Não te canses, Munchau.

Os pobres imbecis venceram:

If you want to look for the real political scandal in France today, it is not the sight of the president in a motorcycle helmet about to sneak into a Parisian apartment building. It is that official economic thinking in Paris has not progressed in 211 years.

Mas temos a poesia:

Os mendigos da Rua do Carmo têm mais feridas
mais perninhas em côto do que na rua do Ouro.
Os cegos – como a minha avó os invejaria –
olham-me por baixo; eles estão na Rua Ivens.
Há um bem antigo e cego de bengala cor de Mó-
naco, polaca, preferem os outros.
Às vezes vejo-o no metro, vem com a companheira
– companheiras são bem coisas de cegos -,
é andar! Caem rápidas as moedas, nóvinhas, à
volta da minha casa. Vida de cego, cantada e
socialista. Ai quem me dera,
vivíamos num grande quarto.

Por causa de David Byrne, de João Miguel Fernandes Jorge.

Luis M. Jorge

9 thoughts on “Não te canses, Munchau.

  1. XisPto diz:

    O que devemos lamentar no fim das ilusões sobre a agenda para o desenvolvimento do Hollande não é o seu irrealismo, é que mais um país (2º destino de exportações) vai entrar em austeridade e isso é maus para nós.

    • João. diz:

      Não se preocupe porque se bem me lembro o homem que hoje governa não acreditava, durante o perído em que liderava a oposição, em influêcias externas na nossa crise. Não acredito que tenha mudado de ideias em tão pouco tempo sendo esta uma ideia estruturante. Portanto, confiança no líder porque se ele não acredita em influências externas para as crises isto não há de ser nada connosco.

      Nós sabemos bem que a culpa da crise é dos sindicatos, dos funcionários públicos e dos reformados.

      O governo até consegue o milagre de fazer crescer o emprego em geral enquanto o desemprego aumenta entre os jovens…!

    • XisPto diz:

      João, passe adiante. Lamento, quanto si, mas não houve bancarrota. A enésima crise global capitalismo financeiro ainda não foi a final (eu até vi logo que não era a final poorque ninguém empunhou a tripa do burocrata para enforcar os tipos do Goldman Sachs). Temos que focar no problema que subsiste: podemos integrar o euro com a economia que temos? Com todos os sócios em austeridade ao mesmo tempo? Particularmente os alemães que não querem consumir mais nem aceitam uma união bancária digna do nome?

      • João. diz:

        “mas não houve bancarrota”

        E eu que ouvi durante meses e meses que tínhamos entrado na bancarrota e que por isso era necessária a troika. O que vale é que hoje em dia o governismo pode dizer uma coisa que é cancelada pela coisa dita a seguir sem que ao mesmo tempo haja um dito desse cancelamento.

        É evidente para mim que a componente externa é muito importante.

        Eu falava do paspalho do seu PM. Para ele é que a BANCARROTA SÓCRATES como lhe chamava (mas que afinal já não existiu, segundo você) não tinha nada a ver com o exterior.

  2. Miguel diz:

    É verdade. O Hollande segue a política da oferta, a pedido do MEDEF (representantes do grande patronato), para favorecer as grandes empresas exportadoras e especialmente os seus accionários, sacrificando com isso a procura interna e as PMEs. Vai falhar com um enorme estrondo porque, como muito bem escreve o Munchau, esta política não resultou em lugar nenhum (excepto para os happy few que vão ser presenteados com dezenas de biliões de euros em parte financiado com o aumento da TVA (o IVA)). Os jornalistas perguntaram a Hollande o que é que agora o distingue do Sarkozy ? Resposta: o Sarkozy falava que fazia, enquanto que eu faço. O Hollande está a trair quem o elegeu. Isto vai acabar mal.

  3. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Luís, é uma “piquena” questão de falta de filosofia e de bibliografia: os pobres imbecis ainda não (re)descobriram a macroeconomia post-Grande Depressão dos anos 30 do século XX; quando tal acontecer dirão que sempre souberam o que estavam a fazer.
    É por tudo isto que devemos em uníssono apoiar a Dra. Manuela-Azeda-O-Leite a PR.
    Enquanto isso, estaremos todos atarefados a «inconseguir» fazer pela vidinha, aumentando assim o nosso «nível frustracional».
    E a propósito, o seu companheiro FNV agora já não se comenta nem se deixa comentar…!?

