A day at the zoo

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Clássico é perceber que não é Dier que vai jogar no lugar do Lininho. Olhem para o Jardim ( sim, eu sei….).Confia tanto no inglês como eu confiaria a liberdade a um revolucionário.  É Adrien que vai ocupar o lugar do Lininho, com Vítor ao lado do Andrezito. O que interessa isto?  Tanto como os bons costumes à intimidade do moralista: nada.

Vencer uma equipa onde joga o Rojo é obrigatório. Nasceu para perder a bola e ser expulso, é um dom. Vai ser dele o primeiro remate do jogo, imitando o lagarto Cerdeira  na partida que podem  recordar via imagem acima exposta. Lembro-me bem, estava a ouvir na rádio com o meu pai que logo me tranquilizou: Temos  de os deixar pensar que isto é  a sério.

Outro clássico, mas cá de casa, é o pagamento. A minha filha  receba a mesada em duodécimos. Derrota do FCP e Sporting, 10 euros, empate, cinco euros. O FCP está a dar cabo do orçamento, mas para domingo acenei com um sorteio  tipo  facturas das Finanças: se ganharmos  1-0 com um penalty duvidoso   no último minuto pago 15 euros.

adenda: este comuna é dos bons.

FNV

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É das Caldas

A Câmara do Cartaxo paga os honorários cobrados por uma prestigiada sociedade de advogados: 128.000 euros.

Se eu for autarca,  e tiver sido acusado pelo MP,  sou eu que escolho  o Ferrari e a autarquia paga?  Sempre  a aprender.

FNV

Recomendação.

Acabo de assinar a Harvard Business Review em versão papel e digital por cerca de 130 euros/ano, com acesso ao arquivo digital (ou seja, a centenas de artigos publicados na revista desde a década de cinquenta). Se isto não é o negócio do século engulo o meu chapéu.

Luis M. Jorge

O que falta recordar, Pedro.

É isto:

Antes disso, Álvaro Covões, o director da promotora Everything is New, quis fazer uma exposição com as obras de Miró mas a ideia acabou por ficar adiada quando ao lançar o desafio ao então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, este lhe pediu primeiro apoio para produzir a exposição de Joana Vasconcelos.

“É uma coincidência, acabámos por estar envolvidos na exposição da Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda e na do Museu do Prado no Museu de Arte Antiga porque no princípio de tudo pensámos em fazer uma exposição com os quadros do Miró”, conta o promotor, responsável por financiar em grande parte as exposições da Ajuda e do MNAA, lembrando que foi em Julho de 2012 quando ouviu a intenção de vender a colecção que teve a ideia de primeiro mostrar as obras ao público. “Disse ao secretário de Estado da altura que era engraçadíssimo fazer uma exposição com aquilo que estava fechado num cofre, ele disse que era fantástico mas que antes precisava de alguém que o ajudasse a viabilizar a exposição da Joana Vasconcelos”, explica Covões, lamentando que em Portugal “as pessoas acordem tarde para os acontecimentos”.

De referir também que o espólio do museu Miró em Barcelona ronda, se a memória não me trai, cerca de duzentas obras. Quantos turistas atrairia uma exibição permanente de 80 e tal obras do pintor em Portugal? Será que isso valeria mais de trinta milhões de euros? Onde estão os cálculos certamente elaborados pelos gestores criteriosos que hoje nos iluminam? Ninguém quer saber.

