Author Archives: Luis M. Jorge

Love.

Ainda sugeri ao  Pedro e ao Filipe que continuassem por aqui, numa celebração metafórica do bonding masculino, mas não fui bem sucedido. Assim sendo, beijinho para ambos. A minha participação no Declínio termina hoje, dia dos namorados, com um novo apelo aos valores que sempre orientaram o testemunho cívico deste blog: vida frugal, família e natalidade.

Para os nossos leitores de direita  ficam os votos sinceros de que nunca abandonem a posição de missionário. É o futuro. Para os outros, um agradecimento.

Luis M. Jorge

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Mirós, polémicas, tretas.

1.

Dois bloggers liberais exercitaram ironias profundas a respeito dos meus posts sobre o caso Miró.

O primeiro questiona, com o overacting de quem se julga mais esperto do que os outros o julgam, se por admitir que era de manter os Mirós em Portugal não seria melhor mostrá-los no meu post (os que cá estão, não os que se exibem nos museus internacionais). A alusão, se de alusão se trata, parece ser a de que os Mirós portugueses são uma merda que me envergonhariam se os exibisse aos meus compatriotas ou algo do género. Resposta breve: a Christie’s não acha. E a Christie’s é o mercado. E o mercado é sagrado, etc. E aliás eu não escrevi que os queria cá, só perguntei se não era razoável fazer contas antes de espumar ódio à arte contemporânea.

O outro blogger tenta aplicar umas leituras heurísticas aos textos deste vosso criado, para demonstrar que entre vender uma colecção ao estrangeiro e comprar uma colecção à instituição privada que a detém em Portugal a diferença é inexistente, o que lhe basta para concluir o raciocínio com enorme satisfação e orgulho. Acontece que a instituição que possui os tais Mirós é uma empresa de capitais públicos, a menos que eu tenha treslido, pelo que me parece um bocadinho abusivo discorrer com tanta propriedade sobre a lógica da batata.

2. Mais interessante é este texto do Filipe:

Enquanto Louçã não comunica o resultado da estratégia para a reestruturação da dívida ( ainda ontem Valadares Tavares explicava a espiral da dívida galopante na SIC-N e como o governo ignora o peso das despesas do Estado em favor dos salários do funcionários públicos) e uma alternativa à de Louçã não aparece, Lisboa sempre se pode entreter com novidades na excruciante questão Miró.

Para a semana aparece outra. Talvez Sócrates se recorde de um gelado de morango que comeu em Maio de 1973 e os Poirots da patanisca descubram que afinal era de baunilha, talvez os lisboetas se voltem a interessar por um menos pomposo património nacional.

Três comentários:

Primeiro, não é Lisboa que se entretém. É o país, e com toda a justiça porque o dinheiro ou os quadros lhe pertencem.

Segundo, parece-me irrelevante que as consultas para a venda dos quadros se tenham iniciado no tempo do Governo anterior. Como diz, no texto da notícia, Gabriela Canavilhas,  o que conta é a decisão da tutela, não os contatos prévios feitos  pelos administradores. Mas a irrelevância da notícia não quer dizer que a questão não deva esclarecer-se, até porque há uma história de desrespeito pela lei neste caso como no caso Crivelli. Pacheco Pereira dissecou bem o tema, e suponho que nem a extraordinária lucidez dos governos PSD dispensa o Estado de Direito

Terceiro, o Filipe comete uma falácia ao sugerir que em vez de Mirós e merdas assim os lisboetas se interessem pelo verdadeiro património nacional , o da Bayer. Falácia porquê? Porque a alternativa é falsa: o dinheiro da venda dos quadros não se destinaria a recuperar conventos em Viana do Castelo. Não existe relação entre as duas coisas.

Finalmente, há sempre coisas mais importantes que os Mirós. Os conventos em ruínas. Os pobrezinhos. Os velhinhos. O casamento gay. Os desempregados, coitadinhos.  Só que o que está aqui em causa não é exigir que o Estado invista para ficar com os quadros, mas sim que faça as contas de modo a assegurar que a sua venda é o modo mais racional de aplicar os recursos públicos. São estes que interessam, não os Mirós.

O ódio à “arte degenerada”, “à esquerda intelectualóide”, aos “lisboetas” e ao próprio Miró — tal como tenho encontrado em blogues de direita um pouco por todo o lado — ainda não substitui alguns rudimentos de matemática.

