007 Louçã, licença para matar

Tal como a entrevista de Sampaio da Nóvoa, a de Louçã ( à TSF) foi rapidamente arquivada pelos Grandes Educadores. Compreende-se. Louçã disse  duas coisas: a esquerda não trabalhou  ( não apresentou alternativas à reestruração da dívida) e tem mantido conversas de cabeleireira. Louçã, Francisco Louçã, “agente  do governo” com licença para malhar, mas o osso é outro: por que razão as coisas são assim?

A esquerda não apresentou alternativas à reestruturação da dívida porque não quis anunciar a nacionalização de bancos ( como Louçã propôs), a renacionalização de  empresas, a nacionalização  de fábricas e portos, a fixação dos preços  dos televisores e toda a ganga Chavista, mérito seja, assumida na Venezuela. E não quer  porquê? Porque há uma estucha  chamada eleições.

A conversa de cabeleireira é um subproduto. Durante anos ouvimos e lemos os Grandes  Educadores explicar que a união da esquerda era conversa que não interessava a ninguém. De repente a esquerda não fala de outra coisa. Algures entre os Bukharines amarelecidos pelo tempo deve estar o Pequeno Livro de Pimenta Machado: o que hoje é verdade amanhã é mentira.

A junção das duas críticas de Louçã define a faena. O PCP tem um eleitorado quaisquer que sejam  as soluções que proponha, a crise só reforçou ( não que vá subir, mas isso é outra louça) o seu peso. A esquerda radical- lisboeta tem  professores universitários, jornalistas, panfletistas  e actores. Excelente cobertura  mediática ( ao contrário do PCP) , reconheço, que, infelizmente,  lhe dá uma imagem psicótica da sua importância.Não trabalhou, como diz Louçã, porque até hoje  não precisou:  o beautiful people só existe. Fala no cabeleireiro porque falar, reunir, declamar poesia, assegurar a agenda LGBT e recordar Abril tem sido o suficiente para existir.

Agora tem de trabalhar mais e falar menos: deu bernarda.

FNV

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