Monthly Archives: Outubro 2012

DJFNV

 

FNV

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O parlamento é do povo, não é de Moscovo

Vamos  cercar os sitiantes?

“Este grupo, com cerca de duas centenas de pessoas, vestidas com coletes florescentes e algumas de cara tapada, está afastado da manifestação organizada pela CGTP, que está concentrada ao fundo das escadarias da Assembleia da República”.
(TVi)

FNV

Pestenenças

Serviço público de televisão. Depois da contratação da Cunha Vaz &Ass., porque a RTP não sabe nada de imagem, temos estes dois exemplos com alguns aspectos em comum:

1) Aqui.

2 E aqui.

Por outro lado, sem sombra de  temperança, a Agência servi – Lusa, Relvas & Cª:

 Aqui

Para rematar, alma de um país, o caminho dos bosques.

:FNV

O dia da vergonha.

Ninguém acredita no orçamento. No entanto, o orçamento será aprovado. Fazer História também é isto: trair um povo por vontade própria, com conhecimento de causa, sem ilusões.

Luis M. Jorge

Instagram 1.

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O desespero de tentar encontrar um livro numa Bertrand.

Luis M. Jorge

O Som e a Fúria

“If the 2008 presidential race saw Obama sail into office on the audacious wind of hope and change, his 2012 effort appeared to have floundered on the first sandbank of reality. To some extent, and as reaction to the second presidential debate as shown, this is in part the narrative decided by the US media, including the new media. All is hype. But the supporters of Obama once ran on this fuel. The 2008 election was entirely about such intangibles: optimism, hope, charisma. This race, however, is about facts – and the intangibles turn out to be little use when the realities of deficits, borrowing and unemployment have landed.”
Douglas Murray, “Even if he wins, Obama will be diminished”, in The Spectator, 20/10/12.

PP

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PP

Da série “A concorrência faz melhor”

Luciano Amaral, outro regresso bem-vindo, sobre a revisão constitucional.

PP

Espelho meu, espelho meu: há alguém mais falcão do que eu?

Estes presidentes americanos,   conservadores, fanáticos e abrutalhados, são uma desgraça para a paz e para o diálogo entre culturas e são protegidos pelos media que silenciam coisas destas:

Deep in the Times article, another shocking revelation that hasn’t received as much attention as the “kill list” is the Obama administration’s effort to erase the deaths of some innocent victims by categorizing “all military-age males in a strike zone as combatants.” This excludes them from the civilian casualties count, allowing the administration to claim that civilian casualties have been minimal. All Muslim men in “combat zones” in Afghanistan, Pakistan, Somalia and Yemen have been presumed to be terrorists, and therefore worthy of death, simply for being of “military age.”

Aqui.

FNV

Marketing. Oh, sim, marketing.

As reacções à proposta de Marcelo Rebelo de Sousa — fazer uma campanha sobre Portugal dirigida a alemães — foram reveladoras. Os nossos senhoritos e fidalgotes desprezam o “marketing”. Uso a palavra com aspas para incluir nela todos os equívocos que lhe são associados pela malta que escreve e debita nos sítios do costume (incluindo os equívocos de Marcelo Rebelo de Sousa).

Mas, se considerarmos que muitos dos bloqueios da União Europeia são originados pela aproximação das eleições alemãs e, em especial, pelos preconceitos dos eleitores germânicos contra os indolentes povos do Sul, talvez a ideia de elaborar uma estratégia de persuasão nos pareça menos imbecil.

Não fosse este país ingovernável, não elevasse a burrice a conservadorismo, não confundisse o redondismo com sageza ou a afectação com inteligência e talvez o marketing, agora sem aspas, pudesse contribuir para uma solução.

Mas lá está, para fazer bom marketing precisávamos de ser tudo o que não somos.

Luis M. Jorge

Nadar no ferro – blogue terapêutico (III)

Os mortos vivem? Claro que sim.

Se tomarmos  a existência na sua forma sensível, o assunto fica encerrado. Pelo contrário, se sentimos   a existência de alguém como ligada à nossa, o seu desaparecimento físico não impede a reminiscência. A falta , só por si,  já é uma forma de vida: siginifica que uma parte das nossas emoções  ficou sem destino, não quer dizer  que essa parte deixou de se produzir.