3. Dito isto, vou estar fora da bloga umas semanas. Preciso de reencontrar o prazer da inteligência, da frescura, do humor sem compromissos e de um progressismo matizado que vi neste hobby durante tantos anos. Veremos se tenho sorte.

Luis M. Jorge

 

 

Boião cultural para a direita liberal (2).

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O autor deste boneco é o tal Mi-ró. Ele disse que tinha demorado a vida inteira para pintar como uma criança…. Se tivesse falado antes com os meus filhos demorava… cinco minutos hihihihihi!!! A Carlota ainda ontem me pintou três Mirós na parede quando chegou das Doroteias… lol. Agora vou vendê-los à quermesse por quinze milhões d’euros e arrasar nos saldos no El Corte Inglés e comprar outro livro do papa Francisco para dar à minha sogra e ajudar os pobres. Deus no céu e eu na terra, qu’chiiiique!!!…

Luis M. Jorge

Boião cultural para a direita liberal (1).

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Esta imagem representa uma pin-tu-ra muito bonita de um ar-tis-ta chamado Mi-ró. Não parece, mas é um ga-lo. Os qua-dros do Mi-ró são muito caros. Este foi vendido por dez milhões de euros! Imaginem se estivesse bem pin-ta-do, hihihi! 😉 …

Luis M. Jorge

Lá estás tu a aborrecer os senhores.

Vai para o Livre fumar chamon, pá:

1) Os quadros de Miró, nacionalizados junto com o BPN, “pertencem” ao Ministério das Finanças através da Parvalorem:

2) Esta, olhando para eles viu umas dezenas de milhões de euros para entrar no orçamento (se um dia olhar para os Jerónimos acaba por ver o mesmo):

3) Então contactou uma grande leiloeira internacional para os vender fora de Portugal;

4) No intervalo deve haver alguns intermediários, mas não se sabe quais;

5) Como os quadros de Miró não são para o Ministério das Finanças património cultural, mas o mesmo que barras de ouro, tirou-os de Portugal sem qualquer consulta, nem autorização das autoridades que pelo menos nominalmente deveriam ser consultadas e autorizar;

6) A tenebrosa oposição e os mal-intencionados suscitaram a questão da saída de património cultural para fora de Portugal;

7) Aos responsáveis governamentais do património deu-lhes um sobressalto de responsabilidade e da independência, que deve nortear a função pública, e vieram esclarecer que a saída das obras não tinha autorização, logo era ilegal;

8) Como acontece com quase tudo foi parar a tribunal, não porque exista qualquer “judicialização da política”, mas pura e simplesmente porque o governo actua muitas vezes de forma ilegal, tornando o recurso à justiça, a única forma de lhe por travão;

9) Mal se soube que os juízes iam decidir, o Ministério das Finanças fez o costume: ameaçou os juízes de que o cumprimento da lei custa uns milhões de euros, de indemnização à leiloeira e outros custos e por isso deve pactuar com qualquer ilegalidade;

10) O Tribunal aceitou um argumento burocrático e abstruso de que “não estamos perante uma decisão administrativa, mas sim um acto de gestão de uma sociedade anónima alheio ao uso de qualquer poder de autoridade pelo que não pode tal acto ser imputado à primeira entidade requerida, o Ministério das Finanças”. Essa sociedade é a Parvalorem, cujo único detentor de capital é o estado por via do Ministério das Finanças.

11) Toda esta história não vai terminar aqui, como é habitual. Mas é assim que se fazem as coisas.

Luis M. Jorge

Recomendação.

Acabo de assinar a Harvard Business Review em versão papel e digital por cerca de 130 euros/ano, com acesso ao arquivo digital (ou seja, a centenas de artigos publicados na revista desde a década de cinquenta). Se isto não é o negócio do século engulo o meu chapéu.

Luis M. Jorge

O que falta recordar, Pedro.

É isto:

Antes disso, Álvaro Covões, o director da promotora Everything is New, quis fazer uma exposição com as obras de Miró mas a ideia acabou por ficar adiada quando ao lançar o desafio ao então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, este lhe pediu primeiro apoio para produzir a exposição de Joana Vasconcelos.