Luis M. Jorge

Mirones

Todos os portugueses são por estes dias mirone dos Mirós, e eu também. Não apenas porque o extraordinário facto de o Estado luso ter, ou ter tido, oitenta-e-cinco-Mirós na mão, entretanto aberta, me faz abrir a boca, entretanto fechada, como se visse um nevão no Terreiro do Paço ou um tsunami na Ajuda, mas porque a relação dos portugueses com os oitenta-e-cinco-Mirós pode resumir-se ao coloquial “ficar a ver navios”, lendariamente nascido do azedume do Marechal Junot enquanto chegava a Lisboa e contemplava ao largo o Senhor D. João VI, mais a baixela, de partida para bué longe.
Bem sei, a frase está comprida, mas vou resumi-la para quem confunde o Miró com um central do Barcelona: nunca mais veremos os oitenta-e-cinco por cá. Já o tinha dito e estou cada vez mais certo. O Senhor D. João VI, pelo menos, voltou com parte da baixela. Quanto à Christie`s, espera só que se resolvam os problemazinhos legais criados pelo Ministério Público para fazer o leilão. Claro que o Primeiro-Ministro garante que não há problemazinho nenhum, mas eu, conhecendo o rigor do Governo na matéria, acredito mais nos gajos que querem mesmo fazer dinheiro com os quadros.
Aliás, também sou mirone do que de mais semelhante tenho visto a um tsunami na Ajuda – a fúria com que sucessivos Secretários de Estado da Cultura arrassam a lei e a prudência para pôr fora do país qualquer quadro que valha uns centavos. O caso Crivelli repete-se.
Dir-me-ão que não temos dinheiro para luxos. E eu, sempre mirone, que via na defesa do património uma função de soberania, vejo-me obrigado a concordar. Sim, temos luxos a mais. Sim, temos dinheiro a menos. Que tal vendermos o Palácio da Ajuda (sem Secretários de Estado, para não desvalorizar)? Ou o de São Bento (sem o Primeiro-Ministro, para não desvalorizar)? Têm uma rica história, estão ao abandono e, se a Dra. Gabriela ficar caladinha, talvez ninguém dê pela falta.

PP

Outro verdugo da esquerda moderna.

Não se faz isto aos rapazes, coitadinhos.

Luis M. Jorge

Liberdade

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Entrei no CITAC aos 16 anos, iniciando uma carreira de bardina coimbrão que incluiu tudo: teatro, claro, política  na AAC ( em minha casa  se  fotocopiaram os panfletos da Lista “E”, a primeira independente a ficar à frente de uma partidária), mulheres, álcool, farras imorredoiras, aulas jamé. Nunca usei capa e batina, desprezei sempre  a  tradição académica ( menos o  Baile da Queima, que as mulheres  iam bem  vestidas). Eles faziam o que queriam e  eu  tratava da minha vida.

Com que então querem proibir os meninos de se humilharem? A sério? E que mais? Também estão a pensar proibir os meninos que à meia noite já estão a vomitar  a Alta de se humilhar no vómito? E as miúdas  entornadas que abrem as pernas  e se humilham na farmácia no dia seguinte: lapidação? E nas redes sociais? Também estão a pensar em proibir as humilhações de gordas no facebook? E os mendigos que pedem na rua ? Também vão limpá-los?

Descobriram agora que os estudantes universitários são uma carneirada bronca, ao contrário dos ascetas que mostravam o rabo a Ferreira Leite? Ah.!..minhas  cabrazitas reaccionárias , meus Dux Albanus  de ceroulas, meus Diáconos Remédios…a chibata  ferve-vos nas mãos…

Pois tendes bom remédio. Os casos de polícia ficam na polícia, o resto, o que vocês não gostam, discutam-no num acampamento de férias do Bloco, ou em casa da Canavilhas bebericando um Lagavullin e mirando um Miró.

FNV

Publicar e já, sem medo:

“A utilização de “parte da primeira página do Diário de Notícias de 19 de agosto de 1975 é o motivo invocado pela Global Notícias” para querer impedir a publicação do livro “Os Saneamentos Políticos no Diário de Notícias”, disse ao Expresso, a reponsável pela Alethêia Editores, Zita Seabra”.

(http://expresso.sapo.pt/livro-sobre-saneamento-no-diario-de-noticias-sai-mesmo-amanha=f854425#ixzz2sTg9det2)

FNV

Tão bom.

Luis M. Jorge

Ferroviários sem aplomb

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Um protesto autêntico, real, carga policial. Cobertura mediática?  Desprezível.

Os belos (3Ds, Livres, etc) não foram envolvidos, estavam reunidos  no restaurante de um hotel a desunificar a esquerda unida.

FNV

Ansiedade e treino

Número 3: Snowden calling. No Depressão Colectiva.

FNV

No comments ( XXVII)

Como escreveu Rousseau, o homem que pensa é um animal depravado. Quem conhece a obra sabe porquê. Afastamo-nos da condição bestial  mesmo contra o nosso interesse, é um acto de liberdade  inalcançável pelos leões ou pelas zebras.

Telefonei-lhe  e perguntei-lhe sobre uns imbecis que asseguram a progressiva naturalização da pedofilia. Respondeu-me o Jean-Jacques: L’homme est né libre, et partout il est dans les fers.

