A esquerda reaccionária

“Mesmo a esquerda, ao comportar-se reactivamente como um reverso do espelho do poder, não faz outra coisa senão reforçar o discurso dominante, aceitando falar a partir dele, a partir do seu quadro interpretativo, a partir da sua forma mental. O enorme deserto do pensamento dos nossos dias vive dessa dualidade em que os temas, os modos e os tempos são definidos pelo poder e “recusados” pela oposição, dentro da mesma linguagem e aceitando muitas vezes os mesmos limites”.

Exacto. A única  coisa que a esquerda à esquerda de Seguro faz é saltar como o cuco do relógio de cada vez que há um corte . Nisso é acompanhada por figuraças como Alberto João Jardim, por isso Manuela Ferreira Leite é hoje pintada como uma Joana d’Arc, quando ontem era uma velha parola serventuária da direita dos interesses.

Não há pensamento, não há coerência, não, há claro, unidade: todos os dias nascem plataformas e grupelhos.  Poderia haver pensamento se as esquerdas  disessem ao que vêm. Não basta falar dos pobres, dos descamisados, dos cortes. Seria necessário falar claro: do modelo de sociedade, da organização política do Estado, da repartição da riqueza. Seria necessário  planear a tomada do poder, sem o qual nenhuma política  faz sentido. Os funcionários públicos perderam 1/3 do salário nos últimos  três anos. O que lhes dizem as plataformas e os grupelhos?

FNV

 

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