“É uma coincidência, acabámos por estar envolvidos na exposição da Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda e na do Museu do Prado no Museu de Arte Antiga porque no princípio de tudo pensámos em fazer uma exposição com os quadros do Miró”, conta o promotor, responsável por financiar em grande parte as exposições da Ajuda e do MNAA, lembrando que foi em Julho de 2012 quando ouviu a intenção de vender a colecção que teve a ideia de primeiro mostrar as obras ao público. “Disse ao secretário de Estado da altura que era engraçadíssimo fazer uma exposição com aquilo que estava fechado num cofre, ele disse que era fantástico mas que antes precisava de alguém que o ajudasse a viabilizar a exposição da Joana Vasconcelos”, explica Covões, lamentando que em Portugal “as pessoas acordem tarde para os acontecimentos”.

De referir também que o espólio do museu Miró em Barcelona ronda, se a memória não me trai, cerca de duzentas obras. Quantos turistas atrairia uma exibição permanente de 80 e tal obras do pintor em Portugal? Será que isso valeria mais de trinta milhões de euros? Onde estão os cálculos certamente elaborados pelos gestores criteriosos que hoje nos iluminam? Ninguém quer saber.

Luis M. Jorge

Outro verdugo da esquerda moderna.

Não se faz isto aos rapazes, coitadinhos.

Luis M. Jorge

Tão bom.

Luis M. Jorge

Sim, é como matar judeus, ciganos e homossexuais. Faz parte da vida.

Carrada de jovens estúpidos e socialmente integrados, via Ana Cristina Leonardo.

Luis M. Jorge

Notas.

Há vários anos que me interesso por estratégia, palavra a que associo uma definição pessoal: a arte de planear a mudança quando as informações são escassas e o contexto é desfavorável.  Se durante muitos tempo o conhecimento da matéria foi inspirado em campanhas militares, hoje em dia está mais associado às empresas, o que é bom. Os Estados raramente se extinguem, ao contrário das empresas, o que torna mais fácil avaliar os resultados de uma estratégia na economia do que na política, pois a morte é uma grande professora.

 

Luis M. Jorge

Com as etiquetas

Entretanto, na América.

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Recordando os helderzinhos que escarneciam do Krugman e espumavam contra o “despesismo” de Obama. Observem, já agora, este modo de apresentar a informação aos cidadãos.

Luis M. Jorge

Entretanto, em França.

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E reparem no potencial.

Luis M. Jorge

O horror, a tragédia, o esfíncter.

Por falta de tempo concentro-me nas afirmações principais deste post do Pedro:

E leva-nos ao ponto em que o Luís e o deputado Hugo Soares, não tendo razão, estão ambos de acordo. E tal ponto, the horror, the horror, é este: ambos consideram a coadopção um direito. (…) Há um direito em causa, sem dúvida: o direito da criança a ter uma família. Mas esse direito deve ser defendido, com bom senso e caso a caso, pelos tribunais e pelas instituições. Não é um direito de quem adopta e muito menos de uma “minoria”. Se for do superior interesse da criança viver com alguém que é homossexual, ou vegetariano, ou até, Deus nos livre, deputado, nem a lei nem o referendo têm muito a dizer sobre isso. Basta que os tribunais e as instituições decidam com bom senso e caso a caso, repito.

Ora, o lobby gay recusa o bom senso casuístico porque quer a normalização da homossexualidade pela lei geral e abstracta. Quer uma lei aprovada pelo Parlamento, mas não um referendo de dúbio resultado, porque faz parte da sua estratégia de pequenos passos obter “direitos”, quase sempre através de maiorias parlamentares favoráveis, e assim o reconhecimento social de uma opção minoritária. É um caso de biopolítica, para usar o conceito de Foucault. Daqui até à criminalização da “homofobia”, por outras palavras de tudo o que os gays classifiquem no futuro como contrário aos seus “direitos”, vai mais um pequeno passo. Que será dado, tarde ou cedo, se a coadopção avançar.

Cá vai a resposta possível.

1.  Ao invocar o direito da criança a integrar uma família, contrapondo-o aos direitos “de quem adopta” ou de “uma minoria”, o Pedro falsifica a questão, porque esses direitos, caso existam, não se excluem. Uma criança terá sempre direito a integrar uma família, mesmo que dois homossexuais vejam reconhecida a sua faculdade de aceder em condições de igualdade, como casal, a um processo de adopção. O Pedro cria dilemas onde eles não existem.

