Ricardo Dias Felner sobre os despedimentos no Público.

“Num processo de despedimento, como o do Público, não é indiferente quem se escolhe para ir embora. E é preciso que se deixe isto bem claro: as pessoas inscritas na lista da directora, Bárbara Reis, não são os piores jornalistas da redacção. Eu conheço-os a todos.

São os jornalistas de quem BR não é amiga, que não a acompanham no jornalismo arty, nem nas tertúlias do Chiado. São os jornalistas que não debatem diariamente com BR sobre artes plásticas, arquitectura japonesa e direitos humanos de povos remotos e exóticos. São os jornalistas que ousaram criticar as opções editoriais de BR, dentro do Conselho de Redacção. São os jornalistas que defendem um jornal feito de jornalismo e de notícias, e não apenas de crítica, opinião e ensaio. São os jornalistas chatos, como devem ser os bons jornalistas. São os jornalistas sem medo de enfrentar o poder, seja o poder de grupos económicos, como os que BR
contratou para mecenas, seja o poder político, como o protagonizado por Miguel Relvas no episódio que levou à saída da jornalista Maria José Oliveira.

A crise existe, não há dinheiro, o negócio dos jornais está arruinado – parece evidente. Mas este despedimento colectivo de 36 jornalistas não é simplesmente uma reestruturação ou uma redução de custos. É uma limpeza. E uma vergonha.

O Público era um oásis de liberdade, de seriedade, de loucura. BR deu-lhe uma machadada severa. Vai ficar na tristemente na história, entre outras coisas, como a pessoa que quis despedir José António Cerejo, o jornalista mais marcante do nosso tempo.

Os leitores hão-de cobrar o despudor, estou certo disso. Mas nessa altura, porventura, será demasiado tarde. Para os meus amigos do Público, para os meus camaradas, para todos nós.

Até lá, é resistir. Ninguém sairá incólume.”

Luis M. Jorge

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11 thoughts on “Ricardo Dias Felner sobre os despedimentos no Público.

  1. Filipe estou no telemóvel e qdo ia responder ao teu comentário apaguei-o sem querer. O texto está no facebook

  2. caramelo diz:

    Não sei. Não conheço a Bárbara Reis, nem quais as suas motivações e intenções. Tenho ali um texto do Ricardo Dias Felner, descrevendo o habitat da redacção do público e dizendo que a directora vai despedir pessoas de quem não gosta.. Factos que conheça é que o Público tanto investigou o Socrates e o seu governo, como agora as figuras do governo Passos, já com a Bárbara Reis e muito mais, incluindo os grupos económicos. Foi à revelia desta? Portanto, se o texto é na mouche, não faço ideia. Se é um grande texto, só posso supor que isso tenha a ver com o mérito literário. Sobre isso, acho-o pelo menos pouco claro. Mas, então, o jornalismo do Público mudou com a Bárbara Reis? Isto seria curioso a vários níveis. Tornou-se arty (posmoderno e coisital) em 2009? Esperemos então pela reacção da própria e dos outros jornalistas, os que serão despedidos ou dispensados, como se prefira.
    Eu li hoje o público, o que faço sempre que posso, e posso dizer que tenho pena que ele acabe, se acabar. Continua para mim a ser o melhor diário português. Portanto, não compartilho a opinião dos que acham, como o Ricardo Dias Felner, que a Bárbara Reis, que nem conheço, lhe tenha dado uma tal machadada na sua seriedade, liberdade etc. Aliás, toda a gente que agora o critica o lê, vá-se lá saber porquê. Ninguém de seu perfeito juízo realmente o compra só para ler a crónica do VPV. Mas posso não estar a ver bem a coisa.
    Já agora, achei deliciosa aquela dos jornalistas que não debatem diariamente com a Bárbara Reis artes plásticas, arquitectura japonesa e… direitos humanos de povos distantes e exóticos. Estão a ver? Tudo gostos exóticos da malta do Chiado, versus o jornalismo puro, duro e sério.

    • Carlos diz:

      Caro caramelo, na mouche, a caricatura deixada por Ricardo Dias Felner trai bem a suposta objectividade da sua análise das motivações por detrás dos despedimentos. Espero que o Público sobreviva á dura prova que enfrentam os jornais de qualidade aqui e em todo o mundo ocidental. Nova prova de fogo virá quando acontecer nova venda de activos da Sonaecom. Cada vez é mais dificil encontrar justificação empresarial para o Público no universo SONAE.

  3. Sinceramente, acho uma vergonha um texto que não tem uma palavra — uma única que seja — para os despedidos do Público que não são jornalistas, e que são 25% do total de pessoas despedidas. Fiquei sem saber se a Bárbara Reis não gosta deles ou se, na opinião do autor do texto, estes mereceram ser despedidos.

  4. 1) Até hoje pergunto-me como a senhora Bárbara Reis chegou à direcção de um jornal como o Público
    2) A senhora Bárbara Reis teve uma performance vergonhosa no caso Relvas/Lusófona
    3) É bizarro como no dia posterior à (triste) notícia da “dispensa” de José António Cerejo o próprio faz a manchete
    4) A senhora Bárbara Reis – bem como os twisted projectos dela como o “Público Mais” – falhou. Não devia a senhora despedir-se? Não é isso que acontece? Não foi isso que o JMF fez no seu tempo?
    5) Não sei se quem ficou é amigo ou deixa de ser amigo da senhora Bárbara Reis. Só sei que quem foi são grandes jornalistas. E só sei que a Senhora Bárbara Reis só não levou um sopapo porque lá está: é uma senhora.

    (desculpem o desabafo. Na verdade isto devia ter sido um post no meu blogue e não comentário no de outros, lendo bem.)

  5. Sancho Pança diz:

    O Luís Jorge saberá certamente se a alegação aqui feita é verdadeira. Pegue num telefone, ligue à directora do Público ou fale com alguém da Administração.Por exemplo, é falso que o Cerejo esteja na lista de dispensados. O resto são opiniões, mas já estou com o Caramelo: o jornalismo arty começou agora? Ou a secção de cultura do Público é, por exemplo, a que mais rende ao jornal? Os jornalistas do Público, e já agora da imprensa em geral, estão mal habituados. No mundo das empresas despedem-se todos os dias excelentes profissionais. É uma pena, mas acontece. A alternativa é, muitas vezes, o fecho puro e duro dessas empresas. Será o caso do Público? Não sei. Mas muita demagogia vai para aí contra o jornal e as pessoas que o dirigem.

    • O autor não diz que o Cerejo está na lista dos dispensados, pois não? Tresleu.

    • Quem disse que o António Cerejo foi dispensado fui eu. E por notícias, ou então, admito, talvez contra informação que me chegou/chegaram. o ponto três está resolvido.
      Os pontos 1 e 2, vá, são opiniões tem razão.
      Agora sobre a má gestão – sim má gestão – de um jornal que, para além da grave situação que vive, ainda mete os ovos todos no mesmo cesto, by the way very arty e trendy, é o maior tiro no pé como medida de gestão. Sabe o que acontece às empresas que se “agarram” ao cliente mais rentável, descurando outros? Arriscam-se a morrer. E, na maioria das vezes morrem.

      Mas tem razão. Há demagogia sim. Nós portugueses somos muito demagogos especialmente com aquilo que é nosso ou que já foi um ícone. O nosso Público.

      PS- A BR ia mesmo apanhando.

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