Curar significa vigiar, cuidar. O tempo  cura a perda? Claro que não: cuida dela. Os mortos vivem porque cuidamos  deles enquanto pensamos  que nos  estamos  a curar. Tenho na consulta  uma  mãe que perdeu a filha num acidente  há três anos. Dizia-me ela no outro dia: a minha filha preocupava-se muito comigo, queria que eu cuidasse mais de mim.

FNV

Com as etiquetas

Revisionismos 6


Ontem, no Público , Irene Pimentel escreveu mais um capítulo da já longa polémica entre Manuel Loff e Rui Ramos (“A ditadura portuguesa e a sua polícia política”). Não vi qualquer eco do artigo na blogosfera, o que revela, talvez, alguma saturação do tema. Em substância, Irene Pimentel segue um esquema que já foi ensaiado por Ramada Curto e José Neves: aponta os erros de Loff e os erros de Ramos, sugerindo que ambos são os extremos ideológicos de uma historiografia cujo centro seriam eles próprios. Assim, diz Irene Pimentel, “tão errado é concluir que a ditadura salazarista nos anos 30 e 40 se assemelhava, na sua essência, ao nacional-socialismo alemão, sem ter em conta a diferença de monta que é a ausência de anti-semitismo na ideologia e no Estado salazarista, como faz Manuel Loff, como afirmar que a Ditadura portuguesa seria moderada, o que já em si é uma contradição nos termos, ou permitiria um pluralismo limitado ou contido, exemplificando com a existência, entre 1932 e 1934, de um partido fascista – o movimento nacional-sindicalista -, como faz Rui Ramos”.
Ao fim de três meses de debate, já ninguém se atreve a questionar as credenciais académicas de Rui Ramos, pelo menos em público (em privado é outra coisa, garanto-vos), nem a dizer que ele sonha com o regresso de uma ditadura, como fez Loff. A cidadania historiográfica foi-lhe reconhecida e a sua História de Portugal afirmou-se como uma obra de referência. Nesse sentido, pode dizer-se que Ramos venceu a polémica.Tal como previ no início, Loff fica muito mal na fotografia. De certeza que nunca imaginou ser comparado a Rui Ramos por colegas de “esquerda”… Mais do que isso, houve um claro recuo das críticas iniciais, que equivaliam a interpretação de Ramos do século XX português a um “branqueamento” do Estado Novo. No fim, exposto o disparate, os críticos apontam-lhe agora aspectos de pormenor dentro da grande narrativa, por exemplo a sua visão da guerra colonial.
É o que faz também Irene Pimentel, mas em relação à polícia política. Diz a historiadora: “eu própria fui surpreendida, ao detectar que a PIDE-DGS – na chamada metrópole – prendeu e matou menos do que eu pensava. Já a sua antecessora, a PVDE, entre 1933 e 1945, prendeu e matou mais do que a PIDE. A tentação, sobretudo se é voluntária e ideologicamente motivada, pode ser retirar daí a conclusão de uma “moderação” da ditadura portuguesa. Mas há outras explicações e factores explicativos.” E enumera-os: a ausência de uma sociedade civil forte, a eliminação anterior dos inimigos do regime, a necessidade de ocultar a violência política para entrar na ONU e na NATO, etc.
Ramos falha, portanto, em reconhecer a imoderação latente do regime, chamemos-lhe assim, porque é “ideologicamente motivado”. Irene Pimentel nota-o até num aspecto muito concreto: Ramos não usaria a palavra “tortura” para descrever “os principais métodos de investigação da polícia política”. Ora, “a escolha de certas expressões, em detrimento de outras, dá um tom a uma realidade, iluminado-a ou deturpando-a”. Ao referir “agressões verbais e físicas (especialmente a privação de dormir)” em vez de tortura do sono, Ramos estaria a “distorcer a realidade”.
Ninguém negará que as palavras contam. A história é feita de palavras e a sua escolha não é indiferente. Sucede, porém, que de tal premissa Irene Pimentel extrai conclusões duvidosas. É bom que se diga claramente que Ramos e Loff não estão em extremos ideológicos e Irene Pimentel, ou Ramada Curto, ou José Neves, no virtuoso meio. Também eles são “ideologicamente motivados” – só que a sua ideologia não é a de Rui Ramos. E poderia ser de outro modo? O historiador, que não pode fugir às palavras, também não pode fugir a uma visão do mundo. A grande questão, como sempre, é se as palavras e a ideologia de Rui Ramos nos permitem conhecer “a realidade” da ditadura. Irene Pimentel acaba por estar perto de Loff (lá se vai o meio…), quando acusa Ramos de “deturpar a realidade” do fascismo português. Mas Ramos descreve com minúcia a repressão salazarista, coloca a sua “moderação” no contexto dos regimes contemporâneos, incluindo “a ditadura comunista da Rússia ou a ditadura nazi na Alemanha” e conclui que, se “não houve o terror de massas inerente às revoluções sociais ou às depurações étnicas da época, ninguém escapou a uma coacção contínua e difusa”. É, afinal, o mesmo que diz Irene Pimentel, quando sublinha que a repressão salazarista conjugou três lógicas: a da prevenção, para toda a população; a da correcção, para quem fazia oposição política mas não era uma ameça ao regime; e a da neutralização, para os inimigos do regime, sobretudo os comunistas. Ramos também as refere, mas por outras palavras. Isso dá outra sensibilidade, ou outro “tom”, à sua análise da tortura? Pode ser que sim. Até pode ser que essa sensibilidade diferente, não necessariamente menor, tenha razões ideológicas. O que não se pode dizer é que ele silencie, apague, omita ou desvalorize a tortura.
A questão, portanto, é de palavras e não de realidade – embora as palavras, repito, sejam essenciais para conhecer a realidade. As críticas a Ramos, que começaram com acusações de protofascismo, são agora de “tom”. O que se discute, no fundo, é se a história “ideologicamente motivada” de Ramos transmite ou não o “tom” certo da tortura e, portanto, da repressão política. A esquerda do meio virtual (e não virtuoso) tem essa sensibilidade, em grande medida porque faz parte da sua identidade histórica. O que se lhe pede agora é bom senso: o bom senso de reconhecer que, em democracia, não há uma versão única da história. Três meses depois do início da polémica e quarenta anos depois do 25 de Abril, talvez este seja o nosso combate pela liberdade – a liberdade de pensar.