2. O “bom senso casuístico” não é “recusado pelo lobby gay”. Pelo contrário, muitos homossexuais adoptam crianças sem que haja notícia de tentativas de imolação. O que falta é “bom senso legislativo”, ou seja, falta que o “lobby de Fátima” e o “lobby da JSD”  que manipulam com redes tentaculares a nossa casa da democracia (estou a usar livremente a imagética do Pedro),  regulamentem sem mais pruridos uma situação de facto, dando-lhe protecção jurídica. Ou seja, que considerem um casal como casal e tratem a criança de que cuidam como sua.

3. É certo que os homossexuais preferem “maiorias parlamentares favoráveis” a “referendos de resultado incerto”. Chama-se natureza humana. Talvez o Pedro reconheça que os gays integram o género humano.

4. Ou talvez não. Como um Ezequiel das apostasias sexuais ele profetiza tragédias horrendas a quem permitir a mistura entre o uso indevido do esfíncter e a parentalidade:  nem mais nem menos que  a criminalização da “homofobia”, por outras palavras de tudo o que os gays classifiquem no futuro como contrário aos seus “direitos”. 

Um cenário apocalíptico, dantesco, capaz de horrorizar as almas puras e os herdeiros daquela boa gente  que nos deu a Santa Inquisição.

Luis M. Jorge

Indeed.

Luis M. Jorge

Princesas da Disney sem photoshop.

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Aqui. Hoje em dia é uma maravilha ser criança.

Luis M. Jorge

Claro.

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Claro que se proibissem as praxes tinham de proibir as claques. E se proibissem as claques tinham de proibir as jotas. E se proibissem as jotas, as claques e a praxes quem é que iríamos encontrar, entre a nossa juventude, disponível para combater  aqueles arruaceiros dos grafitis e dos djembés que são a favor da adopção gay?  Há praxes bem bonitas.

Luis M. Jorge

Vai ser uma festa.

«Todos os direitos das pessoas podem ser referendados»

Aqui no blog vamos propor um referendo sobre a pressão mediática da esquerda, que atrapalha o direito à garrulice do presidente da JSD.

Luis M. Jorge

Menos, por favor.

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Enough is enough.

Luis M. Jorge

Já agora referenda-se isto.

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Não limitemos a democracia directa, camaradas.

Luis M. Jorge

A 30 minutos de casa.

Lawrence's Hotel

Era uma ideia antiga, finalmente cumprida por falta de forças para conduzir. Ficámos uma noite em Sintra e gostámos muito. Sintra, como Veneza, ou Nikko — com que se parece estranhamente — é infestada de dia e abandonada à noite, pelo que a melhor maneira de apreciar a vila é dormir por lá. O Lawrence’s recorda os melhores paradores espanhóis, com uma noção de conforto à antiga composto por toalhas que secam, camas que não rangem, fogo nas lareiras e uma equipa muito prestável sem cumplicidades deslocadas, que tranquiliza os hóspedes. Se não ficasse tão perto de Lisboa seria um destino recorrente.

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Luis M. Jorge

Verdades, referendos, argumentos.

Os intérpretes românticos da história das ideias acreditam em polémicas alimentadas pelo mérito dos argumentos. Mas desde os anos sessenta do século passado que um punhado de intelectuais procedeu ao mapeamento dos limites políticos da reflexão desinteressada.

Thomas Khun ofereceu-nos o conceito de “mudança de paradigma” para contrariar a credulidade de quem via o progresso como uma revelação paulatina da realidade objectiva, independente das crenças entranhadas nas comunidades cientificas. Ou seja, demonstrou que as crenças, mesmo em áreas identificadas com o método experimental e a razão, eram decididas por factores independentes, rupturas políticas e institucionais.

Nos anos setenta e oitenta as teorias de Khun foram usadas, e adulteradas, para propor que o cerne de um conjunto coerente de ideias não era a relação com qualquer realidade identificável mas, antes, o poder político que as suportava. “O que importa”, escreveu Sheldon Wolin, “não é sabermos que paradigma é mais verdadeiro, mas que paradigma será aplicado”.

Esta relativização da descoberta experimental abriu caminho a manipulações várias, intencionais. Uma das mais irónicas, iniciada em 1996 na Califórnia, chamou-se “The Wedge Project” e propunha a “substituição do materialismo e das suas heranças culturais destrutivas por uma alternativa científica positiva”, de matriz religiosa, a que se chamaria mais tarde “intelligent design” após um bem encenado “julgamento do darwinismo”.