FNV

Sim, é como matar judeus, ciganos e homossexuais. Faz parte da vida.

Carrada de jovens estúpidos e socialmente integrados, via Ana Cristina Leonardo.

Luis M. Jorge

Notas.

Há vários anos que me interesso por estratégia, palavra a que associo uma definição pessoal: a arte de planear a mudança quando as informações são escassas e o contexto é desfavorável.  Se durante muitos tempo o conhecimento da matéria foi inspirado em campanhas militares, hoje em dia está mais associado às empresas, o que é bom. Os Estados raramente se extinguem, ao contrário das empresas, o que torna mais fácil avaliar os resultados de uma estratégia na economia do que na política, pois a morte é uma grande professora.

 

Luis M. Jorge

Com as etiquetas

007 Louçã, licença para matar

Tal como a entrevista de Sampaio da Nóvoa, a de Louçã ( à TSF) foi rapidamente arquivada pelos Grandes Educadores. Compreende-se. Louçã disse  duas coisas: a esquerda não trabalhou  ( não apresentou alternativas à reestruração da dívida) e tem mantido conversas de cabeleireira. Louçã, Francisco Louçã, “agente  do governo” com licença para malhar, mas o osso é outro: por que razão as coisas são assim?

A esquerda não apresentou alternativas à reestruturação da dívida porque não quis anunciar a nacionalização de bancos ( como Louçã propôs), a renacionalização de  empresas, a nacionalização  de fábricas e portos, a fixação dos preços  dos televisores e toda a ganga Chavista, mérito seja, assumida na Venezuela. E não quer  porquê? Porque há uma estucha  chamada eleições.

A conversa de cabeleireira é um subproduto. Durante anos ouvimos e lemos os Grandes  Educadores explicar que a união da esquerda era conversa que não interessava a ninguém. De repente a esquerda não fala de outra coisa. Algures entre os Bukharines amarelecidos pelo tempo deve estar o Pequeno Livro de Pimenta Machado: o que hoje é verdade amanhã é mentira.

A junção das duas críticas de Louçã define a faena. O PCP tem um eleitorado quaisquer que sejam  as soluções que proponha, a crise só reforçou ( não que vá subir, mas isso é outra louça) o seu peso. A esquerda radical- lisboeta tem  professores universitários, jornalistas, panfletistas  e actores. Excelente cobertura  mediática ( ao contrário do PCP) , reconheço, que, infelizmente,  lhe dá uma imagem psicótica da sua importância.Não trabalhou, como diz Louçã, porque até hoje  não precisou:  o beautiful people só existe. Fala no cabeleireiro porque falar, reunir, declamar poesia, assegurar a agenda LGBT e recordar Abril tem sido o suficiente para existir.

Agora tem de trabalhar mais e falar menos: deu bernarda.

FNV

Entretanto, na América.

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Recordando os helderzinhos que escarneciam do Krugman e espumavam contra o “despesismo” de Obama. Observem, já agora, este modo de apresentar a informação aos cidadãos.

Luis M. Jorge

Que ideia

80.000 pessoas nas ruas de Paris.

Os nossos media  deram o mesmo  destaque que costumam dar  a cem “manifestantes” que apedrejam um banco não  é?

FNV

PBEC

Processo de Branqueamento Em Curso.

Não me admirava que a Lello e Figueiredo se juntassem os  ideólogos da trincheira, muito patriotas, que  noutros tempos descreveram os governos Sócrates como a décima primeira praga do Egipto e chamavam idiotas úteis  aos que discordavam da asfixia democrática.

FNV

Tavares, we have a problem

“Dos 250 congressistas anunciados, apenas votaram 94 pessoas, 89 das quais a favor da lista (única) de Rui Tavares para o grupo de contacto (órgão executivo) e cinco abstiveram-se”.

A esquerda, asfixiada pela direita mediática ( leiam a peça sem chorar), mas  em versão  NASA: “Grupo de Contacto“. Desde a definição de empregada doméstica imortalizada por Louçã ( “senhora que vem cá a casa ajudar”) que não lia esoterismo tão bom.

FNV

É assim mesmo

Estimular a concórdia, proteger os mais fracos, cultuar a paz social.

Depois encomenda-se  a uns  bidés amigos  mais uma campanha contra  a violência doméstica.

FNV

Entretanto, em França.

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E reparem no potencial.