PP

Put your money where your mouth is.

Farto de debates lancinantes sobre a crise do jornalismo, assolado por grupos económicos neoliberais? Eis o que faltava: uma ideia sem gritinhos autocomplacentes que chegou da Grécia.

Luis M. Jorge

Uma selecção natural.

Após ano e meio de trabalho gratificante entre os bonzos da cultura e os sobas do PSD, Francisco José Viegas regressa, por motivos de saúde (e o que é este Governo senão um motivo de saúde?) ao convívio blogosférico. Espero que por cá fique.

Luis M. Jorge

“Romney storm tips”.


A conta foi suspensa, mas uma pesquisa no Google permite o acesso a alguns trechos escolhidos. Como aqui ou aqui.

Luis M. Jorge

Castas e equidades

Aproveito estes  sublinhados,  feitos pelo Eduardo,   do artigo de Marinho Pinto ( a conclusão é idiota porque  o mundo não começou com Paula Teixeira da Cruz, que é quem Marinho quer atingir, mas o resto é letal).

Deve ser isto a famosa equidade: tu tens fome, eu como, portanto, pensamos  em coisas iguais.

FNV

O historiador no seu labirinto ou a revolução anacrónica

Vivemos tempos interessantes, como diz o tal provérbio chinês, tempos em que até pessoas ponderadas se abandonam ao dislate. Hoje, no Público, Valentino Viegas, um respeitável historiador, assina um artigo em que compara a crise actual com a de 1383-85 e apela a idêntica revolução. O invasor castelhano equivale à troika, D. Fernando e Dona Leonor Teles aos partidos portugueses que assinaram o Memorando (ou seja, o desastroso tratado de Salvaterra de Magos), o Mestre de Avis e os mesteirais aos putativos revolucionários que hão-de voltar a salvar-nos em nome da “independência nacional”, e assim por diante.
O artigo, comparando o que é incomparável, comete aquilo a que Lucien Febvre chamava o pecado mais imperdoável do historiador: o anacronismo. Mas tem outros problemas com a historiografia recente e com os próprios factos.
Sem entrar na questão mais profunda do uso de conceitos como revolução ou independência nacional para o século XIV, também um anacronismo, nenhum historiador vê hoje no interregno de 1383-85 uma revolução que “triunfou porque a maioria dos revolucionários amava Portugal e punha os interesses do seu país acima de quaisquer interesses materiais”. Viegas, curiosamente, cruza a visão nacionalista predominante à direita no século XX, por exemplo em João Ameal ou Marcelo Caetano (1383-85 como uma luta pela independência contra Castela), e a visão da luta de classes predominante à esquerda, por exemplo em Joel Serrão, Álvaro Cunhal ou Borges Coelho (1383-85 como conflito entre a burguesia e a nobreza). Um cruzamento que nada tem de novo e identifica, à boa maneira do Romantismo do século XIX, o “povo” e a “nação”.
Talvez o mais vigoroso defensor da tese tenha sido Jaime Cortesão, mas muita água correu entretanto sob as pontes. Mattoso e Maria José Ferro Tavares propõem uma explicação que foge por completo ao curto-circuito guerra nacional vs. luta de classes, estudando as fracturas internas da própria nobreza, que se dividiu fortemente, e sem clara opção de classe, quanto ao partido a tomar. Esta tese foi recentemente subscrita por João Gouveia Monteiro, embora sem deixar totalmente de lado a “componente popular”. Luís Miguel Duarte, em 2007, complicou ainda mais as coisas: há “uma grande crise e muitas crises pequenas”. Há uma crise de sucessão dinástica, uma crise no seio da nobreza, uma crise social e económica causada pela Peste Negra, uma crise política decorrente das guerras fernandinas – e todas se conjugam em 1383.
