Notícias do bloqueio

A notícia de que o défice das contas públicas baixou para metade no último ano devia ser bem recebida por todos, sem estados de alma nem ranger de dentes. Mas não se deve esquecer que a carga fiscal continua obscena, que o Governo tem o dever moral e político de a descer, que a ciência portuguesa está incompreensivelmente a saque, que a política cultural se resume aos “cortes”, que há muito por fazer na educação, que somos regidos por gente que contribuiu activamente para o buraco onde estamos graças a boys como o Sr. Primeiro-Ministro da Tecnoforma, o nunca esquecido dr. em equivalências Relvas, o Sr. Branquinho do lobbying e outros que, apesar de toda a conversa do empreendedorismo, sabem pouco da vida real e muito de referendos para lixar a oposição e perfis de candidatos a eleições distantes. Em suma, que estamos a ser mal governados. Se os indicadores económicos e financeiros estão a melhorar, o Governo bem pode agradecer a quem os pagou com o aumento do IVA e do IRS e a diminuição de salários e pensões: nós.
Consta que Passos já vê a luz ao fundo do túnel, por outras palavras a vitória em 2015. Talvez. Entre ele e o PS de Seguro ou, pior ainda, as aulas magnas de Soares e as idas de Sócrates à escola, talvez os portugueses escolham o mal menor. De novo. (E eu nem acredito que acabo de escrever isto.)

PP

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16 thoughts on “Notícias do bloqueio

  1. cristiana fernandes diz:

    Esqueceu-se dos funcionários públicos e dos pensionistas que viram uma diminuição brutal dos salários ( para além de terem pago IVA e IRS, como os demais). E consta que apenas 45% dos contribuintes portugueses pagam efectivamente IRS ( cerda de 2 milhões de agregados familiares, apenas). A descida do déficit não foi feita apenas pelo lado destas “receitas”.
    E exceptuando os malfadados “despedimentos” e os novos salários de “500”, está por esclarecer, a meu ver, qual o tipo de “ajustamento” que houve no sector privado ( parece-me que os chamados salários médios e os salários altos e os altíssimos não sofreram cortes … e os lucros e dividendos também não ).

  2. XisPto diz:

    Muito oportuno. Confesso que pensei, aquando do acordo com a troika, que a configuração do sistema partidário não sobreviveria ao ajustamento económico e ao julgamento crítico dos eleitores sobre a forma como fomos conduzidos à terceira falência financeira em democracia. Estava enganado, mas, apesar da falta de renovação no restante espectro político, PP andaria muito equivocado se tomasse como adquirido o voto dos que apoiaram o governo por ser o agente operacional de um programa necessário face à emergência financeira e às consequências dramáticas de um incumprimento. Ter-se mantido nessa posição com tenacidade é um mérito que se tem que reconhecer, mas isso não apaga todos os aspetos negativos, os referidos no post e alonga lista que se poderia acrescentar.

  3. João. diz:

    “Consta que Passos já vê a luz ao fundo do túnel, por outras palavras a vitória em 2015. Talvez. Entre ele e o PS de Seguro ou, pior ainda, as aulas magnas de Soares e as idas de Sócrates à escola, talvez os portugueses escolham o mal menor. De novo. (E eu nem acredito que acabo de escrever isto.)”

    – Você já se esqueceu que Passos antes de ser eleito era do mesmo tipo que Seguro, porventura até pior, em minha opinião. O que acontece é que você se deixou fascinar um pouquinho pela aura do poder que o recobre e agora Passos parece-lhe um pouco mais brilhoso que o resto.

  4. Luís Marques diz:

    Cristina Fernandes, quem faliu foi o estado português, em vez de baixar, muito, os seus custos de funcionamento, aumentou impostos. Se tivessem despedido 100.000 funcionários públicos, um número ao calhas, não haveria necessidade de tantos cortes. Obviamente nada é tão fácil como escrevo.

    • Este comentário, mais do que revelador de maldade, é-o de estupidez.
      É paradoxal que a estupidez política possa como que ser, simultaneamente, a-política e uma forma de política. Infelizmente, criaturas que orbitam na área do governo e mesmo no seu interior padecem dessa forma de humanidade.

  5. Bone diz:

    Sim, mas em que é que Passos Coelho é o mal menor, menor porquê? Ou, por outras palavras, e para simplificar, em que é que ele é melhor que Seguro? Em que se baseia exactamente para afirmar isso? Apenas no facto de ser “de direita”? é uma questão de clubismo? Agradeço desde já o esclarecimento.

    • ppicoito diz:

      O Seguro continuaria a política do Sócrates que nos levou à bancarrota. Ou então teria que negar tudo o que tem dito até agora.

      • Bone diz:

        Como fez Passos Coelho? Oh, sejamos sérios, se já nem Sócrates continuava aquilo a que o Pedro chama “a política do Sócrates que nos levou à bancarrota”, tinha-a substituído pelos pecs. Foi aliás isso que o levou a perder as eleições, na sequência de uma campanha na qual Cavaco, Passos Coelho e Cª negavam a necessidade de mais sacrifícios. Passos Coelho cantava e convencia que com umas gordurinhas cortadas aqui e ali com precisão íamos ao sítio. Impostos e cortes nos salários, nunca, vade retro! Na verdade, é mais contraditório o percurso de Passos do que seria o do partido socialista se tivesse permanecido ou regressasse ao poder.

  6. caramelo diz:

    Porque, como toda a gente sabe e se repete e repete e repete, o Passos, não sendo o ideal, é melhor do que os outros. O próprio Passos diz que estamos a fazer sacrifícios, mas com os outros seria muito pior. O seguro seria pior e o sócrates atingiu um estado de abjeção que torna até um caso de saúde pública a sua aparição na televisão. Isto dá para um suspiro até ao esvaziamento, como os balões. Vá lá que muitos balões, suspirando, vão redemoinhando daqui para fora.

  7. Pedro, será que noto um “ressentimento”?!… Tu quoque?…
    Ainda que seja um “ressentimento” comedido – referias apenas o abuso nos impostos (queixa “ideologicamente” sintomática?) até a Cristiana Fernandes recordar a “diminuição” (eufemismo para ‘corte’) nos salários e pensões.
    “Há muito por fazer na educação” – não, por favor, parem quietos, não façam mais nada!

    • ppicoito diz:

      Não há ressentimento porque nunca houve sentimento. Passos é um eterno jota alçado, por capricho da história, a PM. Se isto se endireitar não será à conta do seu génio. Qualquer governo de direita deve baixar os impostos assim que for possível. Se isso é ideologia, é da boa.

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