Luis M. Jorge

O instante fatal

Louçã, há bocado, , na TSF, no Bloco Central: “Nestes anos, a esquerda não fez o seu trabalho da casa. Como se reestrutura a dívida?  Propostas concretas”.

Os residentes no programa devem ter olhado para os sapatos a ver se pisaram alguma coisa, outros da mesma turma, mas ouvintes, devem ter olhado pela janela a ver se parou a chuva.

É que quando é outro a perguntar por alternativas é sempre mais fácil chamar-lhe Zé Broncas filho do pensamento único, não é?

FNV

Rugby, 2013

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Entretido com os gays, esqueci-me do rugby. Imperdoável. Mas é boa altura para rever 2013, que amanhã é outro dia e começa o Seis Nações. Foi um bom ano para o rugby. Grandes jogos, grandes ensaios, uma grande equipa que ganhou tudo (os All Blacks, pois claro) e uma viagem triunfal dos British Lions à Austrália, com vitória na série dos três tests (2-1). Até as novas regras da mêlée, o maior problema dos últimos anos, parecem estar a dar resultado. A única nuvem no horizonte, à parte as tentações comercialóides, é ainda a blindagem dos três-quartos, sobretudo os centros, em detrimento da imaginação ao poder. Mas o rugby continua a produzir artistas, como veremos. É esse o seu eterno encanto.
Assim sendo…

Melhor equipa: Nova Zelândia. Catorze jogos, catorze vitórias, um record na era profissional. Os All Blacks não perdem desde Dezembro de 2012. Não há muito mais a dizer. Ou até há. Mesmo sem Richie McCaw e Dan Carter, lesionados boa parte do ano, os homens dos antípodas mantiveram uma consistência espantosa. É o que os distingue dos outros. Há jogadores extraordinários em todas as equipas, mas os All Blacks são uma equipa extraordinária, ou seja, são mais do que a soma das partes. Só uma equipa extraordinária conseguiria perder Carter e McCaw e ganhar tudo na mesma. Há mesmo uma cultura all black, uma cultura em que um miúdo como Beauden Barrett é lançado às feras, aos 20 anos, e minutos depois está a fazer gato-sapato dos Springboks. O que nos leva a outra coisa: a força mental, a capacidade de nunca desistir, a vontade de virar resultados até ao apito final, aquela feroz convicção íntima de que a vitória será sua. Em Dublin, no Outono, estavam a perder por cinco pontos no último minuto, não tinham a bola e bastaria que a jogada acabasse para serem derrotados. E se fossem derrotados, como aconteceria a qualquer outro grémio de mortais, lá se ia o invicto 2013. Pois não é que os sacanas arrancam um turnover, partem para uma sequência ininterrupta de fase sobre fase sem uma única falha, marcam o ensaio muito depois dos 80 – e convertem-no? Os irlandeses nem queriam acreditar… Nem eles nem ninguém.

Melhor jogador: toda a gente votou em Kieran Read, decisivo no ano-maravilha dos All Blacks e um 8 clássico que faz tudo bem, do trabalho pesado na defesa ao apoio no jogo aberto. Corre que se farta, dobra a linha, está sempre onde deve, lê magnificamente o jogo e marca ensaios. Muitos. Acima de tudo, e à imagem da equipa, joga sempre a um nível altíssimo, mesmo quando não é brilhante. Se fosse uma personagem da Sophia de Mello Breyner, chamar-se-ia Mónica. Só que, ao contrário da Mónica dos Contos, nunca renunciou à poesia, ao amor ou à santidade. Leigh Halfpenny também teve um ano memorável, tanto mais que uma alta percentagem dos pontos de Gales no Seis Nações e dos Lions nos antípodas se ficou a dever à sua bota. Mas eu, que prefiro os artistas, escolho Israel Folau, o ponta/arrière australiano que espalhou magia pelos campos dois hemisférios. Chegou este ano à selecção e já marcou alguns ensaios de antologia. Não é tão bom a defender (foi várias vezes atropelado pelo galês George North nos quatro duelos entre eles), mas consegue abrir brechas em qualquer muralha com uma simples troca de pés. Já não há muitos assim.

Melhor jogo: África do Sul-Nova Zelândia, a 5 de Outubro, sem margem para dúvidas. 38-27 para os kiwis, nove ensaios, um marcador zonzo de tanta reviravolta e duas equipas em estado de graça. Há quem diga que foi o jogo da década. E foi.