O debate é quase infindável e mostra como um dos períodos mais estudados da história de Portugal está, afinal, tão obscurecido pelas opções ideológicas dos historiadores. Valentino Viegas limita-se a prosseguir a gloriosa tradição que nos tem impedido de produzir uma síntese decente de 1383-85. Nada de novo. Aliás, nem sequer é novo que o faça para pedir uma revolução libertadora, como in illo tempore fizeram Cunhal e Borges Coelho.
Mas já não é tão compreensível que Viegas, um especialista na matéria, distorça ou omita factos decisivos que certamente conhece.
Diz ele que, segundo o tratado de Salvaterra de Magos (comparado, recorde-se, ao Memorando de entendimento com a troika…), “enquanto o futuro filho da do rei D. João I de Castela e da rainha Dona Beatriz, filha de D. Fernando e de Dona Leonor, não tivesse 14 anos de idade para poder vir a reinar em Portugal, o rei de Castela devia ser aceite e reconhecido como rei de Portugal”. Não é verdade. O que o tratado estipulava é que, em caso de morte de D. Fernando e menoridade de Dona Beatriz, a regência devia ser entregue a Dona Leonor, rainha legítima de Portugal, e não ao seu genro D. João I de Castela, como de resto aconteceu a 22 de Outubro de 1383, data da morte de D. Fernando. É só em Janeiro de 1384 que Leonor Teles, depois de fugir para Santarém devido à revolta do povo de Lisboa no início de Dezembro de 1383, abdica a favor da filha e, ipso facto, do genro, que entretanto tinha invadido Portugal e chegara à vila ribatejana. No contexto, a diferença é importante…
Diz Viegas que, para os assassinos de João Fernandes Andeiro, “o poder da rainha Dona Leonor era ilegítimo porque não defendia o interesse nacional”. Nada disso. Por muita detestada que Dona Leonor fosse (e era, a acreditar em Fernão Lopes), um dos primeiros actos do Mestre de Avis depois de matar o Andeiro, aconselhado pelos outros conspiradores, é propor casamento à própria Leonor Teles por evidentes razões de legitimação política. Um pedido que, também por razões evidentes, a Rainha rejeita.
Diz ele também que, nas guerras fernandinas, “os ingleses, em vez de ajudarem Portugal contra Castela, comportaram-se em Lisboa e no Alentejo como autênticos conquistadores” (atente-se na imagem recorrente de que os supostos aliados estrangeiros só nos vêm fazer mal – tal como a troika). Talvez, mas isso não impediu o Mestre, defensor do “interesse nacional”, de voltar a pedir o auxílio dos ingleses, um auxílio muitíssimo influente em Aljubarrota e arredores, e de se casar com uma princesa inglesa para selar a aliança.
Diz Viegas por fim – e este é o menos significativo dos seus erros, embora revele a falta de rigor de todo o artigo – que a população lisboeta, no dia do assassínio do Andeiro (6 de Dezembro de 1383), “caçou o cismático bispo D. Martinho [um castelhano favorável ao Papa de Avinhão] e o atirou para o fundo da igreja”. Não foi bem isso: D. Martinho foi atirado do alto da torre e, depois de morto, arrastado pelas ruas de Lisboa e abandonado no Rossio, onde o cadáver foi entregue “aos cães”, de acordo, mais uma vez, com Fernão Lopes.
Lapso menor, sem dúvida. Sobretudo para quem usa acontecimentos velhos de seis séculos para ajustar contas com o presente. De que serve a história, afinal, se não para sugerir que os actuais traidores merecem destino semelhante?

