelo contrário, é absurda (bom treino para assistir a debates políticos e económicos), e permite aos alunos trabalharem individualmente e/ou em conjunto discutindo diferentes estratégias. Pressupõe conhecimentos *bem mastigados* sobre matérias duras (física e matemática elementares), obriga a pensar, ensina a descobrir o que não se sabe e se precisa de saber, e ensina a partilhar o esforço e o gosto pelo estudo e pela investigação; que quanto mais se partilha o conhecimento mais conhecimento se cria. E tem outra virtude: é isto que se faz na vida prática, seja numa empresa, seja na investigação académica, seja onde for.

      Mas para os cães de guarda, e as pobres gentes que se deixam embalar pela canção do bandido, basta fazer um ar solene e pomposo, e debitar generalidades no palco televisivo com adjectivos pomposos.

  6. CO diz:

    O mais chocante nisto tudo e a ostensiva desonestidade intelectual do ministro Crato. Durante as declarações ao telejornal foi repescar o consulado de David Justino na educação para justificar os progressos no PISA, ignorando ostensivamente o que se passou entretanto.
    Estamos entregues a um bando de delinquentes mentirosos e incompetentes

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