Melhor ensaio: foi um ano de bela colheita, com os vintages do francês Fofana contra a Inglaterra no Seis Nações, o de North no primeiro Lions-Austrália, o segundo de Folau no mesmo jogo e o tal golpe de misericórdia dos All Blacks em Dublin, cruzamento entre a Ilíada e um tratado de mecânica dos fluidos. O meu voto, porém, vai para o ensaio do aussie Chris Leali`ifano em Cardiff, a 30 de Novembro, fruto de uma jogada colectiva brilhante. Recuperação de bola muito inteligente pelos avançados, rápida circulação pelos três-quartos, entrada fulgurante de Quade Cooper, o filho pródigo em boa hora regressado, que desequilibra a defesa vermelha com um truque de magia, variação do sentido jogo no último passe. Velocidade sobre a bola, cabeça levantada, procura do apoio, criação de espaços. Simples. Perfeito. As regras básicas e um toque de génio. E Gales defendeu sem falhas… Mas quando do outro lado está Quade Cooper, não basta não cometer erros. Dan Lidyate, um asa com a justa fama de não defender propriamente mal, disse depois que enfrentar Cooper nesse dia foi como perseguir sombras. Outro terceira-linha que nunca renunciou à poesia.

E o Seis Nações de 2014? Começa amanhã a doer, com os bifes em Paris, mas no fim vence Gales. Trust me.

PP

No comments ( XXVI)

No ano passado previa-se um aumento do desemprego. Agora diz-se que o desemprego baixou por causa da emigração.

Ou seja, as Aulas Magnas, os CES e  génios discretos ( existem em todo o lado) afins não previram a existência de países e aviões.

FNV

 

 

Twist & Shout

A festa do futebol, incompreendida pelos savonarolas de robe:

O horror, a tragédia, o esfíncter.

Por falta de tempo concentro-me nas afirmações principais deste post do Pedro:

E leva-nos ao ponto em que o Luís e o deputado Hugo Soares, não tendo razão, estão ambos de acordo. E tal ponto, the horror, the horror, é este: ambos consideram a coadopção um direito. (…) Há um direito em causa, sem dúvida: o direito da criança a ter uma família. Mas esse direito deve ser defendido, com bom senso e caso a caso, pelos tribunais e pelas instituições. Não é um direito de quem adopta e muito menos de uma “minoria”. Se for do superior interesse da criança viver com alguém que é homossexual, ou vegetariano, ou até, Deus nos livre, deputado, nem a lei nem o referendo têm muito a dizer sobre isso. Basta que os tribunais e as instituições decidam com bom senso e caso a caso, repito.

Ora, o lobby gay recusa o bom senso casuístico porque quer a normalização da homossexualidade pela lei geral e abstracta. Quer uma lei aprovada pelo Parlamento, mas não um referendo de dúbio resultado, porque faz parte da sua estratégia de pequenos passos obter “direitos”, quase sempre através de maiorias parlamentares favoráveis, e assim o reconhecimento social de uma opção minoritária. É um caso de biopolítica, para usar o conceito de Foucault. Daqui até à criminalização da “homofobia”, por outras palavras de tudo o que os gays classifiquem no futuro como contrário aos seus “direitos”, vai mais um pequeno passo. Que será dado, tarde ou cedo, se a coadopção avançar.

Cá vai a resposta possível.

1.  Ao invocar o direito da criança a integrar uma família, contrapondo-o aos direitos “de quem adopta” ou de “uma minoria”, o Pedro falsifica a questão, porque esses direitos, caso existam, não se excluem. Uma criança terá sempre direito a integrar uma família, mesmo que dois homossexuais vejam reconhecida a sua faculdade de aceder em condições de igualdade, como casal, a um processo de adopção. O Pedro cria dilemas onde eles não existem.

2. O “bom senso casuístico” não é “recusado pelo lobby gay”. Pelo contrário, muitos homossexuais adoptam crianças sem que haja notícia de tentativas de imolação. O que falta é “bom senso legislativo”, ou seja, falta que o “lobby de Fátima” e o “lobby da JSD”  que manipulam com redes tentaculares a nossa casa da democracia (estou a usar livremente a imagética do Pedro),  regulamentem sem mais pruridos uma situação de facto, dando-lhe protecção jurídica. Ou seja, que considerem um casal como casal e tratem a criança de que cuidam como sua.