PP

Ratzinger

E o direito  a não  emigrar.

Aqui há uns anos ,quem falava dos factores metastásicos da  emigração compulsiva era sentado no penico da xenofobia. Ratzinger, como quase sempre, tem razão.Vejo-o todos o dias na consulta: famílias  desabrigadas, angústia, medo, irracionalidade do planeamento da vida.

 

 

FNV

O mar ou o rio


Existe uma “enorme” distância entre as funções que os Portugueses exigem ao Estado social e os impostos que estão dispostos a pagar, disse o Ministro das Finanças. A frase, no dia em que o Governo ensaiou uma tentativa de diminuir o subsídio de desemprego, provocou naturalmente polémica. Nem podia ser de outro modo.
Acontece que Vítor Gaspar tem razão. O Estado social está falido, pelos motivos demográficos e económicos do conhecimento público, e rever-lhe o alcance e a sustentabilidade é uma condição básica de sobrevivência . A recusa de Seguro em fazê-lo apenas prova o que já sabíamos: que o PS está afogado em demagogia, qual Ofélia do regime, e dali não nos vem grande esperança. Não é por negar a realidade que ela desaparece.
Mas o momento em que a questão é lançada mostra, mais uma vez, a “enorme” inabilidade política do Governo. Há um ano ou dois, o debate tinha sentido. O PSD, por medo ou irrealismo, não se prestou a isso. Retomá-lo agora, quando o Orçamento Geral do Estado cai dentro de um espectro semântico que vai do “napalm fiscal” de Bagão Félix ao mais directo “roubo” proudhoniano da malta que cerca Parlamentos, é como perguntar a um afogado se prefere o mar ou o rio.
Se o afogado ainda tiver forças, não será imprevisivel que nos mande a um outro sítio.

PP

Afinal

Nem Ceausescu nem Mengele nem outros disparates.

Isto de fazer política como bastonário ( tanto que se  reúne com as federações  socialistas por esse país fora – Leiria, Coimbra, Penacova etc – é só procurar )  tem que se lhe diga.  Não é Marinho Pinto  quem quer e, portanto, viola no saco ( com desculpas indigentes).

 

FNV

 

Força força camarada baço / nós seremos a muralha de asco

Então um governo como o  de Monti, não era?

Demitir PPC e perguntar ao dr. Soares quem para lá vai. Depois é só comprar as cervejas e  os camarões do Eusébio. E assistir.

FNV

Gide-Bettencourt

Nuam carta a Valery ( Nice, Janeiro de 1898), Gide fala de Signoret: C’est quelqu’un qui dans cent ans d’ici pourra  ressembler à Homére, surtout  s’il continue de ne pas pouvoir regarder. É de uma ironia  crebra, mas segura.

Isto do ver e do olhar tem de ser escrito assim, encavalitado num restinga, ou acabamos  na Amélia dos  olhos doces.  O grande Bettencourt  assina uma possibilidade walking dead ( Rede Invisível, 1930-1933):

O largo, sem ninguém,

dava-me a cidade quase despovoada,

 a não ser de cadáveres que eu não via.

FNV

João Galamba

É na televisão, é na Assembleia da República, é na rádio. Só um incompetente ( ou um cómico treinador do  Zebording) não percebe que o João está a correr na pista de fora. E bem.

Não fossem os trejeitos ( das mãos, do franzir, mas sobretudo os do pescoço em oscilobatente) decalcados do conde  de Monte de Cristo que está em Paris, e tudo nele seria  fresco e inovador: é, de longe, o melhor deputado do PS. Fala claro, argumenta dominando o re-ethos, é implacável no debate.