Em breve alguém fará a história do neorepublicanismo, do ataque aos consensos científicos sobre alterações da temperatura, etc., e descobriremos novas e interessante manipulações. Mas não é isso que me traz aqui.

O que me traz aqui é a convicção de que muito dificilmente podemos defender ou contestar propostas como a do referendo à co-adopção por homossexuais sem ter em conta a antecipação do resultado prático dessa consulta popular.

Ou seja, este é um dos casos em que faz sentido a inversão de Clausewitz  ensaiada por Foucault: a política é uma continuação da guerra por outros meios.

Sendo que em guerra os argumentos respondem pelo nome de propaganda.

Luis M. Jorge

Nota mental.

Estou trabalhar com uma empresa que faz medicamentos para o cancro.   E de repente noto em mim um desconforto ao perceber que boa parte da comunicação nesta área sublinha as qualidades morais dos pacientes ou de quem os auxilia. A jovem que revela oh tanta coragem perante a sentença que a consome, o empresário que articula os últimos pensamentos com brio e equanimidade, etc.

Tento analisar a minha repugnância por este tom elevado, repleto de virtudes, e recordo os últimos meses dos meus pais. Nem a moral nem a filosofia lhes valeram e abomino quem, mesmo por inépcia, se arrisca a insinuar que uma boa dose de “coragem” ou outra merda qualquer poderia ter feito a diferença. Há, entre os vivos, uma quantidade excessiva de palermas sentenciosos.

Luis M. Jorge

Croquete e Batatinha.

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O artista da direita já identifica uma bola de ouro, mas continua a ignorar o que é um Nobel da Literatura.

Luis M. Jorge

Era altura de falarmos sobre isto.

O Pedro toca no assunto com a inocência de um  jesuíta: então os referendos são bons para umas coisas e  maus para outras? Em suma, sim. Ou melhor, não. Embora tenha esquecido as aulas de ciência política (uma amnésia que atribuo ao fulgor de Jorge Miranda)  tendo a considerar os referendos nefastos.

Participei na campanha do referendo sobre a despenalização do aborto por causa do tema, apesar do método. O veredicto popular agradou-me, a consulta não. Os referendos são a mais manipulável manifestação da democracia directa, que é em si mesma a mais demagógica excrescência da democracia representativa.

Quando os referendos incidem sobre temas de interesse geral é fácil erguer as massas recorrendo a efeitos retóricos que a plebe recolhe em estádios ou na Casa dos Segredos, sufocando os argumentos. Quando os referendos incidem sobre temas de interesse especial tornam-se confrontos pouco participados entre seitas adversárias, sem grande poder de representação.

Ou seja, a chatice que dão não justifica os benefícios que concedem. E o calor do povo deve ser temperado por um certo distanciamento das elites, antes de cair na rua.

Espanta-me que o Pedro, um conservador, não concorde com isto.

Luis M. Jorge

Não te canses, Munchau.

Os pobres imbecis venceram:

If you want to look for the real political scandal in France today, it is not the sight of the president in a motorcycle helmet about to sneak into a Parisian apartment building. It is that official economic thinking in Paris has not progressed in 211 years.

Mas temos a poesia:

Os mendigos da Rua do Carmo têm mais feridas
mais perninhas em côto do que na rua do Ouro.
Os cegos – como a minha avó os invejaria –
olham-me por baixo; eles estão na Rua Ivens.
Há um bem antigo e cego de bengala cor de Mó-
naco, polaca, preferem os outros.
Às vezes vejo-o no metro, vem com a companheira
– companheiras são bem coisas de cegos -,
é andar! Caem rápidas as moedas, nóvinhas, à
volta da minha casa. Vida de cego, cantada e
socialista. Ai quem me dera,
vivíamos num grande quarto.

Por causa de David Byrne, de João Miguel Fernandes Jorge.

Luis M. Jorge

Óbvio.

Espanta-me o sururu com a proposta de referendar a adopção por homossexuais. A verdade é que nesta, como em muitas outras questões, o PSD cumpriu o seu modus operandi: após achar uma solução sensata para uma lacuna estúpida, pensou mais um pouco e optou por uma medida estúpida que nada soluciona, mantendo a lacuna tal como estava. Se o país confiasse no PSD para tratar dos costumes ainda não existiria divórcio nem voto das mulheres em Portugal.

Luis M. Jorge

A democracia burguesa é um luxo, camaradas (2).