3. É certo que os homossexuais preferem “maiorias parlamentares favoráveis” a “referendos de resultado incerto”. Chama-se natureza humana. Talvez o Pedro reconheça que os gays integram o género humano.

4. Ou talvez não. Como um Ezequiel das apostasias sexuais ele profetiza tragédias horrendas a quem permitir a mistura entre o uso indevido do esfíncter e a parentalidade:  nem mais nem menos que  a criminalização da “homofobia”, por outras palavras de tudo o que os gays classifiquem no futuro como contrário aos seus “direitos”. 

Um cenário apocalíptico, dantesco, capaz de horrorizar as almas puras e os herdeiros daquela boa gente  que nos deu a Santa Inquisição.

Luis M. Jorge

No comments ( XXV)

Já é bom quando é entre César das Neves  e João Ferreira  do Amaral, mas hoje foi melhor: César das Neves xArménio Carlos.

O sindicalista discutiu e argumentou, com  nível e politesse. Não é para todos, mas devia ser.

FNV

Referendos, memória e uma profecia

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Sem entrar agora na questão da democracia directa, que o Filipe e o Luís elevaram a novo patamar teórico e fica para outras núpcias (gay ou hetero, sejamos tolerantes), acho graça aos afrontamentos dos arautos do progresso com a última prova do génio do deputado Hugo Soares, a saber, a declaração universal “todos os direitos das pessoas podem ser referendados”. A declaração é absurda e não vale a pena bater mais no ceguinho – ainda que a única desculpa do ceguinho seja a de não querer ver. Contudo, pese o facto de o ceguinho ter prescindido para efeitos argumentativos do uso da massa cinzenta, há um ponto em que ele tem razão e outro em que, não a tendo, está de acordo com o Luís,
e os arautos.
O ponto em que ele tem razão é este: já houve, entre nós, dois referendos sobre a liberalização do aborto em nome dos direitos das mulheres. Na altura, os defensores do “sim”, entre os quais o Luís e os arautos, referendaram sem qualquer incómodo o que eles próprios definiam como um direito. Quem se opôs, haja memória, foram os defensores do “não”, dizendo que “a vida não se referenda”. Em vez de “vida”, escrevam “direito à vida” e percebem melhor onde quero chegar. O que é que mudou? Supondo que não foi a doutrina sobre a irreferendabilidade dos direitos, mudou que o Luís e os arautos esperavam ganhar descansadamente o primeiro referendo, e perderam, e não descansaram até ganhar o segundo referendo, e ganharam. O que diz alguma coisa sobre a doutrina.
E leva-nos ao ponto em que o Luís e o deputado Hugo Soares, não tendo razão, estão ambos de acordo. E tal ponto, the horror, the horror, é este: ambos consideram a coadopção um direito. O deputado Hugo Soares, prescindidindo para efeitos argumentativos do uso da massa cinzenta, coadoptou os efeitos argumentivos de quem se opõe ao referendo e marcou um golo na própria baliza (perdoem-me o plebeísmo, mas talvez assim ele perceba melhor onde quero chegar). Há um direito em causa, sem dúvida: o direito da criança a ter uma família. Mas esse direito deve ser defendido, com bom senso e caso a caso, pelos tribunais e pelas instituições. Não é um direito de quem adopta e muito menos de uma “minoria”. Se for do superior interesse da criança viver com alguém que é homossexual, ou vegetariano, ou até, Deus nos livre, deputado, nem a lei nem o referendo têm muito a dizer sobre isso. Basta que os tribunais e as instituições decidam com bom senso e caso a caso, repito.
Ora, o lobby gay recusa o bom senso casuístico porque quer a normalização da homossexualidade pela lei geral e abstracta. Quer uma lei aprovada pelo Parlamento, mas não um referendo de dúbio resultado, porque faz parte da sua estratégia de pequenos passos obter “direitos”, quase sempre através de maiorias parlamentares favoráveis, e assim o reconhecimento social de uma opção minoritária. É um caso de biopolítica, para usar o conceito de Foucault. Daqui até à criminalização da “homofobia”, por outras palavras de tudo o que os gays classifiquem no futuro como contrário aos seus “direitos”, vai mais um pequeno passo. Que será dado, tarde ou cedo, se a coadopção avançar.

PP

Indeed.

Luis M. Jorge