FNV

E não só

Esta, descrita pelo Vasco, mas também  a outra. Não houve clangor quando alguém que ganha, no mínimo,  três mil e muitos euros / mês  se diz num tal estado de necessidade.  Não houve insulto aos desempregados, aos pobres, aos desvalidos, às reformas de  miséria; não houve vigílias, fóruns TSF, tamboretes ou  cavaquinhos.

Uma casualidade, decerto.

FNV

Nadar no ferro – blogue terapêutico (II)

Numa altura  difícil da minha vida ( tinha-me morrido um filho), treinei  mal o meu cão. Era um braco alemão e  não segui o meu  livro. Não tinha paciência para ele ou então precisava dele. Batia-lhe porque não conseguia controlar aspectos que,  antes e depois, sempre  controlei nos meus cães ( ruído, trela  correcta etc).  Não consegui nada.Zero. Népias.

Com as crianças é mesma coisa: a pancada e a agressividade não funcionam. Podemos conseguir que uma criança  nos  tema nos minutos  que a temos  à nossa frente, mas ela  nunca internalizará  as normas que queremos impor. É curioso que mães que batem nos filhos porque de outro modo não conseguem nada deles, ficam aparvalhadas quando lhes pergunto se conseguiram que a criança  passasse  a fazer o cocó no penico, e depois  na sanita, à pancada. Claro que não! Pois.

Um ambiente calmo, poucas regras mas obrigatórias, com sentido e essenciais, para que o castigo  ( cama mais cedo, confisco do computador etc) pelo seu incuprimento não custe a aplicar. Dizem-me que por vezes o dia correu mal e  a neura é ferrosa, o casamento corre enviesado, o dinheiro  sumiu etc.  Bem, nesses dias o que há a fazer é que sejam poucos  e raros. Isto não é uma religião.

E , fundamental, entender as crianças como o oposto da nossa satisfação, ou frustação,  narcísica. Como dizia o Pedroto ( do FCP) : descontracção e estupidez natural.

FNV

Com as etiquetas

Com brasão lacrado


Luís, Luís, andas por maus caminhos. Eu sei que não há rapazes maus, mas começo a duvidar da tua salvação. Eu, um homem de fé, vê tu bem.
Então é assim.
O Filipe não é de direita. De direita sou eu. O Filipe é do Benfica, o que não é a mesma coisa. Sim, o Eusébio, e os Magriços, e a exploração da matéria-prima colonial, e quem não é benfiquista não é bom pai de família, e tal. Mas ele depois vem a com a poesia, e cita o Said, e escreve livros, e estraga tudo. De direita sou eu. Ele é só um gajo sério. E há aquilo da poesia. Nada de misturas.
Os maricas, os abortistas e os comunas não precisam de reabilitação: hoje somos todos maricas, abortistas e comunas, como se dizia do Cohn-Bandido nos idos de 68. Os partidos de direita apoiam alegremente o casamento gay, com verdadeiro pânico de que a tua célula no Expresso não os tome por “modernos”. Pagamos abortos que os hospitais públicos mandam para clínicas privadas, e ninguém denuncia esta privatização da “saúde reprodutiva” (ah, o gosto pela novilíngua…) que enche os bolsos do capital. Manuel Loff, deputado municipal pelo último partido estalinista da Europa, usa as páginas do Público para chamar fascista a Rui Ramos, acusado de traição à democracia por sugerir que, afinal, Salazar talvez não comesse criancinhas ao pequeno-almoço.
E atenção: não somos companheiros, somos mesmo camaradas. Não vejo porque é que os comunas, que já têm o monopólio do Salazar, hão-de ter o da camaradagem. “Companheiros” é como as pessoas se tratam no PSD, partido a que outrora pertenci, e nas uniões de facto, partido a que não conto pertencer.
Recebe, pois, um abraço burguês ou, em alternativa, uma aristocrática vénia do teu camarada

Pedro, Lord Pycoitto dos Olivais

(assinatura ilegível, com brasão lacrado)

Musil e Cipolla, perdoem-lhes

Um cheirinho a gentlemanship espadiana , versão  rancho folclórico de Rilhafoles:

Algum assessor idiota,  vagamente  aparentado  com um bidé,  lembrou-se da ideia. Anteontem foi Gaspar a dar os parabéns a Honório Novo. Hoje foi Mota Soares: antes de responder a um deputado, quis começar por felicitá-lo  pela recente experiência de parentalidade.

