O que falta recordar, Pedro.

É isto:

Antes disso, Álvaro Covões, o director da promotora Everything is New, quis fazer uma exposição com as obras de Miró mas a ideia acabou por ficar adiada quando ao lançar o desafio ao então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, este lhe pediu primeiro apoio para produzir a exposição de Joana Vasconcelos.

“É uma coincidência, acabámos por estar envolvidos na exposição da Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda e na do Museu do Prado no Museu de Arte Antiga porque no princípio de tudo pensámos em fazer uma exposição com os quadros do Miró”, conta o promotor, responsável por financiar em grande parte as exposições da Ajuda e do MNAA, lembrando que foi em Julho de 2012 quando ouviu a intenção de vender a colecção que teve a ideia de primeiro mostrar as obras ao público. “Disse ao secretário de Estado da altura que era engraçadíssimo fazer uma exposição com aquilo que estava fechado num cofre, ele disse que era fantástico mas que antes precisava de alguém que o ajudasse a viabilizar a exposição da Joana Vasconcelos”, explica Covões, lamentando que em Portugal “as pessoas acordem tarde para os acontecimentos”.

De referir também que o espólio do museu Miró em Barcelona ronda, se a memória não me trai, cerca de duzentas obras. Quantos turistas atrairia uma exibição permanente de 80 e tal obras do pintor em Portugal? Será que isso valeria mais de trinta milhões de euros? Onde estão os cálculos certamente elaborados pelos gestores criteriosos que hoje nos iluminam? Ninguém quer saber.

Luis M. Jorge

7 thoughts on “O que falta recordar, Pedro.

  1. ppicoito diz:

    Não falta recordar, pelo contrário. É mesmo uma questão de “política cultural”, ou falta dela, não é uma questão de dinheiro. Quando a alternativa é Joana Vasconcelos vs. Miró, e se escolhe Joana Vasconcelos, está tudo dito.

  2. Com o défice e a dívida públicas da Catalunha no estado em que estão, não deve faltar muito para que os quadros do Miró em Barcelona se arrisquem a ter mesmo destino dos do BPN (estejam ou não estejam na posse de alguma instituição privada…) Afinal, quando a Generalitat souber o que aqui se anda a fazer com a pintura de Miró, certamente quererá seguir o nosso iluminado exemplo.

  3. henedina diz:

    Quantos turistas atrairia uma exibição permanente de 80 e tal obras do pintor em Portugal? Será que isso valeria mais de trinta milhões de euros? Onde estão os cálculos certamente elaborados pelos gestores criteriosos que hoje nos iluminam? Ninguém quer saber.
    Claro esse é o “meu” argumento. Investir em cultura é investir. Deve ter sido a única opração com sucesso do BPN.

  4. fernando antolin diz:

    Luis, não incomode os senhores…como aliás disse um comentador, algures, aquilo será património catalão ou espanhol, nosso nunca !! Vendam, pois e avaliadinhas ( por quem ? ) assim baratuchas…

  5. xico diz:

    Em tempos de CRISE o esforço para mantermos as jóias de família é duro mas deve ser conseguido a todo o custo (o património, os recursos, a intelligentsia, etc). O mesmo esforço é, no entanto, exigido para não cairmos na tentação de aceitar as jóias que nos caem no regaço por via da agiotagem, especulação, má gestão ou penhora. Manda o bom senso e o amor à família a sofrer as agruras da crise, que se transformem essas jóias em dinheiro para o sustento e a protecção das verdadeiras jóias da família: aquelas que vimos no colo das nossas avós e aquelas que saem das mãos dos nossos artistas.
    Ficar com uma e qualquer obra de arte com o argumento que ela nos pode render dinheiro com a sua exposição é um argumento muito mais rasteiro e vil do que o argumento de precisarmos de a vender para comprar o pão.
    Cabe ao governo não desbaratar, como tem feito, essas “jóias”, e cabe à oposição não as transformar em “produto de mostruário”, a lembrar um célebre dito: vão vir “charters”, todas as semanas, de quatrocentos ou quinhentas pessoas.

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