Vasco Pulido Valente:

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia atribuiu 298 bolsas de doutoramento, ou seja, a quase 40 por cento dos candidatos que se apresentaram. Para estudos pós-doutorais, a que concorreram 2035 pessoas, a dita Fundação deu generosamente 233 bolsas, ou seja: 11,45 por cento do total. Muitas coisas se poderiam dizer sobre isto. Mas, como se escreveu neste jornal, os cortes foram um “massacre” que afectará muito tempo a Universidade portuguesa e que mata de repente uma tendência que já começava a ganhar uma certa força. O responsável pela coisa é o dr. Nuno Crato, ainda ministro de um Governo que por aí vai sobrevivendo, sem direcção, sem programa e sem coerência. Não acreditam? Esperem pelo próximo episódio desta telenovela. No dia seguinte, ou pouco mais tarde, o dr. Nuno Crato apareceu numa conferência de imprensa conjunta com o dr. Pires de Lima. Nessa conferência os dois resolveram falar sobre “empreendedorismo e inovação”. Tanto um como o outro falaram com entusiasmo da colaboração entre a ciência e a economia: prometeram 50 milhões de euros, uma série de programas de utilidade duvidosa e um esforço para mandar infinitos doutorados para empresas de grande futuro. Mas, como bons burocratas que são, e nunca deixarão de ser, anunciaram também a sua coroa de glória: a criação de uma “agência interministerial” para se ocupar do assunto; o que significa evidentemente mais funcionários, mais conselheiros, mais secretárias, mais despesa e por aí fora. Claro que, se o “presidente” ou “director” desta original loucura tiver um resto de juízo, manda ao sr. Pires de Lima e ao sr. Crato uma cartinha, aconselhando este excelentíssimo par a devolver as bolsas a quem as tirou e pedindo respeitosamente a sua demissão. (…)

Quem gosta de gráficozinhos a la Medina Carreira pode também ver isto. Luis M. Jorge

O regresso.

A uma caverna cheia de anões vivazes e laboriosos que se oculta atrás de uma porta secreta num quarteirão insuspeito de São Bento regressa agora o maior de todos, Josléi, filho de Magalhis, a quem os anciãos chamam reverentemente “o tribuno”:

Se o memorando fosse a Vénus de Milo teria quatro braços e dois bigodes.
(…) Este Governo exprime-se de uma forma estranha, fazendo mesmo lembrar aquele intérprete de linguagem gestual sul-africano.

Haja alegria.

Luis M. Jorge

Ah sim, as “mentirinhas”, José Manuel Fernandes.

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A aisance com que os maduros do nosso pasquinismo se travestem em vestais chega a estontear. Ler também isto e isto, para podermos, enfim, abordar puerilidades como a manipulação dos indícios da retoma.

Luis M. Jorge

É o PS.

Hoje em dia os discursos sobre a oposição ao Governo tendem a interpelar as instituições (Tribunal Constitucional) ou, como faz o Filipe no post anterior, os grupos de pressão (a “Aula Magna”). Só que a oposição é o PS. E, na altura certa, será o PS que devemos responsabilizar pelas pequenas vitórias, muito manipuladas, deste Governo.

Luis M. Jorge

Às portas da morte.

Deixei de fumar há uma semana. Embora contemple ocasionalmente o suicídio e tenha espancado três tipos no metropolitano (estavam a passar à frente), julgo que enfrento o desconforto com equanimidade. O que me choca é a mentira. Apesar das garantias, já contraí uma gripe e pedras no rim. Quando fumava tinha uma saúde de ferro, agora estou às portas da morte. Isto deve fazer parte de um plano para me fazer deixar o álcool.

Luis M. Jorge

Nem mais.

A ridícula obsessão dos portugueses com a bola lembra as guerras das quadrigas nos tempos de Justiniano. Alguém ponha fim a isto.

Luis M. Jorge

Hehehehe.

A Helena Matos é contra “o discurso do ressentimento”. Logo, aproveitou com toda a naturalidade um tributozinho singelo e inocente ao Eusébio para se desforrar de Mário Soares. O ódio dos conversos é outra loiça.

Luis M. Jorge

Hihihi.

Só pelo que tem provocado de fúria desconchavada entre hélderes, cilinhas e mães de Bragança vale a pena exibir o testemunho. Se chegar a esta idade, conto fazer pior.

Luis M. Jorge