FNV

Nadar no ferro – blogue terapêutico (I)

A mediação conjugal não tem nada  a ver com a americana  terapia conjugal. Recuso-me a a ter casais sentados  à minha frente, sessões a fio,  ouvindo conselhos sobre como  melhorar o sexo e a comunicação. A mediação conjugal faz-se numa única sessão ( duas no máximo) e tenta identificar  as fortalezas irredutíveis. É nelas que  reside a distância e, normalmente, a origem da ruptura. Com tempo, darei exemplos.

Para já, um e simples.  O casal discute violentamente  à frente dos filhos. Ai e não sei quê não podemos evitar/  o que é que quer que a gente faça?/ não podemos estar sempre a ir para outra sala discutir.

O que lhes digo: Ai não podem? Quando querem fazer sexo também é logo ali entre os cereais do pequeno almoço  e a manteiga? Ou seja, se os casais  sabem obter privacidade para se enroscar, também o sabem para se atacar.

FNV

Com as etiquetas

A Trombeta da Luz ( VI)

1) Quando o cometa Halley voltar, o Zebording ganha um jogo.

2) Muito bom planeamento da época.  Um médio a fazer de trinco ( Matic) , um extremo a fazer de médio centro ( Enzo), um avançado a abrir o  lado esquerdo da defesa ( Melga), um tractor a pedal  a fazer de tractor a pedal ( Cardozo),  um extremo esquerdo a fazer de médio centro ( Bruno) . Jesus sabe muito de futebol.

3) Os jogos do SLB vão passar do canal do FCP  para a Benfica TV. Não haverá uma TV livre?

4) Os únicos clubes que estão a funcionar ( Braga e FCP)  são os que não têm democracia nem “projecto”.

 

FNV

A mão à palmatória (1).

Como este blog tem dois autores de direita e um de esquerda, e como está provado que cada autor de esquerda exerce três vezes mais pressão mediática do que um autor de direita, isto significa que estou em maioria absoluta no Declínio e Queda.

Devo por isso exibir a magnânimidade que se exige a quem não pretende abusar da sua posição dominante, nem humilhar os adversários. E sem mais delongas assumo os crimes da família política a que pertenço, reconhecendo perante o estimado público que sim — de facto a esquerda arrebatou os media, colocou os seus lacaios nos principais grupos de comunicação social portugueses e manobrou secretamente os jornalistas com estratagemas ínvios para instaurar a ditadura do politicamente correcto. É esta tenebrosa inversão de valores que arrependido agora denuncio, arriscando a própria vida, perante Deus, a Pátria e a Família.

Falemos de pretos, por exemplo.

Há pouco mais de dez anos a nossa informação não estava contaminada por pleonasmos marxistas. Se um preto roubava uma velhinha num transporte público, o repórter chegando à redacção escrevia “Preto assalta idosa em autocarro”. Essa era dourada da imprensa livre chegou ao fim quando a célula revolucionária de Campo de Ourique infiltrou o Expresso e o Diário de Notícias de modo a que, tempos depois, a mesma notícia pudesse ser formulada na língua de pau do estalinismo: “Pessoa de cor assalta idosa em autocarro”. O rebaixamento civilizacional prosseguiu a bom ritmo, e em breve “indivíduos africanos” ou “homens de etnia cabo-verdiana” assaltariam idosas em autocarros. Por fim, a degradação dos jornalistas consumou-se: “homem assalta idosa em autocarro”. Eis o primeiro triunfo da nossa conspiração.

O que se seguiu? Os maricas, as abortistas e os comunas seriam reabilitados pelo mesmo tipo de branqueamento. Mas o relato fica para depois por temer que o meu número de IP seja identificado se passar mais de uma hora na internet. Não é com receio que me despeço, pois estou morto há muito tempo, é por amor à liberdade: um pássaro que descobre a sua voz só quer cantar, cantar até ao pôr-do-sol. E juro-vos, camaradas, que não me calarão.

Perdão: companheiros.

(Continua)

Luis M. Jorge

DJFNV

 

FNV

Um lutador pelas “amplas liberdades democráticas” numa bela foto

Toda a vida   o afirmou, raramente ( ou nunca) lhe perguntaram sobre a natureza, para ele tão   subjectiva,  do conceito. Nas entrevistas  ( poucas) nuca foi confrontado com a o apoio que deu  aos  genocídios. Um belo político, um belo  homem, como diria o Gabriel Alves.

