A direita avestruz

A categoria, travestida,  impõe-se: conservadores nos  costumes, liberais na economia. Agrupa emigrantes da extrema-esquerda ( Crato, José Manuel Fernandes,  Zita Seabra, Helena Matos etc), velhos tradicionalistas e novos empreendedores ( aos magotes) pretextando, talvez,  o ressurgimento de um Governo da União Sagrada, com Passos a fazer de Afonso Costa e Portas de António José de Almeida. Nos últimos  anos,  esta direita elaborou um arquivo de predominância ética. Nos costumes ( sexo e  drogas, só faltou o rock’n’roll), na educação ( disciplina, método, exames) , na economia ( a transparência, as boas contas ). Coisas boas umas, dispensáveis outras. Normal.

Sócrates foi o boneco a partir da qual ela modelou o arquivo. Reunia tudo, numa mistura de  imaginação com realidade: amigo  dos LGBT, gastador endividado , promotor de negócios de amigos e , por último, envolvido  em rocambolescas conspirações para enriquecer ( o boato de que o homem andava com 300.00 euros na mala do carro).O problema desta direita está aqui exemplificado pelo Luís ( nem falta o Cerejo, ex-herói dos justos). Não lemos uma linha sobre  nenhuma destas ( nem de outras) trapalhadas, não ouvimos  nenhum discurso sobre a necessidade de limpar, refazer, desinfectar.  Ou seja, a orientação do arquivo, a supremacia ética, a coisa moral,  são afinal simples elementos circenses.

Esta avestruz  enterra a cabeça e convive bem com o duplo padrão, mas nem é isso  o mais relevante. Digna de nota é a patológica identificação projectiva ( negar os nossos traços e atribui-los  a outros)  assentar na moral, coisa da qual, como se sabe, não sofrem os psicopatas .

FNV

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