Lá estás tu a aborrecer os senhores.

Vai para o Livre fumar chamon, pá:

1) Os quadros de Miró, nacionalizados junto com o BPN, “pertencem” ao Ministério das Finanças através da Parvalorem:

2) Esta, olhando para eles viu umas dezenas de milhões de euros para entrar no orçamento (se um dia olhar para os Jerónimos acaba por ver o mesmo):

3) Então contactou uma grande leiloeira internacional para os vender fora de Portugal;

4) No intervalo deve haver alguns intermediários, mas não se sabe quais;

5) Como os quadros de Miró não são para o Ministério das Finanças património cultural, mas o mesmo que barras de ouro, tirou-os de Portugal sem qualquer consulta, nem autorização das autoridades que pelo menos nominalmente deveriam ser consultadas e autorizar;

6) A tenebrosa oposição e os mal-intencionados suscitaram a questão da saída de património cultural para fora de Portugal;

7) Aos responsáveis governamentais do património deu-lhes um sobressalto de responsabilidade e da independência, que deve nortear a função pública, e vieram esclarecer que a saída das obras não tinha autorização, logo era ilegal;

8) Como acontece com quase tudo foi parar a tribunal, não porque exista qualquer “judicialização da política”, mas pura e simplesmente porque o governo actua muitas vezes de forma ilegal, tornando o recurso à justiça, a única forma de lhe por travão;

9) Mal se soube que os juízes iam decidir, o Ministério das Finanças fez o costume: ameaçou os juízes de que o cumprimento da lei custa uns milhões de euros, de indemnização à leiloeira e outros custos e por isso deve pactuar com qualquer ilegalidade;

10) O Tribunal aceitou um argumento burocrático e abstruso de que “não estamos perante uma decisão administrativa, mas sim um acto de gestão de uma sociedade anónima alheio ao uso de qualquer poder de autoridade pelo que não pode tal acto ser imputado à primeira entidade requerida, o Ministério das Finanças”. Essa sociedade é a Parvalorem, cujo único detentor de capital é o estado por via do Ministério das Finanças.

11) Toda esta história não vai terminar aqui, como é habitual. Mas é assim que se fazem as coisas.

Luis M. Jorge

4 thoughts on “Lá estás tu a aborrecer os senhores.

  1. henedina diz:

    Excelente post Luís. É aterrador o que os portugueses sofreram e vão sofrer por causa do BPN.

      • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

        Caro Luís, e ainda há malta que teima em declarar ufana (como a inefável e inevitável loura MTA) que temos todos de pagar € 36.000.000,00 pelo Museu 85-Miró do BPN se não for vendido em leilão pela Christie’s, e que o produto da venda é para pagar o «buraco» do BPN (apenas € 10.000.000.000,00, segundo o saldo em falta em 2011 no Fundo de Garantia Bancária – PEC IV dixit ab paginae 32)…
        Continuam a ignorar várias coisas:
        1) O museu 85-Miró do BPN já foi pago e repago pelo povo através do colossal aumento de impostos de 2011 a esta data;
        2) O museu 85-Miró do BPN já era do BPN à data da sua nacionalização (e a subsequente «dação em cumprimento» da SLN/Galilei à Parva-lorem é um “embuste” – Obrigado, Sócras!!!);
        3) Não se sabe o que aconteceu ao acervo artístico do BPN que foi transferido fisicamente na própria manhã da nacionalização da sede do BPN, na av.ª António Augusto de Aguiar, para a sede da Culturgest, na av.ª João XXI, sob a supervisão directa dos administradores da CGD Francisco Bandeira (o presidente seguinte em regime de part-time do BPN) e Norberto Rosa (o ex-Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento da Dra. Manuela Ferreira Leite).

  2. Carlos diz:

    Se a leiloeira fosse portuguesa, quando soubessem que ia haver providencia cautelar antecipavam o leilão num dia. Assim já não havia nada a fazer. Estes gajos da Christies são uns meninos…

    PS Agora um pouco mais a sério e pensando no porquê da urgência de se desfazer dos quadros em bloco. Se o Estado está necessitado de dinheiro toda a gente sabe que vendendo peça a peça ganhava mais quanto mais não fosse pelo número de entidades que poderiam aceder a comprar uma peça e assim não conseguem chegar ao lote. Junto a esta questão um outro acontecimento: compra de uma parte ínfima de uma pequena empresa de correios num pequeno país periférico pela Goldamn Sachs e estranhamente faz-se luz…

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