 

FNV

Da Bloga

Tenho andado um pouco distante dos blogues, por razões várias, e só agora dei com uma novidade simpática. Cuja é: o Carlos Carmo Carapinha reactivou o seu MacGuffin. Vale a pena passar por lá, mesmo que só escreva de vez em quando.

PP

Nemésio-Quasimodo

Aldeia Negra ( 1938):

Dêem-me vinho e brasas

Na aldeia negra de abade tronco.

Lá, digeridas pelos rebanhos,

As ervas dão  calor às casas,

O rádio vivo é  a voz dos anhos,

Cresce a montanha como um tronco.

Del Mio Odore di uomo ( 1936):

Negli alberi ucisi

ululano gli inferni:

dorme l’estate nel virgine miele,

il ramarro nell’a infanzia di mostro

É muito difícil fazer isto, porque se há terreno minado pelas repetições viciosas das imagens  bucólicas e líricas é o rural-brutal. Nemésio, no entanto, arranca o fabuloso ” o  rádio vivo  é a voz dos  anhos” e Quasimodo  acerta o passo com “o lagarto que dorme na infância do monstro”.

FNV

Piquena lissão da libirdade da exsperssão segundi a isquerad solidária e anarquistazzzininhazzz, caso contrari xarape e cala o bique

Quando o bispo das Forças Armadas chama gatunos aos governantes já se pode ocupar da nossa luta, não é?

 

Adenda: procurei e não encontrei: a indignação contra  uma  “revoltante tentativa de cercear a liberdade de expressão”.  Vai uma apostinha que se um hacker neonazi  ou salazarento tivesse feito o mesmo à página pessoal do bispo das Forças Armadas,  teríamos tido  resmas de  colunas, manchetes e  dossiês  especiais sobre as mordaças do fascismo  oh meu Deus qual desvio de esquerda  na comunicação social qual carapuça, não é?

 

 

 

FNV

Back to the cold. To the cow. Enfim, isso

Seja, Luís, a indesmentível diferença entre o Bush e o Obama é que o Bush se meteu no Iraque e o Obama saiu de lá. Sobra o pormenor do Afeganistão. Ou o Iraque é a guerra má, porque o Obama saiu, e o Afeganistão é a guerra boa, porque o Obama se meteu ainda mais? E o Vietname? Era mau com o Nixon e bom com o Kennedy? Sim, já sei, é tudo muito confuso porque a direita manda nos jornais.
Já agora, nem uma palavra sobre Guántanamo? Outro pormenor que talvez faça São Obama descer do céu onde levita, entre nuvens de querubins e incenso, a este mundo de pecado, mas o pessoal cá em baixo esperava qualquer coisinha. Fechar aquilo, quem sabe? Ah, foi uma promessa de campanha. Não é para levar a sério, claro.
Até porque sem Guántanamo não havia informações para despachar o Bin Laden, o maior milagre de São Obama. Obviamente, há também uma diferença entre Guántanamo nas mãos erradas e Guántanamo nas mãos certas. A diferença é que Guántanamo nas mãos erradas está nas mãos erradas (as que não dão com o sacana do Bin Laden) e Guántanamo nas mãos certas está nas mãos certas (as que dão com o gajo, vão lá, limpam-lhe o sebo e vêm-se embora: vir embora, como no Iraque, é importante para ser bom numa guerra má). Mais um pormenor na hagiografia de Obama: ter invadido um país, por sinal um aliado, e ter executado o grande chefe pele-vermelha sem julgamento, incluindo uns figurantes, cavalgada à margem de todo o direito internacional.
Mas isso sou eu a dizer, sob influência dos fumos do Sol e da peçonha do Neves.

PP

Tremei.

Medeiros Ferreira informa que foi ontem lançado o primeiro volume da monumental biografia de Jorge Sampaio. O ex-presidente aprendeu a falar duas línguas aos seis meses e desde então esgotou as nannies em longos solilóquios sobre o patinho, a papinha e o popó. Mais tarde prolongou a tabuada, transformou ditados em monografias e, em vez de dividir as orações dos Lusíadas, multiplicou-as. Este primeiro volume do seu esboço biográfico encerra, muito a custo, no dia em que o jovem completa oito anos, sendo gentilmente ornamentado por comentários do protagonista em separata.

Luis M. Jorge