  4. João. diz:

    Mais sinais de que vem aí a bonança:

    “A crise financeira iniciada em 2008 expulsou do mercado de trabalho 62 milhões de pessoas no mundo e, hoje, 202 milhões de pessoas estão desempregadas, o equivalente a um Brasil inteiro. Enquanto isso, uma elite composta por apenas 85 indivíduos controla o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.

    Dados divulgados nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela entidade Oxfam revelam o impacto social da crise de 2008. Meia década depois do colapso dos mercados, os ricos estão mais ricos e a luta contra a pobreza sofreu forte abalo. Hoje, 1% da população mundial tem metade da riqueza global.

    Os levantamentos foram publicados na véspera do Fórum Econômico Mundial, que começa amanhã em Davos. Pela primeira vez nos mais de 40 anos da entidade, os organizadores reconhecem a desigualdade como o maior risco para o planeta.

    Para a OIT e a Oxfam, a crise mundial gerou uma concentração de renda inédita no mundo rico nos últimos 70 anos e fez o número de desempregados bater recorde. O que mais preocupa as entidades é que a recuperação da economia não está sendo seguida por uma geração de postos de trabalho e a previsão é de que, em 2018, 215 milhões de pessoas não terão emprego. “A crise é muito séria e o número de desempregados continua a subir”, disse Guy Ryder, diretor-geral da OIT. “Precisamos repensar todas as políticas. A crise não vai acabar até que as pessoas voltem a trabalhar.”

    Em 2013, mais 5 milhões perderam o emprego, principalmente na Ásia. Desde 2008, um volume extra de 32 milhões de pessoas busca trabalho, sem sucesso. Mas outras 30 milhões de pessoas simplesmente abandonaram o mercado de trabalho e desistiram de procurar empregos. Só em 2013, foram 23 milhões. “Essas são taxas inaceitáveis”, disse Ryder. Hoje, a taxa de desemprego global é de 6%. Por enquanto, não há sinal de queda do desemprego na Europa, enquanto outras regiões começaram a registrar aumento.

    Jovens. Outra preocupação da OIT é com o fato de que 13,1% dos jovens do mundo continuam sem emprego – 74,5 milhões de pessoas. Apenas em 2013, 1 milhão de jovens perderam seus trabalhos. Mesmo entre os empregados, a situação nem sempre é adequada. Segundo a OIT, 375 milhões de pessoas ganham menos de US$ 1,25 por dia. Outros 839 milhões ganham menos de US$ 2.

    O que a OIT registrou ainda é que os esforços de redução da pobreza foram afetados pela crise. Em média, o número de pessoas que ganhavam menos de US$ 2 por dia caía em média 12% ao ano. Em 2013, a redução foi de apenas 2,7%.

    Enquanto a luta contra a pobreza perde força, dados da Oxfam mostram que a disparidade social no planeta ganhou força desde 2008, quando a crise mundial afetou em especial as classes médias. Hoje, as 85 maiores fortunas do mundo somam US$ 1,7 trilhão, a mesma renda de metade da população. O grupo de 1% mais rico tem renda 65 vezes superior aos 50% mais pobres. 70% da população vive hoje em países onde a desigualdade aumentou nos últimos 30 anos. “As elites globais estão mais ricas e a maioria da população mundial está excluída”, diz o informe.

    Cerca de 10% da população mundial controla 86% dos ativos do planeta. Os 70% mais pobres controlam apenas 3%. Nos EUA, 95% do crescimento gerado após a crise de 2008 ficou nas mãos de 1% da população. Os dez mais ricos da Europa mantêm fortunas equivalentes a todos os pacotes de resgate aos países da região entre 2008 e 2010 – cerca de 200 bilhões.

    No que se refere ao Brasil, a Oxfam aponta para o “significativo sucesso” em reduzir as desigualdades graças a investimentos públicos e aumento de salário mínimo em mais de 50% desde 2003. Ainda assim, o Brasil é a economia onde a renda dos pais mais determina o sucesso dos filhos. A Dinamarca e Suécia estão no lado oposto da tabela.

    Para Winnie Byanyima, diretora da Oxfam, o controle da economia mundial por um pequeno grupo não ocorreu por acaso. “A concentração de renda aconteceu por um processo em que a elite levou o processo político a desenhar regras no sistema econômico que a favorecessem.”

    http://estadao.br.msn.com/economia/mundo-perde-62-milh%C3%B5es-de-empregos

    Tenho quase a certeza de que aqueles 85 indivíduos de que fala o artigo concordariam com o essencial de Passos Coelho e suas caixas de ressonância por aí que enquanto ressoam a propaganda do governo se queixam e choram lágrimas de crocodilo por a oposição não ser mais efectiva.

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