Marketing. Oh, sim, marketing.

As reacções à proposta de Marcelo Rebelo de Sousa — fazer uma campanha sobre Portugal dirigida a alemães — foram reveladoras. Os nossos senhoritos e fidalgotes desprezam o “marketing”. Uso a palavra com aspas para incluir nela todos os equívocos que lhe são associados pela malta que escreve e debita nos sítios do costume (incluindo os equívocos de Marcelo Rebelo de Sousa).

Mas, se considerarmos que muitos dos bloqueios da União Europeia são originados pela aproximação das eleições alemãs e, em especial, pelos preconceitos dos eleitores germânicos contra os indolentes povos do Sul, talvez a ideia de elaborar uma estratégia de persuasão nos pareça menos imbecil.

Não fosse este país ingovernável, não elevasse a burrice a conservadorismo, não confundisse o redondismo com sageza ou a afectação com inteligência e talvez o marketing, agora sem aspas, pudesse contribuir para uma solução.

Mas lá está, para fazer bom marketing precisávamos de ser tudo o que não somos.

Luis M. Jorge

15 thoughts on “Marketing. Oh, sim, marketing.

  1. João. diz:

    Pessoalmente já tinha considerado aquele vídeo para a Finlândia um pouco humilhante e é neste sentido também que tomo esta nova ideia de fazer um outro vídeo.

    • Não me estava a referir a “um video” João. O Marcelo percebe pouco destas merdas, mas a sua intuição devia ser aproveitada.

      • João. diz:

        Acho o contrário, que deveria ser desaproveitada 🙂
        Pessoalmente parace-me mais um passo na interiorização da ideia de que somos uma colónia a tentar impressionar a metrópole. É por isto que eu digo que é humilhante. E se na prática estamos nessa condição de colónia isso é mais uma razão para nos preservarmos o mais possível de uma assumpção militante dela, da condição de colónia. É assim que eu interpreto ao limite esta ideia de Marcelo – é uma militância de colónia.

      • Isso é puro sentimento de inefrioridade. Devemos fazer o que é útil não o que fica bem.

      • João. diz:

        O que Marcelo quer fazer é, para usar as suas palavras, ‘o que fica bem’ para os alemães.

  2. henedina diz:

    O Luís podia, pro bono, oferecer isso ao governo. Sabe fazer, assim a campanha não podia ser considerada mais dinheiro deitado fora e os alemaes ficavam a conhecer que muitos dos produtos que tem a mesa e não dispensam, foram trazidos pelos descobridores portugueses, por ex.

  3. pato marreco diz:

    Hum… o marketing de um país não me parece comparável ao de uma marca de tremoços, e mesmo esse não sei se têm resultado a curto prazo (assim tipo 3 anos ou algo que o valha)…
    Vejamos, a Mongolia, o Cazaquistão, o Azerbajão e mesmo a Rússia investem rios de aeurios na comunicação oficial (vide Eurosports, CNNs, Euronwes, et al…) e oficiosos, e não é por isso que por cá alguém considera esses paises algo mais que uns pobres asiáticos selvagens (que não o são, mas pronto)… ou seja: I missed your point.

    E a proposta do martelo – “um video” lembra mais a idiotice prós finlandeses do que uma tentativa séria de projectar e posicionar Portugal – marketing…

    • Tem razão em várias coisas, claro. Mas: existem bons exemplos de marketing de países. A Espanha, por causa dele, é o maior destino turístico mundial.

      E claro que a ideia de fazer “um filme” é idiota. Mas a ideia de fazer um plano para alterar as percepções do eleitor alemão sobre Portugal não é nada idiota.

      E tudo isso pode ser feito de um modo profissional, estudado, profundo, sem balelas.

      Quanto aos exemplos do Cazaquistão estão ao nível dos fornecidos pelo ex-ministro Manuel Pinho. Esqueça.

      • pato marreco diz:

        Sim, não dúvido que haja bons exemplos de paises no que concerne a marketing: da Suiça a Singapura e mesmo à “nossa” Macau, dos paraísos industriais aos Pukhet e Varadero (para evitar leituras ideologicas). A única coisa que contesto (se calhar por ignorância, admito, lí uns livros do Kotler e fiz uma cadeira dum mestrado, extemporâneo, com aquela informação, mas sem grande convicção) é que seja possivel fazer algo nesse aspecto a curto prazo… e sim, admito que temos uma boa comunidade “expat” que pode ajudar a criar, projectar, “refundar” , uma imagem de Portugal e dos Portugueses no mundo, seja perante os alemães, seja perante outros, mas não será num ano (digo eu), e é impriscendivel uma abordagem multi-vectorial cuja direcção e implementação não imagino enquadradas na super-estrutura cá do burgo…

      • Você coloca questões estratégicas (a comunidade por ex) e não se faz estratégia sem informação.

      • «E tudo isso pode ser feito de um modo profissional, estudado, profundo, sem balelas.»

        E como fazer isso neste momento? Achas que há competência para tal? E, mesmo que houvesse, resta a questão da vontade. Há sempre duas maneiras de nos evidenciarmos: (1) pela competência ou (2) pela ‘lambe-botice’; e quem nos representa apostou claramente na segunda. Claro que isso poderia ser feito, mesmo à revelia dos órgãos oficiais, se houvesse uma sociedade civil digna desse nome. Infelizmente, não há. Há, isso sim, todo um emaranhado de obstáculos que não é humanamente possível ultrapassar.

      • Tens razão, claro.

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